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domingo, 13 de outubro de 2019

Tapada do Chaves '2014 (Branco)

A propriedade de Frangoneiro, Portalegre, possui uma localização invejável, à beira da Serra de S. Mamede, cepas velhas e uma vasta história de muito bons vinhos.

Tendo, num passado recente, pertencido à Murganheira, foi adquirida, em 2017, pela Fundação Eugénio de Almeida, que tratou de valorizar, não só as coisas e os vinhos, mas tmbém a marca, apelando aos seus pergaminhos, a uma imagem retro e a um reposicionamento no mercado, um degrau acima daqueles que os respectivos predecessores ocupavam.

Este é, então, um branco de 2014, ainda feito nos tempos da Murganheira, mas já lançado no mercado pela FEA. As castas são Arinto, Antão Vaz, Assario, Tamarez e Roupeiro. Detalhes acerca da elaboração ou estágio, não aferi.

Cor palha. A princípio, indefinido. Pouca fruta. Mais arejado, agitado no copo, algum marmelo e o seu doce, a par de alguma tropicalidade. E flores. E notas químicas, petroladas, a fazerem lembrar, no seu conjunto, o solvente que tradicionalmente era usado pelos sapateiros para remover cola. Bom peso e untuosidade na boca, com frescura a corresponder, num conjunto ao mesmo tempo potente e equilibrado. Final médio+/longo, a perdurar na acidez.

Não nego que possua a sua dose de substância, beleza e até originalidade, mas, na minha opinião, não tem o brilho, o "factor uau" que espero de um vinho de 20€. Agora, se ainda viver daqui a 20 anos...

16,5

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Reguengos - Garrafeira dos Sócios '2011

Regresso ao porta-estandarte da CARMIM, Coop. Agrícola de Reguengos de Monsaraz, desta vez com um espécime da colheita de 2011. Figuram nesta caderneta de cromos os seus predecessores de 2001, bebido em 2010, e de 2004, bebido em 2014. Pelos vistos, tenho por norma consumir estes vinhos já com alguma idade.

Composto por 40% de Alicante Bouschet, 30% de Trincadeira e 30% de Touriga Nacional, diferencia-se dos seus antecessores supra na medida em que o Aragonês e Castelão deram lugar a Alicante e TN. Assim de cabeça, sem provar nada, desde logo se esperará um perfil floral diferente, caso exista, e uma presença globalmente menos alegre e mais robusta.

Arejado num decantador talvez durante hora e meia antes de ser servido, não só confirmou estas ideias, que reflectem mudança, como o fez enquadrado numa continuidade fixe. Continuidade fixe porque sempre associei o Garrafeira dos Sócios a longevidade e este, firme e fresco -- gosto de pensar que este par de descritores surge com uma frequência feliz, não como cliché -- surgiu, mais uma vez, bem jovem. Escuro e entroncado, extremamente sápido e aromático, aparece bem ligado, macio mas com estrutura para durar, dominado por fruta escura, passas de uva e figo, especiado indistinto, com qualquer coisa a fazer lembrar xisto em pano de fundo. Sabe ao que cheira, cheira ao que sabe e sabe com garra. Não sei se vai crescer, é possível; aquilo de que não duvido é de que, se guardado, ainda vá evoluir -- ou seja, mudar, sem ser objectivamente para melhor ou pior -- de forma interessante. Sou quase fã.

