quinta-feira, 9 de outubro de 2008

What is the Word

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what is the word
folly from this
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given
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Samuel Beckett,
What is the Word,
1989

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Sopa...

Esta sopa tanto pode ser comida antes do prato principal como, até, sê-lo. Tal como a maioria das sopas, é muito fácil de fazer e tem a vantagem de possuir uma parte animal que garante a sua aceitação entre os comedores de carne inveterados. Aqueles que, como eu, tendem a torcer o nariz às sopas puramente vegetais...




Faz-se assim:

1. Abrir e escorrer uma lata grande — daquelas com 800g de peso líquido — de grão-de-bico. Reservar. Cortar 275g de linguiça em pedaços grandes. Reservar.

2. Descascar 2 cebolas grandes e cortá-las aos cubos para dentro da panela onde se vai fazer a sopa. Juntar azeite — não muito — e levar a lume forte.

3. Quando o azeite começar a ferver, adicionar a linguiça. Deixar refogar durante 5 minutos.

4. Juntar ao refogado 2ℓ de água, uma pitada de sal e metade do grão escorrido. Com a escumadeira — ou o que mais puder servir para o efeito — retirar a linguiça para dentro de um recipiente à parte e reservar. Deixar ferver a sopa durante 20 ou 25 minutos, até a cebola e o grão se notarem cozidos, sempre de panela destapada.

5. Passar um pouco a sopa com a varinha mágica.

6. Juntar o resto do grão, a linguiça que se tinha posto de parte e 500g de couve coração-de-boi (é uma espécie de repolho). Deixar cozer até a couve estar bem mole — à volta de 10 minutos, no nosso caso.

7. Servir. Depois de servido, gosto de juntar ainda mais um bocadinho de azeite ao «prato», como se pode ver na foto. Eu gosto assim!


P.S. — Parece que há quem ache estranhas estas aventuras de menino & menina à solta na cozinha, ainda por cima sendo nós novinhos, sem putos e cheios de alternativas. Pois bem: fazemo-lo porque gostamos. A meu ver, este tipo de cooperação entre duas pessoas que estão juntas só tem vantagens... e não deixa de ser bonito de se ver.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Croissants Austríacos

Não fomos nós que os inventámos — oh, duh! — e também não nos lembramos de onde tirámos a receita. Como (afinal, segundo parece) as ditas não têm direitos de autor, enfim, tanto faz. Para quem quiser, aí ficam, apenas como modesto contributo para um lanche diferente. Ficam muito ligeiramente adocicados, logo vão bem com doces e salgados. Nós gostamos.




Ingredientes:

1Kg de farinha de trigo;
330ml de leite morno;
200ml de açúcar branco, refinado;
150g de margarina;
60g de fermento de padeiro;
2 ovos grandes;
1 colher de sopa de sal;
gema de ovo q.b. — para os pincelar;
margarina q.b. — para untar o papel onde vão cozer.



Preparação:

Num tacho, derrete-se a margarina misturada com o leite, sem deixar levantar fervura, e verte-se na cuba da máquina de fazer pão. Depois juntam-se os restantes ingredientes, pela seguinte ordem: açúcar, sal, farinha, ovos, e por fim o fermento. Dá-se uma volta ou duas com uma colher ao conteúdo da cuba, só para misturar um pouco os ingredientes antes de serem amassados, e inicia-se o ciclo «amassar». Que, cá em casa, dura uma hora e meia — mas é provável que os valores variem de máquina para máquina, pelo que este tempo fica como simples indicador.

Terminado o ciclo, estende-se a massa de modo a formar um círculo. Círculo esse que se corta em oitavos, formando triângulos (fig. 1).



Fig. 1

Fig. 2



Depois acertam-se as arestas dos triângulos (corta-se a massa excedente) e enrolam-se segundo o sentido da seta da fig. 2.

Uma vez enrolados os croissants, untam-se com margarina dois pedaços de papel de ir ao forno, cada um dos quais grande o suficiente para forrar a superfície do tabuleiro onde se vão cozer. Isto porque não é possível cozê-los todos numa só fornada, a menos que se possua um forno realmente grande.

Pincelam-se com gema de ovo batida, colocam-se em cima do papel onde irão ao forno e deixam-se levedar durante 1h ou 1h15. Cozem a 180ºC, aproximadamente 35 minutos.


Notas:

• Embora estes croissants tenham sido amassados na máquina de fazer pão, também se podem amassar à mão.

• O açúcar refinado, fundamental para os croissants ficarem bem leves, faz-se facilmente em casa, deitando a quantidade desejada de açúcar em cristais num processador de comida ou moinho de café — ou coisa que o valha — e moendo-o durante cerca de um minuto. Deixe assentar o pó antes de abrir!

