sábado, 30 de janeiro de 2016

Cims de Porrera — Vi de Vila '2009

A DOCa Priorat coincide com uma pequena zona montanhosa, com uma superfície aproximada de 18000ha, dos quais apenas 1600 se encontram ocupados por videiras, situada na província de Tarragona. É delimitada a norte, este e oeste pelas serras de Montsant, Molló e La Figuera, respectivamente, e a sul, pelo rio Ciurana, afluente do Ebro.

O clima é mediterrâneo, moderado pelas montanhas que rodeiam a região, tanto em relação à influência do mar como a parte dos ventos continentais, com amplitudes térmicas consideráveis, e regra geral, o vinhedo, implantado em socalcos, necessários face à inclinação acentuada das encostas, costers, onde se situa, assenta em solos pouco profundos, pobres em matéria orgânica, constituídos pela chamada llicorella, uns calhaus angulosos e quebradiços que resultam da desagregação das camadas de ardósia da rocha matriz, eficazes a reter o calor do sol e por entre os quais as raízes das plantas penetram em busca de água e nutrientes.

Cims de Porrera, o produtor deste vi de vila, está firmemente engranzado com a cooperativa agrícola da localidade: é aos seus sócios que as uvas são compradas e é nas suas instalações que elaboram os vinhos. Depois da lengalenga supra, ficava bem um daqueles tintos valentes, de Caranyana e Garnatxa de vinhas centenárias, que encantaram Robert Parker e tornaram, em menos de vinte anos, uma região com cujo vinho ninguém contava em uma das duas denominaciones de origen calificada de Espanha, mas o espécime de que trata o presente, mais modesto, veio de vinhas novas.

Ainda assim, é um tinto escuro, amplo e intenso, vivo de álcool e acidez, mas também muito macio, com taninos empoeirados. Não explode no nariz, mas cheira bem quanto baste, a frutos vermelhos envolvidos em notas lácteas, como se tivesse misturado batido ou gelado de bagas frescas, daquele feito em casa, coisa que há muito tempo não encontrava, com esta dimensão, num vinho. Depois há a barrica onde passou um ano, e seus tostados, que por melhor que se tenham integrado, continuam a marcar o conjunto, apenas não de maneira excessiva ou, a meu ver, por qualquer outro motivo desagradável; as pimentas, o alcaçuz e o cacau, tudo no devido lugar, a aparecer com calma, com uma discrição que entendo muito bonita, mas que também lhe interdita outros voos.

Enquanto viver, e deverá aguentar mais 4 ou 5 anos, sem problema algum, vai ser sempre bom, mas nunca espectacular. Acompanhou um franguinho preparado neste espírito, com um arroz — para este fim, descobrimos preferir o Koshihikari ao Carolino, mas Bomba também serve bem: percebem a ideia? — de espigos de couve, com tomatinho.

15€.

17

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

The Doors

Gravado em Agosto de 1966 e lançado no fim do mesmo ano, foi o primeiro álbum da banda que tem o mesmo nome.



A terceira faixa, The Crystal Ship,

Oh tell me where your freedom lies / The streets are fields that never die / Deliver me from reasons why / You'd rather cry, I'd rather fly

aparenta ser mais uma de várias (candidatas a?) canções de despedida de mestre Jim à primeira gaja com quem andou, passe a expressão, a sério:

The darkness she says she had seen from the start was overtaking him, and she didn't want to watch him explore his self-destructive bent. She felt he had swallowed her identity. Whatever he liked, she liked. "I had to go out and see what parts of that were me. I just knew I had to be away from him. I needed to be by myself, to find my own identity." She enrolled in art school. The day Jim helped her move to a new apartment, she told him she needed a break. "He clammed up after that. I really hurt him. It hurts me to say that. I really hurt him." They split up in the summer of 1965 — a deixa é perfeita para linkar aos arquivos do St. Petersburg Times.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Vallado '2014 (Branco)

Estou a conseguir não vir aqui com enorme facilidade, outra vez. Virá aí modorra?

Em todo o caso, o dia 24/1/2016 começou luminoso, o céu quase limpo, com muito sol. Talvez o dia mais bonito do mês, até ver. Um Domingo de eleições!

