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sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Maritávora - Reserva Nº4 '2011

A Quinta de Maritávora fica ao km 88 da EN 221, à beira de Freixo de Espada à Cinta. O produtor remonta à segunda metade do séc. XIX, quando José Junqueiro Júnior, pai do poeta Guerra Junqueiro, adquiriu um conjunto de propriedades na região, muitas das quais percmanecem na família. O estilo é tradicional, mas voltado para a modernidade. Os vinhos são da autoria de Jorge Serôdio Borges.

Este, feito, de acordo com o contra-rótulo, com Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca e outras, provenientes de vinhas com idades compreendidas entre 15 e 50 anos, fermentou em lagares de pedra, com pisa a pé, e estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês. Mais uma vez, recorde-se que 2011 foi um grande ano.

Escuro e concentrado, mostrou densidade, 15% de álcool e alguma opulência. No entanto, a fruta é super sólida e a barrica funciona, pelo que, em vez de pastoso, resulta envolvente, fácil de beber e não enjoa.

É claramente um vinho da sua terra, mas dos finos, dos bem cuidados. Ainda por cima, nesta fase, todo ele está em harmonia. Provavelmente, no auge. Valerá a pena guardar?

17€

17,5

sábado, 28 de setembro de 2019

Duorum '2018 (Branco)

Enviaram-me o mais recente branco do projecto duriense de João Portugal Ramos e José Maria Soares Franco. Duorum tem como base a Quinta de Castelo Melhor, situada ao km 216 da EN 222, entre V.N. de Foz Côa e Almendra: uma grande propriedade, construída de raiz, por junção de muitos pedaços de terra inculta, adquiridos para a constituir, que desce dos altos até ao rio. Segundo o produtor, as vinhas de onde proveio a matéria-prima para este branco, Rabigato, Gouveio, Arinto e Códega do Larinho, encontram-se a cota elevada, 400-500 metros sobre o rio. Indica ainda a respectiva ficha técnica que um terço do lote fermentou em barrica.

A prova mostrou um vinho de dimensões a apontar ao "médio +", com basta frescura e, acima de tudo, excelente equilíbrio. Longo e substancial, a revolver em volta de florais e frutos de caroço, mostrou-se sempre sóbrio, mas também interessante, como a querer remeter aquele que dele fala para palavras que podem ser difíceis: contido, elegante... e pior, mineral. Uma proposta realmente sólida de um produtor, para mim, ainda meio por explorar, e também mais um Douro branco que me pareceu "saber mais do que cheira". Será esta recorrência casual, advirá da procura meio inconsciente de um perfil ou serão as sensações que me fazem acreditar nela mero resultado de um chavão que "colou"? Sim: as coisas ditas, lidas, sugeridas, cheiram e sabem que se fartam. Como quando Frédéric Brochet pintou um branco de tinto e o deu a provar a 54 estudantes de enologia de Bordéus. O resto é história. Enfim, terei de experimentar algo declaradamente diferente para tirar as teimas.

PVP recomendado, 12,49€

17

sábado, 21 de setembro de 2019

Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo - Reserva "Terroir Blend" '2015

A propriedade fica na margem direita do Douro, à beira rio, pouco depois do Pinhão. Diante dela, mas do outro lado, ergue-se a Quinta do Pôpa. Apesar de o produtor ser recente, não falta tradição vinícola àquela terra e àquelas gentes. Ademais, o projecto surgiu, logo à partida, com dinheiro e ambição, o que é uma grande ajuda a que este tipo de coisas avance depressa e bem, como se tem vindo a verificar. Para além da produção de vinho, a quinta explora a vertente turística.

Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinto Cão e Tinta Roriz. fermentou em cuba de inox e estagiou, meio ano, em madeira. Nariz bastante intenso, de ataque franco, com cerejas e frutos silvestres, muito maduros, mato seco e um químico/balsâmico peculiar, que para mim, já foi sinónimo de Douro e de tourigas, especialmente da francesa, mas que cada vez conoto mais com álcool. O paladar é fino, mas ao mesmo tempo vigoroso, seco, terroso e texturado, com acidez suficiente. O fim de boca convence sem admirar. Um vinho prazeroso, ainda com espaço para crescer. Apesar de não se destacar do "montão" de bons vinhos do Douro que existem entre os 10 e os 20€, é um bom vinho, que vale a pena conhecer.

