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sábado, 7 de setembro de 2019

Quinta do Cardo - Caladoc '2015

A Caladoc é uma casta tinta, cruzamento de Grenache e Malbec, criada em 1958 pelo botânico Paul Truel, responsável pelo surgimento de mais de uma dúzia de novas castas (como a Marselan, cruzamento de Grenache e Cabernet Sauvignon), no Domaine de Vassal, em Montpellier, lugar da colecção ampelográfica do Instituto Nacional de Investigação Agronómica (INRA) francês.

Este monocasta provém de uma parcela experimental, com 2 ha, da Quinta do Cardo, nas imediações de Figueira de Castelo Rodrigo. O produtor informa que "as uvas foram colhidas e seleccionadas à mão, transportadas para a adega onde foram prensadas inteiras durante 3 horas. Iniciou fermentação com temperatura controlada, o ultimo terço terminou em barricas de carvalho francês e estagiou durante 10 meses, com "batonnage" regular. Foram produzidas 2 176 garrafas".

Cor salmão, esmaecida, e aromas e sabores delicados, agradáveis nas notas florais, de frutos vermelhos e de vegetal seco, mas, por um lado, com certa falta de "punch", e por outro, com demasiada madeira. Pensei, inicialmente, que esta falta de brilho se pudesse dever à idade, mau grado não apresentar (por enquanto) grandes sinais de decadência, mas, pesquisando a internet sobre que tal o acharam outras pessoas, encontrei basta quantidade de impressões, a vasta maioria delas de quando saiu para o mercado, nos idos de 2017, que conferiam neste ponto. O que faz sentido, dado pretender-se um rosé de perfil delicado: sendo o teor fenólico da casta considerável, presumo que a extracção tenha tido de ser suave. E para enriquecer a ruivita delgada, pau. Mas a dose deixou marcas.

Tl;dr: é uma curiosidade engraçada, mas não mais que isso; deverá ter sido um pouco melhor em novo; vai morrer com a madeira; se ainda tiver alguma garrafa em casa, beba-a já.

17€

15

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Gran Tiriñuelo - Cepas Viejas '2017

Nome de presença recorrente na topologia salamantina, sempre associado a elevações do terrenos, onde muitas vezes os antigos faziam os seus túmulos, "tiriñuelo" poderá também ser, curiosamente, parece que por via desses mesmos túmulos, algo que se diz de um céu ao mesmo tempo nublado e tranquilo. Aqui, designa uma das referências da Bodega Cooperativa de San Esteban de la Sierra, fundada em 1959 e a primeira da região.

Tempranillo, Rufete e Garnacha. O Rufete desta região, especialmente o de cepas velhas, costuma dar vinhos muito ao meu gosto, de expressão alegre, com um carácter distintamente floral, onde habitualmente surgem toques de alcaçuz e mato seco. E este, dizem, provém de plantas com mais de cem anos.

Também a fruta vermelha da Garnacha se faz notar, num registo bastante típico, de montanha, bonito na forma abrutalhada com que nos brinda com uma ponta de amargor e taninos difíceis. E depois vem o Tempranillo, a dar um extra de cor e profundidade ao todo, talvez, mas como que a operar apenas nos bastidores, e não sei se bem.

Em suma, pareceu-me um vinho agradável que, não sendo nada de especial, constitui uma curiosidade engraçada.

7€.

15,5

quinta-feira, 30 de maio de 2019

João Portugal Ramos - Loureiro '2018

E ao segundo dia, o segundo post. Vinho. A partir de agora, espero que numa toada mais pessoal. Pensei no que andava a fazer e concluí que, quase de certeza por preguiça, tendo atinado, a dada altura, com um modelo de post que me pareceu satisfatório, tratei de nele enfiar vinhos atrás de vinhos, momentos atrás de momentos, como quem enche chouriços. Chouriços de diversos tipos de carne, com vários temperos diferentes, mas, ainda assim, chouriços.

