Mostrar mensagens com a etiqueta Dão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Dão. Mostrar todas as mensagens

sábado, 5 de outubro de 2019

Breve passagem pela Feira do Vinho do Dão

A 28ª edição da Feira do Vinho do Dão teve lugar em Nelas, entre 6 e 8 de Setembro, e nós passámos lá na tarde do último dia, em desvio incluído num périplo "algo turístico" pelo centro-norte, que também contou com uma noite num festival de música electrónica chamado Insomnia, muito trance, muito buda dourado a expandir a consciência de não sei quem, talvez dos presentes, ou só de alguns, e algum speed, não posso dizer que muito, infelizmente, talvez, que foi o elemento que ajudou o evento musical a escapar. Isto em jeito de introdução a uma série de notas de prova, um mês depois de lá ter ido, publicadas agora para não acontecer como no ano passado, em que lá fomos e provei e falei tanto, e tanto apontei também, mas nada publiquei em tempo útil e o suporte informático dessas notas morreu, levando-as consigo.

A lista que se segue não é exaustiva e incide especialmente nos brancos. Isso acontece porque:

i. apesar de prova ser prova, com quantidades a corresponder, não andei por lá a cuspir vinho e, a dada altura, o cansaço começou a fazer-se notar: primeiro para apontar, depois até para beber;

ii. alguns dos expositores são sempre ocupados por grupinhos de "laretas", usualmente gente de meia idade e presumível seriedade, que faz questão de monopolizar os produtores ou os seus representantes com verdadeiras conversas de merda, de certeza que mais por atenção do que para aprender. Lembro-me de aguardar a minha vez para provar algo, já não sei em que barraquinha, mas de lá estar colado um senhor cheio de questões. Tantas, mas tantas, que, a dada altura, já iam, literalmente, na China. Digo, na penetração desse produtor no mercado chinês. E face a um simples "Para o Japão, já vendi umas caixas; agora, China, não. Mas está na China?" por parte do "entrevistado", o senhor em questão responde "não, nem nunca lá fui, mas..." e meio minuto depois estava a colar-se noutro expositor.

Dito isto, e sem mais delongas, por ordem de aquisição das notas, temos:

Quinta Mendes Pereira - Alfrocheiro Reserva '2012: O primeiro da tarde, apresentado por uma das pessoas mais simpáticas com que nos cruzámos no certame. Varietal e extraído q.b. Ginja e frutos pretos, licor, toque alcoólico, algo quente e capitoso. Grande e forte. Acredito que a 14 ºC e com algum tipo de companhia de trincar, digo, até um simples pão com chouriço, tivesse mostrado mais. 16

Quinta das Marias - Alfrocheiro '2016: Mais fresco e equilibrado que o precedente -- muito bem dimensionado, aliás -- mas sem "factor uau". 16,5

Aqui decido começar a experimentar brancos, na expectativa de, mais tarde, voltar aos tintos. Mais uma vez, estava em passeio, não tendo definido um método de ataque ao "problema"...

Quinta das Marias - Encruzado: Não apontei o ano: provavelmente, a edição de 2018. Encruzado sem madeira, jovem, vegetal e floral, de paladar seco e carnudo, muito característico. 16,5  

Quinta dos Carvalhais - Branco Reserva '2017: Flores, citrinos, baunilha. 1+1+1=3. Mas fresco e longo. Prazeroso. 17

Quinta dos Carvalhais - Encruzado '2018: Muito carácter varietal, mas menos finesse do que esperava. 16

Casa da Passarella - Villa Oliveira, Encruzado '2018: Mais preciso que o monocasta da Qta. dos Carvalhais, com a madeira a ligar muito, muito bem com os aromas da casta. Muito fresco, bastante longo. Até ver, o melhor. 18

Quinta da Fata - Encruzado '2018: Menos "punch" que o Villa Oliveira, menos substância também. Mesmo assim, grande equilíbrio e classe num vinho fresco e longo, todo ele bem ligado. 17

