segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Beyra - Reserva Quartz '2017 (Branco)

Há muito, há cada vez mais tempo me lembro de ser comum apontarem a Beira Interior Norte, sobretudo a zona de Figueira de Castelo Rodrigo, como "the next big thing" em termos de brancos portugueses.

Ora, sem me poder considerar um especialista ou, sequer, um jogador activo no meio, apenas vendo o que vejo, arriscaria dizer que não há, nem é expectável que venha a haver tal coisa. A cena do vinho em Portugal aparenta já ter deixado de crescer por esticões: não quero dizer com isto que tenha parado de crescer ou esgotado o  seu potencial, evidentemente.

E, ou muito me engano, ou os brancos da região continuam a progredir, lenta mas consistentemente, bem como a ser comercializados por valores que não reflectem as suas verdadeiras qualidades. Embora este caminho até pareça bem, que devagar se vai ao longe, não deixa de ficar no ar a ideia de que fazia falta um esticão -- de repente, lembrei-me da Omega e de James Bond, ou, generalizando, de qualquer marca e de James Bond. Talvez os vinhos da Beira Interior Norte precisem de um James Bond ou algo assim.

Os vinhos deste projecto de Rui Roboredo Madeira nunca me desapontaram, mas este, combinação de Síria e Fonte Cal em partes iguais, com estágio de meio ano em cuba de inox, foi aquele que, até à data, me soube melhor. Muito bem no plano aromático, trouxe consigo flores silvestres e citrinos, pêssego e pêra, muita pêra madura, presença predominante pelo menos nesta garrafa. Na boca, sem encher ou assoberbar, aliás, sem grande "punch", surgiu pleno de vigor e perfeitamente consentâneo com o nariz.

É largo, comprido e profundo q.b. Cheira bastante, sabe bastante, e a coisas boas. Deve aguentar mais 2 ou 3 anos em forma, se bem guardado.

7€

16,5