Tinha o hábito de aqui partilhar pequenos pedaços de filmes que me tinham agradado especialmente. Podia ser que alguém visse e gostasse. Até que um dia, "content strike". Descobri então que o Caligula de Tinto Brass era considerado obsceno, à luz das normas do Youtube. Face a isso, apaguei a minha conta de lá e, com ela, a secção dos filmes daqui.
Depois foram as músicas e os jogos de xadrez. Entre a morte de hosts onde tinha alojados ficheiros que permitiam tais partilhas, a falta de quem manifestasse interesse nesses conteúdos e o trabalho relacionado com montar tudo de novo... não valia a pena.
As velharias e outros que tais. Oh, as velharias e outros que tais :)
Tentei manter viva a chama tanto quanto possível. Mas "time makes you bolder, even children get older and I'm gettin' older, too". Só porque, na verdade, me custa premir o botão de "apagar" de uma vez por todas, ficam os vinhos. O miolo do blog, um miolo de suma impermanência, que as notas de prova caducam. Mas não digo que não aconteça, pontualmente, deixar aqui mais algum.
As fotos, para já, porque não? Afinal, recordar é viver e não haja dúvida de que são "recuerdos" espectaculares.
Os trechos dos livros, meh.
E em jeito de "by the way", não podia concordar mais com isto.
domingo, 23 de fevereiro de 2020
domingo, 17 de novembro de 2019
sexta-feira, 25 de outubro de 2019
Maritávora - Reserva Nº4 '2011
A Quinta de Maritávora fica ao km 88 da EN 221, à beira de Freixo de Espada à Cinta. O produtor remonta à segunda metade do séc. XIX, quando José Junqueiro Júnior, pai do poeta Guerra Junqueiro, adquiriu um conjunto de propriedades na região, muitas das quais percmanecem na família. O estilo é tradicional, mas voltado para a modernidade. Os vinhos são da autoria de Jorge Serôdio Borges.Este, feito, de acordo com o contra-rótulo, com Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca e outras, provenientes de vinhas com idades compreendidas entre 15 e 50 anos, fermentou em lagares de pedra, com pisa a pé, e estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês. Mais uma vez, recorde-se que 2011 foi um grande ano.
Escuro e concentrado, mostrou densidade, 15% de álcool e alguma opulência. No entanto, a fruta é super sólida e a barrica funciona, pelo que, em vez de pastoso, resulta envolvente, fácil de beber e não enjoa.
É claramente um vinho da sua terra, mas dos finos, dos bem cuidados. Ainda por cima, nesta fase, todo ele está em harmonia. Provavelmente, no auge. Valerá a pena guardar?
17€
17,5
domingo, 13 de outubro de 2019
Tapada do Chaves '2014 (Branco)
A propriedade de Frangoneiro, Portalegre, possui uma localização invejável, à beira da Serra de S. Mamede, cepas velhas e uma vasta história de muito bons vinhos.Tendo, num passado recente, pertencido à Murganheira, foi adquirida, em 2017, pela Fundação Eugénio de Almeida, que tratou de valorizar, não só as coisas e os vinhos, mas tmbém a marca, apelando aos seus pergaminhos, a uma imagem retro e a um reposicionamento no mercado, um degrau acima daqueles que os respectivos predecessores ocupavam.
Este é, então, um branco de 2014, ainda feito nos tempos da Murganheira, mas já lançado no mercado pela FEA. As castas são Arinto, Antão Vaz, Assario, Tamarez e Roupeiro. Detalhes acerca da elaboração ou estágio, não aferi.
Cor palha. A princípio, indefinido. Pouca fruta. Mais arejado, agitado no copo, algum marmelo e o seu doce, a par de alguma tropicalidade. E flores. E notas químicas, petroladas, a fazerem lembrar, no seu conjunto, o solvente que tradicionalmente era usado pelos sapateiros para remover cola. Bom peso e untuosidade na boca, com frescura a corresponder, num conjunto ao mesmo tempo potente e equilibrado. Final médio+/longo, a perdurar na acidez.
Não nego que possua a sua dose de substância, beleza e até originalidade, mas, na minha opinião, não tem o brilho, o "factor uau" que espero de um vinho de 20€. Agora, se ainda viver daqui a 20 anos...
16,5
sábado, 5 de outubro de 2019
Breve passagem pela Feira do Vinho do Dão
A 28ª edição da Feira do Vinho do Dão teve lugar em Nelas, entre 6 e 8 de Setembro, e nós passámos lá na tarde do último dia, em desvio incluído num périplo "algo turístico" pelo centro-norte, que também contou com uma noite num festival de música electrónica chamado Insomnia, muito trance, muito buda dourado a expandir a consciência de não sei quem, talvez dos presentes, ou só de alguns, e algum speed, não posso dizer que muito, infelizmente, talvez, que foi o elemento que ajudou o evento musical a escapar. Isto em jeito de introdução a uma série de notas de prova, um mês depois de lá ter ido, publicadas agora para não acontecer como no ano passado, em que lá fomos e provei e falei tanto, e tanto apontei também, mas nada publiquei em tempo útil e o suporte informático dessas notas morreu, levando-as consigo.