15€

16,5

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

D. Graça - Samarrinho '2015

Da Vinilourenço. É, nas palavras do produtor, "um vinho para reabilitar uma grande casta antiga do Douro, em vias de extinção". Não passou por madeira. Dele se encheram 733 garrafas, não numeradas, em Maio de 2016.

O aroma é suave (o descritor favorito do noob, heh) e delicado. Uma língua viperina di-lo-ia pouco expressivo. Cheira a vinho branco: talvez com uma pontinha cítrica, talvez com fruta branca, certamente que com uma ou outra flor, da mesma cor.

Na boca, pareceu melhor. O produtor diz que "sabe mais do que cheira" e sinto-me inclinado a concordar. Tem bom volume, boa persistência, alguma acidez, a suficiente se for mantido refrescado, o sabor que esperaríamos corresponder ao das flores brancas, sem o amargor das ditas, e, acima de tudo, bastante substância, bastante vida, uma vida difícil de dizer, mas que não é só querer e que o mantém interessante, tanto a solo como com pratos leves -- nós bebemo-lo só com amêndoas, amêndoas com uma pontinha de sal, lá no wine bar. Às vezes lá rola uma torrada e a salada de bacalhau deles também não é má, mas, normalmente, o vinho é branco, para a gaja também beber, e amêndoas. E é bom. E foi bom. E talvez pudesse encaixar um prato simples de camarão ou vieiras, mas coelho, como o produtor sugere, não sei.

A casta, que algumas fontes, como João Paulo Martins, no seu guia "Vinhos de Portugal", mas sem consenso, dizem corresponder à espanhola Budelho, já marcava presença no Douro, consta, no início do século XVI, sendo que ainda é presença frequente, apesar de esparsa, em alguns encepamentos mais antigos, em field blend, e tem vindo a verificar um certo ressurgimento, através de edições monovarietais limitadas, de tiragem reduzida -- que eu saiba, para além desta, existe também uma da Real Cª Velha. A ver o que o futuro lhe traz.

Se a memória não me atraiçoa, custou 17€, ou um pouco menos, no Nobre, Vinhos e Tal, que é um sítio espectacular para quem gosta de vinho, com uma excelente garrafeira a óptimos preços e que visitamos sempre que a nossa volta passa na Guarda ou perto.

16

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Lacrau - Old Vines '2014

Mais uma das garrafas que tinha guardadas há anos e que recentemente presumi encontrarem-se num bom momento para o abate, esta é uma das propostas de referência da Secret Spot Wines. As uvas, indica o produtor, provêm de várias pequenas parcelas de vinhas muito velhas, em "field blend", localizadas em diversos pontos da região demarcada, sendo a vinificação feita na adega da empresa, poucos quilómetros a sul de Favaios.

E não me enganei: não só aparenta estar num bom momento para ser bebeido, como arriscaria não haver proveito em deixá-lo evoluir mais, mercê do sucesso da actual ligação da barrica, em expressão suave, a fazer lembrar madeiras aromáticas e especiarias, com um sumo que, por mais voltas que dê à memória, e tanto mais quantas mais dou, só consigo descrever como típico das vinhas velhas da região: denso, profundo, um pouco morno também, com flores e frutos pretos, esteva e mato seco, e ainda algo de solvente/químico aromático.

Gordo e envolvente, de acidez moderada, tem textura e sabor agradáveis e termina razoavelmente longo. Pelo seu perfil, poderá ser desafiante nesta altura do ano. Para um jantar mais substancial, de carne vermelha ou caça, ao ar condicionado ou no frescor da noite, se o houver.

16€.

17

sábado, 31 de março de 2018

Lavradores de Feitoria — Três Bagos, Reserva '2013

Criada no ano 2000, a Lavradores de Feitoria, é uma espécie de cooperativa que resultou da união de 15 proprietários de quintas distribuídas pelo Douro, repartidas pelas suas três sub-regiões. Este foi o primeiro "Três Bagos Reserva" lançado no mercado, ligeiro upgrade face ao que talvez fosse o vinho-bandeira da casa, e levou 90 pontos da Wine Spectator logo no primeiro ano em que saiu para o mercado. Começava a desenhar-se uma tendência!