Seria, então, bom dizer que se acabou a obrigatoriedade da lengalenga introdutória?

Composição. Tema: O Quinta de Não Sei das Quantas, Colheita de Tal e Tal.

Depois, uma série de dados, mais ou menos enciclopédicos, sobre a terra e o tempo, a empresa e os homens. Mas que parcelas e, quando presentes, o que significam os seus nomes? E os homens! Como se os conhecêssemos. Por fim, que tal pareceu o dito vinho. Destrinçado ou pretensamente destrinçado de forma categórica. Como se as informações das notas de imprensa fossem reflexo de um pequeno, mas muito justo, deus de certezas. Como se eu realmente soubesse. Nah. Não e não. Não está bem. Não existe necessidade. Então chega.

Mas as imagens encostadas à esquerda e dimensionadas a 40% da largura da página, poderiam ir? Ou o formato tru-lu-lu? Ou o numerozinho da qualidade e tudo o que se encontra por detrás dele? Era bom, quem sabe, que me fosse mais fácil deixar para trás certas amarras, mas estas coisas pedem tempo. Em todo o caso, o puto é hoje um fantasma ignorado, ainda mais do que quando estrebuchava com relativa frequência. Então, sem forçar, vamos ver.

O vinho do post. Enviado pelo produtor para prova. Agradecido. Um Verde de João Portugal Ramos: 85% Loureiro, do Lima, e Alvarinho. Sem madeira. A cor é a que se pode ver na fotografia, tirada contra fundo branco, com luz natural. O cheiro fez-me lembrar, assim do nada, o jardim botânico de Coria, com o perfume, vago, de muitas flores misturadas, citrinos e o toque de louro que tantas vezes se associa à casta, ou pelo menos algo verde, arborizado. Na boca, vigor e persistência "médios". A frescura satisfaz, mas o toque surge mais redondo, menos crocante, do que aquilo que o nariz fazia adivinhar. Talvez deva ser bebido agora, o mais jovem possível.

PVP recomendado: 3,99€.

15

domingo, 19 de agosto de 2018

Adega 23

Quem segue pela A23, de Vila Velha de Ródão para norte, reparará que, a uns 10 km de Castelo Branco, mais coisa menos coisa, corta uma extensão de vinhas de tamanho considerável, pelo menos tendo em conta a zona, algo improvável para a produção de vinho.



Trata-se da Adega 23, projecto da médica oftalmologista Manuela Carmona, com enologia de Rui Reguinga -- e a menos falada, mas não menos merecedora enóloga residente, que se chama Débora Mendes.


Os 12 ha de vinhas da propriedade foram plantados sobre xisto, entre 2014 e 2015, num lugar onde "não havia nada", excepto as ruínas de um edifício que, mau grado a ideia inicial de nele basear a estrutura da nova adega, se revelaram impossíveis de aproveitar, o que ditou a sua demolição. O edifício da adega, construído no mesmo lugar, é arquitectonicamente interessante, não só pela estética apelativa como pela sua grande funcionalidade.


Chegámos, falámos um pouco, assistimos a uma apresentação, que não lamento, sobre o vinho e o projecto, acompanhada de espumante Soalheiro, bruto, de Alvarinho, muito vivo e fresco, com boa bolha, fina e persistente, e notas de maçã e fermentos, demos uma breve volta pela adega e depois subimos para a prova propriamente dita, conduzida pela proprietária e a enóloga residente.


Para além dos vinhos da casa, houve Intensus tinto, meh, Poeira, sempre óptimo, sou fã, e dois Porto da Graham's a acompanhar as sobremesas: LBV e tawny 10 anos.


Foi um princípio de tarde muito bem passado, que me deixou curioso por experimentar o tinto da casa, que ainda não saiu. Acabo com umas breves impressões dos vinhos do produtor, escrevinhadas no telemóvel, "in loco" e enquanto tentava socializar: ou seja, com a naturalidade de quem se coça, temperada pela inevitável pontinha de pavor advinda de "estarem pessoas".


