domingo, 30 de abril de 2017

Bonjardim '2014 (Branco)

Garrafa nº 2563 de 3000.

Cor evoluída.

Menos intenso na acidez que o seu congénere de 2015; mais macio, mais maduro, ainda muito senhor de si.

Abatido na margem do Ceira, com sushi, fez lembrar flores silvestres, jasmim, baunilha e chocolate branco.

Sobrou talvez um terço da garrafa, que à noite surgiu transformada: pedra, humidade, oxidação.

É um vinho bonito, mas menor que o de 2015 e que, provavelmente, não durará.

Quando procurava saber mais sobre o produtor, online, não desgostei da reportagem que encontrei aqui.

7€.

16

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Bonjardim '2015 (Branco)

Animado pela descoberta dos vinhos do post anterior, não tardei a procurar mais exemplares originários da quinta que lhe deu origem.

Encontrei dois brancos secos, de 2014 e 2015, ambos de produção ainda mais reduzida que o tinto: dizem os respectivos contra-rótulos terem sido enchidas, do primeiro, 3000 garrafas de 75cl, e do segundo, apenas 1970 garrafas de meio litro.

Comecemos pelo mais recente. Fernão Pires e Alvarinho, amadurecido "sur lie", em contacto com as leveduras mortas, após a fermentação, e não filtrado.

Primeiro flores silvestres, brancas e amarelas, depois pastelaria, a untuosidade subtil de massas folhadas.

Largo, sério, conduzido por excelente acidez que o refresca e lhe traz profundidade, mesmo já depois de "quente" no copo.

De final amanteigado, com toque de noz de pecan, foi a garrafa nº 1111.

A acompanhar, salada de polvo. O molusco, depois de cozido, foi ao forno num pyrex fechado, 20 minutos, a 140ºC, com azeite, paprika e tomilho seco. Virou-se a meio da assadura.

Misturado com feijão frade, pimento assado, azeitona verde, cebola doce e salsa, tudo cortado relativamente miúdo, constituiu um jantar fácil e agradável, companhia perfeita para um branco muito, muito bonito.

7€.

17

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Bonjardim '2012 e '2013

Feitos, de acordo com os respectivos contra-rótulos, com Touriga Nacional e Syrah, fermentados em lagar e estagiados em barrica, estes são dois dos vinhos biológicos da Quinta da Portela, sita na aldeia do Nesperal, concelho da Sertã.

A quinta, do século XVIII, adquirida pelos actuais proprietários em 1989, além da actividade vinícola, inclui uma unidade de turismo rural, o Albergue do Bonjardim. O enólogo é António Maçanita.

Em 2012, foram produzidas 7200 garrafas deste tinto, das quais abri a nº 4131. Escuro, mas relativamente pouco opaco, não se mostrou o vinho extraído e madurão que, talvez por preconceito, esperava encontrar. Pelo contrário: surgiu muito fino, cheio de boa fruta silvestre, com ponto de frescura balsâmica e bergamota. Sem se poder considerar realmente profundo ou complexo, foi, no entanto, longo, macio e concentrado o suficiente para impressionar. Custou à volta de 8€. 16.

Maior surpresa ainda foi o de 2013, ano de produção substancialmente mais reduzida: abri a garrafa nº 2924 de 3700. De novo, frutos do bosque, mais vermelhos que negros, flores, muita bergamota, pimenta preta e ligeira barrica. Parecido com o de 2012, mas algo melhor em todos os aspectos. 8€. 17.

Estes tintos constituem, definitivamente, dois belos representante da zona do Pinhal Interior, onde a produção de vinho, apesar de antiga, nunca teve projecção.

sábado, 15 de abril de 2017

Domini Plus '2011

A colheita de 2011 na Quinta de Mós, propriedade da José Mª da Fonseca no Douro, rendeu 5800 litros deste vinho, engarrafado em Abril de 2014.

68% Touriga Francesa, 22% Tinta Roriz e 10% Touriga Nacional; estagiou 23 meses em madeira nova.

Inicialmente fechado de aroma, melhora tomado algum ar: frutos negros, barrica fina, flores e cola "Dragão". Vaga percepção de doçura. Longo, concentrado; elegante na forma como distribui coisas grandes.

Algo monolítico, é certo, mas muito polido, tem tudo o que se espera de um vinho de gama alta, oriundo de um produtor de referência, que começa a estar realmente pronto a ser bebido.

E agradou, de tal maneira que uma das notas rabiscadas aquando da prova até diz "delicioso". Mas não houve entre nós click que justificasse maiores observações.

Coisas da alma! Se da dele, se da minha, não sei.

35€.

17,5

domingo, 9 de abril de 2017

Terra D'Alter — Alfrocheiro '2014 e '2015

Abertos na mesma noite que o do post anterior, estes Alfrocheiro da Terras D'Alter apareceram muito mais focados e intensos que ele. Definitivamente, não pertencem à mesma liga.


