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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Adega de Pegões — Aragonês '2008

Outro Pegões varietal consumido nos últimos dias. Tal como o do post anterior, fermentou em cubas-lagar, a temperatura controlada, tendo depois permanecido mais algum tempo em contacto com os sólidos. O estágio que antecedeu o engarrafamento, dizem, foi feito em pipas de carvalho americano e francês, durante oito meses. Servido a 16ºC, foi bebido sozinho, com codornizes salteadas e com queijo Camembert. Intenso e carnudo, mais que o Syrah '09, mostrou frutos pretos bem maduros, sobretudo ameixa, especiarias e tosta doce. Enfim, os aromas da casta no perfil a que já nos habituaram os varietais da casa. Tão vago, eu sei, e não consigo detalhar melhor. Sabem, aquilo a que chamei "sopa de Pegões" quando publiquei as notas tomadas sobre o seu predecessor de 2005? Não sabem, nem têm porque saber. As especiarias, indefinidas. Meu deus. Quando um vinho não mostra algo que, pelo menos na altura, nos parece, de caras, x ou y, a coisa complica-se. Que se lixe. Aos eventuais interessados, mais alegre e redondo que o Syrah '09, terá sido, aliás, dos mais generosos varietais da Coop. de Pegões que me lembro de ter provado. Não me surpreende que tenha ligado melhor com as codornizes que com o Camembert, que pede coisas mais leves, vinho branco. E sozinho, não maçou.

5€.

16

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Fontanário de Pegões (Branco) '2009

Volto a escrever sobre vinho e desde já deixo a ressalva: não tomem a estas palavras um peso que não lhes quero dar. Porque, como costuma dizer certa pessoa que muito estimo, a respeito do seu espaço: orgulhosamente amador — ao que eu, a respeito deste, sem qualquer problema acrescento: e descomprometido também.

Quanto ao vinho, trata-se de um branco de Palmela, produzido pela Coop. de Sto. Isidro de Pegões. Maioritariamente Fernão Pires, (chamam-lhe Maria Gomes na Bairrada), não terá passado por madeira.

Nota de prova? Serei breve: nariz floral e vegetal, muito levezinho e indefinido; tem boca fresca, com travo adocicado; é curto e relativamente plano, com falta de acidez.

Gostei mais do Adega de Pegões branco normal — embora aqui não seja de negligenciar a possibilidade de oito meses em garrafa terem feito diferença.

É branco para peixe cozido, talvez, sei lá.

2€.

13,5

sábado, 25 de julho de 2009

Adega de Pegões — Cabernet Sauvignon '2006

«Localizada em Pegões velhos, sul de Portugal, a cooperativa agrícola de Santo Isidro de Pegões, produz e engarrafa vinhos de qualidade desde 1958 data da sua fundação. Elaborado com base na casta Cabernet Sauvignon, produzida por vinhas perfeitamente identificadas em solos arenosos, as uvas são colhidas em miados de Setembro, quando a maturação fenólica é atingida.
Vinificado em cubas-lagar de Inox com maceração pelicular prolongada, seguido de estágio de 6 meses em meias pipas de carvalho, resultou um vinho denso, macio, aveludado, com aromas típicos da casta, que se pode consumir desde já ou guardar por mais alguns anos.
Acompanha bem pratos de carne, queijos e pratos de peixe bem cozinhados.»

Diz o rótulo, que é bonito e está recheado de informação interessante... e até podia ser porreiro, bastava uma ligeira revisão. Nada de profundo... maiúsculas/minúsculas, pontuação e o miau (minhau, meow, meao) do gato.

A versão em inglês também tem que se lhe diga, mas (curiosamente?) menos. Lá irei, se me lembrar, quando chegar a hora de introduzir mais algum vinho da casa e não me ocorrer nada mais... útil (talvez, e cenas, ou isso).

Basicamente, caro leitor, estive a dar-lhe «palha».

