segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Ana Vieira Pinto (Borba) '2007

Tinto alentejano — DOC — produzido a partir daquele que é, muito provavelmente, a combinação mais característica da região — Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet.

Antes de tudo o mais, nota positiva para o rótulo, muito bonito.


Cor a fugir para o granada, pouco concentrada.

No ataque, mostrou aquilo a que costumo chamar «podrum alentejano» — um aroma muito maduro a frutos vários, tomado por um ácido-doce característico que me faz sempre lembrar cascas de laranja de alguma forma transformadas a suportar as predominantes uvas e demais frutos pretos, sobretudo ameixas. O arejamento trouxe mais frutos pretos, um pouco ácidos, e levou quase tudo o resto. Ficaram para trás umas raspas de caramelo e mel, um chapisco de vanilina e uma presença alcoólica considerável para os módicos 13º deste vinho. Notei-lhe ainda, logo desde que o abri, um tracito de Xerez a denunciar ligeira oxidação.

Passou ligeirinho e discreto pela boca, simples e suave, um pouco abafado e muito fácil de beber. Mais vegetal que frutado — porventura sem grande consentaneidade com o nariz — não o encontrei muito expressivo.

Não tem nenhum defeito evidente. Vai muito melhor com comida que sozinho. Se tivesse de o descrever de forma muito, muito sucinta, di-lo-ia regular — nada de particularmente interessante...

Custou à volta de 3€.

13

sábado, 6 de setembro de 2008

Broa da Avó Carmelina

Na cuba da máquina de fazer pão, deitam-se 380ml de água muito quente, a ferver ou quase, temperada com 2 colheres e meia (de chá) de sal e 1 colher e meia (de sopa) de azeite, a que se adicionam 125g de carolo de milho.

Deixa-se repousar durante 10 minutos. Para:

a) deixar o carolo cozer um pouco;
b) dar à mistura tempo para arrefecer — o fermento de padeiro é composto por organismos vivos que morreriam uma vez colocados num ambiente tão quente.

Depois, juntam-se os demais ingredientes. São eles:

200g de farinha de milho T70;
175g de farinha de trigo T55;
125g de farinha de centeio;
25g de fermento de padeiro.

Deixa-se a máquina amassar a mistura até os ingredientes estarem bem ligados e, sem levedar mais, leva-se ao forno num tabuleiro enfarinhado com farinha de centeio, a 210ºC e durante 1h10.




P.S. — Naturalmente, esta broa também se pode amassar à mão.

Dior — DiorShow: Face Loose Powder

Diz ela, menina, ter comprado este blush por lhe ter achado a embalagem absolutamente irresistível.

Dele diz ter pouca cor: quase nenhuma, na verdade; possuindo, contudo, um brilho muito bonito, ideal para realçar e iluminar as maçãs do rosto e o decote. [Embrulha, cão.]

Diz ainda que traz um aplicador muito fácil de utilizar.

Não o achando, contudo, muito higiénico, uma vez que o dito, não lavável, se suja facilmente.

E que lhe adora o cheiro. Tanto, talvez, como o facto de se tratar de um pó muito fino, muito leve...




Posto isto, diz que não se arrepende de o ter comprado, ainda que só o utilize como iluminador, por cima de outro blush. E que, para iluminador, seja caro.

Conclui afirmando ainda não saber se voltará a torrar 40€ em tão parco — subtil para os de natureza bondosa — produto. Diz que «pensará nisso quando tiver pouco» — ou seja, que o vai voltar a comprar, a menos que, entretanto, saia algo novo com a mesma função. Eu conheço-a.

Comprou, diz ainda, a cor nº 004 — Spotlight Peach.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

mmm...

o que se segue fez-me rir,

mas, mas, mas!

ai, que puta de não-vida...





A Game of Fives



Five little girls, of Five, Four, Three, Two, One:
Rolling on the hearthrug, full of tricks and fun.

Five rosy girls, in years from Ten to Six:
Sitting down to lessons - no more time for tricks.

Five growing girls, from Fifteen to Eleven:
Music, Drawing, Languages, and food enough for seven!

Five winsome girls, from Twenty to Sixteen:
Each young man that calls, I say "Now tell me which you MEAN!"

Five dashing girls, the youngest Twenty-one:
But, if nobody proposes, what is there to be done?

Five showy girls - but Thirty is an age
When girls may be ENGAGING, but they somehow don't ENGAGE.

Five dressy girls, of Thirty-one or more:
So gracious to the shy young men they snubbed so much before!

***

Five PASSE girls - Their age? Well, never mind!
We jog along together, like the rest of human kind:
But the quondam "careless bachelor" begins to think he knows
The answer to that ancient problem "how the money goes"!



Lewis Carroll (1832-1898)

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Quinta de Ventozelo — LBV '1999

Não terminar os meus repastos da noite com um bom Porto ou coisa que o valha tem sido uma luta que me decidi a travar desde que comecei a notar as calças cada vez mais apertadas.