Acompanhou uma pintada com cerca de 1 kg de peso, que preparei da seguinte forma: a quatro colheres, das de sopa, de manteiga, juntei duas chalotas, uma colher, de sopa, de salsa, outra de cebolinho fresco, uma colher, de sobremesa, de alho em azeite, uma colher, de café, de estragão seco, sal e pimenta, e foi tudo bem moído e misturado. Esta massa foi introduzida entre a pele e a carne da ave, sobretudo nas coxas e peito, e também na cavidade. Polvilhado o exterior com mais sal e alguma pimenta preta, e massajado com um pouco de azeite, foi, em pyrex fechado, ao forno, pré-aquecido a 200 ºC, onde passou cerca de um quarto de hora. Volvido esse tempo, reduzi a temperatura para 180 ºC e deixei cozinhar mais quarenta minutos. Retirada a pintada do forno, escorreu-se, aproveitando-se o molho da assadura para dentro de uma caçarola, onde ferveu mais ou menos cinco minutos, até reduzir qualquer coisa, com vinho branco e um pouco de caldo. Foi para a mesa com batatas e courgette no forno.

18€

17

domingo, 23 de junho de 2019

Margarida '2009 (Tinto)

O Monte da Azinheira, onde está sediado o produtor deste vinho, Monte dos Cabaços, encontra-se nas imediações da aldeia de Arcos, a uns sete quilómetros de Estremoz. O projecto tomou forma em 2001, pela mão de Margarida Cabaço, do icónico restaurante "São Rosas", um dos melhores do Alentejo e que, infelizmente, já não existe.

Encontrei, a propósito, uma entrevista de Margarida Cabaço a Alexandra Prado Coelho do "Fugas" do "Público", leitura agradável e, se estivermos para aí virados, "food for thought".

Dos vinhos do produtor, são chamados "Margarida" os considerados especiais, baseados na melhor casta de cada colheita. Lê-se no contra-rótulo: "Em 2009 elegi a casta Alicante Bouschet como base para este vinho. As uvas foram vinificadas em lagar, com pisa a pé, e fizeram um estágio parcial em barricas de carvalho francês". Abri a garrafa nº 1820 -- não sei de quantas.

Logo à primeira vista, um vinho grande, intenso, repleto de fruta rica, cálida, como ameixa, goselha e ginja, com marcas de sobremadurez e licor. Junto com ela, um tempero de torrefacção, em todo o caso subtil, a fazer lembrar, essencialmente, café. Longo e macio, todo ele bem ligado, é um vinho ainda em forma, mas que não deverá ganhar com mais tempo em cave -- mesmo assim, não são muitos os que chegam aos dez anos neste estado. Apesar de não possuir a grandeza "orgânica" de um Mouchão, é um belo vinho.

Sobrou para o dia seguinte a quantidade suficiente para encher mais ou menos um copo generoso, que então foi tirada do frigorífico e acompanhou uma sanduíche de peru assado. Pareceu-me então mais doce, com xarope de groselha e rebuçados "floco de neve" e de alcaçuz. Ligeiro toque de oxidação.

Se a memória não me atraiçoa, quando o comprei, era vinho para cerca de vinte euros.

17

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Granja-Amareleja — Reserva '2013

E de repente vão quase cinco anos sobre a última vez que bebi um vinho destes. Como galopa o tempo! Assim, ainda que de causas naturais, a morte virá num instante.

Dizia eu, em 2013, a propósito do "Reserva" de 2011 linkado supra, que o produtor teria renovado a sua presença na web. Assim aconteceu: agora é inequívoco.

Na web e não só, que os vinhos da Cooperativa de Granja-Amareleja são praticamente omnipresentes nos super e hipermercados. Pelo menos naqueles onde vou. Mas vou a tantos e tão espalhados...

Os vinhos da Cooperativa de Granja-Amareleja são também daqueles que mais vezes vejo em promoção nesses supermercados, e com descontos mais significativos. Vinhos com suposto PVP de 9 ou 10€, vendidos por 3 ou 4€ em consequência de ofertas fantásticas.

Sim, que o fantástico acontece, mesmo no mundo das compras no supermercado. Por vezes, quem revende, ou quem trabalha para quem revende, troca marcas e modelos, ou comete erros de julgamento, nem que seja ao não considerar devidamente aquilo que a concorrência próxima está a pedir pelo mesmo artigo.

