
Mais um exemplar da ampla gama da Quinta dos Termos, mais um vinho da Beira Interior que aqui é comentado.
Não é que os prefira — parece-me, aliás, que muitos deles seguem o estilo do Douro, desnecessariamente, num terruño a que faltam as particularidades que tornam especial o modelo.
Mas foi na Beira Interior que nasci e cresci e é de lá que gosto. Da terra, do céu, dos bichos, não das pessoas. Afinal, de que pessoas é que eu gosto? :)
Natural, pois, a curiosidade. E as coisas que de lá vêm que são originais, diferentes do habitual, e que calham também ser autênticas, genuínas, fiéis à origem, costumam ser bem giras.
Dito isto, pelo que conheço do produtor, tendo a acreditar que este vinho, nem por isso original, seja autêntico q.b.
Agora, porque me lembrei, porque nem sempre os posts do "Puto" são montados, entre a coisa provada e seus predicados, e a propósito da originalidade, uns pozinhos de meta-blogging:
"No ano de 1945 é adquirida por Alexandre Carvalho a quarta gleba de um prédio correspondente a uma terra no sítio dos Termos ou Vilela", posteriormente denominada por Quinta dos Termos.
A ideia é que alguém siga o link e depois reflicta.
Se atiro pedras sem nunca ter pecado? Claro que não. "Pecco ergo sum". E poucas vezes me arrependo. Mas continuemos.
O contra-rótulo desta garrafa diz que o seu conteúdo "só sai a público em anos de grande qualidade", "pretende homenagear os grandes vinhos das casas senhoriais da Beira" e que é "um lote dos melhores vinhos de Touriga Nacional, Rufete, Jaen e Trincadeira".
Conjunto consonante na madurez e robustez, denso e mais firme que gordo, mostrou-se preso logo depois de aberta a garrafa, mas melhorou muito após uma tarde de arejamento. Fruta escura, madura, e terra, fumados e especiados indistintos. Acidez mediana, algum álcool e taninos firmemente entretecidos. Fim de boca bom.
OK com bife na pedra e seus acompanhamentos habituais, porreiro com muffins de chocolate. Tudo indica que ganhará com alguma guarda.
8€.
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