domingo, 24 de abril de 2011

Domingos Soares Franco, Colecção Privada — Verdelho '2009

Até ver, passei o dia de hoje a fazer coisas porreiras. "You die. She dies. Everybody dies."Heavy Metal, via XEvil.

Quanto ao vinho, cem por cento Verdelho — não Gouveio, Verdejo, como em Rueda — de vinhas novas, fermentou em inox e foi engarrafado sem passagem por madeira.

Bastante cor, citrina, com traço tirante a verde. Aroma simples, limonado, com notas de chá verde e maracujá, contido, relativamente austero e muito menos intenso que aquilo de que estava à espera. Na boca, o sabor seco, suave, com ligeiro amargor, confirmou o apresentado ao nariz. A acidez, apesar de pouco evidente, conseguiu sempre equilibrar o conjunto. Bonito, sem dúvida. Ainda assim, se tivesse de o descrever em apenas uma palavra, provavelmente escolheria neutro — a observação vale o que vale. Final médio/curto.

Bebeu-se sozinho e com queijo Brie. Parceria clássica, que não poderia ter corrido mal.

9€.

15

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Quinta do Encontro — Merlot / Baga '2008

Na ficha técnica disponibilizada pelo produtor no sítio onde marca presença na internet, lê-se:

"A casta Merlot foi colhida em Outubro, em sobrematuração, em conjunto com a Baga, que se encontrava em estado ideal de maturação (...) Esmagamento das uvas com desengace total, seguido de fermentação em cubas inox, de pequena capacidade, com leveduras seleccionadas, à temperatura de 27ºC. O tempo de maceração foi de cerca de 2 semanas e as remontagens para extracção de cor foram suaves. Antes do engarrafamento, o vinho passou apenas por uma filtração por placas de celulose (...)"

Curiosa a não referência ao meio ano de estágio em barricas de carvalho francês, que surge, no entanto, indicado tanto no contra-rótulo da garrafa como na página-resumo onde se encontra o enlace para o .pdf da ficha técnica propriamente dita. Postos estes predicados e antes de passar ao mais importante, sem demasiadas preocupações com o fluir da prosa, que ultimamente beber tem-me sabido melhor que escrever sobre a coisa bebida, fica a nota de que este vinho já por aqui andou, na versão de 2006.

Cor rubi. Ligeiramente vinoso e muito frutado, surge dominado por frutos negros, maduros e levemente ácidos, de onde se destacam sugestões vívidas de ameixa e cereja. Suaves notas fumadas e de especiarias (alcaçuz) completam o conjunto. Apesar do volume apenas mediano, do final médio/curto e do sabor simpático, quase sumarento, confirma na passagem pela boca tratar-se de um vinho algo duro, taninoso, com certa sensação terrosa característica da Baga e indubitavelmente estruturado em torno da acidez. Feito para ser consumido novo, aparenta, no entanto, poder aguentar mais três ou quatro anos em garrafa sem qualquer problema: tendo como quase certo que perderá brilho, poderá ser interessante verificar se ganha alguma coisa.

4€.

15

domingo, 17 de abril de 2011

NOPA '2009

Vinho Verde, branco, DOC, engarrafado na casa por Casa do Valle, Soc. Agrícola, Lda. (perdoem a redundância) & shipped by Wine Vision — é o que diz o contra-rótulo. Arinto e Loureiro, sem passagem por madeira.

Nesta fase, quase incolor. O aroma, pouco intenso, lembrou louro, lima, limão, talvez pêras verdes também. Na passagem pela boca reforçou as evocações de pêras, aí objectivamente maduras, algo entre Williams e Conférence. Yah, digam que deliro, e vão-se foder. O vinho, na boca, dizia, sempre leve e fresco, com agulha tão ligeira que praticamente imperceptível à vista e que acabou por desaparecer após uns minutos no copo. Servido muito fresco e sem frappé, ganhou brandura com a exposição à temperatura ambiente — ganhou brandura, travo doce, mais pêra, mais doce, melão. A acidez, contudo, não esmaeceu, e assim lá acabou por se aguentar.

Curto e directo, bem feito, sem grande ambição excepto talvez ser um branco curto e directo, bem feito (barato) — as redundâncias, ai ai — será bom para beber numa esplanada, numa tarde daquelas, assim quentes, quentes e coisas, com o pessoal, a acompanhar camarões grelhados (ou coxas de rã, porque não?) e uns valentes jogos de blitz.