Perdão... perdão. . . e sem mais delongas, falemos do sumo:

Intenso, ainda pejado de sinais de juventude, mostrou cor rubi carregado, frutos negros maduros e notas vegetais aciduladas — beringela, rama de tomateiro — temperadas por especiarias (indefinidas) e ligeiras sugestões tostadas. Corpo mediano, suficiente para envolver os taninos (maduros q.b.); acidez vincada; álcool decentemente integrado. Bom final. Dos muitos varietais do produtor que por aqui têm sido consumidos, foi (talvez) o que até à data encontrei mais potente. 6€. 15,5

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Adega de Pegões — Aragonês '2005

Varietal Aragonês da Cooperativa Agrícola de Santo Isidro de Pegões. Estagiou durante 6 meses em pipas de carvalho francês e americano. O nariz mais uma vez se mostrou aquilo a que já vou chamando "sopa de Pegões". Enfim, pouco diferentes entre si — salvo raras excepções — pelo menos dentro da mesma colheita, há alturas em que estes vinhos parecem mais fiéis ao conjunto {solar + processo de elaboração} que às castas em que se baseiam. Mas, se vêm do mesmo sítio e, a acreditar nos contra-rótulos, os respectivos processos de elaboração pouco diferem, deveriam as diferenças impostas pela casta ser sempre dramáticas? Talvez não. Menos floral e porventura mais quente e especiado que o Trincadeira, menos denso e achocolatado que o Syrah do mesmo ano. Ameixa e cassis, ecos de chá, açúcar mascavado e baunilha em conjunto maduro, redondo, macio, de acidez considerável e taninos firmes. Bastante longo, terminou rico em notas especiadas. Diria que está no ponto.

6€.

15,5

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Adega de Pegões — Cinquentenário '2008

Este tinto foi criado com o objectivo de celebrar os 50 anos da Cooperativa Agrícola de Santo Isidro de Pegões, constituída por Alvará de 7 de Março de 1958, assente em terras anteriormente doadas (em 1937) por José Rovisco Pais aos Hospitais Civis de Lisboa. Hoje em dia, o produtor é dos mais consistentes de Portugal, tanto no volume de vinho produzido como na sua relação qualidade-preço.

Feito a partir de Syrah, Castelão, Cabernet Sauvignon e Trincadeira, estagiou, um ano, em meias pipas de carvalho.

Denso e intenso, mostrou predominância de fruta escura, como amora silvestre, ameixa e groselha negra, com o carácter de basta madurez — e alguma compota — que costuma marcar os bons tintos das areias de Palmela. Com ela, tostados e fumados de barrica . . . nem vincados nem discretos . . . enfim, em retrato comum — é esta muito imprecisa terminologia a que me parece melhor descrever o que me mostrou. Algumas especiarias, algum vegetal . . . Embora presente, muito vago o toque melado do Castelão.

Na boca, volume e estrutura. Digo: não sendo um monstro, pareceu-me pesar qualquer coisa. O paladar, seco. A acidez, mediana, vá, suficiente, com os taninos a surgirem já redondos. Persistiu bastante longamente, com um pós-gosto que trouxe consigo notas de café e chocolate.

É um bom vinho, sem dúvida, mas não está a anos-luz do "Colheita Seleccionada", digamos, comum, da casa, e custou quase três vezes mais.

Acompanhou um misto de naquitos de vaca e porco, salteados em óleo de sésamo e azeite, acompanhados de courgette grelhada e quinoa com agaricus frescos, shiitake maduro, orelha-de-judas reidratada e pimento vermelho. À sobremesa, por via das dúvidas, veio uma tábua de queijos com a qual a sua prestação não me fez voltar atrás no anteriormente dito.

12€.

16

terça-feira, 17 de maio de 2016

Adega de Pegões — Colheita Seleccionada '2011

Ano após ano, estes vinhos da Cooperativa de Sto. Isidro de Pegões têm vindo a apresentar grande consistência, tanto de perfil como de qualidade. E apesar de o branco ser mais falado que o tinto, este não lhe fica atrás.

À semelhança dos seus antecessores, consiste num lote de Touriga Nacional, Trincadeira, Cabernet Sauvignon e Syrah, de cepas implantadas em solos arenosos. Estagiou durante um ano em meias-pipas de carvalho americano e francês.

De persistência e volume medianos, tem intensidade q.b. e alguma complexidade aromática, com tons florais, vegetais "verdes" e de barrica a temperar a fruta silvestre, parcialmente transformada, como se misturada na cobertura de um cheesecake, que predomina. Não obstante o equilíbrio que o pauta, é um vinho guloso, com mais e mais achocolatados à medida que vai abrindo.

