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sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Maritávora - Reserva Nº4 '2011

A Quinta de Maritávora fica ao km 88 da EN 221, à beira de Freixo de Espada à Cinta. O produtor remonta à segunda metade do séc. XIX, quando José Junqueiro Júnior, pai do poeta Guerra Junqueiro, adquiriu um conjunto de propriedades na região, muitas das quais percmanecem na família. O estilo é tradicional, mas voltado para a modernidade. Os vinhos são da autoria de Jorge Serôdio Borges.

Este, feito, de acordo com o contra-rótulo, com Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca e outras, provenientes de vinhas com idades compreendidas entre 15 e 50 anos, fermentou em lagares de pedra, com pisa a pé, e estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês. Mais uma vez, recorde-se que 2011 foi um grande ano.

Escuro e concentrado, mostrou densidade, 15% de álcool e alguma opulência. No entanto, a fruta é super sólida e a barrica funciona, pelo que, em vez de pastoso, resulta envolvente, fácil de beber e não enjoa.

É claramente um vinho da sua terra, mas dos finos, dos bem cuidados. Ainda por cima, nesta fase, todo ele está em harmonia. Provavelmente, no auge. Valerá a pena guardar?

17€

17,5

sábado, 5 de outubro de 2019

Breve passagem pela Feira do Vinho do Dão

A 28ª edição da Feira do Vinho do Dão teve lugar em Nelas, entre 6 e 8 de Setembro, e nós passámos lá na tarde do último dia, em desvio incluído num périplo "algo turístico" pelo centro-norte, que também contou com uma noite num festival de música electrónica chamado Insomnia, muito trance, muito buda dourado a expandir a consciência de não sei quem, talvez dos presentes, ou só de alguns, e algum speed, não posso dizer que muito, infelizmente, talvez, que foi o elemento que ajudou o evento musical a escapar. Isto em jeito de introdução a uma série de notas de prova, um mês depois de lá ter ido, publicadas agora para não acontecer como no ano passado, em que lá fomos e provei e falei tanto, e tanto apontei também, mas nada publiquei em tempo útil e o suporte informático dessas notas morreu, levando-as consigo.

A lista que se segue não é exaustiva e incide especialmente nos brancos. Isso acontece porque:

i. apesar de prova ser prova, com quantidades a corresponder, não andei por lá a cuspir vinho e, a dada altura, o cansaço começou a fazer-se notar: primeiro para apontar, depois até para beber;

ii. alguns dos expositores são sempre ocupados por grupinhos de "laretas", usualmente gente de meia idade e presumível seriedade, que faz questão de monopolizar os produtores ou os seus representantes com verdadeiras conversas de merda, de certeza que mais por atenção do que para aprender. Lembro-me de aguardar a minha vez para provar algo, já não sei em que barraquinha, mas de lá estar colado um senhor cheio de questões. Tantas, mas tantas, que, a dada altura, já iam, literalmente, na China. Digo, na penetração desse produtor no mercado chinês. E face a um simples "Para o Japão, já vendi umas caixas; agora, China, não. Mas está na China?" por parte do "entrevistado", o senhor em questão responde "não, nem nunca lá fui, mas..." e meio minuto depois estava a colar-se noutro expositor.

Dito isto, e sem mais delongas, por ordem de aquisição das notas, temos:

Quinta Mendes Pereira - Alfrocheiro Reserva '2012: O primeiro da tarde, apresentado por uma das pessoas mais simpáticas com que nos cruzámos no certame. Varietal e extraído q.b. Ginja e frutos pretos, licor, toque alcoólico, algo quente e capitoso. Grande e forte. Acredito que a 14 ºC e com algum tipo de companhia de trincar, digo, até um simples pão com chouriço, tivesse mostrado mais. 16

Quinta das Marias - Alfrocheiro '2016: Mais fresco e equilibrado que o precedente -- muito bem dimensionado, aliás -- mas sem "factor uau". 16,5

Aqui decido começar a experimentar brancos, na expectativa de, mais tarde, voltar aos tintos. Mais uma vez, estava em passeio, não tendo definido um método de ataque ao "problema"...