Branco '2017
Verdelho, Arinto, Viognier e Síria. Unoaked. Muito mais citrino que herbáceo, com limão doce e sua casca. Fresco, untuoso e bastante delicado, de persistência média/longa. Um vinho assim, na torreira das Sarnadas de Ródão? Notável. 16,5/20

Branco '2017 não engarrafado/comercializado
Uma curiosidade não comercializada. Feito das mesmas uvas que o branco da casa, mas aproveitando mais do que apenas o mosto lágrima, tem o perfil do branco engarrafado, mas menor delicadeza e uma ponta de amargor, a fazer lembrar caroços de prunóideas, no fim de boca -- pela prensagem adicional que abriu algumas das grainhas, contaram. Na minha humilde opinião, que vale o que vale, podia ter dado um segundo vinho bem decente. 15,5/20

Rosé '2017
Aragonês e Rufete, sem madeira. O facto de ser muito leve e fresco não o impede de irradiar substância. Os aromas são cativantes, com os frutos silvestres aliados a flores e um travo mineral, ligeiramente salino, que faz a diferença. Extremamente cativante e fácil de beber, foi dos melhores rosés que me lembro de ter experimentado e a S achou o mesmo. 17/20.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Ruffino — Riserva Ducale '2001

O blog é um monstro sedento de tempo, disponibilidade e energia! O blog converte vida interior em cangalhadas para outros verem e a análise do tráfego por ele gerado conjura a partir do éter, do aparente nada, satisfação para o ego. No fim, nada sobre nada. Não, exagero. Muito pouco sobre muito pouco, a tender para nada — assim é mais correcto.

Mas apesar de o seu dono saber disso, tanto que o escreve, o blog ainda vive: de tal maneira que é nele, para ele, e para mim também, através dele, que escrevo isto. E não se preocupe o monstrinho com a queda nas listas de agregadores e motores de busca que os períodos de fome consigo trazem: estou decidido a actualizá-lo e, junto com o meu tempo e alma, terá também o vinho a que o habituei. Simplesmente, desta vez, que empurre com ele um bocadito escangalhado de meta-análise.

Para começar, umas notas a respeito da minha última garrafa (originalmente eram três) da colheita de 2001 de Ruffino "Riserva Ducale". O produtor é dos mais conhecidos de Itália e este Chianti Classico é talvez o seu vinho-bandeira, embora não o absoluto topo de gama. A gama "Riserva Ducale" existe desde 1927, nomeada em homenagem ao duque de Aosta, presumo que o segundo, que em 1890 tornou a então jovem casa Ruffino fornecedor oficial da família real italiana, contam que depois de ter atravessado os Alpes, numa viagem que não terá sido das mais simples e/ou suaves, especificamente para provar estes já na altura afamados vinhos, pétalas no galho preto e molhado que então era a produção de Chianti — que, salvo algumas honrosas exepções, continuou a ser um vinho horrível até bem dentro do século XX.

80% Sangiovese e 20% Merlot e Cabernet Sauvignon, este tinto estagiou durante dois anos em madeira, inox e cimento. Não me surpreendeu que ainda estivesse vivo porque a última garrafa aberta, há cerca de meio ano atrás, estava num momento muito bonito. Assim, pelo contrário, surpreendeu-me encontrá-lo muito mais velhinho e cansado do que aquilo que esperava.

Mas perfeitamente bebível e ainda bom. De cor granada, acastanhada, surgiu muito terciário, com aromas a terra, licor de cereja e café. Talvez uma ponta de volátil. Na boca, mostrou acidez ainda capaz de fazer salivar e, mau grado o "meio" um pouco magro, taninos... — eis um vinho, literalmente, taninoso até à morte! Some-se a isto um final razoável e temos um tinto velho que ainda mexe, apesar de, naturalmente, se encontrar já em decadência. Considerando o que os utilizadores do Cellartracker dizem dele, talvez não tenha sido, apesar de tudo, uma má garrafa.

