sábado, 9 de agosto de 2008

Tapada de Coelheiros '2004

Do Alentejo, trazendo a classificação de Vinho Regional, este é o vinho mais conhecido da Herdade dos Coelheiros. Pois não só o lugar é bonito e cheio de encanto, também os vinhos de lá que me têm passado pela mesa não se têm portado nada mal. Este é feito a partir de Cabernet Sauvignon, Trincadeira e Aragonês. Estagiou em madeira de carvalho — 30% da qual, nova — durante 12 meses, e ainda outros tantos em garrafa até sair para o mercado. Querendo mais detalhes, pode sempre consultar a ficha fornecida pelo produtor aqui.

Uma nota de prova de Pedro Gomes, datada de há coisa de um ano atrás, está disponível para quem a quiser ler aqui.

Cor rubi, bastante intensa. Aroma intenso e persistente, com tendência a crescer com o arejamento, a frutos vermelhos doces. Sempre presente, destacado componente vegetal — pimento verde. E madeira, bastante, a ligar bem com os demais aromas, com um traço de peculiaridade que achei irresistível — lá no fundo, a dar a ideia de estar a transportar a demais carga aromática às costas para só no fim se mostrar, fortíssimas notas de macerado de caroços de cereja — tal e qual o elemento amadeirado, por assim dizer, o fundo, do «cherry brandy» Bols.

Na boca é bem seco, com a fruta a surgir menos doce que no nariz — mas nem por isso menos expressiva — sempre bem ligada aos sabores verdes, às vezes quase herbáceos, às especiarias, às sugestões de resina amarga e mais caroços de cereja — e às notas animais, de sangue, de sucos de carne, que acabam por arredondar a austeridade do componente vegetal, deixando na cabeça ideias de suculência. Umami?! — Talvez qualquer coisa... Porque não? Está elegante, muito bem estruturado, cheio de presença, sem no entanto se destacar pelo peso ou viscosidade, de álcool suave e taninos macios e persistentes. Termina bem.

Não é um monstro de complexidade, não. Mas também não mostra pouco. E o que mostra, sem dúvida, está bom. Deu muito prazer tomado só, em jeito de prova, mas ainda foi melhor com comida — já que se fala em acidez gastronómica...

É bastante fácil de encontrar, custando um pouco menos de 20€.

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sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Tinto da Talha — Grande Escolha '2005

Da Roquevale, um Vinho Regional Alentejano feito com uvas das castas Aragonês e Touriga Nacional. As uvas foram vinificadas em estreme, tendo o vinho resultante sido posteriormente estagiado em barricas de carvalho francês e americano.

Diz o rótulo, entre outras coisas, que «O nome deste vinho celebra a tradição romana que ainda vigora na região de vinificar numa talha de barro.» Pois é. Consta que também este vinho assim foi feito até 1994.

No copo, mostrou cor rubi, bastante concentrada. Logo de início, detectei ligeiro aroma lácteo, como que a sugerir batido de morango. Parece que, tecnicamente, isto é considerado um defeito — será porque certas leveduras deviam estar vivas e este aroma indica que pelo menos parte delas morreu? — mas eu até gosto, pelo que, para mim, até é algo interessante de encontrar — desde que não ofusque os demais aromas. Para além do «defeito», o nariz mostrou ligeiro floral e muitos frutos vermelhos, redondinhos, ao natural, só um bocadinho doces e um tudo-nada ácidos, muito bem entrosados com discretas notas de fumo de madeira. Na boca, encontrei-o encorpado e muito suave, muito equilibrado — de facto, bem mais do que estava à espera — e possuidor daquele traço distintivo que, num mundo de iguais, faz a diferença — os aromas mais ácidos a levarem-nos para a velha adega da família: no escuro, sem mofo, as barricas húmidas do vinho novo... os tons ferrosos a evocarem aquele sabor ensanguentado, um pouco doce um pouco fumado de picanha grelhada... a mineralidade peculiar, a lembrar tijolo... Isto, algum realce deve merecer, posto que o vinho ainda está muito jovem. O final é que se revelou uma meia desilusão. Termina saboroso e limpa a boca, mas falta-lhe persistência.

