sábado, 20 de julho de 2019


This study focuses on the content of Portuguese wine blogs and addresses two main questions: (i) which content and design elements of Portuguese wine blogs have more impact on the promotion of wine; (ii) how can we assess and improve the content and design quality of wine blogs.

(...)

Strong correlations were found between performance measures (posts, comments and traffic). In addition, it was found that one of the main marketing features that bloggers can offer was in rating wines. Presentation features, on the other hand, were found to account for very little
regarding the performance of the blog.

(...)

The Portuguese wine blog community is mainly non-professional ("amateur"), individualistic, and mono-thematic (focusing exclusively on wine-related issues). The high level of anonymity among members tends to deter credibility and reduce authorship. They can be considered a niche wine consumption community as they fulfill at least two main characteristics: connection among members and shared rituals and traditions.

(...)

Wine firms should recognize the growing importance of blogs and their use as a marketing tool. Different actions can be taken by the wine firm: i) adopt a corporate blog that provides strong control over message; ii) sponsor a blog that assures strong coverage of all the activities of the wine firm; and iii) insert a banner in a blog that allows the firm to control the form and content of the message and attract attention to the firm's online shop or web site.

(...)

These actions, however, raise questions about a blogger’s independent judgment and ultimate credibility in the long term. This doesn’t mean that bloggers should be passive regarding wine firms, public relations firms or advertising agencies. A proactive strategy should begin by: i) positioning the blog to appeal to an interested wine audience (amateurs, experts, bloggers or not); ii) gaining a competitive advantage over other wine bloggers through influence (newspapers, television, wine magazines) and dynamic posting activity; iii) promoting the blog through public relations or directly to selected wine firms in order to obtain exclusive news and bring advertisers to the blog; iv) increasing blog traffic to assure relevance in the blogsphere.


in Promoting wine on Internet: An exploratory study of the Portuguese wine blog community, de J. Freitas Santos, ISCAP/Porto Polytechnic Institute and NIPE/EEG/Minho University, Portugal

Não sabia, mas o Puto participou (fez número para efeito de recolha de dados) no estudo.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Lacrau - Old Vines '2014

Mais uma das garrafas que tinha guardadas há anos e que recentemente presumi encontrarem-se num bom momento para o abate, esta é uma das propostas de referência da Secret Spot Wines. As uvas, indica o produtor, provêm de várias pequenas parcelas de vinhas muito velhas, em "field blend", localizadas em diversos pontos da região demarcada, sendo a vinificação feita na adega da empresa, poucos quilómetros a sul de Favaios.

E não me enganei: não só aparenta estar num bom momento para ser bebeido, como arriscaria não haver proveito em deixá-lo evoluir mais, mercê do sucesso da actual ligação da barrica, em expressão suave, a fazer lembrar madeiras aromáticas e especiarias, com um sumo que, por mais voltas que dê à memória, e tanto mais quantas mais dou, só consigo descrever como típico das vinhas velhas da região: denso, profundo, um pouco morno também, com flores e frutos pretos, esteva e mato seco, e ainda algo de solvente/químico aromático.

Gordo e envolvente, de acidez moderada, tem textura e sabor agradáveis e termina razoavelmente longo. Pelo seu perfil, poderá ser desafiante nesta altura do ano. Para um jantar mais substancial, de carne vermelha ou caça, ao ar condicionado ou no frescor da noite, se o houver.

16€.

17

segunda-feira, 15 de julho de 2019

O Puto já tem SSL. Não só na estrutura fornecida pelo Blogger, mas também nos posts que utilizam iframes para meter aqui conteúdos não directamente suportados pela plataforma, como as músicas e os jogos de xadrez em tabuleiros interactivos.

Substituir http por https no template foi fácil. Meter SSL a bombar na Heliohost, onde o código que faz tocar as músicas reside, idem -- e gratuito, veja-se aqui.

