domingo, 30 de janeiro de 2011

Quinta da Costa das Aguaneiras — Vintage '2007

Ainda outro Vintage de Fernando de Albuquerque — Casa de Mateus. Engarrafado em Março de 2009.

Frutos silvestres, pretos, maduros, cacau, ligeiro fumo, violetas e flor de sabugueiro — o conjunto habitual, com boa força e persistência. Ainda um pouco desarticulado, mas, mesmo assim, definitivamente mais coeso que o de 2008. Em relação ao qual também se mostra mais fresco, com o verdor característico do ano em evidência. No mais, é ligeiramente áspero, mas muito saboroso.

A acompanhar, Serra curado, artesanal, de Videmonte, e pão.

20€ aprox.

17

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

From Stone to Steel

From stone to bronze, from bronze to steel
Along the road-dust of the sun
Two revolutions of the wheel
From Java to Geneva run.

The snarl Neanderthal is worn
Close to the smiling Aryan lips,
The civil polish of the horn
Gleams from our praying finger tips.

The evolution of desire
Has but matured a toxic wine,
Drunk long before its heady fire
Reddened Euphrates or the Rhine.

Between the temple and the cave
The boundary lies tissue-thin:
The yearlings still the altars crave
As satisfaction for a sin.

The road goes up, the road goes down —
Let Java or Geneva be —
But whether to the cross or crown,
The path lies through Gethsemane.

E.J. Pratt, 1932

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Bafarela — Reserva '2008

Da Brites Aguiar. Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Amarela. Estagiou durante 10 meses em barricas de carvalho francês, parte das quais, novas. Garrafa 12952 de 40666 produzidas. Para além dos frutos silvestres (vermelhos? pretos? não percebi) muito maduros, ainda apresenta alguns aromas de fermentação, a par com curiosas notas redutivas, adocicadas, difíceis de definir, mas nem por isso agradáveis. Tem algum corpo, já bastante macio, muito frutado, de acidez discreta e final modesto. Melhora com um valente arejamento: a fruta, mantendo o perfil, como que fica mais limpa, mais apetitosa. Apesar de seguir um estilo de que, pessoalmente, não sou grande apreciador, há que reconhecer nele um vinho bem feito, que não compromete. Para beber já.

5€.

15

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Quinta da Alorna — Reserva (Touriga Nacional + Cabernet Sauvignon) '2008

Em relação ao produtor, link. Retinto e concentrado, este vinho faz lembrar terra seca e flores rasteiras, violetas, como é cliché apontar à casta que lhe marca o nariz, ameixa preta, cheia de açúcar mas nem por isso a rebentar de doce, passas, talvez, e muito provavelmente cacau, cacau amargo. Já agora, serei eu o único a encontrar elementos comuns entre o amargor do cacau e o oxidado do xerez, será só impressão minha? Ah! e, claro, ia-me esquecendo, carradas de carvalho novo: nem tosta nem resina, muito menos baunilha — antes pau, pau puro e duro, que deus me perdoe. Menos sumarento que o de 2007, que, convenhamos, estava quase brilhante, este é, ainda assim, um bom ribatejano, fresco, carnudo e muito generoso, longo e amplo qb. Estará melhor para o ano, aposto.

Foda-se, nada me tira a impressão de que a escrita deste post está uma miséria. A cada dia que passa sinto-me mais burro e, nem sei, se calhar, o pior é que ainda não embruteci o suficiente para deixar de me aperceber disso. Oh, vida!

6€.

16

domingo, 23 de janeiro de 2011

Herdade da Comporta '2007

Da Herdade da Comporta, exploração agradável sita nas imediações da aldeia com o mesmo nome. As castas, Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet e Touriga Franca. Terá estagiado em madeira, muito provavelmente nova, mas não encontrei informação definitiva a esse respeito.

É um vinho que se nota feito para agradar: bastante amplo, de cheiro rico e envolvente a bagas pretas, doces, tão imediatas como planas, par a par com tosta e madeira resinosa. Tem acidez e taninos firmes, embora já maduros, e um bom final também. Mas a fruta prometida pelo nariz não se confirma na boca, o álcool nota-se em demasia e é a madeira, ainda muito verde, o que acaba por sobressair.

Acompanhou costeletas de porco, fritas, comidas com pão. Jantar simples.

7€.

14,5

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

E isto, ninguém comenta?

