Criada no ano 2000, a Lavradores de Feitoria, é uma espécie de cooperativa que resultou da união de 15 proprietários de quintas distribuídas pelo Douro, repartidas pelas suas três sub-regiões. Este foi o primeiro "Três Bagos Reserva" lançado no mercado, ligeiro upgrade face ao que talvez fosse o vinho-bandeira da casa, e levou 90 pontos da Wine Spectator logo no primeiro ano em que saiu para o mercado. Começava a desenhar-se uma tendência!Na sua elaboração, foram utilizadas uvas das castas Tinta Roriz, Touriga Nacional e Touriga Franca, provenientes de cepas moderadamente velhas, com mais de 30 anos. Metade do lote final estagiou em inox e a outra metade em madeira, durante onze meses: desse, metade evoluiu em barricas de carvalho francês, novas, e o restante em barricas de segundo ano.
A caminho dos cinco anos de idade — não é segredo que existem pressões económicas, de mercado, que levam os vinicultores a ter certa pressa em lançar os seus vinhos, bem como a fazê-lo todos os anos, e que o comprador, caso se limite a comprar e consumir as novidades, dificilmente vai apanhar tintos no ponto — pareceu-me num muito bom momento, talvez o melhor a que possa almejar no decorrer da sua vida.
Robusto, apesar de não propriamente "full bodied", encontrei-o firme e cheio de sabor. Sem explodir, mostrou boa fruta vermelha, junto com o toque campestre, de mato baixo, que com um pouco de boa vontade conseguiremos reduzir a "esteva", típico do Douro, com toque de baunilha e fumado, em jeito de tempero. O paladar, seco, apresentou boa acidez e taninos arredondados — lendo o que outros escreveram ao prová-lo mais novo, sou levado a crer que por efeito do tempo em garrafa. Com a oxigenação advinda do passar do tempo no copo, especiarias e um ligeiro vincar das marcas da permanência em madeira. Final razoável, a dar para o longo. Bom!
9€.
16