Custou à volta de 20€, back in the time, e continua a ser esse o preço das colheitas mais recentes.

Há quem ache que classificar vinhos velhos é veadagem, mas velho não é morto e o numerozinho da qualidade tem razão de ser, pelo menos para mim. Pelo que 14,5

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Lidl — Vino Nobile di Montepulciano '2012

Tanto quanto sei, este 2012 é o mais recente Vino Nobile di Montepulciano "genérico" do Lidl. O contra-rótulo di-o engarrafado por EGT: Via del Palazzone, 4, 53040 Cetona, morada que confere com a da sede da Barbanera Vini, que, de facto, inclui no seu catálogo propostas desta D.O., provenientes da zona de Valiano — isto se for mesmo um produto da casa, e não uma coisa de négociant, à francesa. O código QR da banda que a entidade reguladora coloca nas garrafas não funcionou.

No copo, mesmo pondo de parte os pontinhos adicionais que vale o diferente, a fuga do mais comum, não se portou mal. O nariz pareceu-me pequeno em termos de projecção, mas razoavelmente amplo no que toca a diversidade de aromas sugeridos... Cassis, cereja, alguma ameixa, almiscarados, alcaçuz, canela, vagas notas oxidativas e outros aromas que tipicamente associo a evolução em barril grande, de madeira velha. Pode ser filme meu!

Na boca, entrada um pouco agressiva, virada para a acidez, corpo entre o delgado e o médio, com certa alegria, taninos que, apesar de numa primeira análise parecerem apenas ligeiramente acima do residual, foram já suficientes para que um tinto de 2012 ainda esteja bem vivo em 2018, algum volume, alguma firmeza na concentração dos sabores transmitidos, mais uma vez por via da acidez e que me pareceram "muito Sangiovese", sem que tal constitua surpresa, e um final entre o curto e o mediano, talvez a pender mais para o segundo porque aceitável face à constituição global do corpo de líquido deglutido. Não falei do álcool porque não dei por ele.

2012 foi uma colheita excepcional na região, mas este vinho não encantou. Na verdade, fez-me lembrar um Chianti "mainstream", daqueles de supermercado, que não brilham nem comprometem, com alguma garrafa. Surgiu quatro anos depois deste e, a acreditar no que ficou registado — porque a memória se esbate — não terá deixado uma impressão muito diferente.

5€.

15

quarta-feira, 28 de março de 2018

Tons de Duorum '2016

Duorum, projecto cujo nome é um termo latino que significa "de dois" e ao mesmo tempo remete por similaridade a "Douro", surgiu em Janeiro de 2007, a partir da vontade de dois reconhecidos enólogos nacionais, João Portugal Ramos e José Maria Soares Franco, de desenvolver uma parceria vinícola exclusivamente dedicada ao Douro.

Este vinho, tinto de entrada da casa, consiste num lote composto por 50% de Touriga Franca, 30% de Touriga Nacional e 20% de Tinta Roriz, de cepas implantadas em terreno xistoso, a cerca de 400 metros de altitude, na Quinta de Castelo Melhor, propriedade localizada à beira da espectacular EN 222, pouco antes da cortada para a localidade que lhe empresta o nome, quando se segue no sentido de V.N. de Foz Côa para Almendra. O mosto, de uvas desengaçadas, sofre uma maceração a frio antes de fermentar em cubas de inox, sendo parte do produto final estagiado, seis meses, em barricas de carvalho francês de segundo e terceiro ano.

Provado, não me pareceu diferir muito dos seus predecessores, que, apesar de aqui nunca terem sido comentados, já me vieram parar à mesa umas quantas vezes: aromas e sabores limpos e jovens, de projecção mediana, mas suficiente face ao corpo do líquido, é um vinho simples, com especial incidência na fruta silvestre, mais vermelha que preta, completada por um toque floral típico, certamente trazido ao conjunto pelas Tourigas, e um tempero de barrica que se revela sob a forma de muito ligeiro abaunilhado. Macio e equilibrado (acidez mediana, 13% de teor alcoólico), está pronto a beber e não será expectável que dure muitos anos.

