domingo, 31 de agosto de 2008

Conde de Vimioso '2007

Este tinto, produzido no Ribatejo pela FALUA, é uma mistura de Touriga Nacional, Aragonês e Cabernet Sauvignon que passou por um breve estágio (6 meses) em madeira de carvalho antes de ser posto à venda.

Desde há muito que — talvez por hábito — se tem comprado cá para casa uma garrafita ou duas deste vinho por ano. De qualquer forma, ainda não tinha provado o de 2007.

Assim que o abri, reparei que trazia uma rolha aglomerada DIAM. Daquelas que impedem a formação de um dos mais comuns defeitos no vinho, a presença de 2,4,6-tricloroanisol (TCA), que se forma quando certos fungos que ocorrem naturalmente no ar se vêem em contacto com compostos clorofenólicos, provocando o chamado «sabor a rolha», que é uma merda, de facto.

Ora, se, por um lado, a DIAM impede, com certeza, um vinho de «rolhar», por outro, uma rolha aglomerada... bem, a meu ver, só mesmo num vinhito corrente de consumo rápido. E que importa o «a meu ver»? Para o mundo, muito pouco. Para mim, o suficiente para me levar a não voltar a comprar nenhum vinho de mais de 5€ que traga uma rolha destas. E se for parvoíce, bem, problema o meu... consigo viver com ele, sem dúvida.

O vinho propriamente dito apresentava-se escuro, fazendo adivinhar uma boa concentração. De aromas, naturalmente jovem, com os frutos vermelhos misturados com qualquer coisa de fumado e alguma vinosidade. Na boca, a fruta surgiu discreta, pouco doce, acompanhada de alguma, pouca, madeira. A acidez, vincada, transmitia certa sensação de frescura. Os taninos estavam um pouco adstringentes e diria até que o álcool, de tão bem integrado, trouxe algo ao conjunto — talvez intensidade, talvez profundidade, talvez ambas as coisas.

Termina discreto, não se evitando, uma vez mais, a desilusão.

OK, este vinho não é mau e até aparenta ter crescido alguma coisa — pareceu-me tê-lo encontrado um pouco mais sério, mais profundo que o da colheita anterior. Ainda assim, e mesmo tendo em conta a gama de preços em que se insere e a qualidade da concorrência disponível na dita, para mim, não tem atributos para ser uma opção de primeira linha.

13,5

sábado, 30 de agosto de 2008

Salada de Grão e Atum

Fácil & rápido, um favorito da S...




Faz-se assim:


Cozem-se 3 ovos. Entretanto, ferve-se durante uns minutos o conteúdo de uma lata grande de grão (daquelas com 800g de peso líquido) e escorrem-se 2 ou 3 latas pequenas de atum. Cortam-se 3 tomates médios em cubos. Por fim, escorre-se o grão e mistura-se tudo num recipiente grande. Junta-se algum azeite, mexe-se bem e fica pronto a comer.

Para maior riqueza de sabores, pode ainda juntar-se à salada uma cebola cortada em cubinhos, salsa... sei lá que mais!

Couteiro-Mor — Colheita Seleccionada '2005

Do dicionário online da Priberam:

Couteiro,

s. m.,
guardador de coutada ou couto.

Hmmm...

Nota-se em Portugal uma exploração um bocado grande de certa vertente
— a titulada, por assim dizer — do tradicional, quase nos remetendo para aquilo a que eu chamaria uma imagística monárquico-bucólica. Oh! A pureza! Oh! O romance! Ai!...

Um bocado grande talvez exagerada, não? Foda-se,
PUAH!

Adiante. Acerca do vinho...

Alentejano da Sociedade Agrícola Gabriel Francisco Dias & Irmãs, Lda., de Montemor-o-Novo, que tem uma página web aqui.

Foi feito com uvas das castas Aragonês, Trincadeira, Castelão e Alicante Bouschet, e estagiou durante 4 meses em madeira de carvalho francês.

Cor escura com reflexos acastanhados. Muito chocolate de culinária no nariz e na boca, um pouco abafado, e cerejas em álcool, sugerindo algo como um Mon Chéri tosco, feito com chocolate da velhinha fábrica de chocolates das Beiras. Mostra ainda alguns tostados e laivos de mato seco, que lhe transmitem alguma profundidade. É denso, encorpado, bem estruturado, e tem um final bom.

Pareceu-me um vinho bem feito, num registo relativamente simples e um bocadinho por polir — ainda: consta que estes Colheita Seleccionada costumam envelhecer bem — mas bastante apetitoso, bastante apelativo. Será difícil não gostar dele. Custa 3,50€.

15

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Adega de Pegões — Colheita Selecionada '2004

Já há algum tempo que não se fala de vinho por aqui. E não é que não se tenha bebido; pura e simplesmente, ando preguiçoso.

