


Este varietal Aragonês, também estagiado durante meio ano em madeira americana, mostrou-se o mais frutado e também o mais limpo e bem definido — o melhor dos três "Azurara" que bebi na semana passada.
Em visita a um supermercado da região, encontrei três tintos diferentes da marca "Castelo de Azurara", produzidos e engarrafados pela Adega Cooperativa de Mangualde, e que aludem ao castelo que, nos tempos da Reconquista cristã das terras perdidas para os invasores árabes, durante a invasão muçulmana da península Ibérica, se situava no topo do monte onde actualmente assenta a ermida de Nossa Senhora do Castelo, entre a actual cidade de Mangualde e Quintela de Azurara.
Este tinto de Arboras, comuna do departamento de Hérault, no Languedoc-Roussillon, inserida na DO Terrasses du Larzac, foi feito por Fredéric e Marie Chauffray, que introduz o projecto assim:
O dia decorreu dentro da normalidade: acordei à hora habitual, mudei a água e atestei a tigela dos biscoitos do gato, empurrei o pãozinho com fiambre do pequeno-almoço com uma generosa almoçadeira de Darjeeling. Depois, banho, quinze minutos de rua e umas horas de trabalho, sem incidentes.
Alentejano de Évora, produzido pela Fundação Eugénio de Almeida, na Adega Cartuxa, este tinto, lote de Trincadeira, Alicante Bouschet e Aragonês, traz no contra-rótulo a indicação de ter sido vinificado em cuba de aço inox, com maceração prolongada, seguida de estágio de "cerca de 12 meses" em barricas, novas, de carvalho francês.


Bebido fresquinho, mostrou mais flores que frutos tropicais, mas ambos estavam presentes. Ligeiro em peso e volume, de acidez suave e toque arredondado, não sendo branco de guarda, pelo que já terá vivido dias de maior firmeza e definição, ainda suportou, e bem, o nian gao que lhe fez companhia.
No Douro, o Inverno de 2010/11 foi chuvoso e a Primavera que se lhe seguiu, quente e seca. O Verão, mais fresco que o habitual, Setembro incluído, e não houve chuva de relevo antes da vindima. Um grande ano vitícola, dos melhores deste novo século.
É um branco ligeiro, engarrafado sem passagem por barrica, com 11,5% de volume alcoólico. Muito simples: ataque limonado, depois frutos de polpa branca, com destaque para a pêra, junto com notas de flor de laranjeira, e um toque adocicado, de mel e madurez, a crescer mais para o final.

Estava a 14ºC no copo quando começámos, palavra de termómetro digital. Antes, meia hora de arejamento em decantador. Mais enfático no nariz que na boca, é muito frutado — "tão morangueiro!" — e rico em especiarias também. Os cheiros e sabores aparecem limpos, os taninos têm nervo e a acidez existe em quantidade suficiente para que não subsista calidez.
Outro vinho doce! Andarei deprimido? Mas este é especial, o primeiro Banyuls do blog.
Âmbar escuro, com rebordo esverdeado, mostrou-se um vinho enorme, muitíssimo concentrado, de toque oleoso e peso condizente, mas possuidor de uma acidez extraordinária, capaz de o elevar, de fazer cada bocadinho vibrar na boca.
Engarrafado em 2014. Macio, cálido, levemente aguardentado. Possuidor de alguma profundidade e um muito bom equilíbrio entre os tons de frutos secos e maduros, com os inevitáveis caramelo e café presentes, pareceu-me relativamente pouco doce (cof) para "dez anos".
O meu primeiro vinho grego, um Assyrtiko de Santorini! Sobejamente conhecida como destino de sonho para aqueles que gostam de praia e ao mesmo tempo são capazes de tolerar gregos, é a maior ilha do arquipélago com o mesmo nome, localizado no extremo sul das Cíclades, no mar Egeu, uns 200Km a sudeste de Atenas: o remanescente da ilha original, após a chamada erupção minoica, uma das maiores explosões vulcânicas de que há registo — há quem suspeite ser a origem verdadeira das histórias sobre a Atlântida, adivinhem lá porquê.
Servido após dupla decantação — verti o vinho da garrafa para dentro de um decantador e daí de volta para a garrafa — mostrou cor granada, escura, dotada da saturação discreta que normalmente se associa à casta. Fragrante, apesar de no princípio apenas ter mostrado fruta vermelha de contornos ácidos e madeira um pouco crua, melhorou quando boa parte desta, após basto arejamento, se esbateu muito consideravelmente, deixando um toque fumado e de resina.
Eu e esta neura melancólica que me toma quando percebo que os dias cheios de sol estão a acabar, começamos por esta altura do ano a insistir em coisas de Verão, deliberadamente já meio fora do tempo, como andar de t-shirt ao vento e jantares de salada e bichos do mar acompanhados por brancos bem frescos.
A propriedade está localizada na parte mais austral da região dos Vinhos Verdes, na fronteira entre o Minho e o Douro, junto a S. Tomé de Covelas — dá para o rio, tem um solar renascentista, lagares e a necessária capela, tudo do sec XVI e em ruínas, e pertenceu a Manoel de Oliveira, o cineasta.
As uvas, Merlot e Cabernet Sauvignon, provieram de parcelas diversas, localizadas entre Barbastro, onde fica a adega, e Salas, um pouco a Norte. O vinho passou para barricas novas, de carvalho americano, após a fermentação alcoólica, e lá fez a maloláctica, a que se seguiu um ano de repouso.
Se atentasse apenas na informação que existe a seu respeito na internet, teria de considerá-lo um verdadeiro vinho virtual. Bairradino, provém da Quinta de Baixo, localizada em Cordinhã, concelho de Cantanhede, propriedade que a Niepoort adquiriu em 2012.
As uvas, de castas misturadas na vinha, com predominância de Touriga Nacional, Tinta Amarela, Tinta Barroca, Tinta Francisca, Tinta Roriz, Touriga Franca e Sousão, mas presença de outras, provêm de cepas com mais de 40 anos de idade, plantadas no Douro Superior, a uma altitude média de 350 metros, sendo as parcelas escolhidas em função da colheita, refere o produtor no seu sítio da internet. Estagiou em barricas de carvalho francês, novas e usadas, durante ano e meio.
O vinho de hoje, salvo seja, é um quase varietal de Tempranillo, temperado com 5% de Mazuelo, de uvas da região de Rodezno, localidade próxima de Haro, Capital del Rioja.