Na boca, confirma o perfil consensual, fácil, com redondez. Mas não é flácido e ainda possui frescor suficiente para se manter interessante à mesa com ampla variedade de possíveis acompanhamentos.

Apesar de ser um vinho que tem vindo a marcar presença cá em casa, com relativa assiduidade, o último exemplar sobre o qual aqui deixei umas impressões foi da (também excelente) colheita de 2007, consumido em fevereiro de 2011.

5€.

16,5

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Adega de Pegões — Syrah '2009

Hm. Podia pôr-me a dizer que embora vinho de cooperativa ainda sugira bebida plebeia, produzida por e para o povo, com mais ênfase na quantidade e no preço que na qualidade, sem pretensões de mais que regar o quotidiano de gente simples, cada vez são mais aquelas que apresentam produtos interessantes, diferenciados, sendo notável o salto qualitativo dado face ao que existia há uns anos atrás. Mas isso já vocês sabiam, não é? Na verdade, nem sequer acho que a ideia de adega cooperativa ainda transporte consigo um garrafão de zurrapa. Basta olhar para as prateleiras dos grandes supermercados ou para os catálogos que vão surgindo online para perceber que o foco deles já não é esse. Claro que ainda existem algumas excepções, mas estas estão condenadas a desaparecer. É que ser uma curiosidade, só por si, já não chega para garantir a subsistência do que quer que seja. Caralho, estamos em 2012! E pelo menos no que toca ao vinho, o popular, o vulgar, se preferirem, já não é necessariamente mau.

Os monocasta da Coop. de Pegões, dos quais hoje vos trago, salvo seja, um exemplar, têm mantido lugar cativo cá por casa. Por norma, são vinhos redondos e relativamente gulosos, que trazem sempre algo mais que a soma da expressão frutada das castas que lhes deram origem com o tempero das barricas onde estagiaram. São bons, baratos e um bocado previsíveis também. Coisa que, a meu ver, não faz mal. Nem sempre. Um vinho não tem de ser sempre emocionante, pois não? O problema é que, quando o caminho escolhido é este, torna-se questão de tempo até que apareça quem venha dizer que são coisas fabricadas, sem alma. E daí à insinuação de que um vasto conjunto de vinhos diferentes, afinal, parecem todos iguais, pouco importando o ano ou as castas que lhes dão origem, vai apenas um pequeno passo. E do advento de um boato a que haja uma porrada de gente a tomá-lo em conta sem pensar, ainda menos.

Em particular, este Syrah da colheita de 2009, vinificado em cubas-lagar de inox, com maceração pelicular prolongada, e estagiado durante dez meses em meias pipas de carvalho, mostrou boa cor, fruta silvestre, escura e madura, misturada com especiarias quentes da casta e ligeiros torrados e outras sugestões que se nota provirem da barrica. De corpo mediano e sabor intenso, naturalmente gulosinho, passou pela boca firme e texturado, com presença. Mais uma vez, portou-se conforme esperado, e agradou.

5€.

15,5

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Adega de Pegões — Colheita Seleccionada '2007

O lote é composto por Touriga Nacional, Trincadeira, Cabernet Sauvignon e Syrah dos solos arenosos de Sto. Isidro de Pegões. Fermentou em inox e amadureceu em meias-pipas de carvalho francês e americano.

Gostei deste vinho. Da barrica suave, que lhe conseguiu trazer complexidade sem o tingir com tostados ou abaunilhados evidentes, da fruta sóbria, do toque polido, do sabor seco e persistente. Atravessa um momento muito bonito. Fez lembrar este, mas mais fino.

Só mais uma coisa: gosto da ousadia com que colocaram, explícito, no contra-rótulo, que envelhece bem durante 10 anos — e gosto de pensar que há boas hipóteses de que tal seja verdade.

5€.

16,5

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Adega de Pegões — Touriga Nacional '2008

Cor carmim. Desde cedo lhe notei intenso cheiro a bergamota, dos mais límpidos de que me lembro, a destacar-se dos seus pares, todos eles aromas customeiros dos Touriga novos e todos eles de boa qualidade: as cerejas e ameixas num estado de maturação adequado, o álcool bem integrado, as violetas presentes mas discretas, bem fundidas com especiarias quentes e fumados de madeira nova. A boca cheia e bastante equilibrada, apesar dos taninos jovens, de sabor firme e complexo, a fazer lembrar chocolate amargo, um pouco picante no final. Numa palavra, rico.

