sábado, 27 de abril de 2013

Domingos Soares Franco, Colecção Privada — Verdelho '2012

Branco bom entre partidas de xadrez. Fica também a nota de a foto da garrafa ter sido tirada com a máquina nova.

É o sucessor deste. E tal como ele apresenta-se fresco e jovem, de perfil delicado. Inicialmente, o verde predomina. Folha de limoeiro, louro. No entanto, a fruta presente, nectarina e ananás oportunamente colocadas sobre levíssimo fundo melado, não o deixa tornar-se austero. Para beber jovem.

Da ficha técnica: 95% Verdelho, 5% Verdejo — o que vai contra o que se disse aqui. Será seguro afirmar, então, que este vinho é 95% Gouveio e 5% Verdejo (daquele que abunda em Rueda)? O mosto fermentou em inox a 14ºC, tendo o vinho resultante sido engarrafado em Dezembro de 2012.

A garrafa foi oferecida pelo produtor, que recomenda um PVP de 9,49€.

16

terça-feira, 23 de abril de 2013

Vale dos Barris — Castelão '2011

Outro monocasta da Adega de Palmela. Mais ligeiro e jovial que o Syrah do post anterior, em relação ao qual mostrou mais fruta doce, mais alegria e menos de tudo o resto, seriedade incluída. (Em contrapartida, este trouxe flores.)

Enfim, são vinhos diferentes, por mais semelhantes que os respectivos métodos de produção pareçam no papel — existe um mundo de diferença nas uvas, mas não só! Isto para dizer que estou bem ciente de quão relativa é a propriedade de os sujeitar a uma comparação directa.

Diferentes, dizia. O Syrah mais pesado e profundo, mais nocturno, para acompanhar cartas e conversa até às tantas, ou mais simplesmente para o bifinho de todos os dias à mesa do jantar. O Castelão mais alegre, mais ensolarado, mais imediato também, quase perfeito para um piquenique e a generalidade das coisas que para eles se costumam levar.

Ah, e com sardinhas assadas.

2€.

15

sábado, 20 de abril de 2013

Vale dos Barris — Syrah '2009

Da ficha técnica : "Por entre a Serra do Louro e a Serra de S. Luís estende-se em toda a sua plenitude o Vale dos Barris, um dos ex-libris naturais da região de Palmela, este vale termina o seu percurso no rochedo de onde se ergue o castelo de Palmela". Assim ficou explicado o nome do vinho. E a promessa a mim próprio: um dia irei ao Vale dos Barris com os sapatos de dread e a máquina fotográfica.

Sobre a coisa propriamente dita: Syrah escuro e maduro, de corpo firme, apesar do volume modesto. A madeira onde passou quatro meses antes de ser engarrafado pouco se nota. Vagamente terroso, mostrou álcool, cereja preta e notas de kirsch. Após basto arejamento, também caramelo e cacau. Fim de boca mediano.

Competente q.b. chegada a hora de acompanhar uma empada de coelho com molho béchamel e vários vegetais ao vapor, é mais um exemplar interessante da gama em que se insere.

4€.

15

terça-feira, 16 de abril de 2013

Herdade da Figueirinha — Reserva '2009

Foi o vinho que bebi com o filme do post anterior e uns bocaditos de pão, queijo, chouriço e outros que tais. Um lanchinho. Cada vez mais acho que os filmes são para ver, os vinhos para beber, os discos para ouvir, etc. Por isso cada vez mais tento mostrar em vez de dissecar. Os meus vinhos: uma foto e uma ou duas linhas. Já foi feito, apenas não por mim. Talvez a seu tempo. Para já, o boteco continua assim. O vinho do post, alentejano de Brissos, perto de Beja, fez-se em cubas pelo método de curtimenta, levou Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet, Syrah e Cabernet Sauvignon, e foi engarrafado sem passagem por madeira. O produtor existe na internet, aqui.

