sábado, 30 de julho de 2011

Muralhas de Monção '2010

Continuo a prometida incursão por vinhos mais populares com este lote de Alvarinho e Trajadura, fermentado a baixa temperatura e engarrafado sem estágio, produzido pela Adega Coop. Regional de Monção.

A cor é citrina, de fraca intensidade. O cheiro, simples, evoca flores brancas, pêssego e frutos tropicais. Diria que mantém o perfil que conheci à sua versão de 2007, isto a acreditar na memória e nas notas tomadas sobre aquela meia garrafa que bebemos no "Chicote" em Março de 2009. :)

Mantém o perfil do de 2007, sem surpresas. Talvez esteja (ainda) um pouco mais fresco.

4€.

14,5

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Porta da Ravessa '2008

Oi gente, saudades?

Primeiro elemento de uma série de vinhos francamente proletários, este tinto da Adega Coop. de Redondo foi feito com uvas das castas Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet e Castelão, entre outras, presentes em menor quantidade, pelo menos a acreditar na informação oferecida pelo contra-rótulo. Nos últimos anos, o volume produzido tem superado de forma consistente os 8 milhões de garrafas, pelo que não surpreende que tenha sido pensado para viver sem a ajuda de estágio em madeira.

Da prova em si, boa cor, alguma fruta, vermelha e preta, indefinida, esmaecida, como que diluída, mas, numa toada mais positiva, bem madura, sem excessos. Algum vegetal, alguma acidez, fugacidade qb. Sem defeito, mas fraco.

Para terminar, fica a nota de que esta Porta da Ravessa foi glorificada supermarca nos já longínquos idos de 2004. Aqui para nós, e perdoem-me a abordagem ao mesmo tempo simplista e espinhosa, marca é marca, vinho é vinho, e não se tratando de coisas completamente imiscíveis, defenderão os do ramo que muito pelo contrário, aliás, não percebo, de todo, como é que a primeira consegue ser tão boa e o segundo tão... pois, isso.

2,80€.

13

terça-feira, 26 de julho de 2011

Juan de Albret — Crianza '2007

O blog continua a meio gás. Simplesmente, não tem apetecido, e para estar a enfiar "palha", só para encher, só para manter a posição nos agregadores e outros que tais, não vale a pena. Novidades? Algumas, mas nada que ao mesmo tempo seja de interesse e não se possa encontrar noutro sítio qualquer. Um moscatel da Venâncio da Costa Lima ganhou o Muscats du Monde, a ERC reprovou a conduta da Benfica TV em relação a Pinto da Costa, encomendei uma placa gráfica nova, morreu uma data de gente na Noruega às mãos de um trololó e a Amy Winehouse também. Vedes (não vêdes)?

Bem, vamos lá ao vinho!

Navarro de Murchante, produzido pela Finca Albret. Composto por 60% Tempranillo, 20 Cabernet Sauvignon e 20% Merlot, passou 14 meses em barricas de carvalho francês e americano.

Muita cor! Frutos pretos, ameixa, alcaçuz e verdor definem este vinho sólido mas linear, sóbrio e envolvente, com força, frescura e taninos numerosos, de grão fino, estrutura firme, a recuperar um pouco as sugestões de possibilidade de guarda que a modéstia da fruta que mostra levaria, à partida, a descartar. Do que falta dizer, rama de tomateiro, azeitona verde, alguma madeira, amanteigada, com côco e baunilha, mesclada no sabor, ligeiro mineral, pareceu-me, alguma dispersão, pelo menos tendo em conta o corpo gordinho, e um final mediano em comprimento mas de boa intensidade, sempre sem amargar. Porreiro.

7€.

16

domingo, 24 de julho de 2011

Crashing the System

On January 15, 1990, AT&T's long-distance telephone switching system crashed.

This was a strange, dire, huge event. Sixty thousand people lost their telephone service completely. During the nine long hours of frantic effort that it took to restore service, some seventy million telephone calls went uncompleted.

Losses of service, known as "outages" in the telco trade, are a known and accepted hazard of the telephone business. Hurricanes hit, and phone cables get snapped by the thousands. Earthquakes wrench through buried fiber-optic lines. Switching stations catch fire and burn to the ground. These things do happen. There are contingency plans for them, and decades of experience in dealing with them. But the Crash of January 15 was unprecedented. It was unbelievably huge, and it occurred for no apparent physical reason.

The crash started on a Monday afternoon in a single switching- station in Manhattan. But, unlike any merely physical damage, it spread and spread. Station after station across America collapsed in a chain reaction, until fully half of AT&T's network had gone haywire and the remaining half was hard-put to handle the overflow.

Within nine hours, AT&T software engineers more or less understood what had caused the crash. Replicating the problem exactly, poring over software line by line, took them a couple of weeks. But because it was hard to understand technically, the full truth of the matter and its implications were not widely and thoroughly aired and explained. The root cause of the crash remained obscure, surrounded by rumor and fear. The crash was a grave corporate embarrassment. The "culprit" was a bug in AT&T's own software — not the sort of admission the telecommunications giant wanted to make, especially in the face of increasing competition. Still, the truth was told, in the baffling technical terms necessary to explain it.