Acompanhou uma arrozada de pato no dia da visita dos nossos amiguinhos fofinhos D & T. Faz tempo que não tocava num tinto da Adega de Pegões, e é com prazer que noto que o conteúdo das garrafas continua bom, se é que não melhorou, dado que, talvez a par deste, é o melhor varietal deles que me lembro de ter bebido.

5€.

16

terça-feira, 13 de julho de 2010

Adega de Pegões '2009 (Branco)

Ora aí está um branco francamente popular. Hoje em dia, mesmo os vinhos simplórios & baratinhos conseguem ser, na vasta maioria dos casos, se não interessantes, pelo menos correctos. E não poucas vezes, inequivocamente capazes de dar prazer.

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Parece-me ser o que se passa com esta solução de entrada de gama da Coop. Agrícola de Sto. Isidro de Pegões. Resultado da fermentação em inox de uvas Fernão Pires, Moscatel e Arinto colhidas em fins de Agosto, traz consigo um ramalhete de flores do campo, amarelas, talvez também brancas, tutti-frutti genérico, como o das pastilhas, e Eno de laranja. Levezinho, curto, de fundo adocicado, parco de acidez, a deixar uma vaga ideia de coisa chocha, algo desengonçada, acaba por ser menos interessante na boca, embora saiba ao que cheira.

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Não está nada mal para os menos de 2€ que costuma custar, embora o "colheita seleccionada" da casa seja bastante melhor.

14

sábado, 28 de novembro de 2009

Adega de Pegões — Arinto & Antão Vaz '2008

Lote de Arinto e Antão Vaz em partes iguais, este vinho da Coop. Agrícola de Santo Isidro de Pegões estagiou durante três meses em barricas de carvalho francês e americano.

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Acidez tropical — ananás e lima — sobre um todo vagamente melado. Corpo redondo e untuoso, dotado de bom volume e persistência. Apesar do perfil algo doce e pesado, mostrou possuir frescor suficiente para dar uma prova agradável. Não é, de todo, o meu género de branco favorito, mas está muito bem feito.

5€.

15

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Adega de Pegões — Colheita Seleccionada '2008 (Branco)

Vinho Regional das Terras do Sado, produzido pela Adega Coop. de Santo Isidro de Pegões. O da colheita de 2007 também já por aqui andou. Nariz bem composto, embora suave, com sugestões florais e de vegetal seco, lima, limão e algum ananás. Boca agradável, com boa amplitude e equilíbrio. Em relação ao primeiro da tarde, tem mais corpo, revela-se mais cheio e untuoso; também mais cítrico, menos doce, menos tropical.

Custou 3€.

15

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Adega de Pegões — Alicante Bouschet '2005

Ainda outro varietal da Cooperativa Agrícola de Santo Isidro de Pegões. Cor rubi quase retinta, típica da casta — aliás, uma das poucas ditas «tintureiras», de polpa corada. Intenso, bastante disponível logo desde o momento de abertura da garrafa, este vinho trouxe consigo um leque aromático coeso, assente em fruto negro sólido, cacau e algo que me fez lembrar terra — ou seriam paus de grafite? Também ligeiras notas de madeira, tanto crua como tostada, e especiarias. Denso, redondo, macio, cheio, de sabor frutado, doce mas contido, quase a transfigurar-se em maltados no fim de boca. Persistência razoável. Gostei! Não resisto a referir que, após três dias no frigorífico, ainda estava vivo, quase sem ponta de oxidação. Notável!

Custou 5€.