Valedivino - Branco Reserva '2012: Muito delicadamente floral, com toque de evolução e sugestões que juraria de barrica, apesar de por lá não ter passado. Firme e estruturado, um branco sólido. 16,5

Quinta do Escudial - Encruzado: Outro a que não apontei o ano. Ademais, a internet não sabe de monocastas Encruzado recentes da casa. De qualquer forma, deixou óptima impressão, que passo a transcrever: Talvez mais vegetal/floral, mais leve e alegre que a maioria dos outros varietais da casta provados até agora. Bem fresco, com ponta de austeridade na boca que cai bem. 17 

Quinta dos Roques - Encruzado '2017: Gordo, glicerinado -- 50% do lote passou por madeira -- mas em equilíbrio. Grande e bom, mas prefiro um estilo mais leve. 16,5

Julia Kemper - Vinhas Seleccionadas, Blanc de Noir '2018: Um branco de casta tinta, todo ele Touriga Nacional,  fermentado em bica aberta: saem as cascas e películas, o sumo da polpa fermenta sozinho. Tem a estrutura e a acidez de um TN jovem, e o nariz de um bom branco da região, daqueles sem madeira, repleto de flores brancas, a evoluir para fruta de polpa clara. Muito interessante. Comprámos uma garrafa para acompanhar o jantar. 16,5

Depois do jantar -- na representação que o restaurante Retiro das Laranjeiras tinha no local, muito bom --, ainda provei mais um ou outro, mas já não tirei notas. Excepção para o Quinta da Vegia - Superior: Não apontei o ano. 2013? Potente, complexo, equilibrado, cheio de sabor. Um vinho grande que também é um grande vinho. Mas que certamente pedirá tempo, paciência e um acompanhamento à altura, na mesa. 18

Em suma, um belo evento, a pedir uma visita mais atenta no ano que vem.

sábado, 31 de agosto de 2019

Quinta do Sobral - Touriga Nacional '2013

O monocasta Touriga Nacional da Quinta do Sobral, de Santar, produtor fundado em 1997 e que desde 2002 conta com adega própria. O seu predecessor de 2011 passou por aqui e deixou boa impressão.

Muito intenso e encorpado, negro e alcoólico, com um leque aromático floral e balsâmico, farto de barrica e especiarias, onde definitivamente não falta álcool. Tudo nele contribui para um mesmo retrato de madurez e extracção, que remete para coisas escuras.

Mas bom! Apesar do ímpeto com que nos aborda, da densidade, da concentração, da passagem abrutalhada de coisa grande que parece querer ser ainda maior, é bom! Tem persistência, profundidade, carácter. Apetece dizer que tem alma.

Ao fresco da noite, com uma feijoada riquíssima, esteve super bem.

10€

16,5

domingo, 25 de agosto de 2019

Quinta de Cabriz - Touriga Nacional '2014

Touriga Nacional polido e concentrado, firme nos frutos pretos e notas florais, mas também bastante marcado por tostados de barrica. De taninos maduros e dimensões equilibradas, como que "médio+ em tudo", amplitude e persistência incluídos, não desmerece, mas também não marca. É ainda daqueles vinhos que mais frequentemente vejo de preço "esmagado" nas feiras e acções promocionais do género que a distribuição, em especial as grandes superfícies, promovem de tempos a tempos. Não, o preço normal dele, por garrafa, não é de 23000€ e agora, só agora, com a promoção espectacular deles, é que se consegue tirar a 6,50 ou 7€. 7/8€ é o seu preço normal, a mais de 8€ já é caro. Caveat emptor!