Nestes vinhos de grande tiragem, é desejável a definição de um perfil que vá de encontro às expectativas do público-alvo, e que se consiga manter esse perfil, traço comum e característico, que cimenta a imagem de uma marca ao longo do tempo, não obstante as diferenças entre edições que, ditadas pela natureza, acabam por reforçar o carácter do produto enquanto coisa única. Afinal é vinho, não refrigerante gaseificado com sabor a noz-de-cola. Muitas vezes, encontrar esse perfil "para manter" pode demorar tempo, o que aparentemente não aconteceu aqui. Provavelmente, tendo em conta o produto final, ainda bem.

A garrafa foi enviada pelo produtor, que recomenda um PVP de 4,49€.

15,5

quinta-feira, 22 de março de 2018

Cistus '2014

Com o seu último representante a ser um exemplar da colheita de 2007, aqui partilhado em Agosto de 2010, convenhamos que os "colheita" da Quinta do Vale da Perdiz, de Torre de Moncorvo, têm sido vinhos muito mais bebidos que falados por estas bandas. O que não lhes faz jus, dado que constituem propostas de excelente qualidade para o preço que custam — tendencialmente simples, mas que oferecem sempre "algo mais" que apenas a correcção esperada.

Este tinto, que caminha para os quatro anos de idade, continua sem evidenciar sinais de cansaço, muito pelo contrário. Em primeiro plano, fruta, silvestre, misturada e por conseguinte indefinida, mas atraente, boa, tendencialmente negra, mau grado algum toque de acidez "vermelha" que o nariz teimasse em apontar, e com ela, mato e barrica, mais que simples "overtones", por vezes a quererem sugerir camadas.

A acidez, mais vincada que o habitual nos tintos do Douro da sua gama de preços, e a estrutura bem definida, com taninos ainda vivos, confirmaram a ideia de vinho robusto, capaz de aguentar mais uns anos em garrafa. Fim de boca médio +.

Acompanhou entrecosto grelhado e pão: coisas simples.

4€.

15,5


sábado, 10 de março de 2018

Grego — Garnacha Centenaria '2015

Feito com uvas de diversas parcelas, não especificadas pelo produtor, que se presumem muito velhas, pretende ser um Garnacha de montanha "low cost", produzido nos limites da denominação "Vinos de Madrid".

Sem mais delongas, até porque este espécime não apresenta predicados que o justifiquem, a prova:

Cor rubi, escura, de opacidade mediana. O aroma surgiu dominado por frutos vermelhos — nenhum em concreto — e suas guloseimas, com toque de flores e algo que inicialmente me pareceu lácteo, ou talvez barrica, mas que acabou por me parece um pontinho verde, vegetal.

Sem grande estrutura, e também sem esconder que dela ainda há algo por amaciar, acabou por se mostrar bastante fresco para os seus 14,5% de álcool, com sabor agradável, de persistência mediana, marcado por ligeiro amargor, típico, ou talvez melhor dizendo, comum, mas de que gosto.

Apesar de bem feito, falta-lhe a profundidade, a concentração e até a alegria que fazem um grande garnacha de montanha. As limitações começam logo na matéria prima, ponto final. Mas deixa perceber, por alto, o que é um vinho do género. E para o preço, não está mal.

6,50€.

15,5

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Freixenet — Excelencia, Brut

Cava é uma denominação de origem espanhola, catalã, para vinhos espumantes produzidos segundo o método tradicional.

Este mostrou-se discreto na cor e vivacidade, com aromas a maçã assada, massas lêvedas, frutos secos e ligeiro tostado, e sabor fresco, de volume satisfatório, com um ponto agradável de cremosidade. Persistência mediana. Se a bolha tivesse mais vivacidade...