Na sua elaboração, foram utilizadas uvas das castas Tinta Roriz, Touriga Nacional e Touriga Franca, provenientes de cepas moderadamente velhas, com mais de 30 anos. Metade do lote final estagiou em inox e a outra metade em madeira, durante onze meses: desse, metade evoluiu em barricas de carvalho francês, novas, e o restante em barricas de segundo ano.

A caminho dos cinco anos de idade — não é segredo que existem pressões económicas, de mercado, que levam os vinicultores a ter certa pressa em lançar os seus vinhos, bem como a fazê-lo todos os anos, e que o comprador, caso se limite a comprar e consumir as novidades, dificilmente vai apanhar tintos no ponto — pareceu-me num muito bom momento, talvez o melhor a que possa almejar no decorrer da sua vida.

Robusto, apesar de não propriamente "full bodied", encontrei-o firme e cheio de sabor. Sem explodir, mostrou boa fruta vermelha, junto com o toque campestre, de mato baixo, que com um pouco de boa vontade conseguiremos reduzir a "esteva", típico do Douro, com toque de baunilha e fumado, em jeito de tempero. O paladar, seco, apresentou boa acidez e taninos arredondados — lendo o que outros escreveram ao prová-lo mais novo, sou levado a crer que por efeito do tempo em garrafa. Com a oxigenação advinda do passar do tempo no copo, especiarias e um ligeiro vincar das marcas da permanência em madeira. Final razoável, a dar para o longo. Bom!

9€.

16

quarta-feira, 28 de março de 2018

Tons de Duorum '2016

Duorum, projecto cujo nome é um termo latino que significa "de dois" e ao mesmo tempo remete por similaridade a "Douro", surgiu em Janeiro de 2007, a partir da vontade de dois reconhecidos enólogos nacionais, João Portugal Ramos e José Maria Soares Franco, de desenvolver uma parceria vinícola exclusivamente dedicada ao Douro.

Este vinho, tinto de entrada da casa, consiste num lote composto por 50% de Touriga Franca, 30% de Touriga Nacional e 20% de Tinta Roriz, de cepas implantadas em terreno xistoso, a cerca de 400 metros de altitude, na Quinta de Castelo Melhor, propriedade localizada à beira da espectacular EN 222, pouco antes da cortada para a localidade que lhe empresta o nome, quando se segue no sentido de V.N. de Foz Côa para Almendra. O mosto, de uvas desengaçadas, sofre uma maceração a frio antes de fermentar em cubas de inox, sendo parte do produto final estagiado, seis meses, em barricas de carvalho francês de segundo e terceiro ano.

Provado, não me pareceu diferir muito dos seus predecessores, que, apesar de aqui nunca terem sido comentados, já me vieram parar à mesa umas quantas vezes: aromas e sabores limpos e jovens, de projecção mediana, mas suficiente face ao corpo do líquido, é um vinho simples, com especial incidência na fruta silvestre, mais vermelha que preta, completada por um toque floral típico, certamente trazido ao conjunto pelas Tourigas, e um tempero de barrica que se revela sob a forma de muito ligeiro abaunilhado. Macio e equilibrado (acidez mediana, 13% de teor alcoólico), está pronto a beber e não será expectável que dure muitos anos.

Nestes vinhos de grande tiragem, é desejável a definição de um perfil que vá de encontro às expectativas do público-alvo, e que se consiga manter esse perfil, traço comum e característico, que cimenta a imagem de uma marca ao longo do tempo, não obstante as diferenças entre edições que, ditadas pela natureza, acabam por reforçar o carácter do produto enquanto coisa única. Afinal é vinho, não refrigerante gaseificado com sabor a noz-de-cola. Muitas vezes, encontrar esse perfil "para manter" pode demorar tempo, o que aparentemente não aconteceu aqui. Provavelmente, tendo em conta o produto final, ainda bem.

A garrafa foi enviada pelo produtor, que recomenda um PVP de 4,49€.

