sexta-feira, 18 de maio de 2012

Eu vs Comp. (1)

[Event "?"]
[Site "?"]
[Date "2011.07.10"]
[Round "?"]
[White "Prata, J."]
[Black "Hiarcs 13.1"]
[Result "1/2-1/2"]
[ECO "E12"]
[PlyCount "73"]
[EventDate "2011.??.??"]

{Primeiro de uma série de jogos sem muito que se lhes diga: eu a jogar contra
motores, sendo usualmente massacrado. No entanto, tratando-se do primeiro
elemento do lote, deixo-vos uma excepção: empatei. E sendo daqueles empates
em que desde o primeiro momento pretendo remover todo e qualquer tipo de vida
do tabuleiro, conseguindo uma posição fechada e estéril, não é um
daqueles empates (ou vitórias, chamem-lhe o que quiserem) à "Father" —
google quem quiser: acho que o gajo é paneleiro e devia ter vergoha, disso e
de mais, em vez de andar a pavonear-se. Mas, enfim, se não os podemos impedir,
o que é que se há-de fazer...} 1. d4 b6 2. c4 Nf6 3. Nf3 Bb7 4. Nc3 e6 {
Jogo online, meia hora para cada lado. O meu adversário, Hiarcs 13.1,
configurado para jogar em "estilo sólido", montado num AMD Phenom II a 3.8GHz,
com 2 Cores e 512MB de "hashtable".} 5. Bg5 Bb4 6. e3 {Abertura em estilo
clássico, uma Índia de Dama que, muito por culpa de eu não saber peva sobre
como se jogam Índias de Dama dinâmicas e ambiciosas, se foi parecendo mais e
mais com um Gâmbito de Dama "à antiga".} h6 7. Bxf6 (7. Bh4 {, que mantém
peças e pressão no tabuleiro, é bastante mais popular. Costuma ser mote
para algo como} Bxc3+ 8. bxc3 d6 {— esta jogada não é forçada, estou só
a assumir que o condutor das negras ainda quer uma Índia de Dama, com tudo o
que ela traz —} 9. Nd2 Nbd7 10. f3 {e} Qe7 {, seguido de} 11. Bd3 {ou, por
exemplo, e4, variante popular e cheia de sentido, onde ambas as partes agiram
de acordo com o velhinho princípio "desenvolver naturalmente as peças",
tendo (também) por isso recursos bastantes para poderem começar as
hostilidades do meio jogo com possibilidades repartidas.}) 7... Qxf6 8. Be2 c5
9. O-O cxd4 10. Qxd4 ({Se fosse contra uma pessoa, de certeza que teria
preferido} 10. exd4 {No entanto, aqui, a minha intenção era, apenas,
simplificar o mais possível comprometendo o menos possível — no caso, a
estrutura de peões. Apesar de desinteressante, deve ser uma abordagem
correcta, já que o bot continuou da seguinte forma...}) 10... Bxc3 11. Qxc3
Qxc3 12. bxc3 {e} Bxf3 {, forçando ainda mais simplificações. Apesar dos
peões "c" dobrados, a coisa não parece mal para o meu lado.} (12... Ke7 {
, seguido de Ca6, talvez fosse mais promissor.}) 13. Bxf3 Nc6 14. Bxc6 dxc6 15.
Rfd1 {Plano: estacionar forças na coluna aberta e levar o Rei ao centro.} Ke7
{Ao afastar o Rei do centro, rocar, nesta fase, seria, quase de certeza,
contraproducente.} 16. Rd4 c5 17. Rd3 Rad8 {Oposição de forças na coluna
aberta. Embora o computador estivesse a fazer tudo bem, a única maneira de
tentar (e provavelmente conseguir) foder-me era criar pontos de desequilíbrio
adicionais, tantos quanto possível, mesmo que para isso tivesse de sacrificar
"centipawns" na avaliação. Mas este Hiarcs estava configurado para procurar
a melhor jogada possível numa dada posição, não para ser manhoso — e eu
sabia disso.} 18. Rad1 Rxd3 19. Rxd3 Rd8 20. Rxd8 Kxd8 {Foda-se! Um final de
peões, sem perguntar nada a outro motor e sem voltar atrás! Aqui, o meu
oponente pode tentar entrar no meu campo pelo centro ou pela Ala de Dama, onde
existe um buraco. O que torna o plano imediato simples, ainda que por
exclusão de partes: levar o Rei para onde vão acontecer coisas.} 21. Kf1 Ke7
({Desafiante seria, se o Rei negro tentasse entrar pela ala de Dama,} 21... Kc7
22. Ke2 Kb7 23. Kd3 Ka6 {ter o sangue-frio e a capacidade de ver que teria de
jogar a deter o seu avanço, e não a responder na mesma moeda, dado que} 24.
g4 ({Mas depois de algo como} 24. Ke4 Ka5 25. Ke5 Ka4 26. Kd6 Ka3 27. Ke7 Kxa2
28. Kxf7 a5 29. Kxe6 a4 30. Kf7 a3 {, é evidente que o peão branco ganha a
corrida.}) 24... Ka5 25. Kc2 Ka4 26. Kb2 {aparenta aguentar, apesar de ter de
jogar sob as sombras da oposição e do zugzwang não seja fácil e acabasse
por vir a ter todas as hipóteses de perder aqui contra o computador.}) 22. Ke2
h5 23. a4 Kf6 24. e4 g5 25. Ke3 Ke5 (25... e5 26. h3 $11) 26. g3 g4 27. f4+ {
Ganha espaço, define uma barreira... etc. E aparenta fazê-lo de forma segura,
já que c3 tapa a única via de entrada do Rei negro no meu campo, logo gxf3 n.
p é respondido por Rxf3 sem problemas.} Kf6 28. e5+ Kf5 29. Kd3 h4 30. Ke3 Kg6
31. Ke4 h3 {Meh. Mas, na verdade, nesta fase, já era indiferente o que o
motor fizesse com este peão. Se o avanço h3 fechava, recuar com o Rei não
me obrigava a tomar, sendo confrontado por igual recuo de Rei, com o cuidado
de manter ímpar o número de casas entre eles, como manda a teoria. Depois de
hxg3, hxg3 seria igual, também, a uma ala de Rei trancada.} 32. Ke3 Kf5 33.
Kd3 f6 34. exf6 Kg6 35. Ke3 Kf7 36. Kd3 Kg6 37. Ke3 {, com a oposição sempre
garantida. E depois de mais duas ou três jogadas de chacha, a interface que
permite ao motor comunicar com o mundo, aceitou o empate.} 1/2-1/2