Ok, o necessário update ao que se tem bebido.Para começar, depois deste, outro vinho da Tapada do Chaves, este o topo de gama da marca.
Foi vinificado a partir de uvas das castas Trincadeira, Aragonês, Castelão e Tinta Francesa, provenientes de uma vinha muito velha — a mais antiga da Tapada, dizem —, com mais de 85 anos, e estagiou durante 8 meses em barricas de carvalho português e 5 anos em garrafa antes de ter sido lançado no mercado.
Cor granada; orla a acastanhar.
Aroma denso, algo melado, cheio de fruta vermelha e negra, numa festa de matizes — fruta muito madura, ainda ligada ao corpo-mãe pelo pedúnculo, fruta demasiado madura, talvez a apodrecer no chão, fruta em compota, fruta em calda e fruta em passa... No fundo, e muito discreta — muitíssimo mais que no "Reserva" comum —, surge folha de tabaco e alguma madeira do estágio, a fazer lembrar seivas e balsâmicos doces e suaves: talvez resina de pinheiro "estagnada" — algum dos meus queridos leitores alguma vez guardou, durante meses, umas "nozes" de resina de pinheiro coagulada? Pois foi a esse balsâmico que me cheirou.
Na boca, muito bom. Amplo e equilibrado. Espesso mas fluido, dotado de boa acidez, tornada discreta pela profusão de taninos nobres, suaves como veludo. Gordo, com muito sabor a fruta transformada, temperada por um toque de tabaco e fumo. Persistente, quase pegajoso.
Em suma, não deslumbrou nem desiludiu — embora o esperasse mais falador, de bouquet mais complexo, acabou por se mostrar castiço e cheio de honestidade: é um bom vinho, ao mesmo tempo cheio e elegante, e que ainda terá bastante tempo de vida pela frente.
Se não me engano, custou 25€.
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