A lista que se segue não é exaustiva e incide especialmente nos brancos. Isso acontece porque:
i. apesar de prova ser prova, com quantidades a corresponder, não andei por lá a cuspir vinho e, a dada altura, o cansaço começou a fazer-se notar: primeiro para apontar, depois até para beber;
ii. alguns dos expositores são sempre ocupados por grupinhos de "laretas", usualmente gente de meia idade e presumível seriedade, que faz questão de monopolizar os produtores ou os seus representantes com verdadeiras conversas de merda, de certeza que mais por atenção do que para aprender. Lembro-me de aguardar a minha vez para provar algo, já não sei em que barraquinha, mas de lá estar colado um senhor cheio de questões. Tantas, mas tantas, que, a dada altura, já iam, literalmente, na China. Digo, na penetração desse produtor no mercado chinês. E face a um simples "Para o Japão, já vendi umas caixas; agora, China, não. Mas está na China?" por parte do "entrevistado", o senhor em questão responde "não, nem nunca lá fui, mas..." e meio minuto depois estava a colar-se noutro expositor.
Dito isto, e sem mais delongas, por ordem de aquisição das notas, temos:
Quinta Mendes Pereira - Alfrocheiro Reserva '2012: O primeiro da tarde, apresentado por uma das pessoas mais simpáticas com que nos cruzámos no certame. Varietal e extraído q.b. Ginja e frutos pretos, licor, toque alcoólico, algo quente e capitoso. Grande e forte. Acredito que a 14 ºC e com algum tipo de companhia de trincar, digo, até um simples pão com chouriço, tivesse mostrado mais. 16
Quinta das Marias - Alfrocheiro '2016: Mais fresco e equilibrado que o precedente -- muito bem dimensionado, aliás -- mas sem "factor uau". 16,5
Aqui decido começar a experimentar brancos, na expectativa de, mais tarde, voltar aos tintos. Mais uma vez, estava em passeio, não tendo definido um método de ataque ao "problema"...
Quinta das Marias - Encruzado: Não apontei o ano: provavelmente, a edição de 2018. Encruzado sem madeira, jovem, vegetal e floral, de paladar seco e carnudo, muito característico. 16,5
Quinta dos Carvalhais - Branco Reserva '2017: Flores, citrinos, baunilha. 1+1+1=3. Mas fresco e longo. Prazeroso. 17
Quinta dos Carvalhais - Encruzado '2018: Muito carácter varietal, mas menos finesse do que esperava. 16
Casa da Passarella - Villa Oliveira, Encruzado '2018: Mais preciso que o monocasta da Qta. dos Carvalhais, com a madeira a ligar muito, muito bem com os aromas da casta. Muito fresco, bastante longo. Até ver, o melhor. 18
Quinta da Fata - Encruzado '2018: Menos "punch" que o Villa Oliveira, menos substância também. Mesmo assim, grande equilíbrio e classe num vinho fresco e longo, todo ele bem ligado. 17
Valedivino - Branco Reserva '2012: Muito delicadamente floral, com toque de evolução e sugestões que juraria de barrica, apesar de por lá não ter passado. Firme e estruturado, um branco sólido. 16,5
Quinta do Escudial - Encruzado: Outro a que não apontei o ano. Ademais, a internet não sabe de monocastas Encruzado recentes da casa. De qualquer forma, deixou óptima impressão, que passo a transcrever: Talvez mais vegetal/floral, mais leve e alegre que a maioria dos outros varietais da casta provados até agora. Bem fresco, com ponta de austeridade na boca que cai bem. 17
Quinta dos Roques - Encruzado '2017: Gordo, glicerinado -- 50% do lote passou por madeira -- mas em equilíbrio. Grande e bom, mas prefiro um estilo mais leve. 16,5
Julia Kemper - Vinhas Seleccionadas, Blanc de Noir '2018: Um branco de casta tinta, todo ele Touriga Nacional, fermentado em bica aberta: saem as cascas e películas, o sumo da polpa fermenta sozinho. Tem a estrutura e a acidez de um TN jovem, e o nariz de um bom branco da região, daqueles sem madeira, repleto de flores brancas, a evoluir para fruta de polpa clara. Muito interessante. Comprámos uma garrafa para acompanhar o jantar. 16,5
Depois do jantar -- na representação que o restaurante Retiro das Laranjeiras tinha no local, muito bom --, ainda provei mais um ou outro, mas já não tirei notas. Excepção para o Quinta da Vegia - Superior: Não apontei o ano. 2013? Potente, complexo, equilibrado, cheio de sabor. Um vinho grande que também é um grande vinho. Mas que certamente pedirá tempo, paciência e um acompanhamento à altura, na mesa. 18
Em suma, um belo evento, a pedir uma visita mais atenta no ano que vem.
