quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Pedra d'Orca — Reserva '2013

De volume e comprimento medianos, este vinho trouxe consigo frutos silvestres, mais vermelhos que pretos, amparados por boa acidez, 13,5% de álcool bem integrado e alguma rugosidade tânica.

Gostei mais do seu predecessor de 2011, bebido recentemente — este precisará de tempo para limar as arestas. Em todo o caso, é um tinto honesto, com boa relação qualidade/preço.

5€.

15

P.S.

Impressões curtas, estilo desapaixonado? O facto de estar a publicar coisas assim um mês depois de as ter experimentado?

A escrita mais seca do que quando pensava andar deprimido? Uma falta de interesse por tudo que teima em colar-se, mau grado a vontade?

Ou uma desonesta falta de vontade de combater essa falta de interesse? A incapacidade de sentir prazer, aconteça o que acontecer?

Que se regozijem os meus detractores, isto anda uma merda.

Mas eu, teimoso, para já, permaneço.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Quinta da Pacheca "Superior" '2015 (Branco)

Produzido a partir das castas Gouveio, Viosinho e Fernão Pires, este vinho fermentou em barricas novas de carvalho francês. O produtor dispensa apresentações, mas não poderá fazer mal ligar-lhe.

As notas tomadas no momento em que o bebi são sumárias, mas, parece-me, pelo menos num plano pessoal, extremamente esclarecedoras:

"Citrinos, flores etc. Mas para além do habitual, nuances mentoladas no nariz, a dada altura sobre intenso fundo de figo seco.

Junto com uma salada temperada com maionese de abacate e limão, sobressaiu-lhe a parte verde e apareceu maracujá.

Sóbrio, é um branco bem mineral, com fim de boca "salgadinho". Fino, composto, com classe. Final médio+."

Apesar de estar a escrever sobre ele mais de três semanas depois de o ter bebido, e que três semanas foram, em todos os aspectos!, a "chave" que as notas supra constituem permitiu-me traçar-lhe o retrato, imediata e limpidamente, quase como se o estivesse a beber outra vez.

Conseguisse realizar assim tudo o que quero . . .

8€.

16,5

sábado, 19 de agosto de 2017

Quinta de Foz de Arouce '2007

Banhada pelo rio Ceira, a quinta situa-se em Foz de Arouce, não muito longe do lugar de onde vieram estas fotos.

Baga e Touriga Nacional. Citando o contra-rótulo, "vinificado com maceração completa e estagiado em meias pipas de carvalho".

Foi servido após dupla decantação porque a parte de baixo da rolha se desfez enquanto a retirava.

Mas o vinho por ela resguardado estava bom: firme, fresco — quantas vezes estes adjectivos surgem juntos! — repleto de sinais da casta Baga. Mais vivo que persistente e fino à sua maneira, "dentro do robusto".

A fruta, tendencialmente vermelha, veio integrada num conjunto dinâmico e complexo que também mostrava balsâmicos e frutos secos: evolução, praticamente a única coisa a denunciar-lhe a idade, já que, de corpo, estava muito bem.

Em Março de 2009, dei 15,5 em 20 a este 2005 da mesma casa. Pareceu-me, então, "um pouco vazio". Agora, que já vi e bebi muito mais, sou mais generoso com as notas. Não que acredite existir tão dramática diferença entre colheitas, que o factor idade aqui possa valer um valor e meio ou que os vinhos, em geral, tenham melhorado significativamente face ao que então havia.

Simplesmente, acho que aprendi a moderar as expectativas. Não como autodefesa, mas porque o mundo é de uma determinada maneira e eu talvez andasse a pedir-lhe de mais.

12€.

17

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Pedra d'Orca — Reserva '2011

Jaen, Touriga Nacional e Tinta Roriz. Rubi intenso. Frutos do bosque agradavelmente almiscarados constituem o cerne de um tinto de elegância simples, com boa acidez e estrutura razoável, muito amigo da mesa.

Até ver, dos vinhos da Adega Cooperativa de Vila Nova de Tazém, foi este o que mais me agradou.

A anta da Pedra da Orca é um dólmen que se presume datado do final do Neolítico, situado em Rio Torto, concelho de Gouveia, junto ao quilómetro 103 da EN 17.

5€.

16

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Plansel Selecta — Homenagem ao Thomas '2012

Monocasta Trincadeira, vinificado em lagar, com maceração, e estagiado 8 meses em carvalho francês. Tem 15% vol.

O produtor é a Quinta da Plansel, de Montemor-o-Novo.

Flores e muita ameixa preta, doce, com toque lácteo. Mais tarde, um pouco de tabaco.

Corpo e persistência médios+, com taninos maduros, boa acidez e álcool bem integrado.

Um vinho de recorte moderno, honesto e bastante temático, mas nem por isso complexo ou inspirador.

6€.

15,5

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Outono de Santar '2011

O vinho é 100% Encruzado, botritizado, estagiado 12 meses em carvalho francês; o produtor dispensa apresentações.

Servido a 12ºC. Leve e doce, etéreo sem ser alcoólico, trouxe consigo cheiros de frutos secos, tangerina e maçã, pastelaria, mel e melaços, musgo e humidade.

Muito fino, possui uma complexidade vaga, fácil de entender até chegar a altura de a explicar ao próximo.

Apesar da relativa falta de força e frescura, é bonito e merece ser conhecido.

A "Revista de Vinhos" considerou o seu sucessor de 2012 mais interessante.

9€.

16