quinta-feira, 30 de maio de 2019

João Portugal Ramos - Loureiro '2018

E ao segundo dia, o segundo post. Vinho. A partir de agora, espero que numa toada mais pessoal. Pensei no que andava a fazer e concluí que, quase de certeza por preguiça, tendo atinado, a dada altura, com um modelo de post que me pareceu satisfatório, tratei de nele enfiar vinhos atrás de vinhos, momentos atrás de momentos, como quem enche chouriços. Chouriços de diversos tipos de carne, com vários temperos diferentes, mas, ainda assim, chouriços.

Seria, então, bom dizer que se acabou a obrigatoriedade da lengalenga introdutória?

Composição. Tema: O Quinta de Não Sei das Quantas, Colheita de Tal e Tal.

Depois, uma série de dados, mais ou menos enciclopédicos, sobre a terra e o tempo, a empresa e os homens. Mas que parcelas e, quando presentes, o que significam os seus nomes? E os homens! Como se os conhecêssemos. Por fim, que tal pareceu o dito vinho. Destrinçado ou pretensamente destrinçado de forma categórica. Como se as informações das notas de imprensa fossem reflexo de um pequeno, mas muito justo, deus de certezas. Como se eu realmente soubesse. Nah. Não e não. Não está bem. Não existe necessidade. Então chega.

Mas as imagens encostadas à esquerda e dimensionadas a 40% da largura da página, poderiam ir? Ou o formato tru-lu-lu? Ou o numerozinho da qualidade e tudo o que se encontra por detrás dele? Era bom, quem sabe, que me fosse mais fácil deixar para trás certas amarras, mas estas coisas pedem tempo. Em todo o caso, o puto é hoje um fantasma ignorado, ainda mais do que quando estrebuchava com relativa frequência. Então, sem forçar, vamos ver.

O vinho do post. Enviado pelo produtor para prova. Agradecido. Um Verde de João Portugal Ramos: 85% Loureiro, do Lima, e Alvarinho. Sem madeira. A cor é a que se pode ver na fotografia, tirada contra fundo branco, com luz natural. O cheiro fez-me lembrar, assim do nada, o jardim botânico de Coria, com o perfume, vago, de muitas flores misturadas, citrinos e o toque de louro que tantas vezes se associa à casta, ou pelo menos algo verde, arborizado. Na boca, vigor e persistência "médios". A frescura satisfaz, mas o toque surge mais redondo, menos crocante, do que aquilo que o nariz fazia adivinhar. Talvez deva ser bebido agora, o mais jovem possível.

PVP recomendado: 3,99€.

15
O Rei está morto. Longa vida ao Rei!

Um ano. Um ano sem praticamente aqui parar. Sim, fui acedendo à minha conta da Heliohost para não deixar cair certos conteúdos. Sim, vim cá em Setembro e até deixei dois posts, no espírito de um relançamento que não viria a acontecer. Sim, a dada altura chateei-me por bocadinhos de vídeo que aqui metia, via Youtube, a propósito de filmes, resultarem em "copyright strikes". Todos, todos eles por graça da "Wild Bunch, SA". Bem, puta que os pariu. Talvez, em resposta a isso, eu tenha ripado as merdas deles que comprei e talvez, mas só talvez, as tenha distribuído via torrent. Ou talvez não. Bem, puta que os pariu, e caguei nos filmes, que também ninguém olhava para eles.

Enfim. O blog, de uma distracção, tinha-se tornado uma tarefa. O mesmo tipo de post, o mesmo esquema, com um agendamento, mais ou menos rígido, de três em três dias. Não era mais divertido. Ainda por cima, comecei a ganhar a vida a escrever. E quando ganhas a vida a escrever, a menos que sejas daqueles mesmo bons, daqueles mesmo putos, que precisam de escrever para se sentirem ou para estarem vivos -- pensei no Rilke e é um desvio -- a menos que sejas mesmo fanático e escrevas como quem respira, não, não é a escrever que vais querer passar os teus tempos livres. E isso importou milhões.

E depois, a concorrência de outros meios. Tive/tenho uma conta no Vivino e tentei contribuir, mas um gajo é uma gota no oceano e nada é para nada -- caralho, que reality check, que pílula de lucidez! -- a sério. Mas não gostei. Aconteceu o mesmo com o Cellartracker. E o Facebook? Jesus, o Facebook! Não, o Facebook são coletes amarelos, fake news, arbitragem de futebol, fotos da praia e gatos abandonados. No Facebook não ia dar. Mesmo.

E o vinho? A caderneta de cromos? O vinho pode ter poesia e ciência, pode ser uma das mais românticas conquistas -- ou meias conquistas -- do génio humano. Um pouco como o xadrez. Mas, ao contrário do xadrez, o vinho é um negócio do caralho. Não vale a pena entrar em detalhes "do mundo": que o preço de venda ao público não depende, mesmo nada, do custo de produção, que o mais badalado acaba por ser o melhor, que, dos vinhos "premium low cost", de 10€ por garrafa, agraciados com 90 pontos Parker ou assim, caminhamos para os de 3€ que levam 93 ou mais... Que os genuínos biodinâmicos de produção limitada, genuína e autêntica, com todo o sol e sal da terra e etc. à mistura, nos podem enganar tanto como as promoções falsas das grandes superfícies e os produtores com quem são combinadas... Caralhadas! Caralhadas dessas! Um dia destes, vamos sacar da caixa, do bag in box, vinhos com 98 e 99 pontos Parker ou WS ou Decanter ou de seja lá quem for que tenha ficado impressionado, seja lá com o que for, para publicar ou mandar publicar o que conta. Também a esses, puta que os pariu.

Não obstante, não deixei de beber. Não gosto muito de água às refeições e o chá, de hibisco, que é porreiro pela emulação da acidez, ou outro... não, o chá não satisfaz sempre. Está só meio lá. Aliás, hoje bebi, loguei-me e aqui estou. E talvez seja desta que o Puto volta, talvez não. O puto -- como era chato ter de explicar ao carteiro ou ao estafeta, aquando da recepção de freebies, enviados para divulgação pelos produtores, que não era o puto bebé, Jorge P. Que era o puto bebe, o puto que bebe, caralho. E quantos matarrons não hão-de ter ficado com a ideia de que eu era um e-thot paneleiro ou assim!

Enfim, sem maçar mais quem não me vai ler -- e se alguém me leu até aqui, lamento, que totó... Como dizia a mamã, no ápice da loucura: "Vamos ver, vamos ver no que isto dá!"