A lista que se segue não é exaustiva e incide especialmente nos brancos. Isso acontece porque:
i. apesar de prova ser prova, com quantidades a corresponder, não andei por lá a cuspir vinho e, a dada altura, o cansaço começou a fazer-se notar: primeiro para apontar, depois até para beber;
ii. alguns dos expositores são sempre ocupados por grupinhos de "laretas", usualmente gente de meia idade e presumível seriedade, que faz questão de monopolizar os produtores ou os seus representantes com verdadeiras conversas de merda, de certeza que mais por atenção do que para aprender. Lembro-me de aguardar a minha vez para provar algo, já não sei em que barraquinha, mas de lá estar colado um senhor cheio de questões. Tantas, mas tantas, que, a dada altura, já iam, literalmente, na China. Digo, na penetração desse produtor no mercado chinês. E face a um simples "Para o Japão, já vendi umas caixas; agora, China, não. Mas está na China?" por parte do "entrevistado", o senhor em questão responde "não, nem nunca lá fui, mas..." e meio minuto depois estava a colar-se noutro expositor.
Dito isto, e sem mais delongas, por ordem de aquisição das notas, temos:
Quinta Mendes Pereira - Alfrocheiro Reserva '2012: O primeiro da tarde, apresentado por uma das pessoas mais simpáticas com que nos cruzámos no certame. Varietal e extraído q.b. Ginja e frutos pretos, licor, toque alcoólico, algo quente e capitoso. Grande e forte. Acredito que a 14 ºC e com algum tipo de companhia de trincar, digo, até um simples pão com chouriço, tivesse mostrado mais. 16
Quinta das Marias - Alfrocheiro '2016: Mais fresco e equilibrado que o precedente -- muito bem dimensionado, aliás -- mas sem "factor uau". 16,5
Aqui decido começar a experimentar brancos, na expectativa de, mais tarde, voltar aos tintos. Mais uma vez, estava em passeio, não tendo definido um método de ataque ao "problema"...
Quinta das Marias - Encruzado: Não apontei o ano: provavelmente, a edição de 2018. Encruzado sem madeira, jovem, vegetal e floral, de paladar seco e carnudo, muito característico. 16,5
Quinta dos Carvalhais - Branco Reserva '2017: Flores, citrinos, baunilha. 1+1+1=3. Mas fresco e longo. Prazeroso. 17
Quinta dos Carvalhais - Encruzado '2018: Muito carácter varietal, mas menos finesse do que esperava. 16
Casa da Passarella - Villa Oliveira, Encruzado '2018: Mais preciso que o monocasta da Qta. dos Carvalhais, com a madeira a ligar muito, muito bem com os aromas da casta. Muito fresco, bastante longo. Até ver, o melhor. 18
Quinta da Fata - Encruzado '2018: Menos "punch" que o Villa Oliveira, menos substância também. Mesmo assim, grande equilíbrio e classe num vinho fresco e longo, todo ele bem ligado. 17
Valedivino - Branco Reserva '2012: Muito delicadamente floral, com toque de evolução e sugestões que juraria de barrica, apesar de por lá não ter passado. Firme e estruturado, um branco sólido. 16,5
Quinta do Escudial - Encruzado: Outro a que não apontei o ano. Ademais, a internet não sabe de monocastas Encruzado recentes da casa. De qualquer forma, deixou óptima impressão, que passo a transcrever: Talvez mais vegetal/floral, mais leve e alegre que a maioria dos outros varietais da casta provados até agora. Bem fresco, com ponta de austeridade na boca que cai bem. 17
Quinta dos Roques - Encruzado '2017: Gordo, glicerinado -- 50% do lote passou por madeira -- mas em equilíbrio. Grande e bom, mas prefiro um estilo mais leve. 16,5
Julia Kemper - Vinhas Seleccionadas, Blanc de Noir '2018: Um branco de casta tinta, todo ele Touriga Nacional, fermentado em bica aberta: saem as cascas e películas, o sumo da polpa fermenta sozinho. Tem a estrutura e a acidez de um TN jovem, e o nariz de um bom branco da região, daqueles sem madeira, repleto de flores brancas, a evoluir para fruta de polpa clara. Muito interessante. Comprámos uma garrafa para acompanhar o jantar. 16,5
Depois do jantar -- na representação que o restaurante Retiro das Laranjeiras tinha no local, muito bom --, ainda provei mais um ou outro, mas já não tirei notas. Excepção para o Quinta da Vegia - Superior: Não apontei o ano. 2013? Potente, complexo, equilibrado, cheio de sabor. Um vinho grande que também é um grande vinho. Mas que certamente pedirá tempo, paciência e um acompanhamento à altura, na mesa. 18
Em suma, um belo evento, a pedir uma visita mais atenta no ano que vem.
sábado, 28 de setembro de 2019
Duorum '2018 (Branco)
Enviaram-me o mais recente branco do projecto duriense de João Portugal Ramos e José Maria Soares Franco. Duorum tem como base a Quinta de Castelo Melhor, situada ao km 216 da EN 222, entre V.N. de Foz Côa e Almendra: uma grande propriedade, construída de raiz, por junção de muitos pedaços de terra inculta, adquiridos para a constituir, que desce dos altos até ao rio. Segundo o produtor, as vinhas de onde proveio a matéria-prima para este branco, Rabigato, Gouveio, Arinto e Códega do Larinho, encontram-se a cota elevada, 400-500 metros sobre o rio. Indica ainda a respectiva ficha técnica que um terço do lote fermentou em barrica. A prova mostrou um vinho de dimensões a apontar ao "médio +", com basta frescura e, acima de tudo, excelente equilíbrio. Longo e substancial, a revolver em volta de florais e frutos de caroço, mostrou-se sempre sóbrio, mas também interessante, como a querer remeter aquele que dele fala para palavras que podem ser difíceis: contido, elegante... e pior, mineral. Uma proposta realmente sólida de um produtor, para mim, ainda meio por explorar, e também mais um Douro branco que me pareceu "saber mais do que cheira". Será esta recorrência casual, advirá da procura meio inconsciente de um perfil ou serão as sensações que me fazem acreditar nela mero resultado de um chavão que "colou"? Sim: as coisas ditas, lidas, sugeridas, cheiram e sabem que se fartam. Como quando Frédéric Brochet pintou um branco de tinto e o deu a provar a 54 estudantes de enologia de Bordéus. O resto é história. Enfim, terei de experimentar algo declaradamente diferente para tirar as teimas.