O produtor dispensa apresentações. Do contra-rótulo: "Este Cava es un clásico por excelencia. Ha sido elaborado suguiendo rigurosamente em método tradicional empleando vinos procedentes de las uvas más características de la región del Cava: Xarel-lo, Macabeo y Parellada".

Acompanhou salmão fumado, pão e creme de queijo com alho e ervas.

6€.

15

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Quinta dos Termos — Espumante Bruto, Fonte Cal '2013

O nosso consumo de espumante aumentou consideravelmente no último ano por ser dos poucos vinhos que é possível beber com a S. — por outras palavras, dos poucos que ela ainda aceita. Ao mesmo tempo, se primeiro os estranhava, fui aprendendo, com o tempo, a gostar deles, talvez por familiaridade, e agora afirmo, sem qualquer reserva, que um bom espumante me cai bem.

O de que cuida o presente post, branco e bruto, da colheita de 2013, foi feito exclusivamente com a casta Fonte Cal, o que o torna uma espécie de raridade: haverá mais algum no mundo com tal predicado?

No nariz, primeiro, dei conta de flores brancas e amarelas, rasteiras — ragadíolos, malmequeres e outros que tais, junto com o que me pareceu ser o cheiro de leveduras frescas. Depois, sugestões esmaecidas, claro está, mas límpidas no sentido de que sugeriam o que sugeriam e não poderiam sugerir outra coisa qualquer: jeropiga, ginja e o recheio daqueles infames bombons da Ferrero que são comercializados sob a marca "Mon Cheri".

Ao mesmo tempo, ia-se fazendo notar fresco e seco, seco não só no sentido da ausência de doçura, mas também na textura, coisa difícil de descrever, que me sinto inclinado a deitar no fundo saco da mineralidade. Só que nem tudo são flores: a bolha podia ser mais viva e fina, a mousse podia ser mais fofa, e o final, engraçado pelas notas de pistácio que trouxe consigo, muito mais persistente.

Enfim! Original, é. Interessante, também. Mas não muito mais que isso.

8€.

15,5

sábado, 27 de janeiro de 2018

Lapa dos Reis — Espumante Bruto, Pinot Noir, Rosé

Este espumante rosé, bruto, sem data de colheita, foi preparado por Maria Luísa D. Lapa dos Santos Reis, de Podentes, perto de Penela, a partir de uvas Pinot Noir, de cepas implantadas em socalcos de barro vermelho e cinzento, comum na região, e colocado no mercado após 24 meses em garrafa.

Cor salmão. Simples e fresco, trouxe consigo fruta verde, talvez maçã granny smith, e um toque de frutos vermelhos, cereja e algo mais, discreto e indefinido q.b. Definitivamente, não lhe consegui apanhar a expressividade tropical e citrina de que fala o contra-rótulo.

Na boca é seco e tem alguma vida, com acidez refrescante e um caudal regular de bolhas finas, mas nem muito compactas nem muito numerosas, que atingem a superfície do líquido sem formar uma coroa fofa ou persistente. Aliás, que atingem a superfície quase sem formar coroa alguma. Sem grande presença ou persistência — meh.

Um espumante que, "dentro do pouco", tem o seu equilíbrio. Mas não se peça a um Fiat 500 que dê 250 Km/h.

4€.

14

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Marquês de Marialva — Espumante Bruto, Baga, Rosé

Produto de ataque da Adega Cooperativa de Cantanhede, é um espumante rosé, bruto, sem data de colheita.

O contra-rótulo di-lo preparado segundo o método clássico, exclusivamente com base na casta Baga.

Aroma discreto, com frutos vermelhos e fermentos. De bolha viva e mousse fugaz, é relativamente curto e magro, mas enquanto está, está bem.

Bebemo-lo na varanda; retenho a S a derreter nele algodão doce, azul.