15,5

quinta-feira, 22 de março de 2018

Cistus '2014

Com o seu último representante a ser um exemplar da colheita de 2007, aqui partilhado em Agosto de 2010, convenhamos que os "colheita" da Quinta do Vale da Perdiz, de Torre de Moncorvo, têm sido vinhos muito mais bebidos que falados por estas bandas. O que não lhes faz jus, dado que constituem propostas de excelente qualidade para o preço que custam — tendencialmente simples, mas que oferecem sempre "algo mais" que apenas a correcção esperada.

Este tinto, que caminha para os quatro anos de idade, continua sem evidenciar sinais de cansaço, muito pelo contrário. Em primeiro plano, fruta, silvestre, misturada e por conseguinte indefinida, mas atraente, boa, tendencialmente negra, mau grado algum toque de acidez "vermelha" que o nariz teimasse em apontar, e com ela, mato e barrica, mais que simples "overtones", por vezes a quererem sugerir camadas.

A acidez, mais vincada que o habitual nos tintos do Douro da sua gama de preços, e a estrutura bem definida, com taninos ainda vivos, confirmaram a ideia de vinho robusto, capaz de aguentar mais uns anos em garrafa. Fim de boca médio +.

Acompanhou entrecosto grelhado e pão: coisas simples.

4€.

15,5


segunda-feira, 19 de março de 2018

Evel '2014

Feito com fruta das vinhas localizadas nas quintas das Carvalhas, dos Aciprestes e do Cidrô, localizadas no Pinhão, vale do Tua e S. João da Pesqueira, respectivamente, é uma das propostas de entrada de gama da Real Cª Velha, que representa, também, uma das mais antigas e reconhecidas marcas de vinho portuguesas, registada em 1913. A título de curiosidade, o nome "Evel" não tem significado para além daquele que resulta da leitura do seu anagrama, leve, a fazer alusão a uma das características organolépticas que o produtor sempre pretendeu que definisse o seu estilo.

Bastante concentrado e elegante, revela substância, estrutura e um frescor que não me lembro de encontrar nas suas edições anteriores que experimentei. Tem boa fruta, tendencialmente vermelha, ameixa e cereja amarga, especiarias com toque apimentado, ligeiro verdor e, com o passar do tempo no copo, tabaco e chocolate. Termina médio/longo. Não me pareceu desmerecer os 90 pontos que levou da Wine Spectator e, para o preço, está extraordinário.

Tornou-se relativamente comum encontrar vinhos classificados com 90 ou mais pontos por publicações de referência, a menos de 5€ por garrafa, nas prateleiras dos supermercados. E é interessante como, se em alguns casos, essa classificação, por "excessiva", parece recurso de marketing, noutros aparenta servir como uma luva ao que está dentro da garrafa. A isto não será alheia a evolução, expectável, das práticas enológicas... e isto, se calhar, vai obrigar-nos, a nós que brincamos aos opinion makers e aos opinion makers que brincam às provas, a redifinir a bitola. Não digo que, à imagem do que tem vindo a acontecer com o Elo no xadrez, exista inflacção no rating: prefiro acreditar no aumento da qualidade. Gostos à parte, não digo que um "90" de há uma dúzia de anos atrás fosse necessariamente melhor que um "90" de agora: espero, simplesmente, que caminhemos para novos "100", com tudo o que possa vir atrás.

4€.

16,5

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Quinta do Infantado — Reserva '2008

tanto tempo que aqui não comentava nenhum vinho da Quinta do Infantado! Não me afastei deles: simplesmente, hoje em dia há tanta diversidade de oferta, tantas novidades, tantas propostas de outras paragens, que um indivíduo acaba sempre por deixar algo para trás e esse algo costuma ser, mais frequentemente do que devia, concedo, os seus clássicos pessoais, aqueles que sempre estiveram e nunca enganaram.

Este "reserva" é o topo de gama do produtor no que concerne a tintos secos. Foi vinificado em lagar, com pisa a pé, e estagiou, 14 meses, em cuba e barricas de carvalho. Abri a garrafa nº 3824 de 8799 (e 212 magnum) que se encheram a 20 e 21 de Maio de 2010.

Vinho de enorme estrutura e concentração, mostrou-se também muito fluido, muito elegante, fresco e bem proporcionado, coisa que não é trivial num Douro deste porte e idade! Rico em fruta, negra, bem definida, e perfumado com notas de café e seu licor, tostados, pimentas e outras especiarias, é complexo, interessante, bonito.