Cheiroso, com flores e bagas maduras, ameixa e marmelo, feno e rama de tomateiro, balsâmico indefinido, talvez levemente abaunilhado, talvez também pele? — tem uma complexidade peculiar e bonita. Lembro-me de em Novembro de 2008 ter avaliado um espécime da colheita de 2005, que tanto quanto me lembro pouco diferia deste, com 14 valores. Desagradou na altura certa falta de lustro, de força, ficou a ideia de que este conjunto de aromas merecia ter-se desprendido de algo maior. Desde então, estes vinhos aparentam ter evoluído qualquer coisa nesse sentido. Pouco, mas o suficiente para se notar a diferença. Digo que aparentam porque não tenho a certeza. Ou então também fui eu que mudei.

3€.

15

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Álvaro Castro — Reserva '2007

Vinho elegante, insinua-se coisa de terra fria. (Na realidade, como se sabe, as coisas não são bem assim.) Traz consigo farta fruta silvestre, vermelha, caruma e bosque, especiarias. Mais intenso que troncudo, mostra taninos firmes e já maduros a par de um muito bom fim de boca. Tão expressivo, parece que tem o Dão lá dentro, só posso gostar.

Vem na sequência deste. E agora um aparte: como a vida era diferente a 13/7/2008! Meu Deus! Um blogue também pode funcionar como cápsula do tempo, só que em movimento. Dentro do possível, claro está.

Dito pelo produtor: "Elaborado a partir de 65% vinha velha e 35% de Touriga Nacional e Tinta Roriz (...) fermentou em inox, a temperatura contolada, fazendo posteriormente a fermentação maloláctica em cascos de carvalho francês, onde permaneceu em estágio durante 14 meses." Acompanhou futebol na TV e itens de charcutaria.

12€.

17

domingo, 7 de abril de 2013

Marquês de Marialva — Arinto, Reserva '2011

Varietal Arinto de vinhas com 10 a 20 anos de idade, pouco difere do seu antecessor da colheita de 2010, tanto na origem como no resultado final. As uvas foram sujeitas a desengace total e fermentaram a baixa temperatura, com maceração, 30% do volume produzido em barricas de carvalho francês.

Gordinho e macio, segue a via da suavidade. Estão lá as flores brancas, a base citrina e verde, que desta vez me pareceu mais relacionada com casca de lima que com limão, e um bocadinho de mel de acácia também, a alegrar o conjunto, a transmitir-lhe outra envolvência. Alguns poderão argumentar que lhe falta força, mas estou em crer que é feitio, não defeito.

Acompanhou tintureira de cebolada. Cebola roxa, alho, azeite. Alourar, amaciar. Então, a carne bem seca com papel de cozinha e passada ao de leve por alho em pó, sal e farinha, três minutos de cada lado no fundo do panelão baixo e largo, de base espessa. Pimenta, batatas cozidas, limão — sumo e um pouco de casca ralada. Temi que o peixe se mostrasse seco, com travo de ureia (é um tubarão). Nada disso. Ficou húmido, ligeiro e suave q.b. ao paladar. Ligou mesmo bem com o vinho.


5€.

15,5

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Sneaker Pimps — Becoming X



Outro álbum que também anda comigo quase desde o princípio. Foi depois deste clip que os gajos se tornaram realmente famosos. Depois mandaram a Kelli Dayton embora e nunca mais fizeram nada sequer semelhante.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Adega Cooperativa de Mealhada — Escolha dos Sócios '2010

Garrafa nº 950 de 5718 produzidas. Tinto simples, redondo, de boa acidez e porte mediano. Bastante fruta madura, silvestre, escura. Variedades, não sei dizer. A madeira, apenas parcialmente coberta, traz-lhe coco e baunilha. Sugestões terrosas e vegetais fizeram pensar, a dada altura, que poderia ter levado Merlot.

Bairradino polido, feito em estilo moderno, embora novo, não está nada difícil de beber. No entanto, o seu antecessor de 2008, bebido em 2011, mostrou mais.

Foi com uma costeleta de vaca temperada com cominhos e pimentão, cozinhada em manteiga, acompanhada de arroz com vários vegetais. Estava a dar Pa Negre na 2. Filme sombrio mas bonito, gostei, não resisto a deixar a nota.

5€.

15