Mas, no mundo das compras no supermercado, o fantástico, que acontece, é também esporádico. Raro, mesmo. E certas promoções mirabolantes, se não são de carácter definitivo, andarão lá perto.

Perguntar-me-ão que poderá ter o produtor, e ainda mais este vinho em particular, a ver com isso. Não sei. Não me interessa. Associei ideias e o post foi surgindo ao sabor da pena — não, do teclado, enquanto espero que a carne descongele para ir preparar o almoço.

Mas o conteúdo desta eventual — eventual — fuga ao que deveria, ou poderia, se eu assim quisesse, ser o foco do post, que normalmente não passa de uma nota de prova, não deixa de ser pertinente. Ou verdade.

Quanto ao vinho que serviu de mote para outras coisas, cumpre afirmar, antes de tudo o mais, que gostei dele. Ainda não bebi um destes "Reserva" que achasse mau, ou até assim-assim. Gosto sempre. E é normal que goste sempre, que tanto o perfil como a qualidade global do produto me pareceram, também sempre, bastante consistentes, pese a esporadicidade com que os bebo.

Temos então um vinho tipicamente alentejano, maduro mas não quente nem chocho, com fruta preta, alguma transformação — tem 5 anos —, algum vegetal seco, um toque de cabedal, especiarias e, sobretudo quando a temperatura a que é bebido sobe, tabaco e café.

Bonito e bem proporcionado, mais comprido que amplo e saboroso dentro daquilo que poderia oferecer, está muito macio, mas ainda dotado de estrutura, ainda possuidor de espinha dorsal. Não brilha, de facto, mas também não defrauda as expectativas, que no caso dele nunca são baixas.

É um tinto que retém certa flama, flama no sentido de estar vivo, não no de arder, e que, numa idade "madura", ainda se come, ou melhor, bebe bem.

10€.

16

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Dom Rafel '2011

Muitos anos depois do último aqui abordado, uma actualização mega extemporânea àquele que inicialmente foi ideado com segundo vinho da Herdade do Mouchão, mas agora é apenas um entrada de gama, dado terem entretanto surgido referências de calibre superior.

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As castas são típicas do Alentejo: Aragonês, Trincadeira e, presente em maior quantidade que as demais, Alicante Bouschet. As uvas fizeram a fermentação alcoólica em lagar, após pisa a pé, para não esmagar as sementes, e o vinho fez a maloláctica e estagiou em grandes tonéis de carvalho português, de 5000 litros, e em barricas de carvalho francês, durante, "pelo menos", diz o produtor, um ano.

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Cor granada, escura. Traz consigo cerejas e frutos do bosque, framboesas, amoras, groselhas, todas a cair de maduras, meio cozidas pelo sol, mas sem por um momento sonegar a frescura. E mato seco, tabaco, café. . . Tem especiarias, mas não é um almofariz. Tem madeira, mas não cheira nem sabe a pau, ou côco, e mesmo a baunilha só muito timidamente dá um ar de sua graça.

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Poderá não passar da medianidade, ainda que uma medianidade avantajada, vá, em termos de longueur e volume. Poderá não ser super concentrado: só o bastante. E está completamente macio, sedoso mesmo, mas não dá qualquer sinal de estar prestes a cair. Pelo contrário: diria que ainda tem muito pela frente e que, bem guardado, poderá vir a resultar, daqui a muitos anos, numa curiosidade engraçada para os apreciadores de vinhos velhos. Enfim! É sóbrio, é fino, é sólido. É elegante. É um vinho de entrada que prova que os vinhos de entrada não são todos iguais — e os produtores também não.

8€.

16,5

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Plansel Selecta — Homenagem ao Thomas '2012

Monocasta Trincadeira, vinificado em lagar, com maceração, e estagiado 8 meses em carvalho francês. Tem 15% vol.

O produtor é a Quinta da Plansel, de Montemor-o-Novo.