Acompanhou um prato simples, caseirinho, cortesia da S e que me deixou tão bem impressionado que apontei para aqui registar. Sem medidas, tudo a gosto. Refogou-se cebola. Juntou-se-lhe cenoura e courgette em fatias finas e, tendo os vegetais atingido o devido ponto de desenvolvimento, removeram-se para uma taça. Na mesma frigideira, usou-se uma grande e pesada frigideira de cerâmica, mas suponho que podia ser qualquer outra coisa baixa e larga, sem lavar, dourou-se pá de porco, picada no talho, com salsa, alho, sal, sambal oelek e pimiento choricero. Tendo a carne adquirido alguma cor, juntou-se polpa de tomate, que calhou ser daquela já vendida com manjericão, e um pouco de cerveja. Por fim, farinha de arroz para ajudar a engrossar. Estando tudo bem ligado e espesso q.b., juntou-se à taça dos vegetais. Entretanto cozeu-se e escorreu-se esparguete, que se colocou numa travessa funda, com a mistura supra por cima e, por fim, um generoso topping constituído por uma boa camada de mozzarella, primeiro, e outra de parmesão. Foi ao forno até o queijo derreter e ter corado qualquer coisa.

7€

16

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Adega Cooperativa de Vila Nova de Tazém - Reserva Branco "Edição Limitada" '2014

Adquirido há cerca de um ano atrás, entre festivais de electrónica, este é um branco relativamente incomum. Graficamente, tem tudo a ver com a edição especial dos sessenta anos da adega (1954-2014), da colheita de 2013. No contra-rótulo, o produtor afirma que "cepas antigas de várias castas permitiram fazer este vinho seguindo uma vinificação natural com estágio prolongado em garrafa". No meu caso, provavelmente, mais de quatro anos. Das 2000 garrafas produzidas, abri a nº 685.

A cor, um amarelo nem claro nem escuro, é a típica de um vinho de meia idade, nem velho nem novo. O nariz mostrou-se fechado e assim permaneceu enquanto a garrafa ia sendo vertida ao longo de uma calma refeição de carapau assado, batatas cozidas, brócolos ao vapor -- eu também preferia bróculos -- e, claro, bom azeite. Fruta bastante, indefinida mas pouco tropical. Algum vegetal, alguma transformação, idade.

E embora aquilo que mostrou no nariz não se possa considerar mau, insuficiente ou, sequer, anticlimático, acho que esteve melhor na boca, muito fresco, de paladar seco e firme, macio mas só muito ligeiramente untuoso, com bom volume e persistência. Em suma, um branco que, tendo atingido a maturidade, permanece muito bem apresentado e poderá justificar guarda adicional.

8€.

16,5

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Quinta da Bica - Vinhas Velhas '2011

A Quinta da Bica fica, poderá dizer-se, no chamado "Dão serrano", entre Arrifana e Santa Comba de Seia, não muito longe, para nascente, da Quinta do Escudial, e na direcção oposta, de MOB - Moreira, Olazabal & Borges.

Do mesmo produtor, falei aqui de um "Colheita" de 2005 e de um "clássico em estilo moderno" a que chamaram "Radix", de 2008, ambos consumidos em 2013 e que deixaram vontade de mais.

Diz o contra-rótulo deste espécime que a quinta "... está na nossa família desde o século XVII e desde então, se produz vinho aqui. A qualidade e singularidade dos vinhos da quinta, desde sempre reconhecidas, constituíram um forte estímulo para a criação da Região Demarcada do Dão em 1908, em que teve papel activo João Sacadura Botte, nosso trisavô". Refre ainda tratar-se de um "conjunto de castas autóctones, destacando-se Touriga nacional, Baga, Alvarelhão, Jaen e Rufete", de produção limitada aos anos considerados excepcionais e que "só entra no mercado após 5 anos de estágio".

A fruta, que comanda, é silvestre, escura, indiferenciada, qual tutti fruti de bagas, com toque terroso e certa rusticidade de montanha. Discreto nas especiarias e ainda mais na barrica, é um vinho fresco e extremamente palatável, cheio de firmeza e substância, mas também de leveza e fluidez. Sabe a autêntico e original -- um novo favorito do produtor.

Custou menos de 10€ e, para o preço, pelo que é e pelo que representa, está super bem.

17

domingo, 7 de julho de 2019

Quinta de Cabriz - Reserva '2012

Aberto no mesmo fim de tarde/princípio de noite que o anterior, em jeito de comparativo, este é outro produto do Dão e da Global Wines, mas proveniente de Carregal do Sal, um pouco mais a sul. Também ele um lote de Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz, com nove meses de estágio em barrica, passou mais ou menos meia hora a tomar ar, dentro de um decantador, antes de ser levado para a mesa.

