sábado, 29 de junho de 2019

Vale de Esgueva - Vinhas Velhas '2015

Este é um tinto de Vermiosa, Figueira de Castelo Rodrigo. Há muito que aprecio grandemente os vinhos desta zona, que espero que continue a crescer e venha a conseguir os maiores sucessos. Mas também há muito que noto -- noto, notamos: eu e outros -- que, pelo menos no que diz respeito a tintos, e tirando uma ou outra experiência, que acho sempre de louvar, mesmo que não corra bem, dizia, que a região se deixa influenciar "um bocado grande" pelo Douro, geograficamente próximo e com o qual possui semelhanças consideráveis, mau grado as necessariamente relevantes diferenças que, se calhar, por vezes, não são tidas na devida conta.

Citando o produtor, Casa das Castas, a matéria-prima para este vinho provém da "Vinha do Serro, uma vinha centenária onde, num projeto de conservação do património genético, preservamos as variedades de videiras ancestrais que com o passar dos anos se têm vindo a perder". As uvas foram pisadas a pé, em lagar de granito, e o vinho passou meio ano em madeira antes de engarrafado.

Encontrei um tinto potente, de carácter maduro, corpo macio e persistência mediana, com boa fruta, algo indiscriminada mas tendencialmente vermelha, pelo menos para mim e o meu nariz, toque de vegetal aromático e seco, e aromas de evolução -- ou talvez "terrunho", ou ambos -- a compor. Não podendo ser considerado um espécime marcadamente exótico, e não sei se tal coisa será possível ou desejável na sua terra, ou até se esse exotismo não passa de uma projecção pessoal sem reflexo no mundo, este vinho mostrou-se, enfim, para além de sólido, um pouco diferente, diferente do que bebo habitualmente e do que habitualmente encontro na região, o suficiente para me convencer a voltar a comprá-lo.

10€.

16,5

terça-feira, 25 de junho de 2019

domingo, 23 de junho de 2019

Margarida '2009 (Tinto)

O Monte da Azinheira, onde está sediado o produtor deste vinho, Monte dos Cabaços, encontra-se nas imediações da aldeia de Arcos, a uns sete quilómetros de Estremoz. O projecto tomou forma em 2001, pela mão de Margarida Cabaço, do icónico restaurante "São Rosas", um dos melhores do Alentejo e que, infelizmente, já não existe.

Encontrei, a propósito, uma entrevista de Margarida Cabaço a Alexandra Prado Coelho do "Fugas" do "Público", leitura agradável e, se estivermos para aí virados, "food for thought".

Dos vinhos do produtor, são chamados "Margarida" os considerados especiais, baseados na melhor casta de cada colheita. Lê-se no contra-rótulo: "Em 2009 elegi a casta Alicante Bouschet como base para este vinho. As uvas foram vinificadas em lagar, com pisa a pé, e fizeram um estágio parcial em barricas de carvalho francês". Abri a garrafa nº 1820 -- não sei de quantas.

Logo à primeira vista, um vinho grande, intenso, repleto de fruta rica, cálida, como ameixa, goselha e ginja, com marcas de sobremadurez e licor. Junto com ela, um tempero de torrefacção, em todo o caso subtil, a fazer lembrar, essencialmente, café. Longo e macio, todo ele bem ligado, é um vinho ainda em forma, mas que não deverá ganhar com mais tempo em cave -- mesmo assim, não são muitos os que chegam aos dez anos neste estado. Apesar de não possuir a grandeza "orgânica" de um Mouchão, é um belo vinho.

Sobrou para o dia seguinte a quantidade suficiente para encher mais ou menos um copo generoso, que então foi tirada do frigorífico e acompanhou uma sanduíche de peru assado. Pareceu-me então mais doce, com xarope de groselha e rebuçados "floco de neve" e de alcaçuz. Ligeiro toque de oxidação.

Se a memória não me atraiçoa, quando o comprei, era vinho para cerca de vinte euros.

17

sábado, 15 de junho de 2019

Quinta da Tapada do Barro - Reserva '2011

Este foi comprado há três ou quatro anos atrás, num Intermarché da região. Nessa altura, lembro-me de que houve um relativo, quiçá pequeno, quiçá momentâneo, hype em redor dos vinhos deste pequeno (?) produtor de Vila Nova de Tazém. Entretanto afastei-me das lides do meio e não sei, sinceramente, em que pé estão essas coisas. Não obstante, tratava-se de um "Reserva" do Dão e já o cá tinha em casa. E 2011 foi um grande, grande ano.