Ora, estes são dois vinhos jovens, cheios de fruta. Em ambos me pareceu a amora a nota dominante, gulosa, super sugestiva, acompanhada no 2014 de cereja negra, vestígios de terra, sangue e algum chocolate, e no 2015, ameixa, especiarias quentes e vegetal seco.


De volume e persistência apenas medianos, ambos assentam boa parte da sua capacidade de impactar em acidez afirmativa e sabor sumarento. Sem arder ou amargar, o de 2015 está algo capitoso, menos redondo que o seu predecessor.

São vinhos de prazer imediato que parecem, no entanto, poder vir a beneficiar de algum tempo em garrafa. Será?

5€, cada.

16, ambos.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Château La Grange d' Orléan '2012

Tal como este Haut-Landon, que foi trazido do mesmo supermercado, o vinho de que trata o presente é um Blaye-côtes-de-bordeaux engarrafado por SAS Robin, que o Guide Hachette des vins et champagnes introduz assim:

Jean-François Réaud a repris en 1983 le vignoble du grand-père, créé en 1904 sous le nom de Domaine du Grand Moulin; il l'a largement restructuré et modernisé, et lui a donné le nom plus flatteur de "château".

Constituem o lote 70% de Merlot, 20% de Cabernet Sauvignon e Franc, e 10% de Malbec, provenientes da vinhas de Annette Venancy, de Saint-Androny.

Savory, não fruit forward, com tabaco e especiarias em evidência.

Fresco e equilibrado, é "médio menos" em termos de presença, apenas firme o suficiente para não se desvanecer no nada . . . Agradável, mas sem grande história.

Embora Bordéus bom e barato não seja miragem, há que garimpar muito e a maior parte do que fica na peneira é cascalho.

Acompanhou cubos de pá de porco, estufada no slow cooker durante 12h, mais coisa menos coisa.  Mesmo no tempo quente, um prato que me sabe sempre bem.

4€.

14,5

segunda-feira, 3 de abril de 2017


Donner - Milic

1. d4, Nf6 2. c4, g6 3. g3, Bg7 4. Bg2, d5 5. cxd5, Nxd5 6. e4, Nb4 7. a3, N4c6 8.d5, Nd4 9. Nc3, c6 10. Nge2

After 10.Be3, White would have had a greater advantage.

10. ..., Bg4 11. O-O, Nxe2+ 12. Nxe2, O-O (12. ..., Qc8!) 13. h3, Bd7 14. Nc3, e6!

Black's last is an excellent move. The passed pawn is weak if anything, but I wanted to win, which would have been well-nigh impossible after a general exchange in the centre.

15. d6!??, e5! 16. Be3, Be6 17. Qd3, Nd7 18. f4, Nb6 19. Rf2!, f5?

Milic failed to understand the position. he should not relinquish files and squares surrounding the passed pawn on d6. With f6 he could have closed the position, condemning White to impotence. Now he ended up in a lost position.

20. fxe5, Bxe5 21. Bf4, Bxf4 22. Rxf4, fxe4 23. Rxf8+, Qxf8 24. Nxe4, Qg7 25. Nc5!, Bd5 26. Bxd5+, Nxd5 27. Re1!, b6


28. d7!, Qf7 29. Qe4, Rf8 30. Ne6, Qxd7

Too bad he did not play Nf6. When I asked him, he came up with some absurd line. Obviously, he hadn't noticed that White would have emerged a piece up with 31.d8=N!!

31. Nxf8, Kxf8 32. Qe6, Qc7 33. Qe8+, Kg7 34. Qe5+, Qxe5 35. Rxe5

Decent players resign in such a position. Black did not and managed a draw, of which I am so ashamed that I will not give the rest of the game. Et le pion noir dit au pion blanc: "Donner".

It was not the first time this happened to me. My repeated failures (until recently) against Wijnans were due to the same phenomenon. Always reaching winning positions, never winning. And the second game of my match against Euwe, in which I gave a pawn away in a drawn position, was something similar.

I love all positions. Give me a difficult positional game, I'll play it. Give me a bad position, I'll defend it. Openings, endgames, complicated positions and dull, drawn positions, I love them all and will give them my best efforts. But totally winning positions I cannot stand. There are other players in Holland who suffer from the same pathetic phenomenon, notably Van den Berg and Barendregt, who, as a result, are not really taken seriously and of whom it is mockingly said: "Just give a pawn away and you're sure to win." It is much better, in fact, to play an objectively less correct game but to be able to win once you've got a winning position, as is the case with Cortlever and Prins, for example.

And that is why I am writing all this under the heading "On the justice of chess". For it is indeed the strongest who will win: not the one who is objectively the best thinker, but the one who is the most tenacious fighter, as is also the case in life.

Club Magazine DD, Jul/Set 1950


Publicado pela New in Chess, "The King" é a tradução inglesa do clássico de 1987 "De Koning", uma antologia de artigos escritos pelo grande J.H. Donner, organizada por Tim Krabbé e Max Pam.