Vinho de cor escura e brilhante, mostrou, à semelhança do Santar, uma mistura, bem ligada, de frutos negros, terrosos, e barrica. E se o perfil da fruta podia ser mais diferente, provavelmente face à presença marcante da Touriga, aqui mais floral, mostrou-se a madeira bastante diferente, a incidir muito mais em fumados e abaunilhados, num retrato, para mim, mas se calhar só para mim, menos fino que o do outro.

Em todo o caso, está também ele um vinho adulto, com pele, especiarias e chocolate, bem dimensionado e bastante senhor de si -- não sendo um escaparate de substância, exibe, sem pudor, a que tem. Tal como o Santar, estará no seu melhor, não valendo a pena guardá-lo mais tempo, a menos que por curiosidade, que também é uma boa forma de nos candidatarmos a surpresas.

7€.

16

Casa de Santar - Reserva '2012

As vinhas deste produtor, que integra o universo Global Wines, ladeiam a N231, entre Santar e Vilar Seco. Foi feito com Touriga Nacional (julgo que predominantemente), Alfrocheiro e Tinta Roriz; li algures que passou nove meses em barrica antes de ser engarrafado. Deixámo-lo arejar mais de meia hora antes de ser servido.

De cor escura e brilhante, trouxe consigo o conjunto de fruta escura e madeira perfumada que tem vindo a pautar os Santar "Reserva" tintos ao longo das suas diferentes edições dos últimos anos. A fruta, savory, de doçura guardada e toque terroso, a fazer lembrar amora, groselha e outros que tais, conduz o conjunto. Apesar da idade, este vinho retém o perfil que tinha em novo, mas mais maduro, mais coeso, possivelmente tanto quanto poderá vir a estar no seu tempo de vida, as arestas na estrutura e acidez limadas pelo tempo. Chocolate, café, tabaco, menta e aquela tão característica barrica, tudo contribui para um leque de impressões que, não sendo extremamente amplo ou profundo, é equilibrado e, pelo menos para mim, francamente prazeroso.

O Casa de Santar "Reserva" é um vinho de perfil bem definido e ao encontro do qual se tem ido, com  as inevitáveis diferenças que a natureza vai ditando, de ano para ano. No entanto, mantendo-se a terra, os homens que o fazem e aquilo que eles querem face aos homens que o compram, essas diferenças têm-se revelado pequenas. E ainda bem, porque este é um vinho que, desde que o conheci, se tem mostrado uma aposta segura, não só pela sua qualidade objectiva, que é elevada, como pela minha predilecção pessoal por certas coisas que me mostra.

12€.

17

sábado, 15 de junho de 2019

Quinta da Tapada do Barro - Reserva '2011

Este foi comprado há três ou quatro anos atrás, num Intermarché da região. Nessa altura, lembro-me de que houve um relativo, quiçá pequeno, quiçá momentâneo, hype em redor dos vinhos deste pequeno (?) produtor de Vila Nova de Tazém. Entretanto afastei-me das lides do meio e não sei, sinceramente, em que pé estão essas coisas. Não obstante, tratava-se de um "Reserva" do Dão e já o cá tinha em casa. E 2011 foi um grande, grande ano.

O contra-rótulo identifica o produtor, refere Touriga Nacional, Alfrocheiro e Jaen, e recomenda a maridagem com caça, borrego e queijos de pasta mole. Depois, visitando o site do produtor, encontrei a referência a um "Reserva" da quinta, engarrafado em 2011, constituído por 20% de Jaen, 40% de Alfrocheiro e 40% Touriga Nacional, com 14 meses de estágio em barricas de carvalho francês e com uma janela de consumo ideal até 2023-2025. Korra!

Entretanto tinha-o aberto. E as notas do momento apontaram para fruta "do Dão", fresca, com sumarentas bagas do bosque e generosa porção de doce de marmelo, daquele escuro, e morangos, permeada pelo floral da Touriga e especiarias doces. Fala o caderninho negro do álcool (sim: após tantos anos, já é outro, mas do mesmo tipo e com o mesmo carinhoso nome: autismo) de um vinho muito macio, cremoso mesmo, com barrica perfumada e uma pontinha de café no final.