Somehow the explanation failed to persuade American law enforcement officials and even telephone corporate security personnel. These people were not technical experts or software wizards, and they had their own suspicions about the cause of this disaster.

The police and telco security had important sources of information denied to mere software engineers. They had informants in the computer underground and years of experience in dealing with high-tech rascality that seemed to grow ever more sophisticated. For years they had been expecting a direct and savage attack against the American national telephone system. And with the Crash of January 15 — the first month of a new, high-tech decade — their predictions, fears, and suspicions seemed at last to have entered the real world. A world where the telephone system had not merely crashed, but, quite likely, been crashed — by "hackers".

The crash created a large dark cloud of suspicion that would color certain people's assumptions and actions for months. The fact that it took place in the realm of software was suspicious on its face. The fact that it occurred on Martin Luther King Day, still the most politically touchy of American holidays, made it more suspicious yet.

The Crash of January 15 gave the Hacker Crackdown its sense of edge and its sweaty urgency. It made people, powerful people in positions of public authority, willing to believe the worst. And, most fatally, it helped to give investigators a willingness to take extreme measures and the determination to preserve almost total secrecy. An obscure software fault in an aging switching system in New York was to lead to a chain reaction of legal and constitutional trouble all across the country.

Like the crash in the telephone system, this chain reaction was ready and waiting to happen. During the 1980s, the American legal system was extensively patched to deal with the novel issues of computer crime. There was, for instance, the Electronic Communications Privacy Act of 1986 (eloquently described as "a stinking mess" by a prominent law enforcement official). And there was the draconian Computer Fraud and Abuse Act of 1986, passed unanimously by the United States Senate, which later would reveal a large number of flaws. Extensive, wellmeant efforts had been made to keep the legal system up to date. But in the day-to-day grind of the real world, even the most elegant software tends to crumble and suddenly reveal its hidden bugs.

Like the advancing telephone system, the American legal system was certainly not ruined by its temporary crash; but for those caught under the weight of the collapsing system, life became a series of blackouts and anomalies.

In order to understand why these weird events occurred, both in the world of technology and in the world of law, it's not enough to understand the merely technical problems. We will get to those; but first and foremost, we must try to understand the telephone, and the business of telephones, and the community of human beings that telephones have created.

Technologies have life cycles, like cities do, like institutions do, like laws and governments do.


Bruce Sterling,
The Hacker Crackdown: Law and Disorder on the Electronic Frontier,
1992.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Valdehermoso — Roble '2008

Produzido e engarrafado por Bodegas y Viñedos Valderiz — Burgos. Valdehermoso es uno de los pagos de la familia Esteban, está situado en Roa a una altitud de 825m, en un suelo arenoso calcáreo. Das uvas Tempranillo (Tinta del País) ali plantadas, resultou este vinho, estagiado meio ano em barricas de carvalho francês antes de engarrafado.



Rubi escuro de concentração média. Gosto da acidez verde, das cerejas, das sugestões dos respectivos caroços, dos toques de pinho (cedro?) e café, do amargor residual que deixa na boca. A madeira, presente, faz precisamente o prometido pelo contra-rótulo, o que não é coisa pouca. No entanto, onde menos se espera, já depois de cheirado, já depois de ter atacado a boca com firmeza de sabor, lá bem no miolo, a fruta como que se dilui e deixa a ideia de algo estar em falta. Entretanto foi engolido, fácil, simpático, redondo, a fazer apetecer mais. Deu-se e agradou, primeiro a solo, depois com entrecosto no forno — apesar de tudo, está tudo bem.



Dos espanhóis "bonzinhos" que passou a ser possível encontrar no LIDL de há uns tempos para cá, este custa o mesmo e é (leia-se achei-o) um pouco melhor.



10€.



16

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Encostas do Tua — Reserva '2006

Este veio dos vinhedos da Brunheda, nas margens do Tua. As castas, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca. Fermentou em cubas, a temperatura controlada, e depois estagiou, um ano, em carvalho francês. O produtor é a Soc. Vinhos Vale da Corça e quem der um click aqui vai ter ao respectivo sítio web. Fica ainda a nota de que o seu irmão menor da colheita de 2007 passou há relativamente pouco tempo por este espaço.

Foi bebido a 16º e mais, depois de arejado conforme o método que alguns dizem de Audoze, mas que é tanto dele como do meu defunto gato (assim que provei da garrafa recém-aberta, ocorreu-me que poderia beneficiar de uma oxigenação mais lenta). Muito sucintamente: Escuro, não retinto. Tourigão, com intenso cheiro a ameixa e coisas roxas, madeira e acidez, algo como concentrado de laranja amarga aromatizado com bergamota. Firme e densamente taninoso, mas já razoavelmente polido, de final longo, com travo de café e especiarias quentes. Composto, mas nem por sombras complexo. Confio que a madeira acabe por se integrar. Não sobrou para o segundo dia.

15€.