Também não foi difícil atualizar tooooodos os posts antigos para https, incluindo os links para imagens e assim, bastando para tal fazer download de uma cópia de segurança, em xml, de todo o blog, através da função que existe para esse efeito no painel do Blogger: "settings" > "other" > "back up content", substituir "http://" por "https://" onde devido (no Notepad++ é um doce: ctrl+h), apagar os posts originais, para evitar duplicados, e carregar a cópia de segurança modificada via "settings" > "other" > "import content". Infelizmente, este processo não guarda as etiquetas dos posts e altera os URL, pelo que, daqui para trás, as referências "do mesmo produtor, também bebi o de 1999, 2012 e 2013" foram todas à vida.

Em muitos browsers, o reprodutor das músicas -- Nifty player, em flash: mea culpa ainda não ter actualizado o recurso para algo mais actual -- não aparece até ser accionado, "por motivos de segurança", o que torna tudo um pouco menos bonito, mas permite a quem quiser, facilmente, continuar a aceder.

Ja quem tentar ver a maioria dos jogos de xadrez publicados via Chessbase 15 vai deparar com isto, se estiver a usar o Chrome...


... e gritos de alarme ainda mais sugestivos, caso use o Firefox...


... porque o servidor para onde o programa envia os jogos, e a partir de onde os exibe, www.viewchess.com, utiliza um certificado que foi atribuído a chessbase.com, e não ao domínio em questão, retornando um erro SSL_ERROR_BAD_CERT_DOMAIN. Ora, viewchess.com pertence, sem dúvida, à Chessbase, mas as máquinas são cegas e anda aí muito filho de muita mãe.

Reportei; que resolvam, se assim entenderem.<br /><br />E "prontos", é isto. O Puto ainda agora saiu do coma induzido e já está outra vez doente. E desta vez nem é culpa dele! MEH.

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Quinta da Bica - Vinhas Velhas '2011

A Quinta da Bica fica, poderá dizer-se, no chamado "Dão serrano", entre Arrifana e Santa Comba de Seia, não muito longe, para nascente, da Quinta do Escudial, e na direcção oposta, de MOB - Moreira, Olazabal & Borges.

Do mesmo produtor, falei aqui de um "Colheita" de 2005 e de um "clássico em estilo moderno" a que chamaram "Radix", de 2008, ambos consumidos em 2013 e que deixaram vontade de mais.

Diz o contra-rótulo deste espécime que a quinta "... está na nossa família desde o século XVII e desde então, se produz vinho aqui. A qualidade e singularidade dos vinhos da quinta, desde sempre reconhecidas, constituíram um forte estímulo para a criação da Região Demarcada do Dão em 1908, em que teve papel activo João Sacadura Botte, nosso trisavô". Refre ainda tratar-se de um "conjunto de castas autóctones, destacando-se Touriga nacional, Baga, Alvarelhão, Jaen e Rufete", de produção limitada aos anos considerados excepcionais e que "só entra no mercado após 5 anos de estágio".

A fruta, que comanda, é silvestre, escura, indiferenciada, qual tutti fruti de bagas, com toque terroso e certa rusticidade de montanha. Discreto nas especiarias e ainda mais na barrica, é um vinho fresco e extremamente palatável, cheio de firmeza e substância, mas também de leveza e fluidez. Sabe a autêntico e original -- um novo favorito do produtor.

Custou menos de 10€ e, para o preço, pelo que é e pelo que representa, está super bem.

17

domingo, 7 de julho de 2019

Quinta de Cabriz - Reserva '2012

Aberto no mesmo fim de tarde/princípio de noite que o anterior, em jeito de comparativo, este é outro produto do Dão e da Global Wines, mas proveniente de Carregal do Sal, um pouco mais a sul. Também ele um lote de Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz, com nove meses de estágio em barrica, passou mais ou menos meia hora a tomar ar, dentro de um decantador, antes de ser levado para a mesa.