Pelo compromisso entre finesse e firmeza -- não vou compará-lo com a gaja que ainda está boa aos 40, pois não?

17

E 17 nesta escala são, "raffly", 89-90 na da Wine Advocate: empatando, portanto, com uma data de recentes propostas de entrada de alguns dos maiores produtores cá do burgo. Não. Não, foda-se, não. Mas isso são outros quinhentos.

Já não sei quanto custou, mas apostaria que menos de 10€.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Quinta da Pellada '2007

Este pareceu-me, coisa curiosa, mais evoluído em termos de cor e cheiro que no sabor.

A cor, a atijolar.

O nariz, por entre alcaçuz e mato, cedro, fumo e especiarias doces, tabaco e sei lá que mais, ainda detecta fruta, talvez cereja, escura, muito escura.

Mas, na boca, permanece firme e preciso, apesar de entregue a fruta macia, com toque já cálido. Tem porte, mas também fineza. Não é um monólito nem está a morrer. Surpreendente.

Talvez por associação de ideias, sabendo muito bem o que estava a beber, trouxe-me à memória o Álvaro de Castro "Reserva". Mas maior e melhor.

Consiste numa mistura do "field blend" da vinha velha da Pellada com Touriga Nacional e Tinta Roriz.

A propriedade que dá o nome a este vinho é o maior tesouro do produtor. Situada na zona de Pinhanços, num cabeço a NW da linha oblíqua do sopé da Estrela, a uma altitude máxima de 545 metros. As suas primeiras referências remontam à década de 1570.

Quando estava à venda, era vinho para cerca de 30€.

17,5

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Casa Américo '2014

Da Seacampo, Soc. Agrícola, Lda., de Vila Nova de Tazém. As uvas, Tinta Roriz, Touriga Nacional e Jaen de vinhas com idades entre 15 e 40 anos. Fermentou em lagares de inox e foi engarrafado sem passar por barrica.

Cor escura e razoavelmente opaca. Fruta e mais fruta, tendencialmente negra, algum corpo, alguma potência, alguma profundidade. Algo quente, apesar de "apenas" ter 13% de teor alcoólico.

Em suma: correcto para lá de qualquer dúvida, mas também (me pareceu) estranhamente comum, desinteressante . . . melhor em inglês: unremarkable.

Em entrevista ao "Mundo Português", publicada em Abril de 2016, a responsável pelo marketing da casa resumia a sua história nos seguintes termos:

"Este projecto foi iniciado pelo senhor Américo Seabra que emigrou, há muitos anos atrás, com os seus seis filhos, para a América. Há cerca de 20 anos, depois de estarem todos bem estabelecidos, com as suas empresas e empregos, resolveu regressar à terra, porque nunca tinha perdido o amor e a vontade de fazer vinho na sua terra natal. Então começou o projecto. Comprou uma quinta com 15 hectares e enviou os primeiros vinhos para os Estados Unidos. Entretanto, em virtude do seu falecimento, não conseguiu dar continuidade ao seu sonho. Então, os seus seis filhos resolveram juntar-se e dar continuidade ao sonho do pai.

Um dos filhos, o senhor Albano Seabra veio para a região e comprou uma propriedade muito antiga, do século XVIII. Reconstruiu a propriedade e começou a adquirir mais vinha. Como há muitas pessoas nesta zona que têm vinhas, são produtores, mas que não vinificam, precisam de algum sítio onde entregar as uvas. Ao saberem que o senhor Albano tinha uma adega acabada de construir, vieram cá oferecer as propriedades. Ele começou a aceitar e, pouco a pouco, já tem 100 hectares de vinha (…)"

5€.

14,5

domingo, 19 de novembro de 2017

Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão '1994

O produtor é o Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão,  situado na Quinta da Cale, em Nelas, parte da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Centro, um serviço do Ministério da Agricultura.