Flores e muita ameixa preta, doce, com toque lácteo. Mais tarde, um pouco de tabaco.

Corpo e persistência médios+, com taninos maduros, boa acidez e álcool bem integrado.

Um vinho de recorte moderno, honesto e bastante temático, mas nem por isso complexo ou inspirador.

6€.

15,5

sábado, 8 de julho de 2017

Pouca Roupa '2016 (Rosé)

Declaradamente jovens, os vinhos "Pouca Roupa" situam-se entre o "Lóios" e o "Marquês de Borba" no portefólio dos vinhos João Portugal Ramos.

Este rosé alentejano foi feito com Aragonês, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon. Não passou por madeira.

Salmão clarinho, de aroma limpo, com ênfase nos frutos vermelhos — variações de morango — e corpo leve e fresco, talvez seja o vinho mais fácil de beber de que me consigo lembrar.

O paladar, alegre sem açúcar solto, tem boa entrada, quase nenhum "meio" e final agradável.

Mega simples, elegante na sua fugacidade e extremamente jovial, metido num balde de gelo, dará um grande vinho de praia ou piscina.

À minha mesa, protagonizou um encontro incomum: com estes "steamed eggs with peppermint".

Ovos! Phear! Mas correu bem: a acidez suficiente para cortar a riqueza "fofa", não gorda, do prato, os taninos a não aparecerem, o final a limpar a boca.

Foi enviado pelo produtor, que recomenda um PVP de 3,99€.

15,5

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Conventual — Reserva '2008

Lote de Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet, feito com maceração pós-fermentativa e estágio de 10 meses em barricas usadas de carvalho francês, pela Adega Coop. de Portalegre. Vinho mais intenso que volumoso, macio e aconchegante, mostrou boa fruta preta, alguma da qual já com sinais de transformação, especiarias e chocolate, este mais no fim de boca. Aparenta ter mantido o estilo do seu antecessor da colheita de 2006, já apreciado nestas páginas. Dei por ele pouco menos de 5€.

15

Portou-se bem quando emparelhado com costeleta do cachaço na brasa, e salsicha de porco e ervas, reboluda e bem curada, e pão com alho e azeite. Mas não se ficou por aí. De barriga cheia, deixei-me ficar a bebê-lo à frente do computador pela tarde dentro, de tal forma que boa parte dele acabou por ir sem outra companhia que não a de uns interessantes jogos de xadrez entre motores antigos. Se pudesse, passava assim o resto da vida!

domingo, 30 de maio de 2010

Terras do Suão — Reserva '2007

Alentejano da zona de Mourão, produzido pela Coop. Agrícola de Granja.

Sobre as castas que o compõem, respectivo processo de vinificação e tempo e natureza do estágio a que terá sido submetido, nem uma palavra.

Mais simples e menos concentrado que o esperado, a fazer lembrar, por esta ordem, frutos pretos bem maduros, com uma mão cheia de sugestões compotadas pelo meio, passas e ligeiras notas de especiarias, tosta, café e chocolate, num conjunto curto, de índole cálida, razoavelmente polido e equilibrado, mais que pronto a beber.

Aliás, perturbadoramente similar a este, não obstante os seis anos de diferença...

4€.

14,5

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Couteiro-Mor — Colheita Seleccionada '2008

Proveniente da zona de Montemor-o-Novo, este vinho foi feito a partir das castas Aragonês, Trincadeira e Castelão. Estagiaram-no durante 4 meses em barricas de carvalho francês.

O produtor tem presença na internet.

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Cor rubi, escura e concentrada. De porte e comprimento médios, é um vinho de razoável profundidade, cálido, maduro e untuoso, muito frutado e envolvente. Alentejano de perfil moderno, dá bastante prazer agora, embora se possa guardar alguns anos.

3,50€.

15

domingo, 23 de maio de 2010

Reguengos — Reserva '2007

Alentejano (DOC) da Coop. Agrícola de Reguengos de Monsaraz.