PVP recomendado, 12,49€
17
sábado, 21 de setembro de 2019
Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo - Reserva "Terroir Blend" '2015
A propriedade fica na margem direita do Douro, à beira rio, pouco depois do Pinhão. Diante dela, mas do outro lado, ergue-se a Quinta do Pôpa. Apesar de o produtor ser recente, não falta tradição vinícola àquela terra e àquelas gentes. Ademais, o projecto surgiu, logo à partida, com dinheiro e ambição, o que é uma grande ajuda a que este tipo de coisas avance depressa e bem, como se tem vindo a verificar. Para além da produção de vinho, a quinta explora a vertente turística.Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinto Cão e Tinta Roriz. fermentou em cuba de inox e estagiou, meio ano, em madeira. Nariz bastante intenso, de ataque franco, com cerejas e frutos silvestres, muito maduros, mato seco e um químico/balsâmico peculiar, que para mim, já foi sinónimo de Douro e de tourigas, especialmente da francesa, mas que cada vez conoto mais com álcool. O paladar é fino, mas ao mesmo tempo vigoroso, seco, terroso e texturado, com acidez suficiente. O fim de boca convence sem admirar. Um vinho prazeroso, ainda com espaço para crescer. Apesar de não se destacar do "montão" de bons vinhos do Douro que existem entre os 10 e os 20€, é um bom vinho, que vale a pena conhecer.
15€
16,5
segunda-feira, 16 de setembro de 2019
Reguengos - Garrafeira dos Sócios '2011
Regresso ao porta-estandarte da CARMIM, Coop. Agrícola de Reguengos de Monsaraz, desta vez com um espécime da colheita de 2011. Figuram nesta caderneta de cromos os seus predecessores de 2001, bebido em 2010, e de 2004, bebido em 2014. Pelos vistos, tenho por norma consumir estes vinhos já com alguma idade.Composto por 40% de Alicante Bouschet, 30% de Trincadeira e 30% de Touriga Nacional, diferencia-se dos seus antecessores supra na medida em que o Aragonês e Castelão deram lugar a Alicante e TN. Assim de cabeça, sem provar nada, desde logo se esperará um perfil floral diferente, caso exista, e uma presença globalmente menos alegre e mais robusta.
Arejado num decantador talvez durante hora e meia antes de ser servido, não só confirmou estas ideias, que reflectem mudança, como o fez enquadrado numa continuidade fixe. Continuidade fixe porque sempre associei o Garrafeira dos Sócios a longevidade e este, firme e fresco -- gosto de pensar que este par de descritores surge com uma frequência feliz, não como cliché -- surgiu, mais uma vez, bem jovem. Escuro e entroncado, extremamente sápido e aromático, aparece bem ligado, macio mas com estrutura para durar, dominado por fruta escura, passas de uva e figo, especiado indistinto, com qualquer coisa a fazer lembrar xisto em pano de fundo. Sabe ao que cheira, cheira ao que sabe e sabe com garra. Não sei se vai crescer, é possível; aquilo de que não duvido é de que, se guardado, ainda vá evoluir -- ou seja, mudar, sem ser objectivamente para melhor ou pior -- de forma interessante. Sou quase fã.
Acompanhou uma pintada com cerca de 1 kg de peso, que preparei da seguinte forma: a quatro colheres, das de sopa, de manteiga, juntei duas chalotas, uma colher, de sopa, de salsa, outra de cebolinho fresco, uma colher, de sobremesa, de alho em azeite, uma colher, de café, de estragão seco, sal e pimenta, e foi tudo bem moído e misturado. Esta massa foi introduzida entre a pele e a carne da ave, sobretudo nas coxas e peito, e também na cavidade. Polvilhado o exterior com mais sal e alguma pimenta preta, e massajado com um pouco de azeite, foi, em pyrex fechado, ao forno, pré-aquecido a 200 ºC, onde passou cerca de um quarto de hora. Volvido esse tempo, reduzi a temperatura para 180 ºC e deixei cozinhar mais quarenta minutos. Retirada a pintada do forno, escorreu-se, aproveitando-se o molho da assadura para dentro de uma caçarola, onde ferveu mais ou menos cinco minutos, até reduzir qualquer coisa, com vinho branco e um pouco de caldo. Foi para a mesa com batatas e courgette no forno.