«Longe» vão os dias em que dois, três, cinco... cálices de bom vinho doce com queijinho ou bolinho à sobremesa eram condição sine qua non para conseguir adormecer — e era tiro e queda: adormecia que nem um porco, esparramado no sofá, e a meio da noite lá acordava e me arrastava até à cama — enfim, uma vida cheia de dor... Adiante.

Contudo, um gajo não é de ferro, e... que se foda! Às vezes, sacrificar um pouco da aparência a deuses maiores, como a Gula e a Preguiça, também não há-de fazer senão bem. Um insight muito interessante sobre este assunto, descobri casualmente aqui. Vão lá ver... Porque aquilo, sim, é verdade! É tudo verdade!

Para mais, como já passei a fase do Armando Carvalho — mas estando ainda a parsecs de «me chamar» Serafim Carvalho, só para que conste — que mal pode fazer um pneuzito ou outro? Bah!

Ainda assim, tenho resistido bem. Faz já algum tempo que claudiquei pela última vez, e foi com este Porto, um Late Bottled Vintage da Quinta de Ventozelo. Bem recebido pela crítica, levou 16 valores e meio de um senhor — chamado Luís Lopes — que trabalha para a Revista de Vinhos, e já ganhou qualquer coisita nesses concursos que por aí se fazem. Nada de, só por si, muito revelador — Mas encontrei-o muito baratinho aí há tempos, custou 7 ou 8€ numa promoção! — e o resto é história.

Dele foram feitas 10000 garrafas de 75cl a partir das cinco castas recomendadas para a região demarcada do Douro por «aquele estudo basilar» do Eng.º João Nicolau de Almeida. Estagiou durante 4 anos em pipas — de 550l — de castanho e carvalho português. E vinha muito bem vestido, numa garrafa muito bonita, negra e perfeitamente opaca, com direito a caixinha de cartão e tudo. Trazia ainda, numa bolsinha à parte, uma rolha capsulada — para substituir a rolha de origem uma vez vez aberta a garrafa. Poucos vintage vi serem tão bem tratados!

O vinho em si é escurinho, intenso de aromas — muito mais intenso que complexo, o que não surpreende ninguém, dada a idade e a estirpe — com predominância de frutos silvestres e especiarias, e talvez algum torrado. Na boca, denso, com bom volume e um final longo e melado, muito agradável.

Ao preço a que o comprei, foi um achado daqueles...

16

Black Sabbath — Heaven and Hell

Era puto. 13 anitos, no máximo. Foi dos primeiros discos que comprei. Black Sabbath sem o Ozzy. Muito bom. Fica um cheirinho.

Throw me a penny / And I'll make you a dream / You know life's not always what it seems / Think of a rainbow / And I'll make it come real / Roll me, I'm a never ending wheel.

I'll give you a star / So you'll know / Just where you are / Don't you know that I might be / Your wishing well?

Look in the water / Tell me what do you see / Reflections of the love you give to me / Life isn't money / It's not something you buy / Let me fill myself with tears you cry.

Time is a never ending journey / Love is a never ending smile / Give me a sign to build a dream on, dream on...

Throw me a penny / And I'll make you a dream / You know life's not always what it seems / Love isn't money / It's not something you buy / Let me fill myself with tears you cry

I'll give you a star / So you'll know just where you are / Someday, some way you'll feel the things I say / Dream for a while of the things that make you smile / Don't you know, don't you know / Oh you know that I'm your wishing well / Your wishing well, wishing well...



Mais detalhes sobre o álbum, aqui.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

AcR — Reserva '2006

Acompanhou — e muito bem — a paparoca do post anterior.

É um vinho do Alentejo — DOC — produzido pela Adega Cooperativa de Redondo, que tem uma página web muito bem conseguida aqui.

Obteve uma medalha de prata no Concours Mondial de Bruxelles 2008 — que dizem de Bruxelas mas parece que foi em Bordéus... enfim, son cosas de la vida.

Produzido com castas típicas do Alentejo, Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet, passou 12 meses em barricas novas de carvalho francês e americano, a que se seguiram mais 6 meses em garrafa antes de ser introduzido no mercado.

No que toca aos aromas, achei-o muito bonito. Tem um nariz quente, envolvente e muito guloso, com fruta muito doce, algo abafada mas muito fina, muito complexa e aromática, bem casada com caramelo e melaços, um pouco de chocolate e algum balsâmico. Em claro contraponto com tanta doçura, a madeira, resinosa, transmite seriedade ao vinho, impede-o de se tornar enjoativo. Quase adorável.

Na boca, mostra-se bem estruturado, com as medidas certas, mas nem de perto nem de longe tão exuberante. Talvez, até, um pouco curto de final.

Custou 6€.

15

Fondue de Queijo Mozzarella

Ontem jantámos outra receita clássica que existe num sem fim de variantes — fondue de queijo. Assim a preparámos:

Deitou-se na panela de fondue 500g de queijo mozzarella ralado. Foi ao lume brando até derreter. Então, e sempre com a panela sobre o lume brando, juntou-se-lhe 300ml de vinho branco, 2 dentes de alho laminados e 3 colheres de chá de pimenta preta. Mexendo sempre, deixou-se o vinho misturar-se na íntegra com o queijo. Acabou por se formar um molho de textura cremosa e uniforme.

