Este Vinho Regional da Estremadura, da Quinta do Monte d'Oiro, é um varietal Syrah com um toque de Cinsaut, que estagiou durante 16 meses em barricas de carvalho francês Allier — metade das quais, novas — e mais uns tempitos em garrafa até ser lançado no mercado.Ganhou uma medalha de prata no International Wine Challenge — Vienna '2006 e mereceu 16 valores no guia de João Paulo Martins.
Cor intensa, a fugir para o granada. No nariz, é denso e complexo — ataca com fruta doce e flores — para logo passar a um interessante leque de tostados, estes ricos, a irem de notas de queima das barricas a intensas sugestões de carnes de fumeiro — surgindo, depois, tons ferrosos, notas de sangue — tudo assente num fundo mineral com certa amplitude e frescura.
Tal como no nariz, é suave na boca — calorosa: percebe-se que é um Syrah — onde os aromas e sabores surgem bem casados, sem surpresas. A acidez aparece bem vincada — tanto que acaba por definir a presença do vinho no palato. Pena que o corpo, apenas mediano, e o final — muito discreto — não permitam mais que recordações de breve passagem — full of piss and vinegar — a la Patti Smith — aquela sensação de falta que é tudo menos reconfortante.
Ainda notei que, à medida que se lhe vai escoando a vida no copo, vão aparecendo aromas mais acres, mais pesados, a mofo, a oxidação — o cacau «bruto», as notas de Xerez...
É um vinho encorpado, com boas madeiras, mas falta-lhe alguma coisa. Talvez, ao contrário do que, simpaticamente, se sugere por essa web fora, o ano de 2002 também tenha sido mau na Quinta do Monte d'Oiro — ou porque é que, nesse ano, não se produziu o primeiro vinho?
Profundo, com personalidade, é um Syrah decente, mas já os provei bem melhores, até para o preço — 14€.
15
Ah! Já me esquecia...
A página do produtor, apresentação que se nota pensada por uma fina inteligência, reveladora de verdadeiro bom gosto e de indiscutível sentido de marketing — de vendibilidade — fez-me sorrir por três motivos, de dois dos quais acabei de vos falar de sobra — e fica aqui.
O terceiro, sem malícia, é este — corrijam lá isso, pretty please.
Update em jeito de post-scriptum: E eles corrigiram!