Feito a partir das castas Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet e Tinta Caiada. As uvas foram desengaçadas e fermentadas por acção de leveduras seleccionadas, a temperatura controlada, com curtimenta de 15 dias. Parte do vinho resultante estagiou em depósitos durante um a dois anos, tendo o restante passado 12 meses em barricas de carvalho português e francês.

Cor rubi. Ao mesmo tempo firme e macio, razoavelmente encorpado, surgiu-me mais fresco e objectivamente frutado que os precedentes '2005 e '2006. Fruta negra, madura, quase sumarenta, acompanhada de difusas notas de baunilha e outras especiarias. Madeira na conta certa: presente, mas não impositiva. Sugestões ensanguentadas no fim de boca, de comprimento suficiente.

Surpreendentemente bom.

4€.

16

terça-feira, 18 de maio de 2010

D'Avillez — Grande Escolha '2005

Alentejano de Portalegre, lote de Trincadeira, Aragonês e Alicante Bouschet, produzido na Herdade dos Muachos.

Do mesmo produtor, já por cá passaram este e este.

Intenso e taninoso, profundo na fruta, marcadamente maduro e amadeirado, mas portador de uma dose de frescura que não o deixa tornar-se chocho. Corpo e persistência razoáveis. Precisa de tempo de garrafa para se integrar.

10€.

15,5


E agora, porque me perturba a ideia de o texto não possuir volume suficiente para acompanhar as dimensões da fotografia, é impensável redimensionar o que quer que seja e também não tenho nada a acrescentar ao post, não me apetece estar a debitar "palha" sobre Jorge d'Avillez, o Alto Alentejo e decisões comerciais, vou limitar-me a repetir a frase com que comecei, mas desta vez em código hexadecimal, só para encher.

41 6c 65 6e 74 65 6a 61 6e 6f 20 64 65 20 50 6f 72 74 61 6c 65 67 72 65 2c 20 6c 6f 74 65 20 64 65 20 54 72 69 6e 63 61 64 65 69 72 61 2c 20 41 72 61 67 6f 6e ea 73 20 65 20 41 6c 69 63 61 6e 74 65 20 42 6f 75 73 63 68 65 74 2c 20 70 72 6f 64 75 7a 69 64 6f 20 6e 61 20 48 65 72 64 61 64 65 20 64 6f 73 20 4d 75 61 63 68 6f 73 2e

Pronto.

domingo, 8 de novembro de 2009

.com '2008

Corria o passado mês de Abril quando provei a edição de 2007 deste vinho de Tiago Cabaço. E gostei. Bastante. A fruta era franca, o corpo cheiinho e redondo, o sabor surgia agradavelmente pouco doce: para 3€ ou coisa que o valha, um mimo. Infelizmente, este '2008 não me pareceu tão bom. Não que divirja muito do da colheita anterior em peso ou volume, índole aromática ou sapidez — nada disso. O que mais o diferencia do seu antecessor, tanto quanto percebi, é que as notas vegetais, certamente do Cabernet Sauvignon, que naquele apareciam vincadas (embora bem integradas), neste como que vêm mascaradas, escusas sob flores e compota. E que diferença isso me faz! Para pior.

3€.

14

sábado, 7 de novembro de 2009

Dom Rafael '2007

Este é o vinho de entrada de gama da Herdade do Mouchão, feito a partir de Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet. Fermentado em lagares e estagiado em tonéis de carvalho, foi engarrafado um ano após a colheita.

Apesar de bastante frutado, com notas maduras de ameixa e bagas negras, barrica discreta e qualquer coisa de vegetal — a dado momento, por exemplo, fez-me lembrar rama de tomateiro; noutro, não muito depois, palha — aquilo que a meu ver mais o marcou na prova de nariz foi a quantidade de "álcool livre" que apresentou.