Considerando o prazer que já dá, se lhe juntarmos o bom potencial de envelhecimento e um preço de mais ou menos 7€, fiquei contente com a compra. Tenho a ideia de que gostei mais deste do que do de 2004.

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quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Perolivas — Reserva '2004

O excelente rótulo — porque é que não são todos assim? — indica-nos ser um Vinho Regional Alentejano produzido no Monte dos Perdigões em exclusivo para o grupo Jerónimo Martins, com uvas provenientes da vinha do Vale do Rico Homem, onde estão plantadas as castas Trincadeira, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet, Syrah, Tinta Caiada, Touriga Nacional, Aragonez e Petit Verdot. Diz-nos ainda que estagiou 12 meses em tonéis e barricas de carvalho francês Allier de grão fino e queima média, e termina com uma análise química do vinho, efectuada nos laboratórios da CVRA.

Cor granada. Qual agradável névoa a dar sempre vontade de cheirar um pouco mais, o nariz, doce e rico, de fundo fresco, onde predominavam as cerejas e o caramelo, ia também mostrando vegetal seco, tabaco, rebuçado — e madeiras muito bem integradas, discretas mas fundamentais, a trazerem complexidade ao vinho com notas de tosta, baunilha, cedro, e outros aromas, mais resinosos, frescos mas acres. A acidez, presente mas moderada, evocando azeitonas verdes mais que prontas a comer, só por momentos se deixava perceber como elemento destacado, fundindo-se rapidamente nos componentes amadeirados frescos e deixando atrás de si uma sombra a sugerir ligeiro mentol e um peculiar componente cítrico que só nos fez lembrar laranja amarga.

A boca, de corpo mediano, na toada do nariz, mostrou-se doce e bem equilibrada. Álcool e acidez no ponto, e bastantes taninos, mas talvez um pouco rugosos, deixando certa ideia de adstringência no final, longo e claramente amadeirado, cheio de resinas e tostados.

E aqui fiquei com uma dúvida: aparentando os aromas e o corpo deste vinho já certo grau de evolução, será possível os taninos ainda estarem verdes?

O preço ronda os 10€ — um pouco menos — no Pingo Doce.
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Quinta das Tecedeiras — Touriga Nacional '2003

Quando abri esta garrafa, as expectativas eram elevadas. Sempre gostei muito dos vinhos da Quinta das Tecedeiras. Sempre gostei muito de varietais Touriga Nacional. Então, como poderia um Touriga Nacional das Tecedeiras deixar-me mal?




Não poderia nem desiludiu. Nem pouco mais ou menos.

Muito escuro no copo, com grande orla violeta, deixando adivinhar grande concentração. De aromas, começa fechado, duro e austero — alcatrão — que se desdobra em grandes aromas químicos, sugerindo uma panóplia de solventes aromáticos, traduzíveis em cheiros que vão da velha cola multiusos transparente ao verniz com que se cobrem as pinturas a óleo — que vão, por sua vez, abrindo em aromas mais frescos e naturais, de clara índole balsâmica e floral: resinas de pinheiro e eucalipto, sândalo, mentolados, violetas — e no fim, a fruta preta, solene, difícil — mas persistente, envolta numa ligeira brisa mineral de contornos peculiares, ora salgada como uma brisa do mar ao nascer da manhã, ora doce e terrosa, a evocar vapores de âmbar cinzento — Por todo o lado na boca, aliada aos já de si bem presentes balsâmicos, e tornando-a fresquíssima — surgindo a fruta, agora mais perceptível e muito bem entrelaçada com as madeiras — sempre discretas — a emprestar um toque de doçura, de naturalidade, àquela amálgama de químico fresco e almiscarado de taninos imensos e muito álcool — que ainda assim não sobressai, embora se note que está lá — que quase se consegue mastigar e que teima em ficar na boca, sugerindo ainda novas nuances, bem depois de o vinho já ter ido embora.