Não fomos lá. Acordámos tarde, joguei um bocadito na net, fomos para a cozinha. A S apareceu com uns hambúrgueres de vegetais que me pareceram bastante engraçados; talvez venha a falar mais deles aqui, no futuro.

Com esses hambúrgueres bebemos Vallado branco, servido frio, directo da garrafa, sem preocupações. Focado, incisivo q.b. no ataque ao nariz, essencialmente cítrico e floral; depois instalou-se certa tropicalidade. Agradável, mas, definitivamente, não muito amplo.

Melhor na boca, mostrou-se bem fresco, equilibrado e persistente, apesar de algo ligeiro de substância. Sem encantar, tem o seu interesse.

Fundada em 1716, a Quinta do Vallado situa-se pouco antes da foz do Corgo, junto de Peso da Régua — mais em concreto, aqui. É uma quinta histórica do Douro que tem conseguido, com regularidade, colocar no mercado propostas de excelente relação custo-benefício, ainda que não objectivamente baratas.

Este branco que, se a memória não me atraiçoa, pouco difere deste seu antecessor de 2010, é um dos básicos da casa, vinificado em bica aberta, com fruta de vinhas novas, predominantemente Arinto, Códega, Gouveio, Rabigato e Viosinho, e engarrafado sem passar por madeira.

6€

16

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Eu vs Comp. (11)

[Event ""]
[White "Prata, J"]
[Black "Cheese 1.7"]
[Site ""]
[Round ""]
[Annotator ""]
[Result "1-0"]
[Date "2015.10.21"]
[PlyCount "83"]
[TimeControl "900"]

