terça-feira, 27 de abril de 2010

Adega Cooperativa de Borba — Garrafeira '2001

Foi o primeiro "Garrafeira" da Adega Coop. Borba. Proveniente de uvas das castas Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet, passou por longas macerações peliculares e fez a maloláctica em inox. Estagiou durante 18 meses em antigos tonéis de madeira exótica — qual ou quais? — e barricas de carvalho americano.

Cor granada, com halo atijolado.

No nariz, aromas essencialmente terciários: couro, tabaco, graxa, farmácia antiga. Pouca fruta, negra, muito madura, a surgir ainda com relativa limpidez por entre notas de transformação, adocicadas, com toque oxidado — alicorados.

Na boca é fresco, fino, bonito, equilibrado, sem arestas ou pontas soltas: elegante. Porte mediano, idem no que toca ao final.

Está bem bom, mas já terá começado a curva descendente.

13€.

16

domingo, 25 de abril de 2010

Quintas de Melgaço — Alvarinho '2008

Alvarinho produzido por Quintas de Melgaço — Agricultura e Turismo, SA. Fermentou em inox, a temperatura controlada, não tendo passado por madeira.

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Foi bebido a 12ºC.

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Aroma amplo, embora nem por sombras exuberante, com sugestões de lima e flores brancas, maçã, banana, e ainda manga e ananás, uma hora depois de aberto e quase meia dúzia de graus centígrados acima da temperatura de serviço.

Seco e mineral, gordo mas firme, sempre muito fresco, de final longo e vivo. Em termos de perfil, diria que está entre este e este.

8€.

17

sexta-feira, 23 de abril de 2010

The Wild Flower's Song

As I wander'd the forest,
The green leaves among,
I heard a Wild Flower
Singing a song.
"I slept in the earth
In the silent night,
I murmur'd my fears
And I felt delight.

In the morning I went,
As rosy as morn,
To seek for new joy;
But I met with scorn."


William Blake,
Poems From the Rossetti Manuscript (Part I),
1793-1818.


Uma nota histórica interessante: quando Elizabeth Siddal morreu, em 1862, este Manuscript acompanhou-a na sua última viagem. Foi desenterrado em 1869 . . . Dante G. Rossetti achou que valia a pena publicá-lo.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Akyles '2006

Catalão, oriundo de vinhas situadas a 300m de altitude, produzido por Viñedos de Ithaca a partir das castas Garnacha Tinta (42%) e Peluda (18%), Cariñena (25%) e Cabernet Sauvignon. Fermentou, parte em inox, parte em barricas, à antiga, sem controlo de temperatura. Barricas essas onde se realizou a maloláctica do conjunto, sucedida por um ano de estágio.

Foi servido a 16ºC, após breve arejamento.

Curiosa primeira impressão, nem coberto por barrica nem objectivamente orientado para a fruta, que acaba por crescer quase sem se dar por isso, negra, madura, simples e directa, plantada em xisto, ou talvez ardósia, com toque anisado. Embora nunca exuberante, é um vinho vigoroso e persistente q.b., fácil, macio, de taninos nobres.

Gostei. Agora falta abater um Odysseus.

17€.

16

sábado, 17 de abril de 2010

Castelo Rodrigo — Touriga Nacional '2004

Consumido no mesmo dia que o do post anterior, outro varietal da Cooperativa de Castelo Rodrigo. Garrafa nº 14808 (de 27200).

Foi decantado meia hora antes de servido. Apresentou-se ao nariz com aromas de frutos silvestres, vermelhos e negros, bem maduros, mas não compotados, entremeados com sugestões vagamente florais, evocações de violetas. Fortemente terroso, com laivos ensanguentados, a barrica a pouco se fazer notar. . . como um Côte-Rôtie impossivelmente maduro. . .