Meu Deus, que concentração! Que força! Que pujante torrente química! — E tinha logo de ser esta, precisamente, a faceta que mais aprecio nos monocasta Touriga Nacional! Como bem diz o rótulo, é um vinho de superlativos. Equilibrado, mas a um passo do exagero. Um vinho... para putos que gostam de snifar cola!

Escusado será dizer que adorei. Custa à volta de 25€.

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P.S. — Levou 91 pontos da Wine Spectator.

P.P.S. — Sim, estou ciente q.b. de que, citando, «Ethyl acetate is formed in wine by the esterification of ethanol and acetic acid. Therefore wines with high acetic acid levels are more likely to see ethyl acetate formation, but the compound does not contribute to the volatile acidity. It is a common microbial fault produced by wine spoilage yeasts, particularly Pichia anomala, Kloeckera apiculata, and Hanseniaspora uvarum. High levels of ethyl acetate are also produced by lactic acid bacteria and acetic acid bacteria. The sensory threshold for ethyl acetate is 150-200 mg/L. Levels below this can give an added richness and sweetness, whereas levels above impart nail polish remover, glue, or varnish type aromas.» Link para o artigo da Wikipedia acerca das «Wines Faults», aqui. Nestes casos, o limiar sensorial de cada um é quase tudo. E assim, repito: este vinho foi uma pujante torrente química — que não ofendeu, encantou.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

O Meme de A a Z

Este veio daqui [this came from here]. Decidi responder porque achei realmente engraçado — embora tenha tendência a odiar esta forma virtual de corrente de amor... [Decided to answer because I found this one really funny — even hating this virtual kind of love chain...]

A menina S viu-me a fazer isto e também quis brincar. [Ms. S saw me doing this and also wanted to play.] Assim, [Thus,]

A preto, negrito, as perguntas (duh). [In black, bold, the questions (duh).]
A azul, as minhas respostas. [In blue, my answers.]
A cor-de-rosa, ou isso, as da S. [In pink, or something similar, hers.]


A. Attached or single? Attached and happy. / Forever attached.

B. Best Friend? I have no friends! / Money.

C. Cake or Pie? Cake. / Cake.

D. Day of Choice? It's all the same shit! / Friday.

E. Essential Item? Keys. Cellphone. Paper Tissues. Wallet with cash and cards. Lip balm. /Cellphone when he's not at home, a bottle of water, lipstick, toothbrush, toothpaste and sunglasses.

F. Favourite Colour? Black. It never compromises. / Purple.

G. Gummy Bears or Worms? I hate both! / Worms.

H. Hometown? Oh, Jesus. Castelo Branco. It's a fine lill' city. / Guarda. Another fine lill' city.

I. Favourite Indulgence? Epicureanism is a system of philosophy based upon the teachings of Epicurus... (blah blah) :P Ok, lots of them, but not sodomy. Not as a passive element. Gosh. /Alcohol, drugs, pills.

J. January or July? July, despite the light and the heat. Rain depresses me a lot... / January.

K. Kids? Nah. / Never, ever.

L. Life Isn’t Complete Without? Oxygen! Alcohol! Oil! :) Love... / J., money, alcohol, animals, makeup, good sleeping time.

M. Marriage Date? Me dunno. Me little. / When he will ask me to.

N. Number of Siblings? One. My half retarded brother — he resembles Chris Griffin from Family Guy, a LOT. / Kinda none.

O. Oranges or Apples? Apples. But our guinea pigs would prefer the oranges, I guess. /Orange juice!!!

P. Phobias? Spiders. / Fire, bugs, the unknown — whatever it is, to lose my mind, being poor, but the biggest one: to lose his love.

