O Rei está morto. Longa vida ao Rei!Um ano. Um ano sem praticamente aqui parar. Sim, fui acedendo à minha conta da Heliohost para não deixar cair certos conteúdos. Sim, vim cá em Setembro e até deixei dois posts, no espírito de um relançamento que não viria a acontecer. Sim, a dada altura chateei-me por bocadinhos de vídeo que aqui metia, via Youtube, a propósito de filmes, resultarem em "copyright strikes". Todos, todos eles por graça da "Wild Bunch, SA". Bem, puta que os pariu. Talvez, em resposta a isso, eu tenha ripado as merdas deles que comprei e talvez, mas só talvez, as tenha distribuído via torrent. Ou talvez não. Bem, puta que os pariu, e caguei nos filmes, que também ninguém olhava para eles.
Enfim. O blog, de uma distracção, tinha-se tornado uma tarefa. O mesmo tipo de post, o mesmo esquema, com um agendamento, mais ou menos rígido, de três em três dias. Não era mais divertido. Ainda por cima, comecei a ganhar a vida a escrever. E quando ganhas a vida a escrever, a menos que sejas daqueles mesmo bons, daqueles mesmo putos, que precisam de escrever para se sentirem ou para estarem vivos -- pensei no Rilke e é um desvio -- a menos que sejas mesmo fanático e escrevas como quem respira, não, não é a escrever que vais querer passar os teus tempos livres. E isso importou milhões.
E depois, a concorrência de outros meios. Tive/tenho uma conta no Vivino e tentei contribuir, mas um gajo é uma gota no oceano e nada é para nada -- caralho, que reality check, que pílula de lucidez! -- a sério. Mas não gostei. Aconteceu o mesmo com o Cellartracker. E o Facebook? Jesus, o Facebook! Não, o Facebook são coletes amarelos, fake news, arbitragem de futebol, fotos da praia e gatos abandonados. No Facebook não ia dar. Mesmo.
E o vinho? A caderneta de cromos? O vinho pode ter poesia e ciência, pode ser uma das mais românticas conquistas -- ou meias conquistas -- do génio humano. Um pouco como o xadrez. Mas, ao contrário do xadrez, o vinho é um negócio do caralho. Não vale a pena entrar em detalhes "do mundo": que o preço de venda ao público não depende, mesmo nada, do custo de produção, que o mais badalado acaba por ser o melhor, que, dos vinhos "premium low cost", de 10€ por garrafa, agraciados com 90 pontos Parker ou assim, caminhamos para os de 3€ que levam 93 ou mais... Que os genuínos biodinâmicos de produção limitada, genuína e autêntica, com todo o sol e sal da terra e etc. à mistura, nos podem enganar tanto como as promoções falsas das grandes superfícies e os produtores com quem são combinadas... Caralhadas! Caralhadas dessas! Um dia destes, vamos sacar da caixa, do bag in box, vinhos com 98 e 99 pontos Parker ou WS ou Decanter ou de seja lá quem for que tenha ficado impressionado, seja lá com o que for, para publicar ou mandar publicar o que conta. Também a esses, puta que os pariu.
Não obstante, não deixei de beber. Não gosto muito de água às refeições e o chá, de hibisco, que é porreiro pela emulação da acidez, ou outro... não, o chá não satisfaz sempre. Está só meio lá. Aliás, hoje bebi, loguei-me e aqui estou. E talvez seja desta que o Puto volta, talvez não. O puto -- como era chato ter de explicar ao carteiro ou ao estafeta, aquando da recepção de freebies, enviados para divulgação pelos produtores, que não era o puto bebé, Jorge P. Que era o puto bebe, o puto que bebe, caralho. E quantos matarrons não hão-de ter ficado com a ideia de que eu era um e-thot paneleiro ou assim!
Enfim, sem maçar mais quem não me vai ler -- e se alguém me leu até aqui, lamento, que totó... Como dizia a mamã, no ápice da loucura: "Vamos ver, vamos ver no que isto dá!"