.

Provado logo depois de aberto e após várias horas de arejamento, este tinto confirmou tudo o que já tinha lido por aí a respeito dos seus congéneres — as opiniões são unânimes.

.

Tourigão escuro e robusto, de sabor denso e prolongado, acidez firme e taninos quase contundentes, é um vinho para muito longa guarda, que abri cedo de mais. Que não iluda o comentário sucinto: ele é, a todos os títulos, impressionante.

.

Acompanhou tolma (ou dolma) georgiana, de pimento vermelho, assim, lombo de porco assado, temperado com alho, vinho branco e pimiento choricero, entre outros, e um chocolate  peculiar, engraçado, escuro mas não muito, com pistácios, da Palmeira.

.

Uma vez houve na Garrafeira Nacional, a 40€ a unidade, se a memória não me falha. E eu comprei.

18,5

sábado, 21 de outubro de 2017

Druida '2015

Feito por C2O na Quinta da Turquide, em Silgueiros, é um monocasta Encruzado de vinhas com 30 anos, estagiado durante dez meses em barricas, 80% usadas, de carvalho francês.

.

Cor clarinha, citrina. Malmequeres, limonado, sílex, pederneira. Intenso e cristalino, quase crocante. Muito limpo, muito fresco, sem o peso ou a oleosidade que tantas vezes marcam os vinhos da casta. Leve, de final longo e bom.

.

A garrafa foi sendo drenada à medida que eu ia comendo nigiris, mas, quando um vinho é assim, o acompanhamento pouco importa, a menos que seja escolhido a dedo, para prejudicar. E fazê-lo seria estúpido.

18€.

18

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Pedra d'Orca — Reserva '2013

De volume e comprimento medianos, este vinho trouxe consigo frutos silvestres, mais vermelhos que pretos, amparados por boa acidez, 13,5% de álcool bem integrado e alguma rugosidade tânica.

Gostei mais do seu predecessor de 2011, bebido recentemente — este precisará de tempo para limar as arestas. Em todo o caso, é um tinto honesto, com boa relação qualidade/preço.

5€.

15

P.S.

Impressões curtas, estilo desapaixonado? O facto de estar a publicar coisas assim um mês depois de as ter experimentado?

A escrita mais seca do que quando pensava andar deprimido? Uma falta de interesse por tudo que teima em colar-se, mau grado a vontade?

Ou uma desonesta falta de vontade de combater essa falta de interesse? A incapacidade de sentir prazer, aconteça o que acontecer?

Que se regozijem os meus detractores, isto anda uma merda.

Mas eu, teimoso, para já, permaneço.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Pedra d'Orca — Reserva '2011

Jaen, Touriga Nacional e Tinta Roriz. Rubi intenso. Frutos do bosque agradavelmente almiscarados constituem o cerne de um tinto de elegância simples, com boa acidez e estrutura razoável, muito amigo da mesa.

Até ver, dos vinhos da Adega Cooperativa de Vila Nova de Tazém, foi este o que mais me agradou.

A anta da Pedra da Orca é um dólmen que se presume datado do final do Neolítico, situado em Rio Torto, concelho de Gouveia, junto ao quilómetro 103 da EN 17.

5€.

16

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Outono de Santar '2011

O vinho é 100% Encruzado, botritizado, estagiado 12 meses em carvalho francês; o produtor dispensa apresentações.

Servido a 12ºC. Leve e doce, etéreo sem ser alcoólico, trouxe consigo cheiros de frutos secos, tangerina e maçã, pastelaria, mel e melaços, musgo e humidade.

Muito fino, possui uma complexidade vaga, fácil de entender até chegar a altura de a explicar ao próximo.

Apesar da relativa falta de força e frescura, é bonito e merece ser conhecido.

A "Revista de Vinhos" considerou o seu sucessor de 2012 mais interessante.

9€.

16

sábado, 29 de julho de 2017

Morgado de Silgueiros — Encruzado '2015

Monocasta Encruzado da Adega de Silgueiros.