15,5

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Adega de Pegões — Colheita Seleccionada '2007 (Branco)

Tenho ouvido electro e jogado muito Blogpoly nestes últimos dias — deixem de ser nunus e vão lá ver o que é — Também tenho bebido imenso! Pelo que, tendo reunido mais um conjunto já razoavelmente volumoso de «notas de prova» — alguém vai tentar adivinhar o porquê das aspas? — achei por bem vir aqui descarregá-las. Desta vez, e como se está a tornar perturbadoramente frequente — seguidos, um advérbio de modo e um adjectivo que soa a advérbio de modo, só perdem em disturbabilidade para dois advérbios de modo — havia ali um meio trocadilho — alguém ligou? Claro que não — Tão auto-referente que isto está a ficar! — um dia as postas ainda se misturam e aí quem não nos garante acabarmos todos a saltar, porquinhos through a color hoop . . . — Mas alguém ouviu o clip que pus no post anterior? Que gente fodida: às vezes parece que estamos a tornar-nos umas enfardadeiras de informação . . . queremos muita, cada vez mais, e fácil e rápida de digerir — que quem nos dá o biscoito vá direito ao fulcro da coisa porque não podemos perder tempo: ele escasseia, e há mais informação à espera de ser absorvida — Estou a falhar o fulcro; qual fulcro? — Nós, nós, nós! Qual nós! Estava só a ser cortês: nós, vós! — eu não! — Bem, de qualquer forma (e talvez o fulcro, qual fulcro?), o facto é que, ultimamente,

— Ora foda-se, esqueci-me do que ia escrever. E agora, como não me ocorre nenhuma maneira ao mesmo tempo elegante e divertida de terminar «isto», vou fazê-lo citando o apóstolo Paulo — esse santo homem — na sua Carta aos Efésios: «e não vos embriagueis com vinho, que é uma porta para a devassidão, mas buscai a plenitude do Espírito».

Quanto ao vinho, o primeiro do "pack" é mais um da Cooperativa Agrícola de Santo Isidro de Pegões. Mistura de Arinto, Chardonnay e Antão Vaz, foi fermentado em meias pipas de carvalho americano, nas quais estagiou posteriormente durante quatro meses, com bâtonnage — processo que, como o nome indica, consiste em remexer os sedimentos (leveduras mortas, resíduos de fruta) que se vão acumulando no fundo dos depósitos onde se encontra.

Amarelo clarinho. Aroma simples, suave, essencialmente frutado, mais tropical que cítrico. Discreto. Em demasia, talvez. E assim continuou na prova de boca. De notar ainda alguma (ligeira) untuosidade, acidez reduzida, final curto. Não deixa de ser um branco equilibrado, que não agride, mas daí a ser o «quase vinhorro» que ainda há poucos meses ouvia dizer que era. . .

Custou menos de 3€ — e para o preço, de facto, está muito bem.

15

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Adega de Pegões — Touriga Nacional '2005

Ainda não tinha provado este tinto, monocasta Touriga Nacional da Cooperativa Agrícola de Santo Isidro de Pegões.

Cor rubi, intensa, escura.

Nariz denso, ricamente estratificado. Ao primeiro impacto, violetas e cabedal. Com o tempo e o hábito, as primeiras acabaram por perder o protagonismo, quase desaparecendo numa onda de frutos vermelhos de acidez impossível de ignorar, mas doces, perfumados por subtis notas de especiarias. E castanhas, terra molhada, húmus. Já o cabedal se manteve sempre bem presente, do ataque de nariz ao final de boca.

Boca essa que, embora em consonância com o nariz, surgiu contudo menos complexa, menos polida, definitivamente menos interessante. De carácter seco e um pouco duro, com a acidez fortemente marcada — as notas frutadas que se iam mostrando sugeriam morangos pouco maduros e framboesas — e leve amargor a tintura floral. Também muito cabedal, demasiado para o meu gosto, a trazer ao palato certa chochice, prolongando-se a par da fruta ao longo de um final mineral, terroso, de persistência mediana.

Tenho ficado muito contente com os vinhos (varietais ou não) desta cooperativa: não só se têm revelado sempre correctos — ou mais — e francamente apetitosos como, pelo menos às vezes, conseguem provocar, ser originais. Consistentes ao longo dos anos e sempre fiéis ao terroir que os trouxe ao mundo. Contudo, este Touriga — já algo evoluído — pareceu-me menos interessante que os seus maninhos que já por aqui passaram. Enfim, cozido não estava. Reduzido, também não. TCA ou afins (a que se poderia atribuir a relativa mudez da fruta na boca, todo aquele cabedal, eventualmente a terra molhada)? Duvido. De qualquer forma, um dia destes abro outra garrafa para tirar as dúvidas.