Vinho de cor escura e brilhante, mostrou, à semelhança do Santar, uma mistura, bem ligada, de frutos negros, terrosos, e barrica. E se o perfil da fruta podia ser mais diferente, provavelmente face à presença marcante da Touriga, aqui mais floral, mostrou-se a madeira bastante diferente, a incidir muito mais em fumados e abaunilhados, num retrato, para mim, mas se calhar só para mim, menos fino que o do outro.

Em todo o caso, está também ele um vinho adulto, com pele, especiarias e chocolate, bem dimensionado e bastante senhor de si -- não sendo um escaparate de substância, exibe, sem pudor, a que tem. Tal como o Santar, estará no seu melhor, não valendo a pena guardá-lo mais tempo, a menos que por curiosidade, que também é uma boa forma de nos candidatarmos a surpresas.

7€.

16

Casa de Santar - Reserva '2012

As vinhas deste produtor, que integra o universo Global Wines, ladeiam a N231, entre Santar e Vilar Seco. Foi feito com Touriga Nacional (julgo que predominantemente), Alfrocheiro e Tinta Roriz; li algures que passou nove meses em barrica antes de ser engarrafado. Deixámo-lo arejar mais de meia hora antes de ser servido.

De cor escura e brilhante, trouxe consigo o conjunto de fruta escura e madeira perfumada que tem vindo a pautar os Santar "Reserva" tintos ao longo das suas diferentes edições dos últimos anos. A fruta, savory, de doçura guardada e toque terroso, a fazer lembrar amora, groselha e outros que tais, conduz o conjunto. Apesar da idade, este vinho retém o perfil que tinha em novo, mas mais maduro, mais coeso, possivelmente tanto quanto poderá vir a estar no seu tempo de vida, as arestas na estrutura e acidez limadas pelo tempo. Chocolate, café, tabaco, menta e aquela tão característica barrica, tudo contribui para um leque de impressões que, não sendo extremamente amplo ou profundo, é equilibrado e, pelo menos para mim, francamente prazeroso.

O Casa de Santar "Reserva" é um vinho de perfil bem definido e ao encontro do qual se tem ido, com  as inevitáveis diferenças que a natureza vai ditando, de ano para ano. No entanto, mantendo-se a terra, os homens que o fazem e aquilo que eles querem face aos homens que o compram, essas diferenças têm-se revelado pequenas. E ainda bem, porque este é um vinho que, desde que o conheci, se tem mostrado uma aposta segura, não só pela sua qualidade objectiva, que é elevada, como pela minha predilecção pessoal por certas coisas que me mostra.

12€.

17

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Mar de Frades '2018

Albariño Atlántico, dizem eles. Ou o "nosso" Alvarinho, além-Minho. Fundado em 1987, o produtor de Arosa, Meis, tem a sua operação instalada em pleno Val de Salnés, a mais fresca e húmida das sub-regiões das Rías Baixas, localizada um pouco a norte de Pontevedra, e que é, segundo muitos, o lugar de origem da casta.

Adicionalmente, poderá afirmar-se que este é já um dos Albariño clássicos de Espanha e que o produtor se mostrou muito satisfeito com a colheita de 2018 -- mas também, se fosse apresentá-lo ao público a dizer que não...

Sem mais merdas, a mim, encantou-me. Vibrante de frescura, limonado, mas de limão maduro, raspa incluída, e salino. Sem ser excepcionalmente longo ou volumoso -- e até que ponto seria conveniente ao equilíbrio de um vinho com este perfil sê-lo? -- está tão bem conseguido, tão coeso e bem acabado, tão natural, que, sem exagero, o bebi como se de água se tratasse. No bom sentido da expressão.

Em suma, um novo favorito, que me deu um prazer que há muitos anos não encontrava em nenhum dos seus correspondentes elaborados do lado de cá da fronteira.

A forma como se portou com um bife de atum braseado, arroz thai, generosa porção de gari e uma salada, fresquíssima de tomate e pepino, tudo com bastante limão, deixou-me a ideia de ser o vinho perfeito para sushi. Em breve tirarei isso a limpo.

14€.