Fermentou durante 14 dias nas barricas de carvalho francês onde depois estagiou, dois meses, sur lie, com bâtonnage.

No nariz, citrinos em tons de verde carregado.

Na boca, frescura suficiente e leve amargor que remete o paladar a raspa de laranja amarga e limão.

É um vinho denso, encorpado, apesar de isso se reflectir mais no seu peso que em untuosidade.

Persistência mediana, com ligeira salinidade no final.

O tempo no copo trouxe-lhe um fundo de anis e talvez alcaçuz.

5€.

15

domingo, 25 de novembro de 2012

UDACA — Touriga Nacional '2008

Monocasta Touriga Nacional, será o topo de gama da UDACA. As uvas, de cepas implantadas em solos graníticos, fermentaram a temperatura controlada, tendo o vinho daí resultante sido apurado em barricas de carvalho Allier Fino, Americano e Russo, durante um ano. O produtor faz questão de referir que o vinho ainda estagiou mais seis meses em garrafa antes de ser lançado no mercado, mas isso, agora, já não conta muito.

Bom aroma, rico em fruta doce e bonita, ainda com toque sumarento, não obstante certa dose de transformação verificada. Algum licor, especiaria discreta. Na boca é gordinho e alegre, com a fruta a fluir fixe, a mostrar-se sem reservas. O final, médio/longo. Apesar do equilíbrio desde já mostrado, a sua acidez e estrutura levam a crer que virá a ser, provavelmente, mais interessante no futuro, pelo menos para mim.

Acompanhou um substancial Stoofvlees — esta receita é apenas uma possibilidade — feito com alcatra e Leffe Brune, e acompanhado de batatas fritas, que não tinha outro remédio senão brilhar. Ora, Stoofvlees foi o predecessor da evolução que se verificou da versão 2.5 para 2.7 de um dos meus motores de xadrez favoritos, Deep Sjeng. Para os curiosos, a este respeito, isto poderá ter o seu interesse. Mas, mais uma vez, para os curiosos, tudo tem interesse.

8€.

16

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Quinta do Mondego '2006

Lote de Alfrocheiro, Jaen, Tinta Roriz e Touriga Nacional, foi fermentado em inox e estagiado em barricas usadas de carvalho francês.

O produtor tem um projecto de blog.

Arejou durante mais ou menos uma hora antes de ser servido a 18ºC.

Cor rubi. Boa barrica, bem integrada. No entanto, é a fruta, a fazer lembrar ameixas e cerejas e os respectivos caroços, com notas de compota e licor, que dá forma a um todo de porte mediano e recorte moderno, fresco, globalmente equilibrado e bastante amigo da mesa, que apenas peca pela ligeira rusticidade que lhe é transmitida pela presença de um ou outro tanino rebelde.

6€.

15

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Duque de Viseu (Branco) '2007

É o branco «corrente» da Quinta dos Carvalhais, feito a partir de uvas das castas Bical, Encruzado, Cercial e Malvasia Fina, vinificadas em estreme. A maior parte do lote final estagiou durante 4 meses em inox; o remanescente, em barricas de carvalho. Ficha técnica, aqui. Flores, citrinos e frutos de polpa branca. Ligeiro tropical, depois. Corpo entre o delgado e o mediano, a tender para a macieza e dotado de uma acidez apenas suficiente. Correcto, mas...

4€.

14

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Casa de Santar — Reserva '2005

Proveniente da Casa de Santar, este tinto foi elaborado a partir de uvas das castas Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz. Estagiou em barricas novas de carvalho francês durante aproximadamente um ano antes de ser lançado no mercado.

Bagas silvestres vermelhas maduras e belas notas de barrica compõem-lhe o nariz. Tão apetecível. Mas sério, provavelmente por pouca doçura mostrar.

Na boca mostra-se fino e fresco, de entrada macia e porte mediano, os taninos já integrados. De resto, sabe ao que cheira, sempre com uma contenção que cai bem.

Gostei muito.

10€.

16,5


P.S.

(extra-thema)

Muito obrigado AF e MJ, o artigo ficou bem catita!; estranho não ver mais ninguém comentar...