Gordo q.b. na boca, apesar de o sabor ter surgido um pouco menos intenso que o prometido pelo nariz. Mais definido com o tempo de abertura, a fruta em crescendo, a culminar em belas sugestões de frutos silvestres, doces, pouco ácidos, deliciosos, que foram perdendo o brilho à medida que se mesclavam com as notas de chocolate que iam despontando.

É um Touriga diferente, agradavelmente austero. E no ponto.

5€.

16,5

terça-feira, 13 de abril de 2010

Castelo Rodrigo — Touriga Franca '2003

DOC Beira Interior, monocasta Touriga Franca da Adega Cooperativa de Figueira de Castelo Rodrigo, foi bebido na sequência de uma viagem recente à terra de onde é natural. Das 13600 produzidas, abri a garrafa nº 5652.

E passo a transcrever as impressões que na altura deixei no caderninho negro:

«Escuro. Neste vinho, a casta mostra-se mais abertamente doce, com a fruta a surgir mais denunciada que na generalidade dos seus (mais comuns) congéneres do Douro. É macio e equilibrado, embora se note estar a perder fulgor. Evolui para notas compotadas, à mistura com nuances de frutos secos.»

Depois da desilusão que para mim constituiu o "Colheita Seleccionada" desta Adega (também de 2003), confesso que fiquei agradavelmente surpreendido.

E ainda assim, o melhor estava para vir.

4€.

14,5

sábado, 10 de abril de 2010

Montecielo — Crianza '2005

Lote de Tempranillo, Garnacha e Graciano, Rioja "Crianza" produzido pela Bodega Isidro Milagro, de Alfaro.

Cor granada.

Nariz simples, de intensidade modesta, tipicamente riojano, com a fruta, essencialmente cereja amarga, a surgir por entre notas abaunilhadas e de madeira resinosa. Juraria ter-lhe também detectado alguma ligeira forma de sugestão ferrosa, a fazer lembrar sumo de bife cru.

Boca de ataque incisivo, muito provavelmente por via da acidez. Mas, no todo, pobre e desinteressante. Parca na fruta, a madeira saliente, aparenta já ter perdido o vigor da juventude. Termina curto e taninoso.

Mudo ao segundo dia, blergh.

4€.

13

domingo, 4 de abril de 2010

Pausa — Reserva '2005

Vinho Regional Alentejano, lote de Petit Verdot, Tinta Barroca, Touriga Nacional e Tinto Cão, produzido por ILEX Vinhos na Quinta da Margalha (Gavião) — um lugar que por sinal é montes de giro, vale a pena visitar.

Dark and ripe, o nariz a fazer-se de frutos negros compotados, a ameixa em destaque, à mistura com outras sugestões vegetais, tão confusas como características de vinhos de zonas quentes e baixas. . . é redondo, de textura cremosa, volume mediano, acidez discreta, 13.5% de álcool que parecem mais, a barrica ainda bem evidente. . . só um toque de especiaria, outro de doçura. Depois cacau. Podia perdurar mais.

Correcto e previsível, faz lembrar aquelas pessoas formatadas que se compram nos supermercados. É o tipo de bebida que levaria para um jantar com aqueles amigos que não gostam (mas bebem) vinho.

10€.

16

O "Banger"

Se o merdas conseguisse bufar-se pela pila,




teria, sem dúvida, passado a vida a comer gajas.

sábado, 3 de abril de 2010

Dona Berta — Rabigato "Vinhas Velhas" '2007

Rabigato da Quinta do Carrenho — Freixo de Numão (V.N. de Foz Côa).

As uvas vieram de vinhas velhas e novas, plantadas em altitude.

Não passou por madeira.

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Amarelo (quase palha).

Flores, espargos, palha e frutos de polpa branca. Toque tropical. Despontam notas meladas com o tempo de abertura.

Vivo mas suave, mostra grande equilíbrio entre frescura e untuosidade. Nem doce nem amargo, sabe ao que cheira. Termina longo e mineral.

13€.

17