Quinta das Marias - Encruzado: Não apontei o ano: provavelmente, a edição de 2018. Encruzado sem madeira, jovem, vegetal e floral, de paladar seco e carnudo, muito característico. 16,5  

Quinta dos Carvalhais - Branco Reserva '2017: Flores, citrinos, baunilha. 1+1+1=3. Mas fresco e longo. Prazeroso. 17

Quinta dos Carvalhais - Encruzado '2018: Muito carácter varietal, mas menos finesse do que esperava. 16

Casa da Passarella - Villa Oliveira, Encruzado '2018: Mais preciso que o monocasta da Qta. dos Carvalhais, com a madeira a ligar muito, muito bem com os aromas da casta. Muito fresco, bastante longo. Até ver, o melhor. 18

Quinta da Fata - Encruzado '2018: Menos "punch" que o Villa Oliveira, menos substância também. Mesmo assim, grande equilíbrio e classe num vinho fresco e longo, todo ele bem ligado. 17

Valedivino - Branco Reserva '2012: Muito delicadamente floral, com toque de evolução e sugestões que juraria de barrica, apesar de por lá não ter passado. Firme e estruturado, um branco sólido. 16,5

Quinta do Escudial - Encruzado: Outro a que não apontei o ano. Ademais, a internet não sabe de monocastas Encruzado recentes da casa. De qualquer forma, deixou óptima impressão, que passo a transcrever: Talvez mais vegetal/floral, mais leve e alegre que a maioria dos outros varietais da casta provados até agora. Bem fresco, com ponta de austeridade na boca que cai bem. 17 

Quinta dos Roques - Encruzado '2017: Gordo, glicerinado -- 50% do lote passou por madeira -- mas em equilíbrio. Grande e bom, mas prefiro um estilo mais leve. 16,5

Julia Kemper - Vinhas Seleccionadas, Blanc de Noir '2018: Um branco de casta tinta, todo ele Touriga Nacional,  fermentado em bica aberta: saem as cascas e películas, o sumo da polpa fermenta sozinho. Tem a estrutura e a acidez de um TN jovem, e o nariz de um bom branco da região, daqueles sem madeira, repleto de flores brancas, a evoluir para fruta de polpa clara. Muito interessante. Comprámos uma garrafa para acompanhar o jantar. 16,5

Depois do jantar -- na representação que o restaurante Retiro das Laranjeiras tinha no local, muito bom --, ainda provei mais um ou outro, mas já não tirei notas. Excepção para o Quinta da Vegia - Superior: Não apontei o ano. 2013? Potente, complexo, equilibrado, cheio de sabor. Um vinho grande que também é um grande vinho. Mas que certamente pedirá tempo, paciência e um acompanhamento à altura, na mesa. 18

Em suma, um belo evento, a pedir uma visita mais atenta no ano que vem.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Las Uvas de la Ira - El Real de San Vicente '2013

O nome remete à ideia de "vino de pueblo", o vinho da terra, de uma determinada terra, habitualmente feito pela cooperativa ou por um conjunto de agricultores locais. Aqui, a execução é totalmente diferente, mas este não deixa de ser, de facto, um vinho da terra, de El Real de San Vicente, povoação situada na zona este da serra de Gredos, no vale do rio Tiétar. Das uvas de três parcelas de Garnacha, com idades entre os 40 e os 70 anos, espalhadas pelas imediações do povoado, e cuja superfícia totaliza apenas 4 ha, resultaram 10.000 garrafas, nas quais o produtor, Daniel Jiménez-Landi, afirma pretender refletir as características do terroir local.

Garnacha de montanha, criada em altitude, alegre no nariz e austera na boca. Não é, no entanto, de carrasco que estamos a falar. Muito pelo contrário. O leque de aromas é amplo: em redor de muita fruta vermelha, sempre doce, axaropada e em batido de leite, vem alcaçuz, canela, pimenta, anis, almíscar e pêlo de mamífero pequeno, ligeira redução, com pau de fósforo... e nada se afigura como defeito, e tudo liga bem, com naturalidade. Na boca, a entrada é jovial e o final tem uma ponta de amargor característica. É fresco e persistente, de taninos densos e firmes, bem finos, e enxuto, ainda menos glicerinado, menos pesado do que esperava. Um vinho muito ao meu gosto, mas, à parte disso, objectivamente muito bom.