18€
17
quarta-feira, 11 de setembro de 2019
Las Uvas de la Ira - El Real de San Vicente '2013
O nome remete à ideia de "vino de pueblo", o vinho da terra, de uma determinada terra, habitualmente feito pela cooperativa ou por um conjunto de agricultores locais. Aqui, a execução é totalmente diferente, mas este não deixa de ser, de facto, um vinho da terra, de El Real de San Vicente, povoação situada na zona este da serra de Gredos, no vale do rio Tiétar. Das uvas de três parcelas de Garnacha, com idades entre os 40 e os 70 anos, espalhadas pelas imediações do povoado, e cuja superfícia totaliza apenas 4 ha, resultaram 10.000 garrafas, nas quais o produtor, Daniel Jiménez-Landi, afirma pretender refletir as características do terroir local.Garnacha de montanha, criada em altitude, alegre no nariz e austera na boca. Não é, no entanto, de carrasco que estamos a falar. Muito pelo contrário. O leque de aromas é amplo: em redor de muita fruta vermelha, sempre doce, axaropada e em batido de leite, vem alcaçuz, canela, pimenta, anis, almíscar e pêlo de mamífero pequeno, ligeira redução, com pau de fósforo... e nada se afigura como defeito, e tudo liga bem, com naturalidade. Na boca, a entrada é jovial e o final tem uma ponta de amargor característica. É fresco e persistente, de taninos densos e firmes, bem finos, e enxuto, ainda menos glicerinado, menos pesado do que esperava. Um vinho muito ao meu gosto, mas, à parte disso, objectivamente muito bom.
20€
17,5
sábado, 7 de setembro de 2019
Quinta do Cardo - Caladoc '2015
A Caladoc é uma casta tinta, cruzamento de Grenache e Malbec, criada em 1958 pelo botânico Paul Truel, responsável pelo surgimento de mais de uma dúzia de novas castas (como a Marselan, cruzamento de Grenache e Cabernet Sauvignon), no Domaine de Vassal, em Montpellier, lugar da colecção ampelográfica do Instituto Nacional de Investigação Agronómica (INRA) francês.Este monocasta provém de uma parcela experimental, com 2 ha, da Quinta do Cardo, nas imediações de Figueira de Castelo Rodrigo. O produtor informa que "as uvas foram colhidas e seleccionadas à mão, transportadas para a adega onde foram prensadas inteiras durante 3 horas. Iniciou fermentação com temperatura controlada, o ultimo terço terminou em barricas de carvalho francês e estagiou durante 10 meses, com "batonnage" regular. Foram produzidas 2 176 garrafas".
Cor salmão, esmaecida, e aromas e sabores delicados, agradáveis nas notas florais, de frutos vermelhos e de vegetal seco, mas, por um lado, com certa falta de "punch", e por outro, com demasiada madeira. Pensei, inicialmente, que esta falta de brilho se pudesse dever à idade, mau grado não apresentar (por enquanto) grandes sinais de decadência, mas, pesquisando a internet sobre que tal o acharam outras pessoas, encontrei basta quantidade de impressões, a vasta maioria delas de quando saiu para o mercado, nos idos de 2017, que conferiam neste ponto. O que faz sentido, dado pretender-se um rosé de perfil delicado: sendo o teor fenólico da casta considerável, presumo que a extracção tenha tido de ser suave. E para enriquecer a ruivita delgada, pau. Mas a dose deixou marcas.
Tl;dr: é uma curiosidade engraçada, mas não mais que isso; deverá ter sido um pouco melhor em novo; vai morrer com a madeira; se ainda tiver alguma garrafa em casa, beba-a já.
17€
15
terça-feira, 3 de setembro de 2019
CVNE - Viña Real, Crianza '2012
Produzido por um dos nomes mais sonantes da região, a CVNE, Compañía Vinícola del Norte de España, criada na localidade de Haro, em 1879, e ainda hoje nas mãos de descendentes dos fundadores, é um Rioja de estilo mais clássico que moderno. Ou seja: apesar de ser mais frutado, redondo e carnudo, e apesar de não ter qualquer vestígio do toque oxidativo que marca os clássicos dos clássicos da Rioja Alta, como este, por exemplo, é um vinho clássico dentro do registo da Rioja Alavesa, também ele orientado para a elegância e capaz de evoluir favoravelmente por longo tempo, pelo menos nas boas colheitas.Feito com 90% de Tempranillo e 10% de uma mistura de Garnacha, Mazuela e Graciano, fermentou em inox e, após a maloláctica, foi transferido para barricas de carvalho, "principalmente americano", para usar as palavras do produtor, onde permaneceu 14 meses. De vários anteriormente provados, parece que aqui registei umas quantas impressões a respeito do de 2008.
Directamente do bloco de notas do telemóvel, aí fica que tal me pareceu. "Cereja. Pele, coco, especiarias. Viçoso. Intenso, de passagem macia e prolongada. Fresco, amplo, equilibrado e bastante longo. Macio, mas... Não sendo extraordinariamente complexo, encontro-o sempre cativante".
Para terminar, a nota, quiçá escusada, de que é um vinho de perfil muito bem definido, que não tem mudado muito de colheita para colheita, pelo menos na última década. E um valor sempre mais que seguro.
