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sábado, 7 de setembro de 2019

Quinta do Cardo - Caladoc '2015

A Caladoc é uma casta tinta, cruzamento de Grenache e Malbec, criada em 1958 pelo botânico Paul Truel, responsável pelo surgimento de mais de uma dúzia de novas castas (como a Marselan, cruzamento de Grenache e Cabernet Sauvignon), no Domaine de Vassal, em Montpellier, lugar da colecção ampelográfica do Instituto Nacional de Investigação Agronómica (INRA) francês.

Este monocasta provém de uma parcela experimental, com 2 ha, da Quinta do Cardo, nas imediações de Figueira de Castelo Rodrigo. O produtor informa que "as uvas foram colhidas e seleccionadas à mão, transportadas para a adega onde foram prensadas inteiras durante 3 horas. Iniciou fermentação com temperatura controlada, o ultimo terço terminou em barricas de carvalho francês e estagiou durante 10 meses, com "batonnage" regular. Foram produzidas 2 176 garrafas".

Cor salmão, esmaecida, e aromas e sabores delicados, agradáveis nas notas florais, de frutos vermelhos e de vegetal seco, mas, por um lado, com certa falta de "punch", e por outro, com demasiada madeira. Pensei, inicialmente, que esta falta de brilho se pudesse dever à idade, mau grado não apresentar (por enquanto) grandes sinais de decadência, mas, pesquisando a internet sobre que tal o acharam outras pessoas, encontrei basta quantidade de impressões, a vasta maioria delas de quando saiu para o mercado, nos idos de 2017, que conferiam neste ponto. O que faz sentido, dado pretender-se um rosé de perfil delicado: sendo o teor fenólico da casta considerável, presumo que a extracção tenha tido de ser suave. E para enriquecer a ruivita delgada, pau. Mas a dose deixou marcas.

Tl;dr: é uma curiosidade engraçada, mas não mais que isso; deverá ter sido um pouco melhor em novo; vai morrer com a madeira; se ainda tiver alguma garrafa em casa, beba-a já.

17€

15

domingo, 19 de agosto de 2018

Adega 23

Quem segue pela A23, de Vila Velha de Ródão para norte, reparará que, a uns 10 km de Castelo Branco, mais coisa menos coisa, corta uma extensão de vinhas de tamanho considerável, pelo menos tendo em conta a zona, algo improvável para a produção de vinho.



Trata-se da Adega 23, projecto da médica oftalmologista Manuela Carmona, com enologia de Rui Reguinga -- e a menos falada, mas não menos merecedora enóloga residente, que se chama Débora Mendes.


Os 12 ha de vinhas da propriedade foram plantados sobre xisto, entre 2014 e 2015, num lugar onde "não havia nada", excepto as ruínas de um edifício que, mau grado a ideia inicial de nele basear a estrutura da nova adega, se revelaram impossíveis de aproveitar, o que ditou a sua demolição. O edifício da adega, construído no mesmo lugar, é arquitectonicamente interessante, não só pela estética apelativa como pela sua grande funcionalidade.


Chegámos, falámos um pouco, assistimos a uma apresentação, que não lamento, sobre o vinho e o projecto, acompanhada de espumante Soalheiro, bruto, de Alvarinho, muito vivo e fresco, com boa bolha, fina e persistente, e notas de maçã e fermentos, demos uma breve volta pela adega e depois subimos para a prova propriamente dita, conduzida pela proprietária e a enóloga residente.


Para além dos vinhos da casa, houve Intensus tinto, meh, Poeira, sempre óptimo, sou fã, e dois Porto da Graham's a acompanhar as sobremesas: LBV e tawny 10 anos.


Foi um princípio de tarde muito bem passado, que me deixou curioso por experimentar o tinto da casa, que ainda não saiu. Acabo com umas breves impressões dos vinhos do produtor, escrevinhadas no telemóvel, "in loco" e enquanto tentava socializar: ou seja, com a naturalidade de quem se coça, temperada pela inevitável pontinha de pavor advinda de "estarem pessoas".