• Depois de estarem a levedar em cima do papel untado, deve ter-se o cuidado de transportar os croissants para o forno sem lhes tocar, pegando o papel pelas pontas e depositando-o em cima do tabuleiro — tocando-lhes, é natural que abatam.

• Quem gostar dos croissants com um ligeiro sabor a limão ou laranja, logo no princípio do procedimento, ao aquecer o leite, junte-lhe uma casquita do «aroma» que quiser usar...


Se alguém fizer, esperamos que gostem! :)

domingo, 5 de outubro de 2008

Calda Bordaleza '2005

Há dias, hora de jantar, na rua e sem a menina, na altura ocupada com outros afazeres, calhou passar ao pé do Ida & Volta, na Calouste Gulbenkian, e ocorreu-me ir ver como era.

Nunca lá tinha ido. Parecia-me um pouco pedante, que Deus me perdoe. Mas entrei e não fiquei nada desiludido. Devo dizer, até, que gostei muito.

É um restaurantezinho muito simpático, pelo menos se não estiver cheio, confortável e onde se come bem. A garrafeira, embora nem por sombras se possa considerar grande, está bem composta, com uma data de vinhos porreiros a preços convidativos. Como já tinha ouvido dizer bem deste — 17,5 valores no guia de João Paulo Martins, por exemplo — e ali o tinha a jeito...

Trata-se, então, de um tinto da Campolargo, de Manuel dos Santos Campolargo, talvez o mais inovador e irreverente produtor da Bairrada — ideia inevitável após a leitura deste interessante artigo.

É uma calda típica da região do Médoc — aliás, como o nome indica — feita a partir de 45% de uvas Merlot, 40% de Cabernet Sauvignon e 15% de Petit Verdot, e que passou 13 meses em madeira nova.

No copo, rubi escuro, opaco. No nariz, ainda um bocado fechado, como que a guardar-se para o futuro. Percebi-lhe, contudo, uma interessante fusão de romãs e frutos vermelhos com relva recém-cortada e pimento verde, fumo e madeira. Tudo suave e bem misturado, agradável. Tal como na boca. Sedoso e redondo, de acidez vincada e álcool perfeitamente integrado. O final, saboroso, podia ser mais persistente.

Fez companhia a um coelhinho à caçador — que também estava muito bom — e deram-se lindamente. Custou 33€: um preço mais que justo — convidativo.

Não terminei a noite sozinho. Enquanto caçava no prato, elas despacharam-se e vieram fazer-me companhia... e comer sobremesas.

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sábado, 4 de outubro de 2008

Saint Etienne — Foxbase Alpha

Muito bonito.


Ora esta é cover desta. De 1990. Mais, aqui.

Pintas '2003

Aquele sítio do Mouchão que encantou já tinha ficado fisgado para uma futura visita. Assim que possível. Ora, como nem duas semanas teriam ainda passado e eu já estava de volta à parvónia, lá fui fazer o gosto ao dente: por mais que um tipo goste de cozinhar, às vezes sabe bem que nos preparem qualquer coisita, sobretudo quando quem o faz sabe o que está a fazer.

De comer, tudo bom. Excepto o patê de faisão enrolado em couve, que estava divino. Pouco de novo experimentei. Sou um animal de hábitos.

De beber, hesitei bastante entre este Pintas e o Quinta do Vale Meão de 2004. Como os donos do Pintas me parecem ter mais pinta que os outros — fúteis motivos! — e também porque prefiro grandes misturadas de castas autóctones a percentagens bem definidas daquela meia dúzia, ou menos, de raças do costume, sobretudo tratando-se de vinhas velhas.

Pedi que mo decantassem e refrescassem um pouco, o costume. Assim que o abriram, primeiro reparo: que rolha tão grande! Tive de a trazer comigo. E até fiz uma coisa parola só para vo-la mostrar —




Eis pois o altarzinho. Adiante... É melhor!


O vinho propriamente dito não desapontou, nem pouco mais ou menos. De cor, continua muito escuro. Ou muito me engano, ou há ali pinga para muitos anos. De aromas, a destacar uma intensidade contida, uma discrição boa na forma como se foi mostrando ao nariz, que muito me agradou. Do Douro, tem tudo. As flores são brisa, não perfume. A fruta não explode nem surge em calda de açúcar, mas nota-se madura e muito apelativa. O mato seco também lá está, mas muito discreto, como que a abrir caminho para outros aromas — algum cacau, seivas e tosta de barrica. Fresco na boca, mostra grandes e suaves taninos, 14% de álcool perfeitamente integrado e uma acidez vibrante, mas domada na perfeição — ou quase. Gordo, muito redondinho, extremamente elegante, dotado de mineralidade límpida, nobre. E um belo final, longo e muito saboroso.