7€
17
sábado, 31 de agosto de 2019
Quinta do Sobral - Touriga Nacional '2013
O monocasta Touriga Nacional da Quinta do Sobral, de Santar, produtor fundado em 1997 e que desde 2002 conta com adega própria. O seu predecessor de 2011 passou por aqui e deixou boa impressão.Muito intenso e encorpado, negro e alcoólico, com um leque aromático floral e balsâmico, farto de barrica e especiarias, onde definitivamente não falta álcool. Tudo nele contribui para um mesmo retrato de madurez e extracção, que remete para coisas escuras.
Mas bom! Apesar do ímpeto com que nos aborda, da densidade, da concentração, da passagem abrutalhada de coisa grande que parece querer ser ainda maior, é bom! Tem persistência, profundidade, carácter. Apetece dizer que tem alma.
Ao fresco da noite, com uma feijoada riquíssima, esteve super bem.
10€
16,5
domingo, 25 de agosto de 2019
Quinta de Cabriz - Touriga Nacional '2014
Touriga Nacional polido e concentrado, firme nos frutos pretos e notas florais, mas também bastante marcado por tostados de barrica. De taninos maduros e dimensões equilibradas, como que "médio+ em tudo", amplitude e persistência incluídos, não desmerece, mas também não marca. É ainda daqueles vinhos que mais frequentemente vejo de preço "esmagado" nas feiras e acções promocionais do género que a distribuição, em especial as grandes superfícies, promovem de tempos a tempos. Não, o preço normal dele, por garrafa, não é de 23000€ e agora, só agora, com a promoção espectacular deles, é que se consegue tirar a 6,50 ou 7€. 7/8€ é o seu preço normal, a mais de 8€ já é caro. Caveat emptor!Acompanhou um prato simples, caseirinho, cortesia da S e que me deixou tão bem impressionado que apontei para aqui registar. Sem medidas, tudo a gosto. Refogou-se cebola. Juntou-se-lhe cenoura e courgette em fatias finas e, tendo os vegetais atingido o devido ponto de desenvolvimento, removeram-se para uma taça. Na mesma frigideira, usou-se uma grande e pesada frigideira de cerâmica, mas suponho que podia ser qualquer outra coisa baixa e larga, sem lavar, dourou-se pá de porco, picada no talho, com salsa, alho, sal, sambal oelek e pimiento choricero. Tendo a carne adquirido alguma cor, juntou-se polpa de tomate, que calhou ser daquela já vendida com manjericão, e um pouco de cerveja. Por fim, farinha de arroz para ajudar a engrossar. Estando tudo bem ligado e espesso q.b., juntou-se à taça dos vegetais. Entretanto cozeu-se e escorreu-se esparguete, que se colocou numa travessa funda, com a mistura supra por cima e, por fim, um generoso topping constituído por uma boa camada de mozzarella, primeiro, e outra de parmesão. Foi ao forno até o queijo derreter e ter corado qualquer coisa.
7€
16
sábado, 17 de agosto de 2019
Cimarosa - Winemaker's Selection by Christian Rojas '2012
Olho para os arquivos dos primeiros anos do Puto e impressiono-me com a naturalidade com que bebia e apreciava tintos encorpados e cheios de madeira em qualquer almoço de verão. Hoje em dia já não é assim. Mau grado a disponibilidade de soluções de climatização, com o calor, prefiro comer coisas simples, cada vez mais simples, na verdade, e tento acompanhá-las com vinhos à altura. Ou seja, que liguem.Cimarosa é, ou era, a marca genérica dos vinhos do Lidl. O contra-rótulo deste apresenta a "Winemaker's Selection", colecção onde se insere, como um conjunto de vinhos produzidos e seleccionados, em quantidades limitadas, por vários produtores, de vários locais do mundo. Ou seja, esté um tinto do Lidl, mas de edição limitada a 99.800 garrafas, proveniente do Valle de Colchagua, no Chile, onde foi feito e selecionado por Christian Rojas, que na altura era enólogo-chefe da Viña Luis Felipe Edwards.
O lote é composto por Cabernet Sauvignon, Syrah e Carménère, com um anos de estágio em carvalho francês e americano. E sem ser nenhum estrondo, cumpre bem. Ainda não acusa muito o peso da idade, continuando super generoso, carregado de ameixa e frutos silvestres, todos bem maduros, naquele registo limpo e sumarento, com cacau e especiarias, temperado só com um bocadinho de barrica, que tanto marca as propostas mais mainstream do hemisfério sul. Há dois ou três anos atrás, estaria ainda melhor, que o lustro da juventude cai bem a este tipo de tinto. Mesmo assim, gordo e aveludado na boca, com certa sensação de calidez e um final médio+, acompanhou lindamente uma tarde de febras grelhadas, beringelas japonesas tratadas da mesma maneira, pimentos assados, salada de tomate e azeitonas, algum azeite a dar brilho a tudo e muitas rodelas de limão.
Não me lembrando exactamente de quanto paguei por ele, muito me surpreenderia se tivesse sido mais de 5 ou 6€.