Branco '2017
Verdelho, Arinto, Viognier e Síria. Unoaked. Muito mais citrino que herbáceo, com limão doce e sua casca. Fresco, untuoso e bastante delicado, de persistência média/longa. Um vinho assim, na torreira das Sarnadas de Ródão? Notável. 16,5/20

Branco '2017 não engarrafado/comercializado
Uma curiosidade não comercializada. Feito das mesmas uvas que o branco da casa, mas aproveitando mais do que apenas o mosto lágrima, tem o perfil do branco engarrafado, mas menor delicadeza e uma ponta de amargor, a fazer lembrar caroços de prunóideas, no fim de boca -- pela prensagem adicional que abriu algumas das grainhas, contaram. Na minha humilde opinião, que vale o que vale, podia ter dado um segundo vinho bem decente. 15,5/20

Rosé '2017
Aragonês e Rufete, sem madeira. O facto de ser muito leve e fresco não o impede de irradiar substância. Os aromas são cativantes, com os frutos silvestres aliados a flores e um travo mineral, ligeiramente salino, que faz a diferença. Extremamente cativante e fácil de beber, foi dos melhores rosés que me lembro de ter experimentado e a S achou o mesmo. 17/20.

sábado, 27 de janeiro de 2018

Lapa dos Reis — Espumante Bruto, Pinot Noir, Rosé

Este espumante rosé, bruto, sem data de colheita, foi preparado por Maria Luísa D. Lapa dos Santos Reis, de Podentes, perto de Penela, a partir de uvas Pinot Noir, de cepas implantadas em socalcos de barro vermelho e cinzento, comum na região, e colocado no mercado após 24 meses em garrafa.

Cor salmão. Simples e fresco, trouxe consigo fruta verde, talvez maçã granny smith, e um toque de frutos vermelhos, cereja e algo mais, discreto e indefinido q.b. Definitivamente, não lhe consegui apanhar a expressividade tropical e citrina de que fala o contra-rótulo.

Na boca é seco e tem alguma vida, com acidez refrescante e um caudal regular de bolhas finas, mas nem muito compactas nem muito numerosas, que atingem a superfície do líquido sem formar uma coroa fofa ou persistente. Aliás, que atingem a superfície quase sem formar coroa alguma. Sem grande presença ou persistência — meh.

Um espumante que, "dentro do pouco", tem o seu equilíbrio. Mas não se peça a um Fiat 500 que dê 250 Km/h.

4€.

14

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Marquês de Marialva — Espumante Bruto, Baga, Rosé

Produto de ataque da Adega Cooperativa de Cantanhede, é um espumante rosé, bruto, sem data de colheita.

O contra-rótulo di-lo preparado segundo o método clássico, exclusivamente com base na casta Baga.

Aroma discreto, com frutos vermelhos e fermentos. De bolha viva e mousse fugaz, é relativamente curto e magro, mas enquanto está, está bem.

Bebemo-lo na varanda; retenho a S a derreter nele algodão doce, azul.

Sobre nós, sol frio e as trajectórias divergentes de dois jactos, cornos de um caracol grande como deus no céu.

4€.

15

sábado, 8 de julho de 2017

Pouca Roupa '2016 (Rosé)

Declaradamente jovens, os vinhos "Pouca Roupa" situam-se entre o "Lóios" e o "Marquês de Borba" no portefólio dos vinhos João Portugal Ramos.

Este rosé alentejano foi feito com Aragonês, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon. Não passou por madeira.

Salmão clarinho, de aroma limpo, com ênfase nos frutos vermelhos — variações de morango — e corpo leve e fresco, talvez seja o vinho mais fácil de beber de que me consigo lembrar.

O paladar, alegre sem açúcar solto, tem boa entrada, quase nenhum "meio" e final agradável.

Mega simples, elegante na sua fugacidade e extremamente jovial, metido num balde de gelo, dará um grande vinho de praia ou piscina.

À minha mesa, protagonizou um encontro incomum: com estes "steamed eggs with peppermint".

Ovos! Phear! Mas correu bem: a acidez suficiente para cortar a riqueza "fofa", não gorda, do prato, os taninos a não aparecerem, o final a limpar a boca.

Foi enviado pelo produtor, que recomenda um PVP de 3,99€.

15,5