Custou 6,50€.

14,5

sábado, 17 de janeiro de 2009

Fontanário de Pegões '2005

Palmela DOC da Coop. Agrícola de Santo Isidro de Pegões.

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Puro Castelão das areias, mostra-se quente e melado, fiel à casta e ao terroir.

Os 9 meses de estágio em meias pipas de carvalho transmitiram-lhe certa complexidade abaunilhada, certa austeridade por via de impressões fumadas e, acima de tudo, uma boca menos doce, de maior peso.

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Nada mau! Mas continuo a preferir a juventude exuberante deste.

2,90€.
14,5

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Adega de Pegões — Trincadeira '2006

Pelo rótulo, sabemos que foi «... vinificado em cubas-lagar de Inox com maceração pelicular prolongada, seguida de estágio de 6 meses em meias pipas de carvalho...»

Tem 13,5% de álcool.

O nariz é uma mescla mais ou menos indiferenciada — «tipo sopa» — de aromas, de onde se destacam a fruta madura e o fumo de lenha. Nota-se ainda bastante caramelo de leite — o chamado toffee. É muito saboroso, estando o binómio fruta/madeira extremamente bem conseguido. O final, mais caramelo e fumo, revela-se longo e macio.

Gostei.

Enfim, outro excelente varietal da Coop. Agrícola de Santo Isidro de Pegões. Um pouco mais simples e macio que o Syrah da mesma casa, mas (quase, para mim) igualmente apetecível.

Num registo mais... nem sei que lhe chamar, googleando «trincadeira», dei com isto. E daí para aqui, foi um pis pas.

5€.

Falta provar os outros.

15,5

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Adega de Pegões — Syrah '2006

De volta! :)


O «vosso» putinho andou de viagem — e isso. Rejubilem, pois, pelas coisinhas novas que trouxe para vos contar!

Porque não começar pelo vinho? Este, um varietal Syrah da Cooperativa Agrícola de Santo Isidro de Pegões.

Aroma suave, mas profundo e complexo — uma mescla de frutos silvestres e boas madeiras, fumo das ditas e cereal torrado, e especiarias, com baunilha doce à cabeça, ligeiro chocolate e ainda mais vaporoso mentol.

Fresco na boca, de corpo mediano, com boa acidez. Os taninos macios completam um conjunto redondo, bem afinado, de final amadeirado e persistente.

É um vinho que não trai as origens. Que me perdoem a blasfémia, mas achei-o parecido com o da Casa Ermelinda Freitas. O de 2006, digo. Para os menos de 5€ que custa, trata-se de algo muito, muito interessante.


16

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Adega de Pegões — Colheita Selecionada '2004

Já há algum tempo que não se fala de vinho por aqui. E não é que não se tenha bebido; pura e simplesmente, ando preguiçoso.

Um dos vinhos que me passou pelas goelas nos últimos dias foi este «quatro castas» das Terras do Sado. Não é novidade nenhuma, toda a gente sabe que é um vinho de boa estrutura e razoável complexidade, cheiinho para o preço e por isso um bom negócio, e de vez em quando bebo um, sendo que até já tinha escrito sobre ele antes. Simplesmente, desta vez tentei compreendê-lo um pouco mais. Digo, dele juntei uma nota de prova ao caderninho negro do álcool, e uma foto coisas que por algum motivo nunca tinha feito.

Do rótulo, tira-se, entre outras coisas, que é vinho feito de Cabernet Sauvignon, Syrah, Touriga Nacional e Trincadeira, que estagiou durante um ano em meias pipas de carvalho francês e americano, que tem 13,5% v/v de álcool, que foi feito pelos senhores da Cooperativa Agrícola de Santo Isidro de Pegões, que têm uma página web aqui e que dizem que este vinho envelhece bem durante 10 anos.

Então... mais uma vez mostrou aromas de boa intensidade, com fruta preta madura — sobretudo damasco — e alguma madeira resinosa muito bem casados, um toque de casca de laranja cristalizada, uma ou outra nota de cabedal e a acidez a fazer lembrar vinagrete de menta. Na boca, cheia de madeira e com uma ou outra especiaria, surge sempre bem seco — com isto quero dizer que, embora de carácter marcadamente maduro, esta não é, contudo, uma madurez doce, gulosa — e bem dimensionado, cheio mas não pesado, equilibrado, de final resinoso e não muito longo.