{Cheese é um motor compatível com os protocolos Xboard e UCI, escrito em C++
pelo francês Patrice Duhamel. Esta versão 1.7, a mais recente disponível,
data de Abril de 2015 e é, também, a primeira compatível com Android -
ARMv7. De acordo com a CCRL 40/40, em que as máquinas jogam umas contra as
outras com um controlo de tempo uniformizado a 40 lances em 40 minutos, em AMD
X2 4600+ a 2,4GHz, chega aos 2677 pontos Elo, em PC, 64 bits, o que não é
coisa pouca: como termo de comparação, dois belíssimos motores de quando
era mais novo, Ruffian 1.0.5 e Chess Tiger 15, que já nos idos de 2004 ou
2005 derrotavam, a larga maioria das vezes, praticamente qualquer humano,
montados no hardware que então se usava, estão na mesma lista com "apenas"
2608 e 2636 pontos, respectivamente. Joguei esta partida na cama, antes de
dormir, com o bichito a correr num Huawei Y300, fraquinho mas durável, que
tem um processador Cortex-A5, a 1GHz (este motor apenas utiliza um core) e
512MB de RAM. O interface, Droidfish, claro, com o livro de aberturas que
trazia predefinido e 16MB reservados para hashtables.} 1. e4 c6 2. d3 d5 3. e5 {Fora do livro. Em miúdo, "gostava" de teoria, posições críticas logo desde a
abertura, saber & ganar. Mas depois de perder muitas dezenas ou centenas de
jogos logo na abertura, percebi que iam sempre aparecer praticantes mais
empenhados que eu, mais experientes e/ou sabedores, e que os duelos teóricos
na abertura, com esses, iam sempre, ou quase, correr mal. Comecei também a
utilizar drogas e a focar-me noutras coisas, de tal forma que, apesar de
possuir uma invejável colecção de livros de xadrez, terei de reconhecer que
poucos foram os que realmente li. Assim, pegando num dos princípios mais
valiosos que alguma vez adquiri através desses livros, comecei a habituar-me a
desenvolver naturalmente as peças, evitando merdas, tanto quanto possível,
desde muito cedo. E sem estudar, os resultados melhoraram.} Nd7 {Após quase um
minuto em modo de análise, o mesmo motor, a correr no meu "Ivy Bridge" de
secretária, a 3299,23MHz, com 2GB reservados para hash, apresenta esta jogada
apenas como terceira opção, a profundidade 18, ou seja, a muito grosso modo,
"a ver 9 jogadas mais à frente", a uma velocidade de mais ou menos 3,5 milhões
de posições por segundo, com score de 0,27 (um terço de peão) de vantagem para
as brancas. E prefere e6.} (3... Bf5 {fará mais sentido, a desenvolver à
maneira de algumas variantes da Caro-Kann.} )4. f4 e6 5. Nf3 Nh6 6. d4 {
Meia dúzia de jogadas e já gostava mais da minha posição que da dele! Talvez
por isso me tivesse convencido de que era um motor fraco - não sabia
praticamente nada acerca dele, na altura, e realmente queria jogar contra um
motor fraco, para me entreter com alguma hipótese de ganhar, caso jogasse
certinho. Mas ele "desenconou-se" bem:} c5 7. c3 Be7 8. Be2 0-0 9. Be3 Nf5 ({
No PC, o mesmo motor prefere} 9... c4 {e fornece a seguinte linha:} 10. 0-0 Nb6 11. Na3 Bxa3 12. bxa3 Bd7 13. Bf2 Nf5 14. Rb1 a6 15. g4 Ne7 16. Ng5 h6 17. Nf3 Ng6 18. Be3 {=/+ (-0.28) a profundidade 18, 3671KN/s.} )10. Bf2 b6 ({Como
acabou por acontecer, o Bispo de Dama em b7 pouco participa no jogo. Talvez
fosse melhor jogar desde logo contra o centro branco, com} 10... f6 )11. 0-0 Bb7 12. Nbd2 Rc8 13. g4 {O plano era jogar isto no espírito das posições que
advêm da Stonewall e afins: desenvolvidas q.b. as peças, avançar peões contra
o roque negro, tirar o Rei da coluna "g" e meter lá uma Torre; depois procurar
rupturas.} Nh6 14. h3 Re8 15. Bd3 c4 16. Bc2 g6 {No PC, a profundidade 18, a
jogada da partida é terceira opção, embora por pouco: 1. +/= (0.35): 16...b5
17.Be3 Tc6 18.Tf2 b4 19.cxb4 Bxb4 20.Cg5 g6 21.Ba4 Tb6 22.Tc1 Be7 23.Cdf3 Bb4
24.Tg2 Ta6 25.Te2 2. +/= (0.35): 16...Tc6 17.Be3 b5 3. +/= (0.42): 16...g6} (16... Nf8 {era preferível porque segurava h7 sem enfraquecer o roque.} )17. Kh2 b5 18. a3 ({Não joguei logo} 18. Rg1 {por causa de} b4 {.} )Nb6 (18... a5 {parece melhor: mantém a possibilidade b5-b4 e deixa o Cd7 mais próximo da ala
de Rei, onde quase de certeza deveria vir a ser mais útil que em b6.} )19. Rg1 Qd7 $2 {Permite f5, como se soubesse que eu não ia ter "ayotes" para o jogar!} (19... Kh8 {, com mais tempo, aquele que faltaria jogado f5, será OK.} )20. Qe2 $6 {A cimentar o ataque com calma, dando também ao adversário tempo para
organizar a sua defesa.} (20. f5 $1 exf5 {... a posição negra parece um bocado
miserável se me for permitido meter um peão em f6: suponhamos que após} (20... Kh8 {, para tirar o Rei da coluna que se podia vir a abrir e onde já estava