Na boca, de porte e comprimento medianos, rapidamente lhe percebi uma acidez considerável, tal como, novamente, o álcool um tanto impositivo. De mais, achei-o concentrado q.b., firme e um tanto austero, a amargar um pouco no final.

E, enfim, realmente é uma pena que de momento pareça algo desequilibrado... algo rústico... porque este pequeno Mouchão, apesar de bruto, consegue ser interessante, melhor que o do ano anterior. Dê-se-lhe tempo, que ele promete.

7€.

15,5


Empurrou um prato fácil e saboroso, que se fez assim: aqueceu-se um fundo de óleo numa panela baixa e larga e juntaram-se-lhe duas malaguetas frescas (cortadas em rodelas) e, pouco depois, 350g de alcatra picada, que se deixou dourar um pouco. Adicionou-se então molho de soja, salsa seca, alho em pó e meio caldo Knorr. Quando o dito se dissolveu, acrescentou-se cerca de 1dl de água, 4 tomates enlatados, alguns cogumelos e farinha de arroz, mexendo sempre até engrossar. Comeu-se com noodles.

E o conjunto funcionou, caiu bem, deixou-nos contentes.

Não sei que mais dizer.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Adega Cooperativa de Borba — Vinho Licoroso '2003

Este vinho licoroso foi obtido por adição de aguardente vínica ao mosto de uvas das variedades Roupeiro, Arinto, Perrum, Fernão Pires e Chardonnay. Brancas, portanto. Consta que sofreu um breve estágio em barricas de carvalho francês.

Só consigo qualificar como simples o aroma que revelou quando servido a 12ºC, em jeito de aperitivo. Simples, indefinidamente açucarado. Já na boca se mostrou mais expressivo, nítido nas notas de pêssego e alperce em compota. De mais, penso poder dizê-lo muito doce, gordo e macio, pouco ácido e razoavelmente longo, com sugestões de mel no final.

A 20ºC, temperatura recomendada para o seu consumo como vinho de sobremesa, o aroma surgiu mais pesado, mais denso, com o álcool (17,5%) a mostrar-se mais — e a trazer, naturalmente, outra profundidade à fruta. Na boca, em termos de estrutura, pareceu-me tal e qual aquilo que se mostrou a 12ºC. O aquecimento apenas dispersou a ilusão de frescor antes provocada pela baixa temperatura. E assim se revelou um vinho quente, não só na garganta mas também na boca, um tanto abafado, de índole mais melada que frutada.

Se me pareceu correcto e bem feito? Sim, sem dúvida. Se gostei? Nem por sombras.

Custou pouco mais de 5€.

15

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Chaminé '2008

Regional Alentejano da Casa Agrícola Cortes de Cima, lote de Syrah e Aragonês com uns pozinhos de Touriga Nacional, Trincadeira, Cabernet Sauvignon e Petit Verdot. Ficha técnica, aqui.

Ora bem... deste não tenho muito a dizer. É guloso e macio. Simples e equilibrado, muito redondinho, feito para ser fácil de beber. Porventura para ser bebido sem pensar. Predomina a fruta: negra, bem madura, docinha, com toques compotados. Também se lhe nota algo mais, ainda que indefinido: notas vegetais? Tostadas? Vegetais e tostadas?

O que for.

Posto isto, talvez só reste dizer que é curto e morno — parecidíssimo com o de 2007.

E como esse, não encanta, mas acaba por convencer. E às vezes apetece.

Custou cerca de 5€.

14,5

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

CARM (Branco) '2006

"When I find someone I respect writing about an edgy, nervous wine that dithered in the glass, I cringe. When I hear someone I don't respect talking about an austere, unforgiving wine, I turn a bit austere and unforgiving myself. When I come across stuff like that and remember about the figs and bananas, I want to snigger uneasily. You can call a wine red, and dry, and strong, and pleasant. After that, watch out."

