quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Quinta da Pellada '2007

Este pareceu-me, coisa curiosa, mais evoluído em termos de cor e cheiro que no sabor.

A cor, a atijolar.

O nariz, por entre alcaçuz e mato, cedro, fumo e especiarias doces, tabaco e sei lá que mais, ainda detecta fruta, talvez cereja, escura, muito escura.

Mas, na boca, permanece firme e preciso, apesar de entregue a fruta macia, com toque já cálido. Tem porte, mas também fineza. Não é um monólito nem está a morrer. Surpreendente.

Talvez por associação de ideias, sabendo muito bem o que estava a beber, trouxe-me à memória o Álvaro de Castro "Reserva". Mas maior e melhor.

Consiste numa mistura do "field blend" da vinha velha da Pellada com Touriga Nacional e Tinta Roriz.

A propriedade que dá o nome a este vinho é o maior tesouro do produtor. Situada na zona de Pinhanços, num cabeço a NW da linha oblíqua do sopé da Estrela, a uma altitude máxima de 545 metros. As suas primeiras referências remontam à década de 1570.

Quando estava à venda, era vinho para cerca de 30€.

17,5

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Luís Pato — Baga & Touriga Nacional '2014


A vida vai fluindo e o blog, esquecido, ficando para trás. E tanta coisa digna de partilha! Momentos espectaculares, momentos de merda. Grandes vinhos, grandes discos, talvez uma ou outra foto.

Então a dúvida: ir preenchendo o hiato temporal decorrido entre a última publicação, datada de 30/5, e a presente data ou recomeçar agora? Já tentei, em momentos de abandono passado, "encher o enchido" em retroactivo para que um novo visitante não se apercebesse do abandono. Mas, sinceramente, esse é um motivo de merda. E o melhor que alguma vez consegui arranjar para tal acção. Então que se foda, recomeçará agora. Com sorte, talvez leve um ou outro destaque deste tempo que passou — saudavelmente em diferido.

Recomeçemos com vinho. Um Luís Pato tinto, de entrada, daqueles que levam o nome do produtor. Este não é dread, rebelde, monocasta ou de uma vinha em particular. Mesmo assim, chamar-lhe-ia, sem qualquer reserva, um pequeno clássico moderno. Talvez agora mais pequeno, pelo menos comparativamente, que noutros tempos. Lembro-me destes — destes, salvo seja — Luís Pato serem 100% Baga e, com jeito, durarem 20 anos ou mais. Este é mais moderno, mais approachable logo desde tenra idade, ao que não será alheia a adição de 40% de perfumada Touriga Nacional à grande casta da bairrada. Ademais, foi fermentado em inox e maturado em barricas usadas, de Allier e americanas.

Às três pancadas: floral no ataque, frutado escuro no miolo, terroso lá mais "por detrás" e "por baixo". Tem viço, tem estrutura, algum comprimento e profundidade também. Mas durará mais dez anos?

Em todo o caso, se assim fossem todos os vinhos de entrada...

6€.

16