uma Torre inimiga e, ao mesmo tempo, deixar uma casa de fuga para o Ch6,} 21. f6 Bf8 22. Be3 {e a falta de mobilidade das negras nota-se que se farta, face
a ameaças como De1-h4.} )21. g5 {e aparte o contrajogo, uma peça é uma peça:} Ng4+ 22. hxg4 fxg4 23. Nh4 {etc.} )Rc6 {Isto é típico de um computador
sem jogadas úteis, mas não traduz uma posição tão má quanto parece, pelo menos
se não lhe for dado aquele jeitinho que aqui faltou...} 21. Be3 Bf8 22. Qg2 ({
O grande Komodo 9 sugere} 22. Nf1 {, seguido de Dd2 e f5, como melhor opção:} Kh8 23. Qd2 Ng8 24. f5 $18 )Bg7 23. f5 $2 {Fiel ao plano, depois de
fazer incidir forças, tanto quanto possível, na ala de Rei, tratei de procurar
romper. Mas agora havia uma refutação táctica:} (23. Nf1 Kh8 24. Qd2 Ng8 25. f5 {ainda com o tema que ganhava na jogada anterior, e que me passou ao lado.} )exf5 24. Bxh6 Bxh6 ({Depois de} 24... fxg4 $1 {a refutação táctica do
avanço f5,} 25. Bxg7 {e depois de} (25. Qxg4 Bxh6 {e as negras ganharam
mobilidade, segurança e um peão} 26. Qg3 Bc8 $17 )gxf3 26. Nxf3 Kxg7 {, o meu ataque morreu e as negras estão bem. Ora, Cheese@PC "viu"
isto à profundidade de 13 "meias jogadas": =/+ (-0.66): 24...fxg4 25.Bxg7 gxf3
26.Dxf3 Rxg7 27.a4 bxa4 28.Bxa4 Cxa4 29.Txa4 Tb6 30.Txa7 Rg8 31.Ta2. Terá a
continuação escolhida no jogo sido questão de profundidade, motivada pelo
hardware modesto? Pena que o PGN gerado não tivesse a análise completa da
melhor linha, inerente a cada jogada (porque, obviamente, ao jogar contra
computadores, é mandatório activar a função que oculta aquilo que o motor está
a pensar).} )25. gxf5 {e aqui, mesmo no PC, só a profundidade 17 Cheese deixa
de "pensar" estar um pouco melhor: 1. = (0.00): 25...Rh8 26.Dg4 Bc8 27.e6
Dc7+ 28.Rh1 Bxe6 29.fxe6 Tcxe6 30.Tg2 Te2 31.Cg5 T2e3 32.Cgf3 Te2 2. = (0.00):
25...Dc7 26.Rh1 Rh8 27.Tae1 gxf5 28.Bxf5 Bc8 29.Bxc8 Dxc8 30.Ch4 Tc7 31.Chf3
Tc6 ... apesar de a verdade ser o oposto. Terá este comportamento a ver com
algum tipo de bónus programado para as situações em que Cheese tenha o par de
Bispos e o oponente, não? Em todo o caso, a jogada seguinte, very computer-ish,
ainda é mais difícil de justificar:} Be3 $2 {No PC, até à profundidade de 12,
inclusive, Be3 é terceira opção: = (-0.12): 25...Be3 26.e6 Dd6+ 27.Rh1 Bxg1
28.Ce5 Tc7 29.exf7+ Txf7 30.Cxf7 Rxf7 31.Txg1 Tg8 32.fxg6+ hxg6. E primeira
escolha, curiosamente, não o vi ser. Dado que o modo "fácil" estava
desactivado no Droidfish, será bug?} ({Agora,} 25... Kh8 {tinha mesmo de ser,
face a outro avanço pelo qual muito dificilmente me decidira, pesem as
complicações advindas, apesar de, uma vez feito, as negras ficarem sem jogadas
boas:} 26. e6 $1 Qe7 (26... fxe6 27. fxg6 Qg7 (27... e5 28. gxh7 )28. Ng5 hxg6 29. Raf1 )(26... Qc7+ 27. Kh1 gxf5 28. Bxf5 fxe6 29. Bc2 )27. exf7 Qxf7 28. fxg6 Qg7 29. gxh7 )26. Rgf1 (26. e6 $1 {continua a aplicar-se, mas recordemos
que este foi um jogo entre um humano fracote, ensonado, e um bot possuidor de
certo gabarito:} Bxg1+ (26... Rcxe6 27. fxe6 Bxg1+ 28. Rxg1 Qxe6 29. Ne5 )27. Rxg1 Qc7+ 28. Kh1 {e uma das Torres negras tem de ser trocada pela ponta da
lança:} Rcxe6 ({se não, por exemplo após} 28... Re7 {, torna-se possível} 29. fxg6 {e é um massacre,} hxg6 30. Bxg6 Rexe6 31. Bxf7+ Kxf7 32. Qg8+ Ke7 33. Rg7+ )29. fxe6 Rxe6 30. Ne5 )Bf4+ $2 ({Até d=10, o motor considera esta
jogada tão boa quanto o mais correcto} 26... Kh8 {:} 27. Rae1 Bf4+ 28. Kh1 {
etc.} )27. Kh1 Qe7 28. f6 (28. e6 {continuava a ser o melhor, mas, comigo, não
ia acontecer :)} )Qd7 $2 {A ignorar as ameaças de mate, por assim dizer,
fixas, em g7, tema a partir do qual o jogo branco continua a desenrolar-se sem
complicações de maior.} ({No PC, após d=12, o motor chega ao correcto} 28... Qf8 )29. Nh2 ({Não vi que após} 29. Ng5 Bxg5 {, tinha ao meu dispor} 30. Bf5 $1 {que ganha peça:} ({cheguei a} 30. Qxg5 Qxh3+ {, que é bem melhor para as
negras} )Qc7 31. Qxg5 )Bxh2 $2 {A partir daqui, acho que este jogo
se ganha com tranquilidade, seja qual for o oponente.} ({Mais uma vez, após
d=12, o bot encontra o correcto} 29... Bh6 30. Ng4 Bf8 31. Nf3 {, +- mas ainda
um jogo.} )30. Kxh2 Bc8 {Até d=11, também no PC o motor prefere esta jogada: 1.
= (-0.03): 30...Bc8 31.Tf3 Td8 32.Dg5 De8 33.Dh6 Df8 34.Dxf8+ Txf8 35.a4 bxa4
36.Bxa4 Cxa4 37.Txa4 2. = (0.02): 30...Td8 31.Dg5 De8 32.a4 bxa4 33.Dh6 Df8
34.Dxf8+ Txf8 35.Bxa4 Cxa4 36.Txa4 3. = (0.02): 30...Tb8 31.Dg5 Dd8 32.Dh6
Df8 33.Dxf8+ Txf8 34.a4 bxa4} 31. Rf3 (31. Rf4 $1 {, a ameaçar Th4 e Dg5,
escapou-me...} )Rd8 32. Qg5 Qe8 {, única,} 33. Rf4 Qf8 ({Após} 33... Kh8 {,} 34. Rh4 {e Cf3, por exemplo.} )34. Raf1 Be6 35. Rh4 Rc7 36. Rh6 Kh8 37. Rf4 Qg8 38. Rfh4 Nd7 39. Rxh7+ Qxh7 40. Rxh7+ Kxh7 41. Qh4+ Kg8 42. Qh6 {e mate a
seguir.} 1-0