Um dos vinhos que me passou pelas goelas nos últimos dias foi este «quatro castas» das Terras do Sado. Não é novidade nenhuma, toda a gente sabe que é um vinho de boa estrutura e razoável complexidade, cheiinho para o preço e por isso um bom negócio, e de vez em quando bebo um, sendo que até já tinha escrito sobre ele antes. Simplesmente, desta vez tentei compreendê-lo um pouco mais. Digo, dele juntei uma nota de prova ao caderninho negro do álcool, e uma foto coisas que por algum motivo nunca tinha feito.

Do rótulo, tira-se, entre outras coisas, que é vinho feito de Cabernet Sauvignon, Syrah, Touriga Nacional e Trincadeira, que estagiou durante um ano em meias pipas de carvalho francês e americano, que tem 13,5% v/v de álcool, que foi feito pelos senhores da Cooperativa Agrícola de Santo Isidro de Pegões, que têm uma página web aqui e que dizem que este vinho envelhece bem durante 10 anos.

Então... mais uma vez mostrou aromas de boa intensidade, com fruta preta madura — sobretudo damasco — e alguma madeira resinosa muito bem casados, um toque de casca de laranja cristalizada, uma ou outra nota de cabedal e a acidez a fazer lembrar vinagrete de menta. Na boca, cheia de madeira e com uma ou outra especiaria, surge sempre bem seco — com isto quero dizer que, embora de carácter marcadamente maduro, esta não é, contudo, uma madurez doce, gulosa — e bem dimensionado, cheio mas não pesado, equilibrado, de final resinoso e não muito longo.

Não é um vinhaço, falta-lhe algo para o ser, mas não tanto assim. De novo, 16

Dior — Diorshow Pro-Cheeks

Diz a menina:


O meu blush preferido, sem dúvida! Mousse leve de textura sedosa, nada oleosa, é muito fácil de aplicar e, ao contrário dos outros blushes em creme que já experimentei, bastante durável. Os brilhantes que possui são do tamanho certo, muitíssimo finos, conseguindo assim fazer a pele brilhar sem se tornarem demasiado perceptíveis. A pele fica com um aspecto radiante, saudável e muito natural. Também pode ser usado como sombra de olhos.




As cores são fantásticas — desta vez comprei a nº 815, Limelight, um rosa malva claro com minúsculos brilhantes irisados que da maior parte das vezes me parecem cor-de-rosa intenso, talvez carmim. Tendo a usá-lo como iluminador. E, sem dúvida, vai-se-lhe seguir a nº 545, Hip Peach. A embalagem, de comum acrílico transparente, não sendo nada de especial, é de boa qualidade, está bem conseguida... Chega, até, a ser apelativa! À data, ainda só lhe encontrei um contra: o cheiro. Nada de muito notório, mas não gosto! O preço, 25/30€, não está nada mal.

Mais... aqui.

domingo, 24 de agosto de 2008

Bolachinhas de Chocolate «Jenna»

Isto é inspirado numa receita que vi algures — não me lembro de onde, mas também não importa — e tenta ser um tributo meu e da S. a uma lenda da pornografia.

Assim se fazem: Juntam-se, batendo sempre com a batedeira eléctrica, 250ml de açúcar amarelo, 50ml de açúcar branco, 200g de manteiga amolecida, uma colher de chá de vanilina, 2 ovos grandes e 625ml de farinha — com uma colher de chá de fermento incorporado. Quando estiver formada uma massa homogénea, junta-se-lhe 200g de chocolate de leite partido aos bocadinhos e mexe-se. Desta vez, usei uma barra de chocolate de leite Pingo Doce (que adoro) e as bolachinhas ficaram óptimas.
Deixa-se a massa resultante a repousar no frigorífico de um dia para o outro. Depois, com a ajuda de duas colheres de sopa, formam-se «bolinhas» com a massa, que se levam ao forno num tabuleiro não untado, durante 15/20 minutos, a 200ºC.

Uma vez cozinhadas, antes de se retirarem do tabuleiro, convém deixá-las arrefecer uns minutos — as bolachinhas recém-cozidas ainda estão algo moles: endurecerão à medida que forem arrefecendo. Esperamos que vos proporcionem longas horas de prazer. Ficam com o aspecto que podem ver na imagem... a fazer lembrar aquelas bolachinhas de chips de chocolate de compra... Mas muito melhores.




Quanto à senhora Jameson, pode encontrá-la, dar-lhe dinheiro em troca de serviços (internet!) e tentar, quem sabe, chegar à fala com ela aqui ou aqui, por exemplo...

Banana Bread

Esmagam-se 6 bananas grandes e juntam-se-lhes 200g de margarina derretida. Bate-se. Adicionam-se 300ml de açúcar branco. Bate-se. E ainda 4 ovos, um a um, batendo sempre. Por fim, junta-se à mistura 1l de farinha com duas colheres de sopa de fermento misturadas e bate-se ainda uma última vez.