Sobre nós, sol frio e as trajectórias divergentes de dois jactos, cornos de um caracol grande como deus no céu.

4€.

15

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Quinta do Senhor — Vale da Favaca, Reserva '2012

Feito com Touriga Nacional, Rufete e Folgazão do vale da ribeira de Maçaínhas, perto de Belmonte, estagiou nove meses em barricas de carvalho francês e americano antes de ser engarrafado.

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É escuro e cálido, com frutos do bosque e sua aguardente, café, tosta e especiarias. Tem algum corpo, um ou outro tanino rebelde e persistência razoável.

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Partilha o lugar de origem e as castas que o constituem com o outro vinho da casa que abati recentemente, pelo que não admira que me tenha parecido seguir na mesma linha que ele — mais complexo, mas menos limpo, provavelmente devido à (maior?) permanência em barrica.

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No dia em que o abri, tinha preparado naquinhos de javali com vinho branco e pimentão doce, que foram comidos com raivacas (ou sanchas: Lactarius deliciosus) cozinhadas sobre um refogado de cebola, alho, tomate e presunto, a que, depois de bem desenvolvido, se foi juntando água, pouco a pouco, para não queimar.

5,50€.

15,5

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Château de L'Ecole '2010

90% Sémillon, 10% Sauvignon, é um Sauternes de Julie Gonet-Médeville, que também possui o Château Gilette.

Só que ao contrário desse, aqui temos um vinho de ataque, daqueles feitos mais para obter rentabilidade no mercado que para espalhar pelo mundo a alma daquela terra, preservada em garrafa.

Bouquet de complexidade razoável, com boa projecção: citrinos e abacaxi em primeiríssimo plano, mas também ameixa branca, alperce, pêra, mel, biscoitos, flores etc., sem o esmaecimento ou a decomposição "doce" que muitas vezes vem associada ao género.

Na boca, sabores consentâneos com o nariz, tendencialmente cítricos e amanteigados, alguma untuosidade e persistência satisfatória. Teria proporcionado melhor prova se tivesse um bocadinho mais de acidez e se esta não estivesse tão voltada para o lado cítrico do conjunto — assim acabou por parecer algo unidimensional, e pior, chocho.

Em suma, não fez um brilharete, mas valeu pela curiosidade. Não me pareceu pior que a generalidade das propostas da nossa produção nacional no que respeita a vinhos do mesmo género e preço — será, até, mais limpo e vivaz que a generalidade deles.

Ainda assim, com o que custa, compra-se um bom tawny "dez anos". Estou a comparar maçãs com laranjas, mas, às vezes, quem compra precisa de fazê-lo e eu, por norma, prefiro maçãs.

12€/37,5cl.

15,5

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Casa Américo '2014

Da Seacampo, Soc. Agrícola, Lda., de Vila Nova de Tazém. As uvas, Tinta Roriz, Touriga Nacional e Jaen de vinhas com idades entre 15 e 40 anos. Fermentou em lagares de inox e foi engarrafado sem passar por barrica.

Cor escura e razoavelmente opaca. Fruta e mais fruta, tendencialmente negra, algum corpo, alguma potência, alguma profundidade. Algo quente, apesar de "apenas" ter 13% de teor alcoólico.

Em suma: correcto para lá de qualquer dúvida, mas também (me pareceu) estranhamente comum, desinteressante . . . melhor em inglês: unremarkable.

Em entrevista ao "Mundo Português", publicada em Abril de 2016, a responsável pelo marketing da casa resumia a sua história nos seguintes termos:

"Este projecto foi iniciado pelo senhor Américo Seabra que emigrou, há muitos anos atrás, com os seus seis filhos, para a América. Há cerca de 20 anos, depois de estarem todos bem estabelecidos, com as suas empresas e empregos, resolveu regressar à terra, porque nunca tinha perdido o amor e a vontade de fazer vinho na sua terra natal. Então começou o projecto. Comprou uma quinta com 15 hectares e enviou os primeiros vinhos para os Estados Unidos. Entretanto, em virtude do seu falecimento, não conseguiu dar continuidade ao seu sonho. Então, os seus seis filhos resolveram juntar-se e dar continuidade ao sonho do pai.