Num copo à parte, dissolveu-se uma colher e meia de sopa de Maizena num fundo de vinho branco (3 ou 5cl, não mais), mexendo até ficarem muito bem misturados, sem grânulos. Adicionou-se então esta mistura à panela de fondue, mexendo até engrossar.

Levei a panela para a mesa, utilizando o lume da lamparina, o mais baixo possível, só para impedir o queijo de arrefecer, mantendo assim o molho cremoso. A refeição acabou por consistir em bocaditos de pão torrado, cubinhos de fiambre e cogumelos previamente salteados, sem líquido, molhados no queijo.




Pode ser mais uma refeição de Inverno, de facto. Mas cá em casa gostamos tanto que, mesmo nesta altura, nos é difícil resistir-lhe. Para mais, dado que vivemos na era dos climatizadores e não andamos a comer no meio da rua, jantares de Inverno bem regados com vinho tinto estão perfeitamente bem. Coisas mais estivais, comam-se de dia, e que outros as preparem para nós. Peixinho & alvarinho à sombra da bananeira... :)




P.S. — Por incrível que pareça, muita gente navega a web à procura de como acender um réchaud — aquela base de ferro com uma fonte de calor onde se aquece a panela de fondue. Pois bem: se a fonte de calor for uma lamparina, seja ela de que tipo for, coloca-se «dentro» da base metálica que serve de suporte à panela. Depois, enche-se de álcool. Por fim, com um fósforo, acende-se. Coloca-se a panela sobre «aquela estrutura» metálica com a fonte de calor, acesa, por baixo... e pronto, é só.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Pingo Doce — Alentejo Reserva '2006

Não encontrei muita informação sobre este vinho. Aqui lê-se que «com aromas e sabores quentes de compotas e ameixas, é um vinho ao mesmo tempo elegante e vigoroso». É produzido pela FALUA a partir de uvas Alicante Bouschet, Castelão, Aragonês, Trincadeira e Cabernet Sauvignon. A enologia está a cargo de Mário Andrade.

Cor avermelhada, muito intensa. O aroma não engana: indica logo estarmos perante um vinho alentejano. Generoso e um pouco abafado, mostra os frutos pretos bem maduros do costume — alguns porventura em compota — associados áquilo que só me faz lembrar casca de laranja sobreamadurecida ao sol, mel e melaços e ligeiras notas especiadas. Tudo bem ligado. Na boca, os aromas surgem intensos e bem definidos. É guloso. Sabe muito a fruta madura, por vezes quase a fugir para o doce. Nota-se ainda uma ou outra sugestão ferrosa, talvez ensanguentada. De resto, embora não muito encorpado, revela-se bastante macio, com os 14,5% de álcool a não se tornarem o centro das atenções. Final discreto, mas bom.

Para um vinho de consumo quotidiano, parece-me uma opção decente. Custa 3€ e tal.

14,5

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Evel — Grande Escolha '2004

Outro habitué da minha garrafeira. Douro DOC, topo de gama da Real Companhia Velha. Para perceber o que dele se espera, bastará citar um pequeno excerto da apresentação que lhe é feita pelo produtor:

O Evel Grande Escolha representa, actualmente, o topo da gama dos vinhos da Real Companhia Velha e pretende vir a afirmar-se entre os melhores do País.

É um dos «101 Wines Guaranteed to Inspire, Delight, and Bring Thunder to Your World», de Gary Vaynerchuk.

Decantei-o mais de uma hora antes de o servir — a 17ºC.

A cor, de tom rubi carregado, faz adivinhar uma muito boa concentração. Começa um bocadito fechado, mostrando, muito suave, aquele aroma a fazer lembrar framboesas com mato e um toque de verniz, característico dos bons tintos do Douro. Que cresce, e aí o nariz ganha um bom componente balsâmico, mais fruta e mais mato, frescas ervas aromáticas, resina de pinheiro e um toque de cânfora... Na boca é denso, com mais daquilo que mostra no nariz, mas com a fruta, agora intenso cassis com ponta de chocolate, a mostrar-se grande, a querer ser gulosa... Acabando, contudo, sempre moderada pelas bonitas notas de tosta de madeira e pelo «dedo» químico que, discretos, mantêm o conjunto no lugar.

De estrutura notável, fresco e encorpado, com belos taninos, muito persistentes, acidez bem domada e uma pontinha de álcool, é um vinho de grande harmonia, tanto no nariz como na boca — apesar da juventude. O final é longo e muito saboroso.

Dos vinhos que conheço, não só é dos que têm mostrado maior consistência, colheita após colheita, como tem sido dos que apresentam melhor relação qualidade/preço. Sem surpresas, é sempre muito bom. Por 15/17€, não fica a dever nada a outros topos de gama do Douro, mas custa metade do preço da maior parte deles. Ainda bem.

17,5