Unta-se e polvilha-se uma forma e leva-se ao forno durante 1h a 170ºC.




Fica grande, muito grande. E fofo, muito fofo. E cremoso, fica mesmo muito cremoso. Isto para dizer que pode reduzir a receita para metade, querendo.

sábado, 23 de agosto de 2008

Cuís!



É verdade... não é que aí há tempos nos nasceu um par de cuís?!































Enfim!

YSL — Rouge Pure Shine Sheer Lipstick

Da Yves Saint Laurent, este é um bâton de cheiro frutado — ainda não consegui decidir se gosto ou não — e cor pouco saturada, mas ainda assim capaz de proporcionar uma excelente cobertura, ainda que se utilize uma cor clara sobre lábios escuros. Possui protecção solar de factor 15 — já é qualquer coisa. Ademais, é muito hidratante, muito suave, muito confortável de usar.




A embalagem, infelizmente, é de péssima qualidade — um exemplo cristalino daquilo a que costumo chamar luxo de imitação: mostra-se bonita e de aspecto sólido, evidenciando qualidade... à distância. Porque, pegando-lhe, percebe-se o plástico fraquíssimo, reles, com que foi feita. A fazer lembrar as grandes mansões, ocas, fachadas de contraplacado, que por vezes se usam nos cenários dos filmes...

Porém, como o bâton em si é muito bom e existe em cores muito bonitas, o deslize é perdoável. Para já, comprei uma cor bege-pêssego com laivos de cor-de-rosa, sem brilhantes — a nº6, sandy beige. Não será a única. O preço, 20/25€, não é exagerado.

Ah, sim... Mais, aqui.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Moamba de Galinha do Mateus

Esta é uma receita antiga — de um clássico africano, a interpretação do Mateus, que era o bem-amado cozinheiro da avó da S. lá na fazenda que tinham em Angola. Aqui fica uma nota um bocado triste: quando aquela confusão que todos sabemos estalou em sessenta e picos, os avós da S. ainda foram daqueles que tentaram seguir com as suas vidas no país onde tinham construído algo, e conseguiram manter-se lá mais uns anos, de facto. Mas depois, em 1975, com a independência, a situação tornou-se de tal forma insustentável que, enfim, tiveram de abandonar as terras, e com elas o Mateus e demais empregados. Nunca mais o viram ou contactaram — a guerra tem destas coisas — mas o homem continua connosco. Está, como diz de Estaline a pior facção da comunalha, vivo nos nossos corações.

Enfim, chega de coisas tristes, vamos mas é à muamba (ou moamba, grafa-se de ambas as formas).




Tempera-se um frango grande, sem pele e partido aos bocados, com uma pasta grossa que se faz misturando 8 dentes de alho esmagados, sal, jindungo seco, desfeito, a gosto — aqui é sempre muito — e óleo de palma liquefeito, só um pouco, para ligar a mistura. Deixa-se o frango absorver os temperos — no frigorífico, claro — durante pelo menos um par de horas.

Para dentro de uma panela grande, cortam-se 400g de abóbora e 3 cebolas grandes em cubos, a que se juntam 100/150ml de óleo de palma — o chamado azeite-de-dendê — e refoga-se um pouco. Adicionam-se então os pedaços de frango, tentando fazer com que fiquem todos levemente dourados de ambos os lados e rectificam-se o sal e o picante. Cobre-se depois o frango com água e deixa-se cozinhar, com o lume no mínimo e a panela destapada — para o molho ir reduzindo — durante mais ou menos 40 ou 45 minutos.

Lavam-se 400/500g de quiabos, a que se removem os pedúnculos, caso os tenham. Se forem grandes, cortam-se ao meio no sentido da largura e juntam-se ao cozinhado, que se deixa ao lume mais um quarto de hora para a goma do interior dos quiabos sair e se incorporar no molho.

Enquanto isto, vai-se fazendo o acompanhamento — o pirão. Para nós os dois e a acompanhar um frango grande, costumamos usar 350/400g de carolo de milho. Deita-se num tacho 1 litro de água e espera-se que ferva. Tempera-se de sal a gosto. Para dentro desta água se vai depois vertendo, muito lentamente, o carolo de milho, mexendo sempre e deixando-o cozinhar entre as adições. Quando a mistura de milho e água parecer uma papa mole, deixa-se de se adicionar o carolo e, mexendo sempre, espera-se que engrosse até ficar consistente. Quando a consistência da pasta já dificultar muito o movimento da colher de pau, desliga-se o lume — está pronto. Ao arrefecer até à temperatura de ser consumido, o pirão engrossará ainda mais.

Fica óptimo. No Inverno, aconchegue-se com um tinto encorpado. De Verão, regue-se com cerveja.