O contra-rótulo identifica o produtor, refere Touriga Nacional, Alfrocheiro e Jaen, e recomenda a maridagem com caça, borrego e queijos de pasta mole. Depois, visitando o site do produtor, encontrei a referência a um "Reserva" da quinta, engarrafado em 2011, constituído por 20% de Jaen, 40% de Alfrocheiro e 40% Touriga Nacional, com 14 meses de estágio em barricas de carvalho francês e com uma janela de consumo ideal até 2023-2025. Korra!

Entretanto tinha-o aberto. E as notas do momento apontaram para fruta "do Dão", fresca, com sumarentas bagas do bosque e generosa porção de doce de marmelo, daquele escuro, e morangos, permeada pelo floral da Touriga e especiarias doces. Fala o caderninho negro do álcool (sim: após tantos anos, já é outro, mas do mesmo tipo e com o mesmo carinhoso nome: autismo) de um vinho muito macio, cremoso mesmo, com barrica perfumada e uma pontinha de café no final.

Pelo compromisso entre finesse e firmeza -- não vou compará-lo com a gaja que ainda está boa aos 40, pois não?

17

E 17 nesta escala são, "raffly", 89-90 na da Wine Advocate: empatando, portanto, com uma data de recentes propostas de entrada de alguns dos maiores produtores cá do burgo. Não. Não, foda-se, não. Mas isso são outros quinhentos.

Já não sei quanto custou, mas apostaria que menos de 10€.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Valle Pradinhos - Reserva '2016

Até 2011, os Valle Pradinhos "Reserva" tinham um rótulo preto e vermelho, sendo os do rótulo branco "Colheita Seleccionada", no caso do 2009, ou destituídos de qualquer designação adicional. Desde então, os Valle Pradinhos do rótulo branco passaram a trazer a designação "Reserva" e os do rótulo preto, "Grande Reserva".

Este tinto de Macedo de Cavaleiros é, diz o produtor, uma "combinação de diferentes parcelas predominando as castas Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Tinta Amarela". Estagiou em barrica durante um ano.

Mais intenso que encorpado, este tinto de porte médio, com boa acidez, trouxe consigo frutos pretos, maduros, vagamente terrosos, ligeiro apimentado, baunilha e fumados, e ainda algum tabaco e pele, como que a transmitirem um certo toque de maturidade. O final, médio/bom. Como todos os vinhos do produtor até à data, convenceu, sobretudo a acompanhar comida com raça.

Colheitas anteriores aqui experimentadas, 2007 e 2009 -- interrogo-me que tal estarão, aposto que ainda vivem.

10€.

16

domingo, 2 de junho de 2019

CSL - Reserva '2015 (Branco)

Entretanto pensei e, que se foda. Não quero que o Puto mude à força. O Puto não se tornou naquilo que é por acaso. Se continuar a mudar, que seja porque passei a preferir fazer certas coisas de outra maneira. Adiante.

Outro vinho. CSL é acrónimo de Casa Santos Lima, empresa baseada nas proximidades de Alenquer e possuidora de uma vasta extensão de vinhas: o site deles fala em cerca de 400 ha.

Copy/paste das notas do produtor a respeito da elaboração deste vinho: "A fermentação das uvas da casta Viosinho e Chardonnay ocorreu, durante 25 dias, em barricas novas de carvalho francês. O vinho ficou em contacto com as borras, durante oito meses, através do processo de "batonnage". As uvas da casta Encruzado fermentaram em cubas de inox, durante 20 dias, e ficaram em contacto com as borras finas durante oito meses".

Aos quatro anos de idade, está um branco adulto, mas ainda longe de velho. Fruta e barrica. A primeira, que inicialmente parecia branca, de caroço, a tropicalizar logo após um pequeno aumento da temperatura do vinho, ou se calhar a mostrar-se tropical assim que o vinho deixou de estar demasiado frio, por tropical ser o carácter dela. Ananás, citrinos doces, banana: coisas assim. A segunda, não sendo assoberbantes, plenamente presente em toda a sua independência abaunilhada (etc.) Encorpado na boca, gordinho, mostrou boa untuosidade e acidez suficiente para a suportar. Persistência média.

Custou mais de 5, mas menos de 6€, num Pingo Doce.

16