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Baltasar Gracián — El Héroe '2013

A denominação de origem Calatayud situa-se na parte mais ocidental da província de Zaragoza. É composta por 46 municípios, circundantes da cidade que lhe dá o nome e onde se encontra o respectivo conselho regulador.

O produtor deste varietal Garnacha, as Bodegas San Alejandro, de Miedes de Aragón, indica origem em vinhas com 50 anos de idade, situadas "até 1000m de altitude", e 10 meses de maturação em barricas de carvalho francês (30%) e americano.

Tem mais cor, mais escura e densa, que outros abates recentes da mesma casta: este e este, por exemplo. Cheira muito bem, a Garnacha floral e alegre, como se quer — sem, no entanto, se dar logo toda.

Como disse, traz flores. Mas é a fruta que domina, silvestre, gulosa, vermelha e preta, por vezes a tomar formas curiosas, tropicais, como manga e banana. Em pano de fundo, só um bocadinho de tosta. Esperava mais rebuçado, mas não faz mal. A dada altura, quando já estava no copo há bastante tempo, ficou "todo balsâmico", muito, muito bonito.

Na boca, tem mais intensidade que corpo e um ponto de amargor. Grau e álcool solto na prova não coincidem necessariamente — a maturação — mas este vinho, sem ser quente ou morno, é capitoso. Quanto a persistência, apenas mediano.

Está super agradável, mas não valerá a pena dar-lhe guarda. Algo nele me trouxe à memória certo tinto da Coop. de Pinhel, feito com Marufo e Rufete, que em tempos bebia bastante, apesar de nunca ter chegado a falar dele aqui.

8€.

16,5

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Casa de Santar — Touriga Nacional '2007

A casta, considerada a mais nobre de Portugal, certamente por dar vinhos mais fáceis e por isso mais consensuais que a Baga, terá tido origem no Dão, sido extendida ao Douro, inicialmente para vinho do Porto, e depois como que universalizada, de tal forma que alguém lhe terá chamado, num momento de singular sageza, "a mais plantada nos rótulos portugueses".