20€

17,5

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Mar de Frades '2018

Albariño Atlántico, dizem eles. Ou o "nosso" Alvarinho, além-Minho. Fundado em 1987, o produtor de Arosa, Meis, tem a sua operação instalada em pleno Val de Salnés, a mais fresca e húmida das sub-regiões das Rías Baixas, localizada um pouco a norte de Pontevedra, e que é, segundo muitos, o lugar de origem da casta.

Adicionalmente, poderá afirmar-se que este é já um dos Albariño clássicos de Espanha e que o produtor se mostrou muito satisfeito com a colheita de 2018 -- mas também, se fosse apresentá-lo ao público a dizer que não...

Sem mais merdas, a mim, encantou-me. Vibrante de frescura, limonado, mas de limão maduro, raspa incluída, e salino. Sem ser excepcionalmente longo ou volumoso -- e até que ponto seria conveniente ao equilíbrio de um vinho com este perfil sê-lo? -- está tão bem conseguido, tão coeso e bem acabado, tão natural, que, sem exagero, o bebi como se de água se tratasse. No bom sentido da expressão.

Em suma, um novo favorito, que me deu um prazer que há muitos anos não encontrava em nenhum dos seus correspondentes elaborados do lado de cá da fronteira.

A forma como se portou com um bife de atum braseado, arroz thai, generosa porção de gari e uma salada, fresquíssima de tomate e pepino, tudo com bastante limão, deixou-me a ideia de ser o vinho perfeito para sushi. Em breve tirarei isso a limpo.

14€.

17,5

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Quinta da Pellada '2007

Este pareceu-me, coisa curiosa, mais evoluído em termos de cor e cheiro que no sabor.

A cor, a atijolar.

O nariz, por entre alcaçuz e mato, cedro, fumo e especiarias doces, tabaco e sei lá que mais, ainda detecta fruta, talvez cereja, escura, muito escura.

Mas, na boca, permanece firme e preciso, apesar de entregue a fruta macia, com toque já cálido. Tem porte, mas também fineza. Não é um monólito nem está a morrer. Surpreendente.

Talvez por associação de ideias, sabendo muito bem o que estava a beber, trouxe-me à memória o Álvaro de Castro "Reserva". Mas maior e melhor.

Consiste numa mistura do "field blend" da vinha velha da Pellada com Touriga Nacional e Tinta Roriz.

A propriedade que dá o nome a este vinho é o maior tesouro do produtor. Situada na zona de Pinhanços, num cabeço a NW da linha oblíqua do sopé da Estrela, a uma altitude máxima de 545 metros. As suas primeiras referências remontam à década de 1570.

Quando estava à venda, era vinho para cerca de 30€.

17,5

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Quinta do Infantado — Reserva '2008

tanto tempo que aqui não comentava nenhum vinho da Quinta do Infantado! Não me afastei deles: simplesmente, hoje em dia há tanta diversidade de oferta, tantas novidades, tantas propostas de outras paragens, que um indivíduo acaba sempre por deixar algo para trás e esse algo costuma ser, mais frequentemente do que devia, concedo, os seus clássicos pessoais, aqueles que sempre estiveram e nunca enganaram.

Este "reserva" é o topo de gama do produtor no que concerne a tintos secos. Foi vinificado em lagar, com pisa a pé, e estagiou, 14 meses, em cuba e barricas de carvalho. Abri a garrafa nº 3824 de 8799 (e 212 magnum) que se encheram a 20 e 21 de Maio de 2010.

Vinho de enorme estrutura e concentração, mostrou-se também muito fluido, muito elegante, fresco e bem proporcionado, coisa que não é trivial num Douro deste porte e idade! Rico em fruta, negra, bem definida, e perfumado com notas de café e seu licor, tostados, pimentas e outras especiarias, é complexo, interessante, bonito.

Talvez por ter sido consumido de uma vez, levou-me a uma frase antiga: "fechou-se para fora, mas derramou-se para dentro".

Acompanhou pintada assada.

27€.

