Comprado no morno lugarzinho do costume, onde tanto gosto de ir beber os meus Yauco Selecto AA com água das Pedras, este tinto velho — feitas as contas, deve estar no mercado desde 2001 — vem das frias terras do Dão, mais especificamente da Quinta de Cabriz, propriedade do gigante que é a Dão Sul. Perante o meu cepticismo, garantiram-me ter sido guardado em boas condições, o que verifiquei ser verdade. Só por isto, nota positiva para o produtor — que, neste caso, embora de forma só mais ou menos directa, também foi quem mo vendeu.
Diz o rótulo:
«O designativo "Superior" está previsto na legislação vinícola portuguesa, mas, inexplicavelmente, raramente é utilizado pelos produtores. Entendemos que na colheita de 2000 se justificava para este vinho, que consideramos de acordo com o termo! Tendo por base as castas Alfrocheiro [50%], Touriga Nacional e Tinta Roriz, foi estagiado cerca de 6 meses em barricas de carvalho francês de segundo ano e outro tanto em garrafa, antes de ir para o mercado. Nós ficámos muito contentes com o resultado e mais ficaremos se merecer a sua preferência.»
Diz o rótulo:
«O designativo "Superior" está previsto na legislação vinícola portuguesa, mas, inexplicavelmente, raramente é utilizado pelos produtores. Entendemos que na colheita de 2000 se justificava para este vinho, que consideramos de acordo com o termo! Tendo por base as castas Alfrocheiro [50%], Touriga Nacional e Tinta Roriz, foi estagiado cerca de 6 meses em barricas de carvalho francês de segundo ano e outro tanto em garrafa, antes de ir para o mercado. Nós ficámos muito contentes com o resultado e mais ficaremos se merecer a sua preferência.»

A cor pareceu-me algures entre um rosado escuro e o granada, de concentração discreta.
O aroma suave, fresco e delicado, axaropado pela idade, rapidamente lhe denunciou as origens — tivera-me cruzado com ele em prova cega, não teria, contudo, qualquer dúvida acerca de se tratar de um Dão rico em Alfrocheiro. E que mais dizer? Que ofereceu um bouquet limpo e agradável, embora de largura limitada? Ok, seja — para além da fruta axaropada, havia muito cabedal suave e sugestões várias a malte e afins, manteiga (excesso de diacetilo? — mas um excesso na conta certa!), bolos e frutos secos...
Na boca, uma surpresa: estava tenso, com tudo no lugar, com força, nada como esperava encontrá-lo depois daquele nariz. O corpo ainda cheio, com a acidez a notar-se pronunciada; a fruta em xarope com nuances de flores e couro — pobre caricatura do inimitável sabor de um bom vinho velho, a que tento pintar! —, persistente. Os taninos ainda secos. Que estrutura!
Custou 15€.
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