16
segunda-feira, 12 de agosto de 2019
Beyra - Reserva Quartz '2017 (Branco)
Há muito, há cada vez mais tempo me lembro de ser comum apontarem a Beira Interior Norte, sobretudo a zona de Figueira de Castelo Rodrigo, como "the next big thing" em termos de brancos portugueses.Ora, sem me poder considerar um especialista ou, sequer, um jogador activo no meio, apenas vendo o que vejo, arriscaria dizer que não há, nem é expectável que venha a haver tal coisa. A cena do vinho em Portugal aparenta já ter deixado de crescer por esticões: não quero dizer com isto que tenha parado de crescer ou esgotado o seu potencial, evidentemente.
E, ou muito me engano, ou os brancos da região continuam a progredir, lenta mas consistentemente, bem como a ser comercializados por valores que não reflectem as suas verdadeiras qualidades. Embora este caminho até pareça bem, que devagar se vai ao longe, não deixa de ficar no ar a ideia de que fazia falta um esticão -- de repente, lembrei-me da Omega e de James Bond, ou, generalizando, de qualquer marca e de James Bond. Talvez os vinhos da Beira Interior Norte precisem de um James Bond ou algo assim.
Os vinhos deste projecto de Rui Roboredo Madeira nunca me desapontaram, mas este, combinação de Síria e Fonte Cal em partes iguais, com estágio de meio ano em cuba de inox, foi aquele que, até à data, me soube melhor. Muito bem no plano aromático, trouxe consigo flores silvestres e citrinos, pêssego e pêra, muita pêra madura, presença predominante pelo menos nesta garrafa. Na boca, sem encher ou assoberbar, aliás, sem grande "punch", surgiu pleno de vigor e perfeitamente consentâneo com o nariz.
É largo, comprido e profundo q.b. Cheira bastante, sabe bastante, e a coisas boas. Deve aguentar mais 2 ou 3 anos em forma, se bem guardado.
7€
16,5
quinta-feira, 8 de agosto de 2019
D. Graça - Samarrinho '2015
Da Vinilourenço. É, nas palavras do produtor, "um vinho para reabilitar uma grande casta antiga do Douro, em vias de extinção". Não passou por madeira. Dele se encheram 733 garrafas, não numeradas, em Maio de 2016.O aroma é suave (o descritor favorito do noob, heh) e delicado. Uma língua viperina di-lo-ia pouco expressivo. Cheira a vinho branco: talvez com uma pontinha cítrica, talvez com fruta branca, certamente que com uma ou outra flor, da mesma cor.
Na boca, pareceu melhor. O produtor diz que "sabe mais do que cheira" e sinto-me inclinado a concordar. Tem bom volume, boa persistência, alguma acidez, a suficiente se for mantido refrescado, o sabor que esperaríamos corresponder ao das flores brancas, sem o amargor das ditas, e, acima de tudo, bastante substância, bastante vida, uma vida difícil de dizer, mas que não é só querer e que o mantém interessante, tanto a solo como com pratos leves -- nós bebemo-lo só com amêndoas, amêndoas com uma pontinha de sal, lá no wine bar. Às vezes lá rola uma torrada e a salada de bacalhau deles também não é má, mas, normalmente, o vinho é branco, para a gaja também beber, e amêndoas. E é bom. E foi bom. E talvez pudesse encaixar um prato simples de camarão ou vieiras, mas coelho, como o produtor sugere, não sei.
A casta, que algumas fontes, como João Paulo Martins, no seu guia "Vinhos de Portugal", mas sem consenso, dizem corresponder à espanhola Budelho, já marcava presença no Douro, consta, no início do século XVI, sendo que ainda é presença frequente, apesar de esparsa, em alguns encepamentos mais antigos, em field blend, e tem vindo a verificar um certo ressurgimento, através de edições monovarietais limitadas, de tiragem reduzida -- que eu saiba, para além desta, existe também uma da Real Cª Velha. A ver o que o futuro lhe traz.
Se a memória não me atraiçoa, custou 17€, ou um pouco menos, no Nobre, Vinhos e Tal, que é um sítio espectacular para quem gosta de vinho, com uma excelente garrafeira a óptimos preços e que visitamos sempre que a nossa volta passa na Guarda ou perto.
16
quinta-feira, 1 de agosto de 2019
Adega Cooperativa de Vila Nova de Tazém - Reserva Branco "Edição Limitada" '2014
Adquirido há cerca de um ano atrás, entre festivais de electrónica, este é um branco relativamente incomum. Graficamente, tem tudo a ver com a edição especial dos sessenta anos da adega (1954-2014), da colheita de 2013. No contra-rótulo, o produtor afirma que "cepas antigas de várias castas permitiram fazer este vinho seguindo uma vinificação natural com estágio prolongado em garrafa". No meu caso, provavelmente, mais de quatro anos. Das 2000 garrafas produzidas, abri a nº 685.A cor, um amarelo nem claro nem escuro, é a típica de um vinho de meia idade, nem velho nem novo. O nariz mostrou-se fechado e assim permaneceu enquanto a garrafa ia sendo vertida ao longo de uma calma refeição de carapau assado, batatas cozidas, brócolos ao vapor -- eu também preferia bróculos -- e, claro, bom azeite. Fruta bastante, indefinida mas pouco tropical. Algum vegetal, alguma transformação, idade.