Q. Quote? Randomly, OK? «The face of evil is always the face of total need.» — W.S.Burroughs dixit. / «Nothing is true, everything is permitted» — Hassan-i-Sabbah, via old uncle Bill Burroughs — she says. Erm... WSB again. A few years have passed since we read something from the man for the last time. Is this becoming a bit awkward? Huh? Huh?

R. Reason to Smile? She loves me. / He loves me, I am not poor, my guinea pigs are healthy. I am white.

S. Season of Choice? Autumn. / Autumn.

T. Tag Five People: I won't. They wouldn't like, you know... / I don't even know 5 people.

U. Unknown Fact About Me? I can't tell! / I have a life.

V. Vegetable? Vegewhat? Kidding. Strawberries. Ah, and grapes, lol. / Tomato, cauliflower, cucumber, cherry, strawberry, orange...

W. Worst Habit? None, of course. / To chew small random bits of hard plastic stuff.

X. X-ray or Ultrasound? None, at least by now. / Ultrasound. Made possible some fine deep sea discoveries that I much like to be aware of.

Y. Your Favourite Food? Steak on the stone — always. It keeps things simple, tastes great and is the perfect canvas for great wines. / Prawns...

Z. Zodiac Sign? Taurus. / Taurus.

Weee! Acabou de sair a posta mais colorida de sempre neste blog, bolas!

Clarins — Double Fix' Mascara

Ando preguiçoso c'mó caralho — não, a sério, se o caralho andasse tão preguiçoso como eu, aqui o je era um menino bem infeliz. De qualquer forma, ando preguiçoso — é a mensagem que quero passar. Passo também a palavra à Sarinha bebé, e vai mais um post de maquilhagem...


Desta máscara, diz o produtor:

«An exceptional transparent, fixing gel which guarantees perfect mascara hold in any environment... bathing, travelling, late nights and more. Also ideal for use to groom and shape eyebrows.»


Tem-me deixado muito bem impressionada. Transparente, pode ser utilizada como «selante» de qualquer outra máscara — digo, rimmel — de cor, tornando-a totalmente resistente à água. Quando usada sozinha, empresta brilho e definição às pestanas, dando a sensação de as tornar mais espessas — apesar de manter, sempre, um aspecto bem natural. E é óptima para fixar as curvas feitas com o lash curler. Também serve para fixar as sobrancelhas, mantê-las no sítio, dando-lhes um brilhozinho deveras apelativo — daí o double no nome. Por fim, realço que nunca me deixou as pestanas secas ou duras. Trata-se, sem dúvida, de uma óptima máscara de fixação.

O cheiro pode a muitos surgir estranho, mas eu adoro-o. Evoca-me óleo de rícino, uma maravilha...

Ah! Um contra: depois de aplicada por cima de um rimmel colorido, pode colar um pouco as pestanas umas às outras — nada que não se resolva com uma escova, mas... E outro: por vezes, pode tirar um pouco de vida a máscaras de cores mais brilhantes.

A embalagem não é bonita, é vulgar, mas de boa qualidade e funcional — enfim, está mais que aprovada.

Concluindo: acho o conceito muitíssimo interessante: temos a nossa máscara preferida, seja ela de volume ou de alongamento, da nossa cor preferida... e num instante podemos torná-la completamente impermeável, mas a valer, como nada antes se tinha visto! Não pensem tratar-se de um produto milagroso. Porém, dentro do que já exprimentei dizendo-se waterproof ou smudgeproof — e olhem que não foi pouco — é de longe a melhor. E o preço está muito bom — só 15/20€!

Como qualquer outro produto Clarins, não é testada em animais.
Sem dúvida que vou voltar a comprá-la.

Mais detalhes... aqui.