OK, acabei de me aperceber que o pus no lugar da cerveja. De certo tipo de cerveja. :|

3€.

14,5

sábado, 16 de abril de 2011

Adega de Borba "Premium" '2007

Advertência: não dormi. Proveniente de vinhas velhas da região de Borba, essa bela terra, onde me lembro de ir a uns almoços de caça engraçados, cortesia de uns amigos drogados do R. Coisas de há muitos anos, outra vida. Ah, mas só têm vindo coisas boas de lá, ultimamente — não me posso queixar. As uvas, Trincadeira, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon. Fermentou em inox e estagiou em barricas novas de carvalho francês, americano e castanho, durante, dizem, doze meses.

Rubi, escuro. Intenso, tipicamente alentejano, todo ele assenta em frutos silvestres maduros, complementados por notas de chocolate, café, baunilha e fumados resinosos. Vinho redondo, de volume mediano, bastante macio, com acidez suficiente e um pouco mais que isso de álcool. Sempre muito frutado, mas enxuto, sem doçura residual. É porreiro. . . na minha humilde opinião, está para o Alentejo como este para o Ribatejo, e não apenas no que toca à relação custo/benefício. Acompanhou com sucesso uma refeição de restos de carne e massa em molho vermelho; desta vez vou poupar-vos os pormenores.

7€.

16

terça-feira, 12 de abril de 2011

Acid Under My Nails

Oh, como gostava de ler "The Toilet Diaries" quando era mais miúdo! Pena que tenha desaparecido sem deixar rasto. Hm, onde estará o putobebe daqui a, digamos, dez anos?



I think I always liked the idea of being crazy. Instead of going hard core I took the road never traveled, just took off into the bushes. This has turned into a path which could lead me to an early grave if I continue to think thoughts that destroy me.

I love life. I love me, but sometimes I don't want to.

Get tough they tell me. Tough are my fingers from acid under my nails. Tough are my hands from lifting weights twice a day. Tough is my head from banging it against this journal. Tough! I feel weak, must lie down, forget I exist for awhile.....

Sarah Lolley, 4/2/96

domingo, 10 de abril de 2011

Quinta da Garrida '2007

Touriga Nacional, Tinta Roriz e Jaen. Típico Dão jovem, assenta em frutos pretos maduros mas mostra também flores e especiarias, tudo simples e em harmonia. Dos cheiros, apenas a baunilha se destaca, marca inequívoca de passagem por madeira, mas pouco, e mais por via da limpidez que pela intensidade. O paladar é seco e ligeiro, macio, curto e levemente picante. Pende para a frescura, mas tem de ser servido fresco para que tal possa ser apreciado. Uma vez na boca, como que perde fruta e ganha especiarias, sugestões simultaneamente quentes e picantes, evocativas de noz moscada. Não sendo brilhante, agrada facilmente. Ademais, é bastante versátil, tão amigo da mesa como capaz de se portar bem a solo.

4€.

15

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Casa Santos Lima — Syrah '2008

Varietal Syrah da Casa Santos Lima.

A cor é escura e, no nariz, a fruta negra que o percorre de lés a lés nota-se a meio do caminho entre a secura apimentada que usualmente se associa aos exemplares da casta provindos do Vale do Rhône e a opulência gorda dos seus correspondentes alentejanos. Cheira-se e leva-se à boca e de imediato se nota que veio de um lugar não extremamente quente, que as uvas não sobreamadureceram e que as videiras foram tendo que beber ao longo do ano. Também cristalino o fumado de madeira verde, contributo de barrica quase certamente portuguesa, de retrato parecido q.b. com o que se encontra, por exemplo, nos tintos mais recentes da Tapada do Chaves (no meu portfolio pessoal de descritores, chamo a este aroma fumo com fumo) — cristalino mas não contundente.

Na boca é um vinho seco e algo taninoso, com acidez suficiente. Nem por sombras complexo ou sumarento, é no entanto coeso, bem feito, e possui força que chegue para transmitir a ideia de se estar perante algo com carácter, com raça, com certa robustez telúrica, rústica, texurada, que o torna bastante apelativo, pelo menos para mim.

5€.

15