Não é um vinhaço, falta-lhe algo para o ser, mas não tanto assim. De novo, 16

domingo, 1 de junho de 2008

Hambúrguer à Puto Bebe com Molho "Zion" + Adega de Pegões — Colheita Seleccionada '2004

Foi o meu (nosso) jantar de ontem.
Adorei. Vale mesmo a pena o trabalho que dá.

Molho Zion. Achei engraçado chamar-lhe isto. Porque será?

Já agora, sabia que, em bom português, "hambúrguer" se escreve assim? Eu não. Nunca suspeitei do acento agudo a empurrar o "u"...

E aqui, um pouco de informação extra sobre este ícone da culinária americana.
Que história interessante! Que receita venerável! Não?!


Ingredientes:

600g de carne de vaca (bife) picada. E aqui uma ressalva: nunca apreciei aquelas carnes picadas pré-embaladas, "para hambúrguer", que se vendem nos supermercados. Não querendo ou não podendo triturar a carne em casa — porque, regra geral, os trituradores domésticos deixam a carne picada com um grão demasiado fino, quase em papas — peça no talho que lhe triturem um naco de carne adquirido na altura. Não só estará a comprar carne mais saborosa como terá outro tipo de garantias acerca daquilo que estará a comer;

5 ou 6 batatas grandes, de preferência novas, de casca branca e fina;
1 cebola média;
300ml de natas;
sumo de 1 limão;
óleo de amendoim;
farinha;
pimenta verde em grão, malaguetas secas, sal e pimentão doce (colorau) q.b.


Como se faz:

Cortam-se as batatas, com casca, em fatias relativamente grossas (com cerca de meio centímetro de espessura) e cozem-se, mas não muito, para não se desfazerem. Quando cozidas, escorrem-se e levam-se ao forno, espalhadas num tabuleiro, a 250ºC, durante mais ou menos meia hora.

Enquanto isto, misturam-se a carne e a cebola picadas, farinha, o sumo de limão, malagueta seca, pimenta verde em grão, sal e colorau de forma a que resulte uma massa moldável. Com esta massa, que deverá não ser muito consistente, fazem-se bolinhas. Leva-se ao lume forte um fundo de óleo de amendoim e, quando este estiver bem quente, põem-se lá as bolinhas, que, acto contínuo, se espalmam, formando os hambúrgueres propriamente ditos, mas não ao ponto de ficarem muito finos, em nome da suculência! Quando a parte de baixo dos recém-formados hambúrgueres se puder descolar sem problemas do fundo da frigideira, viram-se. Depois, quando tiverem começado a dourar de ambos os lados, deixam-se fritar em lume brando — de novo, pela suculência. Quando estiverem bem dourados, com aparência de cozinhados, colocam-se numa travessa capaz de ir ao forno e assam-se a 200ºC durante 10 minutos.

Entretanto, convém ir-se fazendo o molho.
Deita-se pimenta verde esmagada num tacho bem quente. Juntam-se-lhe natas e sal e espera-se que o molho engrosse. É importante usar um tacho baixo e largo para o molho engrossar mais uniformemente.


Também bebi (pois então), E o eleito da noite foi um vinho das Terras do Sado, um Adega de Pegões Colheita Seleccionada '2004. Foi sozinho em jeito de prova, acompanhou o hambúrguer, foi com um bocadinho de queijo Manchego velho à sobremesa, e ainda acabou por voltar a ir sozinho, o fim da garrafa, enquanto via um filme (já agora, foi o remake do Insomnia: muito giro, por sinal).

Trata-se de um vinho sobejamente conhecido e premiado, enfim, uma das grandes relações qualidade/preço do mercado. Não desapontou. No copo, notei logo que estava perante um vinho muito escurinho, concentrado. Depois, nariz intenso e complexo de flores, frutos e fumos, e mais — a Touriga Nacional a dar sinal de si. Na boca, macio e saboroso. Boa acidez, bons taninos, bom final.

Muito agradável!

Ademais, tudo indica tratar-se de um vinho que envelhece bem. Custou 7€.

16