"Malolactic Fermentation: Banned in Portugal" — @ Alice Feiring's, há um ano atrás. Curioso que não tenha lido nada sobre o assunto em português. Talvez, simplesmente, não seja interessante.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Mouchão '2002

Depois deste e deste, outro da Herdade do Mouchão. 70% Alicante Bouschet, 30% Trincadeira. Fermentou em lagares, tendo posteriormente sido estagiado em tonéis e, uma pequena parte, diz-se que em jeito de tempero, em barricas de carvalho francês.

Granada. Muito denso, muito escuro. A princípio, e por muito tempo, cheira a vinho, a sumo de uva fermentado, algo abafado, temperado com mais certo quê que não se deixa perceber. Só após mais de uma hora de arejamento a fruta ganha uma cara: ameixa negra madura, um pouco pesada, permeada por sugestões de bagas e passas de uva e figo — que bonito. Na boca, o sabor característico dos vinhos da casa, envolvente, sempre com alguma evolução. Longo e carnudo, com traços de frutos secos em pano de fundo e no final.

Segundo dia: o retrato da madeira é notável: cheirosa, só muito levemente tostada. A fruta negra, carregada, madura, aromática, faz-se acompanhar de especiarias e azeitona parda. As sugestões de frutos secos foram-se. O sabor mostra-se firme e fresco, como que a transpirar ligeiro amargor. Os taninos são espessos, grandes, aconchegantes. O final, longo e poderoso, de quentura aprazível. Neste vinho, nada se tenta impor e, simultaneamente, nada aparenta ter nascido reduzido à mera condição de adorno. Tudo coexiste com a maior tranquilidade e tudo indica que tal continuará a acontecer por muitos anos — louvado seja.

40€.

18,5

domingo, 16 de janeiro de 2011

Cape Mentelle — Shiraz '2003

As vinhas de Cape Mentelle localizam-se no extremo sudoeste da Austrália, nas imediações de Margaret River, junto ao Oceano Índico. Aqui, o clima é relativamente fresco, temperado pela influência marítima, sem grandes oscilações de temperatura ao longo do ano, e o solo é maioritariamente composto por camadas de cascalho dispostas sobre leito granítico, capaz de proporcionar às videiras boa drenagem. Monocasta Syrah parcialmente fermentado em madeira, este vinho passou 18 meses em barrica antes de ser engarrafado.

Primeira impressão: pouco aroma. Cheiros varietais, sobretudo ameixa preta, levemente apimentada, mais próxima da austeridade presente nos espécimes do Vale do Ródano que da calorosa opulência característica dos vinhos do sul do seu país. Com o aumento de temperatura, cresceram notas de especiarias quentes: canela, cravinho, noz moscada, pimenta?!, bem como curiosas nuances de mel de acácia. Tudo suave, fraquinho, mas muito bom.

Também na boca entrou pálido, de sabor esmaecido, sem grande volume, apesar da boa persistência e, mais importante ainda, do manifesto equilíbrio entre as partes. Juro que demorei a perceber que talvez se tratasse de uma questão de estilo, uma vez que falha evidente não lhe conseguia encontrar, e o certo é que, passado o choque da não correspondência com a coisa esperada, comecei a pensar nele, talvez com ele também, e a desilusão inicial foi diminuindo. Reparei que os 14,5% de álcool estavam mesmo muito bem integrados, que a acidez, não sendo vincada, estava presente, que a fruta, apesar do calor especiado que como que dela se libertava, se mostrava fresca, que o sabor, apesar dos cheiros melados, era limpo, seco, bastante elegante...

Está naquele ponto em que deixou de ser completamente primário, ainda revelando alguma aresta — não valerá a pena guardá-lo mais tempo. Não sendo um vinho fácil, o facto é que consegue agradar bastante, sobretudo quando nos concentramos naquilo que tem a dizer.

25€.

16,5

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

De um eBook pré-Google

Knowledge.
They come for knowledge.

I give them wisdom.

They are disappointed.

I am safe.


S. C. Rowat, Dark Passages vol. 2 — The Lunatic's Grace

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Cardeal — Reserva '2007

Proveniente do Dão, é um monocasta Touriga Nacional feito a partir de plantas instaladas em solos graníticos. A sua ficha técnica indica permanência de nove meses em barricas novas de Allier.

Sóbrio, um pouco acre e algo bruto. Cereja amarga, violetas e tosta no nariz; sabor amadeirado e acacauzado, com sugestões acídulas de framboesa, após longo arejamento. Antes, a madeira é tanta que não vale a pena. Curto, de corpo mediano, tem taninos firmes, ainda com ligeira aspereza. Melhor deixá-lo repousar uns anos, a ver o que acontece.

