"No Registo do Óbito, passado a 27 de Março de 1946, lê-se como causa da morte:
Asfixia por obstrução dos vasos aéreos superiores produzido por pedaço de carne.
Assinam este documento o declarante, Dr. Asdrúbal d'Aguiar, e a ajudante do Posto do Registo Civil, Maria Teresa da Costa Monteiro de Figueiredo.
O que, desde já, achamos estranho é a posição tranquila do corpo de Alekhine. Custa-nos a acreditar que uma pessoa vítima de asfixia morra com a serenidade que as fotografias mostram e os relatos confirmam. O próprio Dr. António J. Ferreira afirma que o asfixiado cai no chão. É, segundo supomos, fácil de entender que, numa situação dessas, a vítima estrebuche e se agite convulsivamente. Nada disto se nos patenteia nas fotografias.
Dispomos de duas fotografias tiradas de ângulos diferentes: uma publicada no livro de hans Müller e A. Pawelczak, Schachgenie Aljechin, Leben und Werk (foto junto da p. 272) e outra reproduzida na revista Jaque (Nueva Época, nº 319, 2a Quincena, Diciembre 1991, p. 10). Tal como vimos nas descrições já referidas, Alekhine está tranquilamente sentado num cadeirão parecendo dormir. A cabeça pende-lhe ligeiramente sobre o ombro esquerdo e não se apoia nas costas do cadeirão, que tem um naperon de renda.
(...)
Qual é a diferença de uma para a outra fotografia? Na da revista Jaque, deparamos com um jornal, ou revista, sobre o livro na prateleira do toucador onde está o copo.
Não sabemos a ordem por que foram tiradas as duas fotografias; todavia, o que é um facto indesmentível é que alguém colocou, ou retirou, um objecto, o que se nos afigura estranho, uma vez que, num caso como este, em que se suspeitou de homicídio, nada poderia ser retirado ou acrescentado."
Asfixia por obstrução dos vasos aéreos superiores produzido por pedaço de carne.
Assinam este documento o declarante, Dr. Asdrúbal d'Aguiar, e a ajudante do Posto do Registo Civil, Maria Teresa da Costa Monteiro de Figueiredo.
O que, desde já, achamos estranho é a posição tranquila do corpo de Alekhine. Custa-nos a acreditar que uma pessoa vítima de asfixia morra com a serenidade que as fotografias mostram e os relatos confirmam. O próprio Dr. António J. Ferreira afirma que o asfixiado cai no chão. É, segundo supomos, fácil de entender que, numa situação dessas, a vítima estrebuche e se agite convulsivamente. Nada disto se nos patenteia nas fotografias.
Dispomos de duas fotografias tiradas de ângulos diferentes: uma publicada no livro de hans Müller e A. Pawelczak, Schachgenie Aljechin, Leben und Werk (foto junto da p. 272) e outra reproduzida na revista Jaque (Nueva Época, nº 319, 2a Quincena, Diciembre 1991, p. 10). Tal como vimos nas descrições já referidas, Alekhine está tranquilamente sentado num cadeirão parecendo dormir. A cabeça pende-lhe ligeiramente sobre o ombro esquerdo e não se apoia nas costas do cadeirão, que tem um naperon de renda.
(...)
Qual é a diferença de uma para a outra fotografia? Na da revista Jaque, deparamos com um jornal, ou revista, sobre o livro na prateleira do toucador onde está o copo.
Não sabemos a ordem por que foram tiradas as duas fotografias; todavia, o que é um facto indesmentível é que alguém colocou, ou retirou, um objecto, o que se nos afigura estranho, uma vez que, num caso como este, em que se suspeitou de homicídio, nada poderia ser retirado ou acrescentado."
Dagoberto L. Markl,
Xeque-mate no Estoril, A morte de Alekhine
Ed. Campo das Letras, 2001
Xeque-mate no Estoril, A morte de Alekhine
Ed. Campo das Letras, 2001