18

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Breca '2012

As vinhas que deram origem a este monovarietal Garnacha das Bodegas Breca, de Munébrega, terra situada no Sul da denominação de origem Calatayud, foram plantadas entre 1925 e 1945, em solos pobres, de ardósia vermelha e preta, com veios de quartzo, cerca de 900m sobre o nível do mar.

O produtor afirma que tanto a intervenção humana na vinha como a vinificação foram minimalistas, com fermentação alcoólica em tanques abertos e maloláctica em barris de carvalho francês, de 500 e 600 litros, a que se sucederam 18 meses de maturação, em contacto com as películas.

Vermelho muito escuro, mas não opaco, é um pequeno monstro de concentração, guiado por 15,5% de álcool impecavelmente integrado.

O nariz é intenso, com flores e cerejas maceradas, reminiscências agradáveis de químicos aromáticos, farmácia, café, torrefacção, barrica... Bastante complexo, e coeso também, a apresentar-se de forma bem bonita.

Volumoso e persistente na boca, não mostrou o toque de amargor que por vezes surge nos varietais da casta. De estrutura já perfeitamente madura, poderá aguentar mais uns tempos em cave, mas é para beber.

Apesar de super bem feito, será mais apreciado por aqueles que gostam de vinhos potentes.

Brilhou com um solomillo al horno, feito no estilo deste.

16€.

17,5

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Domaine du Pegau — Cuvée Reservée '2011

Já aqui comentei alguns vinhos do Ródano, mas, tanto quanto me lembre ou tenha conseguido pesquisar, nenhum Châteauneuf-du-Pape.

Historicamente, a appellation começou a desenvolver-se com a transferência do papado de Roma para Avinhão, em 1309, por iniciativa de Clemente V, o papa que dissolveu a Ordem dos Templários, tendo sido o seu sucessor, João XXII, o papa que declarou oficialmente a bruxaria e paganismo hostis à doutrina cristã, devendo os seus seguidores ser purgados, o primeiro grande responsável pelo desenvolvimento da cultura da vinha na região.

A marca Domaine du Pegau surgiu em 1987, quando pai e filha ampliaram e melhoraram a produção da propriedade familiar. Contituído por 80% de Grenache, 6% de Syrah, 4% de Mourvèdre e 10% de várias outras castas, não discriminadas, este Cuvée Réservée fermentou em cubas de cimento e estagiou, dois anos, em pipas de madeira avinhada.

Novo e nervoso logo depois de aberto, típico lote GSM, grande, intenso, maduro e concentrado, mais amplo que longo, com uma complexidade que não recusa certos cheiros mais feiinhos, que noutro lugar sugeririam defeito.

No ataque, borracha, fumo e Syrah, banana seca e Grenache alegre, fruta vermelha, cerejas, morangos, goût de merde... Mais tarde, floral, um floral fechado, austero à sua maneira, e terra, e grafite. Tanta coisa, mas sempre longe do verde. Um grande vinho, e 2011 não foi, sequer, um grande ano para o produtor.

Bebi-o de uma vez, acompanhado apenas por isto.

50€.

18

domingo, 19 de novembro de 2017

Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão '1994

O produtor é o Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão,  situado na Quinta da Cale, em Nelas, parte da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Centro, um serviço do Ministério da Agricultura.

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Provado logo depois de aberto e após várias horas de arejamento, este tinto confirmou tudo o que já tinha lido por aí a respeito dos seus congéneres — as opiniões são unânimes.

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Tourigão escuro e robusto, de sabor denso e prolongado, acidez firme e taninos quase contundentes, é um vinho para muito longa guarda, que abri cedo de mais. Que não iluda o comentário sucinto: ele é, a todos os títulos, impressionante.

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Acompanhou tolma (ou dolma) georgiana, de pimento vermelho, assim, lombo de porco assado, temperado com alho, vinho branco e pimiento choricero, entre outros, e um chocolate  peculiar, engraçado, escuro mas não muito, com pistácios, da Palmeira.

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Uma vez houve na Garrafeira Nacional, a 40€ a unidade, se a memória não me falha. E eu comprei.

18,5

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Quinta de la Rosa — Reserva '2013 (Branco)

Gosto dos brancos "reserva" da Quinta de la Rosa com alguns anos — envelhecem bem. O último a ser aqui comentado foi da colheita de 2012, abatido em Setembro de 2016.