6€.

14,5

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Quinta da Costa das Aguaneiras — Vintage '2008

Mais uma nota de prova inócua e repetitiva, sem valor acrescentado. É tramado andar perdido. . .

Quanto ao vinho, mais um Vintage da Casa de Mateus. Engarrafado em Junho de 2010. Opaco. Exuberante na fruta fresca, azul, roxa, preta, viçosa, quase suculenta. Não lhe detectei passas, especiarias, fumo ou evolução. Estrutura fixe, com grandes taninos, pontudos, álcool e frescura, bem razoável para Vintage, por sinal. Muito jovem, um bocado desengonçado, com tudo ainda por integrar. Final médio/longo.

Para mim, melhor que o de 2006.

Acompanhou cheesecake deste e coisas de chocolate — M&Ms e merdas assim do género.

20€?

16,5

domingo, 9 de janeiro de 2011

Guarda Rios '2008

Enviado pelo produtor. Syrah (40%), Touriga Nacional (40%) e Merlot. Passou 9 meses em madeira.

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Cor rubi, concentrada. O nariz, de boa intensidade, mostra profusão de notas típicas de Merlot. A compor, cacau e tostados, que aparentam crescer com a evolução no copo. Na boca é fresco, com alguma estrutura. O sabor, sem ser doce, consegue dar continuidade às promessas de suculência deixadas pelo nariz: para isto contribuirá a acidez viva e bem colocada. O final é médio/longo, ainda com ligeira aresta. É um vinho de perfil muito composto, que agradará facilmente a um vasto leque de consumidores.

9,25€.

16

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Quinta do Infantado — Reserva '2007

Outro da Quinta do Infantado. Vinificado em lagar com pisa a pé, estagiou posteriormente em cuba e 14 meses em barricas de carvalho. Abri a garrafa nº 1887 de 6126 (e 250 magnum) produzidas.

Rubi violáceo, retinto. Potente e equilibrado, apresenta camadas e camadas de fruta fresca, sumarenta, entremeada por belas notas de madeira, já a afundar. Muito longo e envolvente, salta à vista a sua acidez notável, perfeitamente amparada por uma firme rede de taninos doces. Fez-me lembrar o Vintage do mesmo ano, em versão seca. Nele reencontrei tudo o que vi no outro e tanto me agradou: a profundidade, a definição, o retrato da fruta, a estrutura e persistência. E ainda assim, porque não deixá-lo evoluir? Ó terroir de Gontelho, tu, cujo nome tantas vezes vi invocado em vão nos contra-rótulos, aqui sim, mostras a tua grandeza! E eu, humildemente, curvo-me perante ti.

27€.

19

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Marquês de Marialva — Baga: Reserva '2006

Varietal Baga, "rótulo preto" da Adega Cooperativa de Cantanhede. A ficha técnica indica que fermentou a temperatura controlada, com maceração de 18/20 dias, tendo depois estagiado durante 12 meses em barricas de carvalho francês, 50%, e americano.

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No nariz, Baga, tosta e lagar. Na boca, austeridade e secura, apesar da notória tentativa em controlar os taninos. Toque herbáceo e medicinal, com reminiscências de humidade. Acidez presente, volume e comprimento médio-curtos. Apesar de este ser de 2006, o ano fraco, tenho de confessar ter gostado um pouco mais dele que do seu predecessor. Terei ficado menos exigente?

5€.

16

domingo, 2 de janeiro de 2011

Vidigueira — Grande Escolha '2008

Tinto da Adega Coop. de Vidigueira, Cuba e Alvito. Trincadeira e Aragonês. Estagiou durante 9 meses em madeira de carvalho francês e americano.

Boa cor, depósito considerável. Vertido directamente da garrafa, mostrou-se maduro e amadeirado, com uma capa de tosta, especiarias e chocolate, sóbria mas não amarga, de forma alguma impositiva, a envolver frutos negros. Apesar do corpo e acidez apenas medianos, revelou sabor denso, um pouco pesado, tipicamente alentejano, de persistência bem razoável. Gostei mais dele a 16 que a 18ºC.

Segundo dia: amora, ameixa, cacau, café. Mais bonito ao olfacto que durante as primeiras horas de abertura e sem sinais de decadência na boca. Bastante macio, com tudo bastante bem integrado, está pronto a beber. Duvido que morra se o deixarem esquecido durante 4 ou 5 anos em cave, mas duvido ainda mais que melhore.

8€.

16