Talvez por ter sido consumido de uma vez, levou-me a uma frase antiga: "fechou-se para fora, mas derramou-se para dentro".

Acompanhou pintada assada.

27€.

18

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Quinta Vale d'Aldeia '2013

Em jeito telegráfico: Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca; estagiou 14 meses em carvalho francês.

Foi abatido no restaurante do Cró Hotel & Termal Spa, com uns bifinhos de lombo de porco, puré de abóbora e já não sei que mais.

Apesar dos seus 14,5% de álcool e da comida nem por isso substancial, pareceu-me muito fragrante, muito generoso na fruta, com notas limpas de cereja a destacarem-se de uma mélange de frutos pretos que lhe constituía o miolo.

Sólido, bem dimensionado, não é um monstro de madeira e concentração como o "Grande Reserva" da mesma casa que nos trouxeram por engano antes dele :P . . . é um vinho simpático, alegre, que se bebe muito bem.

Não conhecia o produtor, que é da região da Mêda, mas depois de confrontado com tão sólido esforço, terei de explorar mais.

Nota positiva, também, para a RQP brutal a que aparece no restaurante do hotel que, no entanto, peca pela falta de escolha — só este produtor?

8,50€.

16

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Cistus — Reserva '2013

35% Tinta Roriz, 35% Touriga Nacional e 30% Touriga Franca de cepas com média de idades de 25 anos, implantadas nas encostas do rio Sabor, este tinto da Quinta do Vale da Perdiz estagiou durante 14 meses em barricas de carvalho francês e americano.

Da colheita de 2013 resultaram 14001 garrafas que se encheram em Março de 2017.

Escuro, denso e encorpado.

No nariz, figo, ameixa e outros frutos negros, químico e floral típico das tourigas, especiarias doces, algum vago ensanguentado. Maduro. As marcas da madeira onde estagiou aparecem, mas não carregadas.

Na boca, ataque assertivo, com alguma calidez — 14,5% de álcool — e estrutura jovem, mas desenvolta o suficiente para que o abate imediato não se possa considerar antes do tempo. O sabor é bastante persistente e, mau grado as sugestões de redondez a que os compotados ajudam, seco.

O seu predecessor da colheita de 2011 foi aqui comentado.

PVP recomendado, 9,99€.

16,5

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Flor das Tecedeiras '2013

A propriedade fica na margem esquerda do Douro, ao lado da Quinta de Roriz e de frente para a Romaneira. Antiga, foi pertença do condado de S. Pedro das Águias, habitada por freiras que se dedicavam à tecelagem do linho que lá era cultivado. Mais tarde, em época indeterminada (tanto quanto sei), mas muito anterior ao surto de filoxera da segunda metade do século XIX, começou a produzir vinho.

A história recente da marca é breve: em 2000, o proprietário da quinta chegou a acordo com a Dão Sul para um arrendamento de longa duração que englobava vinhas e adega. O então enólogo e sócio da Dão Sul, Carlos Lucas, desenvolveu a marca e os vinhos, que rapidamente obtiveram reconhecimento q.b. — e eu adorava-os.

Mas, em 2011, saiu da empresa, em ruptura com o principal accionista, Joaquim Coimbra (fonte), e não houve Tecedeiras em 2012. Em 2013, a Lima & Smith comprou à Dão Sul / Global Wines a marca e o direito de exploração das vinhas, e este foi o primeiro vinho a sair de lá após a mudança de gestão.

Vinho básico da casa, consiste num lote tipicamente duriense de tourigas Nacional e Franca e tintas Roriz, Barroca e Amarela, implantadas a baixa altitude, entre os 90 e os 190 metros, com exposição a Norte. Não passou por madeira.

Popped & poured, mostrou-se um peso-médio cheio de energia, cheio de frutos silvestres, com toque floral, doce, e vagamente lácteo. Relativamente simples, mas cativante. Macio, fresco e num ponto de evolução que estará próximo do ideal, termina razoavelmente longo.

Agora há que experimentar os "Reserva"!

9€.