E embora aquilo que mostrou no nariz não se possa considerar mau, insuficiente ou, sequer, anticlimático, acho que esteve melhor na boca, muito fresco, de paladar seco e firme, macio mas só muito ligeiramente untuoso, com bom volume e persistência. Em suma, um branco que, tendo atingido a maturidade, permanece muito bem apresentado e poderá justificar guarda adicional.
8€.
16,5
sábado, 27 de julho de 2019
Falua - Reserva '2017 (Branco)
Este branco faz parte da nova gama "premium" da Falua, vinícola Ribatejana que começou sob a batuta de João Portugal Ramos e agora faz parte do Grupo Roullier.A amostra foi gentilmente enviada para prova, pelo produtor, há mais ou menos meio ano atrás. Encontrando-se o blogue em coma, foi arrumada. Agora que o monstro voltou à vida, pareceu-me adequado consumi-la e deixar aqui umas linhas sobre ela. Talvez este não seja o timing mais esperado ou desejado para efeitos de comunicação, mas também é verdade que um vinho com estas características, e preço, não passa de bestial a besta em meia dúzia de meses, e que a divulgação, assim, espalhada no tempo, em vez de por picos de novidade, também tem o seu valor. Sim, sim, escrevi isto, votem no puto.
Muito sucintamente, encontrei este vinho citrino e carregado. Citrino e carregado na cor, nos aromas, onde também desponta certo floral, doce, indefinido, junto com tostados de barrica, e nos sabores, intensos e bons, em corpo de peso e volume não negligenciáveis, com alguma untuosidade e guiados por uma acidez que, apesar de sólida, firme, me pareceu portar-se melhor se ajudada, mantendo-se a temperatura reduzida.
É um bom vinho, um bom vinho com mais porte que amplitude, mais corpo que alma -- para a mesa, e mesa com substância, como peixe assado e outros que tais.
As castas são Arinto, Verdelho e Fernão Pires; o PVP recomendado pelo produtor, 13,50€.
16
quarta-feira, 24 de julho de 2019
Gran Tiriñuelo - Cepas Viejas '2017
Nome de presença recorrente na topologia salamantina, sempre associado a elevações do terrenos, onde muitas vezes os antigos faziam os seus túmulos, "tiriñuelo" poderá também ser, curiosamente, parece que por via desses mesmos túmulos, algo que se diz de um céu ao mesmo tempo nublado e tranquilo. Aqui, designa uma das referências da Bodega Cooperativa de San Esteban de la Sierra, fundada em 1959 e a primeira da região.Tempranillo, Rufete e Garnacha. O Rufete desta região, especialmente o de cepas velhas, costuma dar vinhos muito ao meu gosto, de expressão alegre, com um carácter distintamente floral, onde habitualmente surgem toques de alcaçuz e mato seco. E este, dizem, provém de plantas com mais de cem anos.
Também a fruta vermelha da Garnacha se faz notar, num registo bastante típico, de montanha, bonito na forma abrutalhada com que nos brinda com uma ponta de amargor e taninos difíceis. E depois vem o Tempranillo, a dar um extra de cor e profundidade ao todo, talvez, mas como que a operar apenas nos bastidores, e não sei se bem.
Em suma, pareceu-me um vinho agradável que, não sendo nada de especial, constitui uma curiosidade engraçada.
7€.
15,5
sábado, 20 de julho de 2019
This study focuses on the content of Portuguese wine blogs and addresses two main questions: (i) which content and design elements of Portuguese wine blogs have more impact on the promotion of wine; (ii) how can we assess and improve the content and design quality of wine blogs.
(...)
Strong correlations were found between performance measures (posts, comments and traffic). In addition, it was found that one of the main marketing features that bloggers can offer was in rating wines. Presentation features, on the other hand, were found to account for very little
regarding the performance of the blog.
(...)
The Portuguese wine blog community is mainly non-professional ("amateur"), individualistic, and mono-thematic (focusing exclusively on wine-related issues). The high level of anonymity among members tends to deter credibility and reduce authorship. They can be considered a niche wine consumption community as they fulfill at least two main characteristics: connection among members and shared rituals and traditions.
(...)
Wine firms should recognize the growing importance of blogs and their use as a marketing tool. Different actions can be taken by the wine firm: i) adopt a corporate blog that provides strong control over message; ii) sponsor a blog that assures strong coverage of all the activities of the wine firm; and iii) insert a banner in a blog that allows the firm to control the form and content of the message and attract attention to the firm's online shop or web site.
(...)
These actions, however, raise questions about a blogger’s independent judgment and ultimate credibility in the long term. This doesn’t mean that bloggers should be passive regarding wine firms, public relations firms or advertising agencies. A proactive strategy should begin by: i) positioning the blog to appeal to an interested wine audience (amateurs, experts, bloggers or not); ii) gaining a competitive advantage over other wine bloggers through influence (newspapers, television, wine magazines) and dynamic posting activity; iii) promoting the blog through public relations or directly to selected wine firms in order to obtain exclusive news and bring advertisers to the blog; iv) increasing blog traffic to assure relevance in the blogsphere.
in Promoting wine on Internet: An exploratory study of the Portuguese wine blog community, de J. Freitas Santos, ISCAP/Porto Polytechnic Institute and NIPE/EEG/Minho University, Portugal
Não sabia, mas o Puto participou (fez número para efeito de recolha de dados) no estudo.
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