16,5

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Real Companhia Velha — Vintage '2001

Frutos vermelhos e (sobretudo) pretos, primeiro mais sumarentos, depois mais pesados, também em compota, mato seco, balsâmico indefinido, um pouco de fumo e aguardente marcam um Vintage relativamente simples, de corpo e volume medianos. Apesar do equilíbrio que o pauta, nota-se-lhe certa ligeira sensação de calor que, sem assoberbar, de alguma forma percorre toda a prova, lado a lado com alguma doçura, típica do género e nem por sombras excessiva. O final é longo, levemente tostado.



Tem dez anos, vai viver, claro. No entanto, não será completamente irrelevante, pelo menos a médio/longo prazo, que já não lhe tenha detectado sinais objectivos de burridade.



Porque é que a ficha técnica respectiva não aparece no sítio web do produtor?



30€.



16,5

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Monte Ducay — Reserva '2006

D.O. Cariñena produzido pelas Bodegas San Valero. Tempranillo, Garnacha e Cabernet Sauvignon. Chamam-lhe tinto pergamino — a garrafa vem embrulhada em papel. Papel esse que, pensava eu, uma vez removido, revelaria o verdadeiro rótulo. Pois bem, fodi-me: retirado o papel, muito à J, e em consequência disso infotografável, quedei-me com uma garrafa despida e sem rótulo para acompanhar o post. Merdas do marketing, enfim.

Quanto ao vinho, muita cor, a prometer boa concentração. No entanto, começou por se mostrar estranhamente inexpressivo, tanto no nariz como na boca, vegetal, um bocadinho resinoso, sem grande sabor, como se o oco que reportei no meio deste aqui se espraiasse a toda a extensão do vinho. Melhorou ao fim de algum tempo no copo, mais ou menos meia hora, talvez, já não sei precisar, e aí começou a mostrar fruta, quase exclusivamente cereja, primeiro tímida, verde, com ligeiro amargor e toque abaunilhado, depois cada vez mais mole, madura, doce e alcoólica. Mais resina, nunca tosta. Curioso, no mínimo, partindo do princípio de que passou 14 meses em barricas de carvalho americano. O final mostrou-se quente, longo e bastante taninoso.

Mais que apenas correcto e com potencial de envelhecimento — grande RQP. Do mesmo produtor já por aqui passou este, que, na devida proporção, deixou uma impressão semelhante.

5€.

15

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Porta dos Cavaleiros '2007

Dão tinto das Caves S. João, feito a partir de Touriga Nacional, Alfrocheiro, Aragonês e Jaen; não passou por madeira.

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Fruta vermelha, musgosa, funk abafado, etanol. Fruta que não é doce, mas traz agarradas notas de mel — pelo menos foi o que me pareceu. No mais, é um típico Dão jovem, simples mas polido, médio em tudo e que sabe a vinho. Destaca-se pela coesão que apresenta, bem como por certa acidez gulosinha. . .

2€.

14,5

segunda-feira, 4 de julho de 2011

I'M MY DILEMMA

I do not want to palm off

my dilemma onto the Volk.

I do not want to rehabilitate

the nation anymore.

I prefer waking up

every morning with my snot gun.

I'm normal.

My clothes are formal.

I'm fit.

I'm caught in my own trap.

I'm a giraffe in a brothel.

I'm etcetera.

I'm normal.

I prefer waking up

every morning with my snot gun.


Johan van Wyk,
Bome Gaan Dood om Jou, 1981

domingo, 3 de julho de 2011

Lavradores de Feitoria — Gadiva (Branco) '2010

Da informação contida no sítio web do produtor: 74% Malvasia Fina, 16% Síria, 10% Gouveio. As uvas provêm de vinhas com 25 a 30 anos e foram fermentadas a baixa temperatura. Antes de engarrafado, o vinho daí resultante foi submetido a colagem e estabilização pelo frio.

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Cor citrina. Frutos de polpa branca — líchias em conserva? — flores e baunilha destacam-se na prova de nariz. O corpo é ligeiro mas fresco, sustentado por boa acidez limonada. Simples mas eficaz, mantém o estilo deste seu predecessor. Para o preço, está muito bem.

2,50€

15

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Plansel Selecta — Touriga Nacional '2008

Alentejano de Montemor-o-Novo; podem visitar o espaço do produtor na internet seguindo este link. O mosto sofreu uma fermentação prolongada em lagar, tendo o vinho resultante estagiado durante 10 meses em barricas de carvalho francês. Das 10000 produzidas, abri a garrafa nº 4272.

Terra, violetas, grafite e vegetal seco. Bergamota. Curiosa a alusão da Sra. Lindemann a flor de laranjeira, no contra-rótulo. Bergamota. Na boca é macio, muito envolvente, com estrutura e acidez suficientes para lhe dar aquele ar cheio, composto, tão necessário ao equilíbrio de um vinho com esta concentração e teor alcoólico — 15%! A fruta surge generosa, secundada por sugestões de chocolate de leite, e o final é médio/longo. Segundo dia: mais frutos negros, menos carácter varietal.

To cut a long story short, gostei.

15€.

16,5