16,5

domingo, 10 de dezembro de 2017

Roseira '2010

Há muito que por aqui não assentava nada da Quinta do Infantado, de Gontelho, Chanceleiros — que no mapa, fica aqui.

Segundo o contra-rótulo, foi vinificado em lagar e estagiou em cuba e 14 meses em barricas de carvalho. Abri a garrafa nº 2734 de 4816 (mais 198 magnum) enchidas a 7 de Setembro de 2012.

Aproximadamente uma hora depois de aberto, mostrou-se um tinto de força e volume "médios mais" que trouxe consigo fruta madura, escura — para não dizer negra, especiarias quentes e doces, como alcaçuz e baunilha, e fumados, tostados, enfim, barrica. Com o tempo, surgiram caramelo e cacau.

Sério na boca, de paladar seco, pareceu-me pender para a calidez (tem 14% de álcool) e ter ainda um ou outro tanino  mais duro. Persistência OK.

Enfim, um bom vinho, agradável, gastronómico, ainda com alguma margem de progressão, mas que, para mim, não mostrou aquele "wow factor" — impressionabilidade?! — que separa os grandes dos outros.

Foi com "Meatballs Languedoc" feitas no slow cooker conforme a receita do livro de Diane Phillips, "The Mediterranean Slow Cooker Cookbook":

Numa frigideira, refogam-se cubinhos de bacon em azeite, até ficarem estaladiços. Descarta-se o azeite dessa fritura, excepto uma colher de sopa, onde se refoga uma cebola, picada, até amolecer, junto com 6 estigmas de açafrão, esmagados, e uma pitada de paprika. Adicionam-se 480 ml de caldo de galinha e deixa-se levantar fervura, raspando qualquer pedaço que se possa ter pegado ao fundo. Deita-se o conteúdo da frigideira no slow cooker, adicionam-se duas latas de 800 g de tomate, com o respectivo sumo, e deixa-se cozinhar na posição "high" enquanto se preparam as almôndegas.

Num recipiente grande, misturam-se 455 g de carne de porco, picada (usei pá) com 225 g de carne de vaca, também picada (usei cachaço), 4 dentes de alho, esmagados, sal e pimenta preta. Adiciona-se um ovo, ligeiramente batido, para ligar a mistura e fazem-se bolinhas com aproximadamente 2,5 cm de diâmetro, que se juntam ao slow cooker. Deixa-se cozinhar em "high" durante 3 horas ou "low" durante 5/6 horas (optei pela segunda; sempre que posso, cozinho em "low"), descarta-se o eventual excesso de gordura que se possa ter formado no molho e serve-se, polvilhado de salsa, com massa, batata ou polenta.

15€.

16

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Quinta de la Rosa — Reserva '2013 (Branco)

Gosto dos brancos "reserva" da Quinta de la Rosa com alguns anos — envelhecem bem. O último a ser aqui comentado foi da colheita de 2012, abatido em Setembro de 2016.

Em relação a esse, a composição deste 2013 mudou: a quantidade de Viosinho subiu dos 35 para os 60%, sendo o restante uma mistura de Rabigato, Gouveio e Códega do Larinho em proporções que o rótulo não menciona.

Tal como o seu predecessor, metade dele fermentou e envelheceu em barricas e o restante, em inox. Foi engarrafado em Abril de 2014.

Bebido fresco, primeiro sozinho, em jeito de prova, depois a acompanhar salada de bacalhau cozido a vapor, trouxe consigo flores e ameixa, brancas, pêssego pouco maduro e barrica, granito e humidade, tudo envolvido por um véu de casca de limão. Mais que fruta, sobressaíram os amanteigados, especiarias e cremes da madeira por onde passou.

Considerando que estamos no final de 2017, muito ligeira a evolução evidenciada por esta garrafa. E que engraçado quando um vinho me faz lembrar água da chuva a correr sobre granito (não é inédito).

Na boca, longo e delicado, com bom compromisso entre frescor e redondez. Muito bom.

10€.

17,5

domingo, 15 de outubro de 2017

Warre's — Quinta da Cavadinha, Vintage '1996

Propriedade da Symington desde 1980, a Quinta da Cavadinha fica no Cima Corgo, entre o Pinhão e Sabrosa, perto de Provesende. Os seus vinhos são integrados nos Vintage da marca Warre's quando estes são declarados e, em anos secundários, engarrafados como "single quinta".