100€.

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Falta o bláblá "contextualizante" do costume. Aí vai:

Da Wine & Soul, este vinho foi produzido a partir de uma trintena de castas diferentes, misturadas num encepamento tradicional para Porto Vintage, numa vinha com 70 anos. Estagiou durante 18 meses em barricas de carvalho francês, 70% das quais, novas. Encheram-se 5000 garrafas de 75cl.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Altano '2006

Douro DOC da Symington. Página web... aqui.

Feito de Aragonês (70%) e Touriga Franca. 80% do lote envelheceu em cascos usados de carvalho americano e francês.

Provei há tempos o de 2005 e fiquei encantado. Repeti-o muitas vezes com prazer. Infelizmente, o de 2006 não me parece tão bom.

Cor rubi. Mostra flores, frutos e mato seco no aroma. Está mais vegetal e menos balsâmico que o da colheita passada. Não é muito encorpado, mas mostra boa intensidade gustativa. Ganhou em acidez o que aparenta ter perdido em profundidade — abrutalhou-se um bocadito... Taninos redondos, beba-se já. Final agradável.

Perdeu parte do encanto, mas continua bem fixe. O preço manteve-se — 2,69€.

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Mais logo, duas boas pomadas que bebi recentemente «na rua».

Lavradores de Feitoria — Gadiva '2005

Lavradores de Feitoria são uns senhores vinhateiros do Douro que se juntaram há uns anitos num projecto de contornos deveras engraçados. Têm uma página, muito bem feita, aqui.

Este vinho, que resultou de uma parceria com o grupo Jerónimo Martins, foi vinificado a partir de uvas das castas Aragonês, Touriga Nacional e Touriga Franca, provenientes de todas as três sub-regiões do Douro. Parte do lote estagiou durante 6 meses em barricas usadas de carvalho francês.

Cor rubi, intensa. Aroma aceso — muita fruta madura — marcado pela madeira — fortemente abaunilhado — e por algum álcool. Ligeira vinosidade. Corpo mediano, taninos com aresta (irão amaciar?) e vívidas impressões de groselhas e cerejas, caramelos de nata e baunilha no palato. Um tanto ou quanto capitoso, apesar dos 13,5% vol. Pontinha de verniz. Final saboroso, mas não muito prolongado. Interessante. 4€.

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Quinta de Saes — Colheita Exclusiva '2007

Dão (DOC) produzido por um dos grandes enólogos portugueses da actualidade — Álvaro Castro.

Cor rubi de intensidade moderada.

Aroma jovem e original, dulcíssimo e ligeiramente vinoso. Cheio de perfume de figo em mel no ataque, evolui depois para nítidas notas de cera e banana seca, por entre as quais apenas se conseguem adivinhar ligeiras sugestões de cassis.

Boca equilibrada a revelar muita fruta sumarenta num registo «doce» e fácil de beber. Taninos arredondados e final discreto.

Está bem feito e é um vinho muito, muito fresco. Não é grande, não é profundo, não tem potencial para envelhecer. É um tinto para ocasiões de branco, para quem não gosta de brancos... como eu.

Para o preço, menos de 3€, é uma óptima aquisição.

Do mesmo produtor, cá em casa gostamos muito deste.

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quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Quinta dos Carvalhais — Touriga Nacional '2000

Continuemos com um vinho... polémico. Pesquisando a web, poucos encontrei que se tivessem deslumbrado com ele. Já críticas, vi bastantes. Enfim, serão gostos...

Pois bem: este vinho, a mim, tocou-me.

Cor avermelhada com orla a fugir para o laranja. Nariz fresco e suave, verdadeiramente perfumado, cheio de frutos vermelhos muito bons, muito doces, a par com belas notas florais — bergamota e lótus branco — surgindo por fim as notas de cabedal típicas dos «Touriga» envelhecidos, alguma especiaria e ligeira tosta. Tal como no nariz, entra fresco na boca. É um vinho de corpo apenas mediano, mas muito macio, muito equilibrado, de presença delicada, delicioso, com sabores pronunciados, muito engraçados, a manga e maracujá, a elevarem-se antes das framboesas, dotadas de agradável acidez, vendo-se o conjunto coberto por finíssima tosta de grande elegância. Com 12,5% vol., não sobressai ponta de álcool, e o final, apesar de muito aprazível, é curto — e foi este o maior defeito que lhe encontrei.

Há quem diga que a Touriga Nacional não sabe envelhecer sozinha. Não deve ser verdade. Pelo menos a acreditar no que este vinho — tão incompreendido — me mostrou...

Da região do Dão, a Quinta dos Carvalhais pertence ao Grupo Sogrape. Ficha técnica deste vinho, em PDF, aqui.

Custou 20€.

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