17,5

sábado, 29 de junho de 2019

Vale de Esgueva - Vinhas Velhas '2015

Este é um tinto de Vermiosa, Figueira de Castelo Rodrigo. Há muito que aprecio grandemente os vinhos desta zona, que espero que continue a crescer e venha a conseguir os maiores sucessos. Mas também há muito que noto -- noto, notamos: eu e outros -- que, pelo menos no que diz respeito a tintos, e tirando uma ou outra experiência, que acho sempre de louvar, mesmo que não corra bem, dizia, que a região se deixa influenciar "um bocado grande" pelo Douro, geograficamente próximo e com o qual possui semelhanças consideráveis, mau grado as necessariamente relevantes diferenças que, se calhar, por vezes, não são tidas na devida conta.

Citando o produtor, Casa das Castas, a matéria-prima para este vinho provém da "Vinha do Serro, uma vinha centenária onde, num projeto de conservação do património genético, preservamos as variedades de videiras ancestrais que com o passar dos anos se têm vindo a perder". As uvas foram pisadas a pé, em lagar de granito, e o vinho passou meio ano em madeira antes de engarrafado.

Encontrei um tinto potente, de carácter maduro, corpo macio e persistência mediana, com boa fruta, algo indiscriminada mas tendencialmente vermelha, pelo menos para mim e o meu nariz, toque de vegetal aromático e seco, e aromas de evolução -- ou talvez "terrunho", ou ambos -- a compor. Não podendo ser considerado um espécime marcadamente exótico, e não sei se tal coisa será possível ou desejável na sua terra, ou até se esse exotismo não passa de uma projecção pessoal sem reflexo no mundo, este vinho mostrou-se, enfim, para além de sólido, um pouco diferente, diferente do que bebo habitualmente e do que habitualmente encontro na região, o suficiente para me convencer a voltar a comprá-lo.

10€.

16,5

terça-feira, 25 de junho de 2019

domingo, 23 de junho de 2019

Margarida '2009 (Tinto)

O Monte da Azinheira, onde está sediado o produtor deste vinho, Monte dos Cabaços, encontra-se nas imediações da aldeia de Arcos, a uns sete quilómetros de Estremoz. O projecto tomou forma em 2001, pela mão de Margarida Cabaço, do icónico restaurante "São Rosas", um dos melhores do Alentejo e que, infelizmente, já não existe.

Encontrei, a propósito, uma entrevista de Margarida Cabaço a Alexandra Prado Coelho do "Fugas" do "Público", leitura agradável e, se estivermos para aí virados, "food for thought".

Dos vinhos do produtor, são chamados "Margarida" os considerados especiais, baseados na melhor casta de cada colheita. Lê-se no contra-rótulo: "Em 2009 elegi a casta Alicante Bouschet como base para este vinho. As uvas foram vinificadas em lagar, com pisa a pé, e fizeram um estágio parcial em barricas de carvalho francês". Abri a garrafa nº 1820 -- não sei de quantas.

Logo à primeira vista, um vinho grande, intenso, repleto de fruta rica, cálida, como ameixa, goselha e ginja, com marcas de sobremadurez e licor. Junto com ela, um tempero de torrefacção, em todo o caso subtil, a fazer lembrar, essencialmente, café. Longo e macio, todo ele bem ligado, é um vinho ainda em forma, mas que não deverá ganhar com mais tempo em cave -- mesmo assim, não são muitos os que chegam aos dez anos neste estado. Apesar de não possuir a grandeza "orgânica" de um Mouchão, é um belo vinho.

Sobrou para o dia seguinte a quantidade suficiente para encher mais ou menos um copo generoso, que então foi tirada do frigorífico e acompanhou uma sanduíche de peru assado. Pareceu-me então mais doce, com xarope de groselha e rebuçados "floco de neve" e de alcaçuz. Ligeiro toque de oxidação.

Se a memória não me atraiçoa, quando o comprei, era vinho para cerca de vinte euros.

17