P.S. — Que catano, ter de escrever um post inteiro sem dizer que se foda algo, caralho. Mas a gaja não deixa... :(

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Dior — DiorKiss: Luscious Lip-Plumping Gloss

Linha inspirada no mundo dos cocktails. Citando o produtor:

...new DiorKiss scented glosses derive their energy from the world of cocktails with fresh and appetizing colors. The menu offers a choice between two aromatic families:• «long drink» for the fashionable: daring audacious cocktails that combine different flavors in a liberating spirit of freshness;

• fruit potions for those with a sweet tooth: succumb to these syrups that concentrate the essence of fruits, revealing pure, energizing flavors.




Agora a sério, o cheiro deixou-me a pairar entre a laranja das pastilhas Gorila da minha infância e a do digestivo Eno. Não consigo dizer se gosto... ou se o acho um pouco enjoativo.

No que toca à embalagem, acho estas muito mais práticas e apelativas que as precedentes. Também me quer parecer que melhoraram — e muito — a qualidade do gloss em si. Adoro a cor, um laranja com reflexos opalinos. Pode parecer muito forte quando vista na embalagem, mas, depois de aplicado, apenas transmite aos lábios um leve tom. Ou seja, como contraponto à cor exuberante, a baixa opacidade impede o exagero — e isso é bom. Também bom é não deixar a boca com um aspecto cintilante, pois, apesar de ter brilhantes reflectores, estes são muito pequeninos. De textura, e tendo sempre presente que se trata de um gloss, não o acho muito pegajoso... Mas não é dos que mais facilmente desaparecem dos lábios — que, de facto, ficam com uma agradável sensação de hidratação.

Vem em tubos de 8ml e custa 15 ou 20€. Infelizmente, ainda não encontrei muitas cores à venda. Na foto, a nº 541, Tangerine Jet.

domingo, 3 de agosto de 2008

Quinta do Monte d'Oiro — Vinha da Nora '2002

Este Vinho Regional da Estremadura, da Quinta do Monte d'Oiro, é um varietal Syrah com um toque de Cinsaut, que estagiou durante 16 meses em barricas de carvalho francês Allier — metade das quais, novas — e mais uns tempitos em garrafa até ser lançado no mercado.

Ganhou uma medalha de prata no International Wine Challenge Vienna '2006 e mereceu 16 valores no guia de João Paulo Martins.

Cor intensa, a fugir para o granada. No nariz, é denso e complexo — ataca com fruta doce e flores — para logo passar a um interessante leque de tostados, estes ricos, a irem de notas de queima das barricas a intensas sugestões de carnes de fumeiro — surgindo, depois, tons ferrosos, notas de sangue — tudo assente num fundo mineral com certa amplitude e frescura.

Tal como no nariz, é suave na boca — calorosa: percebe-se que é um Syrah — onde os aromas e sabores surgem bem casados, sem surpresas. A acidez aparece bem vincada — tanto que acaba por definir a presença do vinho no palato. Pena que o corpo, apenas mediano, e o final — muito discreto — não permitam mais que recordações de breve passagem — full of piss and vinegara la Patti Smith — aquela sensação de falta que é tudo menos reconfortante.

Ainda notei que, à medida que se lhe vai escoando a vida no copo, vão aparecendo aromas mais acres, mais pesados, a mofo, a oxidação — o cacau «bruto», as notas de Xerez...

É um vinho encorpado, com boas madeiras, mas falta-lhe alguma coisa. Talvez, ao contrário do que, simpaticamente, se sugere por essa web fora, o ano de 2002 também tenha sido mau na Quinta do Monte d'Oiro — ou porque é que, nesse ano, não se produziu o primeiro vinho?

Profundo, com personalidade, é um Syrah decente, mas já os provei bem melhores, até para o preço — 14€.

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Ah! Já me esquecia...

A página do produtor, apresentação que se nota pensada por uma fina inteligência, reveladora de verdadeiro bom gosto e de indiscutível sentido de marketing — de vendibilidade — fez-me sorrir por três motivos, de dois dos quais acabei de vos falar de sobra — e fica aqui.