Um dos filhos, o senhor Albano Seabra veio para a região e comprou uma propriedade muito antiga, do século XVIII. Reconstruiu a propriedade e começou a adquirir mais vinha. Como há muitas pessoas nesta zona que têm vinhas, são produtores, mas que não vinificam, precisam de algum sítio onde entregar as uvas. Ao saberem que o senhor Albano tinha uma adega acabada de construir, vieram cá oferecer as propriedades. Ele começou a aceitar e, pouco a pouco, já tem 100 hectares de vinha (…)"

5€.

14,5

sábado, 25 de novembro de 2017

Quinta de São Sebastião — Reserva '2011

O contra-rótulo di-lo lote de Merlot, Touriga Nacional e Syrah, estagiado durante um ano em barricas de carvalho francês.

Tinto de volume e persistência medianos, mas basta potência.

Logo depois de servido, sobressaíram-lhe as arestas de acidez e tanino — e, apesar de muito levezinho, descolado da fruta negra, ácida — entre outras coisas, andava por lá mirtilo! — um toque de estábulo, merda — 4-etilfenol, Brettanomyces, rolha . . .

. . . que apesar de nem sempre constituir defeito e aqui ter acabado por se dispersar, motivo pelo qual não considerei a garrafa imbebível e vós vos encontrais a ler estas linhas a seu respeito, ali, esteve a mais.

Podia, pois, ter sido melhor o primeiro contacto com os produtos de uma das mais badaladas casas de Arruda dos Vinhos. Uma má garrafa?

9€.

15

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Vale do Lacrau — Sauvignon Blanc '2014

Vinho de mesa, consta que do Douro. Do produtor, que não o menciona no seu sítio da internet, já por aqui passou este tinto.

12,5% de teor alcoólico; não aparenta ter passado por madeira.

Cheiro fiel à casta, com mais flores que verde.

Também algumas coisas menos usuais, mas não estranhas: toranja, carambola, espargo.

Peso entre o ligeiro e o mediano, ainda bom "punch" de acidez, final curto/médio, com travo ligeiramente amargo.

Pequeno e de 2014, mas ainda porreiro.

5€.

15

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Pedra d'Orca — Reserva '2013

De volume e comprimento medianos, este vinho trouxe consigo frutos silvestres, mais vermelhos que pretos, amparados por boa acidez, 13,5% de álcool bem integrado e alguma rugosidade tânica.

Gostei mais do seu predecessor de 2011, bebido recentemente — este precisará de tempo para limar as arestas. Em todo o caso, é um tinto honesto, com boa relação qualidade/preço.

5€.

15

P.S.

Impressões curtas, estilo desapaixonado? O facto de estar a publicar coisas assim um mês depois de as ter experimentado?

A escrita mais seca do que quando pensava andar deprimido? Uma falta de interesse por tudo que teima em colar-se, mau grado a vontade?

Ou uma desonesta falta de vontade de combater essa falta de interesse? A incapacidade de sentir prazer, aconteça o que acontecer?

Que se regozijem os meus detractores, isto anda uma merda.

Mas eu, teimoso, para já, permaneço.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Plansel Selecta — Homenagem ao Thomas '2012

Monocasta Trincadeira, vinificado em lagar, com maceração, e estagiado 8 meses em carvalho francês. Tem 15% vol.

O produtor é a Quinta da Plansel, de Montemor-o-Novo.

Flores e muita ameixa preta, doce, com toque lácteo. Mais tarde, um pouco de tabaco.

Corpo e persistência médios+, com taninos maduros, boa acidez e álcool bem integrado.

Um vinho de recorte moderno, honesto e bastante temático, mas nem por isso complexo ou inspirador.

6€.

15,5