Em relação a esse, a composição deste 2013 mudou: a quantidade de Viosinho subiu dos 35 para os 60%, sendo o restante uma mistura de Rabigato, Gouveio e Códega do Larinho em proporções que o rótulo não menciona.

Tal como o seu predecessor, metade dele fermentou e envelheceu em barricas e o restante, em inox. Foi engarrafado em Abril de 2014.

Bebido fresco, primeiro sozinho, em jeito de prova, depois a acompanhar salada de bacalhau cozido a vapor, trouxe consigo flores e ameixa, brancas, pêssego pouco maduro e barrica, granito e humidade, tudo envolvido por um véu de casca de limão. Mais que fruta, sobressaíram os amanteigados, especiarias e cremes da madeira por onde passou.

Considerando que estamos no final de 2017, muito ligeira a evolução evidenciada por esta garrafa. E que engraçado quando um vinho me faz lembrar água da chuva a correr sobre granito (não é inédito).

Na boca, longo e delicado, com bom compromisso entre frescor e redondez. Muito bom.

10€.

17,5

sábado, 21 de outubro de 2017

Druida '2015

Feito por C2O na Quinta da Turquide, em Silgueiros, é um monocasta Encruzado de vinhas com 30 anos, estagiado durante dez meses em barricas, 80% usadas, de carvalho francês.

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Cor clarinha, citrina. Malmequeres, limonado, sílex, pederneira. Intenso e cristalino, quase crocante. Muito limpo, muito fresco, sem o peso ou a oleosidade que tantas vezes marcam os vinhos da casta. Leve, de final longo e bom.

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A garrafa foi sendo drenada à medida que eu ia comendo nigiris, mas, quando um vinho é assim, o acompanhamento pouco importa, a menos que seja escolhido a dedo, para prejudicar. E fazê-lo seria estúpido.

18€.

18

domingo, 15 de outubro de 2017

Warre's — Quinta da Cavadinha, Vintage '1996

Propriedade da Symington desde 1980, a Quinta da Cavadinha fica no Cima Corgo, entre o Pinhão e Sabrosa, perto de Provesende. Os seus vinhos são integrados nos Vintage da marca Warre's quando estes são declarados e, em anos secundários, engarrafados como "single quinta".

Este foi engarrafado em 1998.

Tem porte mediano (para Vintage) e frutos pretos, terrosos, com vivacidade, passas, folha de tabaco, chocolate preto e espinafre! — e muito me agradou esse seu tom verdoengo.

Evoluído, com bom corpo e persistência.

Mas isto foi logo depois de aberto. Com o tempo, mais foco e certo carácter mineral, a sugestão — sugestão, mais que impressão, mesmo: poderá ser? — de xisto e giz por entre camadas de frutos negros.

Já passou a fase burra e jamais será glorioso, mas está muito bom!

Foi com bolo de noz e chocolate em barra.

30€.

17,5

domingo, 16 de agosto de 2015

Lustau — Los Arcos, Amontillado

Amontillado é um tipo de Xerez com origem em uvas Palomino Fino, criadas em solos de albarizas, ricos em carbonato de cálcio. Os mostos, uma vez fermentados, desenvolvem o chamado véu de flor, que lhes transmite pungência e secura características: muito resumidamente, é nisto que consiste a crianza biológica, estática, do vinho. Com o passar do tempo, estas leveduras, que cobrem o interior das barricas onde o vinho estagia, morrem, deixando o líquido muito mais exposto à influência do oxigénio do ar. Aí começa a fase oxidativa do envelhecimento, que por norma se associa ao estágio dinâmico em criaderas e soleras (merecem um link), que garante a uniformização do nível de qualidade do vinho, de colheita para colheita, e que, no caso de amontillados velhos, pode durar muitos anos.