Kingsley Amis — Everyday Drinking: The Distilled Kingsley Amis

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Da CARM (Douro Superior), foi elaborado a partir de uma mescla de castas tradicionais da região, provenientes de vinhas velhas, plantadas em altitude. Sem madeira.

Cor palha. Fresco o suficiente para a fase em que se encontra, com travo mineral. Também macio, com muitas sugestões amanteigadas e de frutos secos a envolverem as notas cítricas que antes predominavam. E que agora parecem estar, cada vez mais, a dar lugar a nuances de maçã e pêra, ameixa branca e marmelo. Nada mau.

7€.

15

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Quinta do Mouro '2004

Que me lembre, ainda não tinha aberto nada deste produtor «para» o blogue.

Aragonês (50%), Alicante Bouschet (25%), Touriga Nacional (20%) e Cabernet Sauvignon. Estagiou durante um ano em barricas de carvalho francês e português, metade das quais novas.

Escuro. Jovem; bouquet ainda por formar. Morno no ataque; a sua grande acidez demora um pouco a revelar-se. O que desde logo se nota é a excelente barrica, na conta certa, a complementar pujante ameixa negra, ligeiro balsâmico resinoso e ainda mais discretas notas de vegetal verde, pimenta e anis — (mais que apenas) um pouco a fazer lembrar certa garrafa de Alión '96. Amplo na boca, com os taninos a notarem-se firmes apesar de bem polidos, o álcool a surgir (quase) perfeitamente integrado e o final, longo e saboroso, tão interessante, repleto de notas de café.

Diferente ao terceiro dia de abertura: o profundo fruto negro agora acompanhado de caruma e alicorados, pimenta preta e chocolate. Muito sólido, muito fresco... tão elegante e persistente... grande vinho!

25€.

18,5

sábado, 17 de outubro de 2009

Portalegre '1999

Aragonês, Grand Noir, Castelão e Trincadeira. Garrafa nº 29622 de 42975 produzidas nesta colheita pela Adega Cooperativa de Portalegre.

Granada, escuro. Aroma intenso a frutos negros confeitados. . . também cristalizados (acima de tudo, ainda fruta!) e um bocado grande cheio de fenóis voláteis no princípio — Dekkera are u there? — Depois o futum a estrebaria esbateu-se sem desaparecer — Ok, Brett, sem dúvida. Ainda impressões amendoadas e a ligeiro ranço e queijo azul. Evoluído e complexo — gostei. Corpo cheio e macio, com bom peso e fluidez, sabor e acidez. Muito persistente.

Muito bom ao segundo dia. Este é um vinho cheio de vida, provavelmente ainda com alguns anos pela frente.

15€.

17


Abri esta garrafa meio a medo, depois de dela ter ouvido cobras e lagartos. Agora tudo se me afigura mais claro: na altura, tratava-se apenas de um jovem bruto. . . que o tempo ligou.

Amanhã, um alentejano ainda maior.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Altas Quintas «600» '2007

Trincadeira, Aragonês e Alicante Bouschet + um bocadinho de tempo e madeira. Mas essas são coisas que os interessados poderão ver com maior detalhe na ficha técnica que o produtor disponibiliza aqui.


Como ando sem paciência, mas já ali tenho uma boa vintena de garrafas publicáveis no saco que serve de antecâmara ao vidrão, vou transcrever a nota de prova deste vinho tal e qual a deixei no caderninho negro do álcool:

Cor rubi . . . intensidade moderada, a deixar adivinhar uma concentração conforme. . . aliás, confirmada. . . de cheiros e sabores a fruta negra bastante doce. . . também alguma compota. . . tem um lado especiado. . . curioso, a fazer lembrar raspa de limão e canela . . . quase límpido . . . mentolado às vezes . . . estrutura mediana . . . alguma leveza . . . ataque acetinado, final mais áspero. . . e algo curto.

Gostei mais dele ao segundo dia. Custou pouco menos de 5€. 15