O terceiro, sem malícia, é este — corrijam lá isso, pretty please.

Update em jeito de post-scriptum: E eles corrigiram!

RHEA '2005

Dos Titãs, Rhea — que nome bonito — filha de Urano — o Céu — e de Gaia — a Terra — mãe dos Deuses.

Da G&R — Consultores, veio-me parar à mesa este tinto (DOC) do Douro, feito com — citando a ficha técnica fornecida aqui pelo produtor — castas tradicionais durienses como a Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Barroca e Touriga Nacional, e parcialmente estagiado em madeira de carvalho durante 10 meses.

Decantei-o «de chapa» talvez uma hora antes de o servir, como recomendado pelo produtor, ligeiramente refrescado — a 15ºC.

Cor rubi. Mostrou aroma franco a frutos vermelhos, não maduros, algum mato seco, bastantes tostados — e poliéster... Na boca, ligeiro e bem seco. Frutos vermelhos e um pouco de madeira, que não se mostrou no seu melhor. Lá pelo meio dos tostados da barrica, como que teimavam em aparecer sugestões a cortiça aglomerada, a plásticos... Certa pobreza aromática deixava evidenciarem-se o álcool, e pior, excesso de acidez. Como se as framboesas não estivessem todas maduras, com ocasionais laivos abafados de laranjas azedas.

Algo rústico, acabou por ir bem com feijoada.

Custando à volta de 4€, acaba por não ser vinho para o preço. 13

Procurando na web, descobri mais pessoas que não ficaram demasiado felizes por o terem provado.

sábado, 2 de agosto de 2008

Salada César de Frango

Existente num sem fim de variantes, esta salada baseada em alface e croutons — bocadinhos de pão torrado, por vezes com temperos — é creditada a Caesar (Cesare) Cardini, cozinheiro e empreendedor italo-mexicano que, eventualmente, se radicou nos EUA, onde se tornou famoso durante a era dourada de Hollywood.

Esta é uma interpretação minha do clássico, portanto. Não dá trabalho nenhum e é muito levezinha e saborosa, ideal para o Verão.

Antes de tudo o mais, uma nota breve:

Para fazer o azeite aromático de alho, louro e picante, juntei, no fundo de uma garrafa de 25cl, uma malagueta seca, inteira, uma folha de louro, e uma colher de sopa, mal cheia, de alho seco, picado, daquele de compra. Cobri com azeite até encher a garrafa e deixei repousar. Duas semanas depois, estava bom para ser utilizado. Mas já lá vai mais de um — dois? — meses, e tem vindo a melhorar com o tempo. Se tiver pressa, em vez de untar as fatias de pão com este azeite, unte-as com azeite simples e, depois, deite-lhes por cima um pouco de alho em pó.




A salada faz-se assim:

Cortam-se mais ou menos 250g de pão às fatias, que se untam com azeite aromático de alho, louro e picante. Levam-se ao forno durante aproximadamente 20min a 200ºC.

Grelham-se 400g de bifes de frango numa chapa bem quente, só com sal.

Lava-se uma alface, escorre-se bem, e corta-se para dentro de uma saladeira grande. Adiciona-se-lhe uma lata (300g) de milho e azeitonas a gosto — tudo muito bem escorrido. Mistura-se.

Prepara-se o molho. Numa tigela, juntam-se o sumo de meio limão, 5 colheres de sopa (cheias) de maionese, 3 dentes de alho picados e um pouco de azeite. Deixa-se repousar.

Cortam-se os bifes de frango e o pão aos bocadinhos. Quando estiverem frios, juntam-se aos vegetais que aguardam na saladeira. Volta a misturar-se tudo muito bem. Serve-se com o molho.

P.S. Desta vez, usei alface frisada era o que havia quando fui às compras. Porém, uma alface dura, de folhas vigorosas, romana ou iceberg, por exemplo, fica um pouco melhor.