Este foi engarrafado em 1998.

Tem porte mediano (para Vintage) e frutos pretos, terrosos, com vivacidade, passas, folha de tabaco, chocolate preto e espinafre! — e muito me agradou esse seu tom verdoengo.

Evoluído, com bom corpo e persistência.

Mas isto foi logo depois de aberto. Com o tempo, mais foco e certo carácter mineral, a sugestão — sugestão, mais que impressão, mesmo: poderá ser? — de xisto e giz por entre camadas de frutos negros.

Já passou a fase burra e jamais será glorioso, mas está muito bom!

Foi com bolo de noz e chocolate em barra.

30€.

17,5

domingo, 24 de setembro de 2017

Quinta do Vallado — Reserva '2010

Do contra-rótulo: "Este vinho é proveniente de vinhas velhas, com mais de 80 anos. Foi engarrafado após um estágio de 17 meses em meias pipas de carvalho francês".

Fruta e especiarias — ameixa, cereja, bagas, esteva, flores, químico, terra, chocolate, pele, café e podia continuar, mas estaria a repetir-me, a ser cansativo.

Enfim, um conjunto muito típico do Douro. Concentrado, cheio de puf, mas elegante também.

Como aquelas gajas grandes que não são trambolhos; não me ocorre melhor imagem.

E como tantas delas, mais que palatável, interessante. Mas sem conseguir plenamente o passo seguinte: excitar.

30€.

17

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Vale do Lacrau — Sauvignon Blanc '2014

Vinho de mesa, consta que do Douro. Do produtor, que não o menciona no seu sítio da internet, já por aqui passou este tinto.

12,5% de teor alcoólico; não aparenta ter passado por madeira.

Cheiro fiel à casta, com mais flores que verde.

Também algumas coisas menos usuais, mas não estranhas: toranja, carambola, espargo.

Peso entre o ligeiro e o mediano, ainda bom "punch" de acidez, final curto/médio, com travo ligeiramente amargo.

Pequeno e de 2014, mas ainda porreiro.

5€.

15

sábado, 9 de setembro de 2017

Montes Ermos — Códega do Larinho '2015

Montes Ermos é uma marca da Adega Cooperativa de Freixo de Espada à Cinta e este o seu monocasta de Códega do Larinho.

O nome evoca a Capela de Nossa Senhora dos Montes Ermos, sita no cume do Monte de S. Brás, mais conhecido por Cabecinho, um pouco a Norte da localidade.

Unoaked. Simples, mas limpo e extremamente fresco. Com quase dois anos, traz citrinos com toque de maracujá, flores brancas, mineral indistinto.

Seco e acídulo, pode não ser muito "grande": muito amplo, denso ou persistente, mas carácter é coisa que não lhe falta e ele não se acanha na hora de o mostrar . . .

. . . desde que se lhe mantenha a temperatura baixa. Porque com o calor ele tropicaliza-se e perde acutilância e interesse também.

6€.

16

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Quinta da Pacheca "Superior" '2015 (Branco)

Produzido a partir das castas Gouveio, Viosinho e Fernão Pires, este vinho fermentou em barricas novas de carvalho francês. O produtor dispensa apresentações, mas não poderá fazer mal ligar-lhe.

As notas tomadas no momento em que o bebi são sumárias, mas, parece-me, pelo menos num plano pessoal, extremamente esclarecedoras:

"Citrinos, flores etc. Mas para além do habitual, nuances mentoladas no nariz, a dada altura sobre intenso fundo de figo seco.

Junto com uma salada temperada com maionese de abacate e limão, sobressaiu-lhe a parte verde e apareceu maracujá.

Sóbrio, é um branco bem mineral, com fim de boca "salgadinho". Fino, composto, com classe. Final médio+."

Apesar de estar a escrever sobre ele mais de três semanas depois de o ter bebido, e que três semanas foram, em todos os aspectos!, a "chave" que as notas supra constituem permitiu-me traçar-lhe o retrato, imediata e limpidamente, quase como se o estivesse a beber outra vez.

Conseguisse realizar assim tudo o que quero . . .

8€.

16,5