Este vinho que serve de mote ao post, em concreto, é um amontillado comparativamente modesto, inserido comercialmente na linha "popular" do produtor, as Bodegas Lustau, de Jerez de la Frontera. Não sei se era fresco: quando procurei a garrafa, para tentar aferir a data de engarrafamento a partir do número de lote lá impresso, descobri que a tinha deitado fora. Frio, acabado de sair do frigorífico, e logo depois de aberto, fez lembrar tawny velho, por força da cor ambarina e do carácter melado, bem terciário, com toque de doçura, a untuosidade definida, mas nada frutado e de presença menos alcoólica, rico em canela e frutos secos, com notas de iodo e casca de laranja. De secura e salinidade muito mais comedidas que qualquer Fino — passou por aqui este, do mesmo produtor — não é necessariamente vinho para tapas ou sobremesa, de tal forma que acompanhou com sucesso este franguinho de que tanto gosto.

Um pouco mais quente, ganhou outro poder, outra envolvência, mas começou também a parecer menos fino e preciso, pelo menos na boca. Aí, empurrou uma fatia de bolo xadrez e um palmier, sem cobertura, da Vasco da Gama. Desta primeira incursão, sobrou quase meia garrafa, abatida com o lanche do dia seguinte: pão, manteiga, queijos Brie (Président, bonzinho) e Pecorino Romano (Zanetti, uma pilha de sal), fiambre e mortadela, tendo encaixado sempre bem. Veio vedado com uma simples rolha capsulada, semelhante às que se encontram no Porto corrente, mas apresentava algum depósito.

16€

17,5

terça-feira, 25 de maio de 2010

Quinta de Foz de Arouce — Vinhas de Santa Maria '2001

Do contra-rótulo:

A designação "Vinhas de Santa Maria" tem origem não só nas lendas e na religiosidade do Povo, mas também na extraordinária qualidade dos vinhos produzidos na região e que a Condessa de Foz de Arouce tão bem exaltou nestes versos:

"Nossa Senhora fez vinho, / Com uvas de Foz de Arouce. / Pô-lo numa cantarinha, / E a cantarinha quebrou-se.

Ficou triste a Nossa Mãe, / E chorou bem de mansinho. / Mas Jesus por lhe querer bem, / Do seu pranto fez mais vinho.

Comeu o Pão a Senhora, / E bebeu da cantarinha. / E a partir d'aquela hora, / Do Pão e Vinho é Rainha."

O produtor tem página web.

Baga de vinhas velhas, com mais de 50 anos, é um vinho maduro e concentrado, repleto de fruta espessa, cereja e ameixa, doce, profunda, bem combinada com excelente tosta das barricas onde estagiou e sugestões várias de terra negra e couro, tabaco e especiarias. Longo e encorpado, muito saboroso, possui uma bela estrutura de taninos, firmes mas sedosos, finamente conjugados com óptima acidez.

Jovem, está tão vigoroso quanto equilibrado: muito bom, sem dúvida. E pode ser que ainda cresça. . .

30€.

18

domingo, 9 de maio de 2010

Quinta do Vale Meão — Vintage '2007

O produtor dispensa apresentações.

Retinto. Jovem mas desde já francamente harmonioso, tenso, de taninos finos e firmes, muito longo e opulento, embora relativamente comedido na doçura e dotado de distintivo traço herbáceo, de acidez.

É um belo Vintage, muito provavelmente o melhor que alguma vez terá saído da Quinta.

Beba-se agora. . . ou daqui a pelo menos dez anos.

35€.

18

sábado, 2 de janeiro de 2010

Taylor's — Tawny 20 Anos

Já aqui não meto um Porto há algum tempo; seja este.

Produzido pela Taylor, Fladgate & Yeatman, foi engarrafado em 2006 (ficha técnica, aqui).

Cor ambarina, a tender para o acastanhado. Agradavelmente perfumado, com notas de tosta e especiarias, ligeiro verniz, café e caramelo torrado a completarem um conjunto rico e aveludado, um tanto guloso, amplo, intenso e bastante persistente, onde predominam passas e frutos secos.

Portou-se lindamente, tanto com bolo xadrez como com castanhas assadas.

Custou pouco menos de 40€.

17,5



Do rótulo: «Deve ser servido ligeiramente refrescado (12 a 16ºC) num cálice de dimensões generosas».

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Quinta do Mouro '2004

Que me lembre, ainda não tinha aberto nada deste produtor «para» o blogue.

