
Hoje até acordei a pensar na vizinhança, mas não vou marrar. Acordei bem disposto e está um dia glorioso, sol de Inverno, seco, frio, super agradável. Está decidido: hoje não direi mal das
hienas. Até porque, afinal, se ser um cínico como eles ainda não me está no sangue, é porque toda a vida tenho cagado bem, graças a Deus, e é feio apontar o dedo a quem sofre sem culpa, por pouco aprazível que possa ser ouvir os seus estertores.
Por isso, porque não me dá trabalho e porque (alguns) de vocês que aqui vêm ter gostam, passarei, como de costume, aliás, a falar de bebida. Trata-se, pois, da pinga do título, um Dão proletário, produto de entrada de gama do
produtor e, ao mesmo tempo, um Jaen com 14,5% de teor alcoólico.
Cor granada. O aroma é austero e um tanto pobre. A fruta está presente, ginja, talvez, talvez parte em compota, misturada com outras coisas, mas, o que importa, sem suculência nem generosidade, entrecortada por apontamentos de queijo, sabão e azeitona parda. Simultaneamente seco e húmido, passa áspero pela boca, sobretudo no final. O sabor tem presença, tem frescura e é franco na medida em que acompanha o cheiro. Apesar de tudo, o equilíbrio do miolo é razoável. Alguns dos cheiros parasitas desvanecem-se com o ar. Ok.
Gosto do perfil dele, transpira genuinidade. Mas eu sou daqueles gajos fodidos que acreditam que o recorte não é tudo, que, aparte o estilo, o fundamental está na execução, e assim, por mais que tenha gostado dele, tenho de reconhecer que, objectivamente, é um vinho que deixa um bocado a desejar.
4€.
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