Este varietal foi produzido pela Sociedade Agrícola de Santar no ano seguinte à Dão Sul se ter tornado sua accionista maioritária. O contra-rótulo, bilingue, diz mais em inglês que em português, talvez por questões de mercado. Refere como proveniência das uvas os talhões (ou vinhas? -plots) das Alminhas, Poços, Vale Padrinho, Matinha e Aliados, recorda-nos a natureza granítica dos respectivos solos, "de textura grosseira", e desvela qualquer coisa sobre o processo de produção: 20 dias de maceração pós-fermentativa, maloláctica induzida, parte em pequenos cascos, parte em inox, e engarrafamento, sem filtrar, após um ano de estágio em barricas, novas, de carvalho francês.

No caderninho das provas, dois parágrafos: "Cor granada, escura e densa, com rebordo a atijolar. Extraído mas fino, polido, de certa forma delicado, muito floral e frutos secos, logo depois de servido directamente da garrafa" e "Abre no copo. Teve um momento em que pareceu quase só cheirar a melancia, que engraçado. Mas terroso, afinal: violetas, compota de frutos negros. Termina longo".

Dias depois, constato que ficou na memória. É um vinho que não teve de deixar de ser fino para se mostrar fiel à casta. Está elegante, provavelmente no seu ponto óptimo de consumo. De tal forma que, apesar de não ter quem me ajudasse com ele, não deixei nenhum para o dia seguinte.

18€.

17,5

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Baron de Ley — Tres Viñas, Reserva '2009

70% Viura, 15% Malvasía e 15% Garnacha Blanca, é um D.O.Ca Rioja que procede de vinhedos situados no vale do rio Najerilla. O produtor indica que as uvas foram vinificadas casta a casta, tendo o lote final envelhecido em barricas de carvalho americano, durante 12 meses, antes de engarrafado.

Corpulento, amanteigado e amadeirado, com baunilha pungente no ataque ao nariz e leve amargor a permanecer pelo fim de boca, cheirou-me a pêssego e alperce, flores e ananás, leveduras, amêndoas tostadas, fumo e whisky. O paladar, gordo, com frescor apenas suficiente: para beber já? No espírito em que chamei a este "branco de Outono", teria o presente de ser considerado "de Inverno".

Numa noite em que não apeteceu fazer comida, começou por acompanhar uns pãezinhos com húmus de pimentão, guacamole e queijo da Soalheira, de mistura, "à cabreira", deste produtor. E esteve bem, mas não cativou. Exigiria ele algo maior?

Ora, Chardonnay liga bem com pipocas e carácter manteigoso, já para não falar de tosta, tinha este vinho q.b. — foi por associação que selei o destino da bem mais de meia garrafa que sobrara do jantar, com o filme da noite, o "Rambo" de 2008: espectáculo!

11€.

16,5

terça-feira, 5 de janeiro de 2016














Um dos últimos passeios do ano que agora terminou e também um dos mais fixes. Chovia. Apareceu um cão no passadiço que acompanha a praia, adorável, que ficou connosco mais de 1Km! Depois, um arco-íris a que estas fotos, tiradas com telemóvel de pobre, não poderiam fazer justiça.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Castelo de Azurara — Reserva '2011

O último "Azurara" a ser abatido foi este lote de Touriga Nacional e Alfrocheiro, cujo tipo e tempo de estágio não encontrei especificados.

Resumindo, é um Dão "reserva" de dimensões medianas, expedito e modernaço, que ultrapassou as expectativas.

O contra-rótulo sugere o consumo a 19ºC, mas foi mais fresco, a exactamente 16,2ºC, que mais gostei dele. Escuro no copo e sumarento na boca, apareceu muito limpo, focado em frutos do bosque, vermelhos e pretos, groselha e outros que tais. A compor, fumados e baunilha, certamente de barrica, e frutos secos, uma expressão muito bonita da Touriga.

Com o tempo de abertura, ter-se-á soltado, ganho, mais que complexidade, outra envolvência, mas também perdido alguma precisão.

Tal como os monocasta dos posts anteriores, veio vedado com um toco Nomacorc, de polietileno "verde", feito a partir de etanol de cana-de-açúcar, e que é ligeiramente poroso, para permitir que vão entrando quantidades residuais de oxigénio na garrafa, antes de ser aberta, como acontece com as rolhas naturais.

E se, pessoalmente, prefiro sempre mexer em cortiça, é inegável que encontrei estes vinhos bem viçosos. Agora que já é "normal" que grandes tintos de guarda venham vedados com tampa de rosca, eis o upscaling de ainda outra alternativa ao natural?

5€.

16