Aragonês (50%), Alicante Bouschet (25%), Touriga Nacional (20%) e Cabernet Sauvignon. Estagiou durante um ano em barricas de carvalho francês e português, metade das quais novas.

Escuro. Jovem; bouquet ainda por formar. Morno no ataque; a sua grande acidez demora um pouco a revelar-se. O que desde logo se nota é a excelente barrica, na conta certa, a complementar pujante ameixa negra, ligeiro balsâmico resinoso e ainda mais discretas notas de vegetal verde, pimenta e anis — (mais que apenas) um pouco a fazer lembrar certa garrafa de Alión '96. Amplo na boca, com os taninos a notarem-se firmes apesar de bem polidos, o álcool a surgir (quase) perfeitamente integrado e o final, longo e saboroso, tão interessante, repleto de notas de café.

Diferente ao terceiro dia de abertura: o profundo fruto negro agora acompanhado de caruma e alicorados, pimenta preta e chocolate. Muito sólido, muito fresco... tão elegante e persistente... grande vinho!

25€.

18,5

sábado, 3 de outubro de 2009

Offley — Tawny "Barão de Forrester" 30 Anos

Este tawny consiste num conjunto de vinhos produzidos «a partir de uma selecção de uvas de alta qualidade das castas tintas recomendadas no Douro, com particular destaque para a Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Amarela, Tinta Barroca e Tinto Cão» — estou a citar a ficha técnica — e posteriormente envelhecidos em cascos de carvalho por intervalos de tempo que variaram entre 25 e 40 anos, sendo os 30 mencionados no rótulo a idade média do lote aquando do engarrafamento (2003).

Cor âmbar acobreado. Aroma intenso e complexo, com notas de caramelo e frutos secos, café e tostados, casca de laranja cristalizada, tabaco e levíssima fruta vermelha em brandy, com ponta de calidez alcoólica. Na boca é puro veludo, gordo e untuoso, fresco (apesar de generoso) e cheio de sabor. . . um sabor magnífico, perfeita confirmação do nariz, equilibrado e muito, muito longo.

Que grande vinho!

Custou 60€.

18,5

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Evel — Grande Escolha '2000

Ahm, mais uma edição do topo de gama da Real Companhia Velha... no que aos tintos secos toca. Foi vinificado a partir de Touriga Nacional e Francesa, Tinta Roriz e Tinto Cão. Ademais, consta que estagiou em cascos de carvalho francês... «com elevada percentagem de madeira nova» durante 18 meses.

Vermelho granada escuro. Apesar de o ter decantado duas horas antes de servir, ainda o encontrei um tanto ou quanto preso aquando do início da prova. Depois veio a fruta, silvestre e negra, intensa, apimentada ao de leve e parcialmente confeitada. Qual espinha dorsal deste vinho, dela se iam libertando os (não muitos) aromas terciários que lhe consegui perceber: terra molhada e cogumelos, folhas mortas, castanhas e tabaco (charuto).

Mostrou-se amplo na boca, fino e dotado de boa acidez; os taninos ainda facilmente perceptíveis, apesar de muito macios, prolongando-se por um final longo q.b. e bastante saboroso. Com o ar, evoluiu para tabaco e cabedal. Morto ao segundo dia. Este Douro envelheceu bem. Envelheceu: duvido que valha a pena guardá-lo por mais tempo.

Custou 20€.

17,5

domingo, 9 de agosto de 2009

Quinta do Vallado — Reserva '2005

Porventura a vedeta da semana que passou. Da Quinta do Vallado, foi vinificado a partir de uvas das castas Tinta Roriz, Tinta Amarela, Touriga Franca, Touriga Nacional e Sousão — 70% das quais provenientes de vinhas velhas. Estagiou durante 17 meses em meias pipas de carvalho francês. Aroma potente, com predominância de frutos silvestres maduros, complementados por fino tostado. Corpo cheio e já bastante redondo, de paladar profundo e harmonioso. Final persistente, muito agradável! Apesar da sua relativa simplicidade, este vinho não deixa dúvidas quanto a tratar-se de um Douro de boa estirpe. A ver se o que lhe falta acaba por vir com o tempo... 50€, em restaurante.

17,5