sábado, 31 de janeiro de 2009

Sem-Fim '2006

Tinto duriense — vem do Cima Corgo — produzido pela Vallegre. Que, curiosamente, não o inclui na lista de tintos secos que disponibiliza online. Cor rubi. Fruto vermelho, esteva e baunilha no aroma. Tudo pouco saturado. Boca mediana em força e corpo. Bagas maduras e mais baunilha. Fácil, mas comedida na doçura. Ter-lhe-ei notado uns pozinhos de barrica? Acidez discreta. Final curto. Trata-se de um vinhito lúrido e muito simples, mas que consegue ser agradável. Fez-me lembrar de uma passagem d'«O Casarão Verde», de Ricardo Ferrer da Silva: «... e viu a mulher com cara de menina em expressão suave, como se estivesse dormindo». Penso que vá bem com comida ligeira — eu, pelo menos, gostei da forma como acompanhou os hambúrgueres de atum do post do passado dia 28. Dei por ele à volta de 2,50€, numa das «promoções» do Elefante. 15

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Niepoort — LBV '2004

Proveniente de vinhas velhas do Cima Corgo, vinificado em lagares com pisa a pé e envelhecido durante 4 anos em tonéis de madeira usada, é o mais recente Late Bottled Vintage da Niepoort.

Ficha técnica, aqui.

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Cor rubi — naturalmente.

Aroma directo e bastante intenso a frutos negros e chocolate amargo.

Mais tarde, na boca, também passas e figo seco, em conjunto denso, coeso, que já evidencia alguns sinais de maturidade. Comparado com a maioria dos LBV novos que tenho experimentado, pouco doce. Corpo cheio, dotado de boa viscosidade. Álcool pronunciado, embora não completamente deselegante, e taninos que talvez um dia serão sedosos.

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Precisa de tempo, sem dúvida. E não é mau, nada mesmo, mas gosto de Porto mais macio e suave.

15€.

16

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Primavera — Special Selection (Bairrada) '2003

Bairrada DOC das Caves Primavera.

O rótulo afirma tratar-se de um vinho moderno, resultado de «um lote combinado de uvas das castas Baga e Touriga Nacional».

Das 13350 garrafas produzidas, calhou-me a nº 11000.

De cor granada, este vinho possui um nariz complexo e até bonito, apesar de nem por um momento se mostrar efusivo e de um breve algo indefinido, acre, que deixa, desde o primeiro instante, adivinhar uma acidez elevada. Com o passar do tempo no copo, a fruta vermelha — doce mas ácida, fria e nunca gulosa — levanta-se de entre os aborrachados iniciais e demais impressões voláteis, na sua maioria «verdes», ganha presença, complexidade, e vai-se tornando mais quente, mais envolvente, à medida que, primeiro a folha de eucalipto seco, depois as notas de cacau, tabaco e folha de chá preto vão tomando os seus lugares. Sugestões de azeitona verde um pouco por toda a parte; tranfiguram-se depois em casca de laranja cristalizada.

Na boca é, acima de tudo, robusto. E muito vivo, muito enérgico — por via daquela acidez que refresca — mas também desafia o palato. Taninos maduros, mas que nunca serão realmente aveludados. Morangos e framboesas um pouco ácidos dão, com o tempo, lugar a mais generosas cerejas, cacau e figos secos.

Custou 5,20€ — grande RQP!

16,5


P.S. — A Blue Wine deu-lhe 16,5 valores em Fevereiro de 2007.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Hambúrgueres de Atum + Arroz de Tomate + Picante Caseiro

Hoje comemos macios — e pouco calóricos! — hambúrgueres de atum. Ficaram óptimos. Surpreenderam. Pelo que aí vos deixo a receita.




Numa taça, misturam-se 360g (3 latas de 120g) de atum de conserva (em água), escorrido, com 80g de miolo de pão triturado, dois ovos, 35g de farinha de trigo, uma cebola e um dente de alho, ambos picados, uma colher (das de chá) de sal, outra de pimenta preta moída e mais meia de fermento Royal, e uma colher (de sopa) de azeite. Mexe-se bem. Com a massa resultante, fazem-se bolinhas, que se espalmam e fritam em manteiga, 8 a 10 minutos de cada lado, em lume brando.


Comemo-los com arroz de tomate, que se faz assim:

Refogam-se em azeite uma cebola e um dente de alho, picados, a que se juntam 200ml de arroz agulha e meia folha de louro. Deixa-se o arroz fritar um pouco, mexendo sempre, e tempera-se de sal: duas colheres de chá devem ser o suficiente. Por fim, adicionam-se ao cozinhado cinco colheres (das de sopa) de massa de tomate e meio litro de água, deixando cozer em lume brando.


E delicioso molho picante...

Cozem-se (em água) 200g de malaguetas frescas, inteiras e com caule, até ficarem moles. Então escorrem-se, removem-se os caules e trituram-se com a varinha mágica. Junta-se à pasta resultante 500ml de massa de tomate, 1 colher (de sopa) de alho em pó, 1 colher (de sopa) de açúcar mascavado e outra (das de chá) de sal. Leva-se ao lume até engrossar. Deixa-se arrefecer e está pronto!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Valle Pradinhos '2005

Um clássico, este Vinho Regional Transmontano, de Macedo de Cavaleiros, produzido e engarrafado no Casal de Valle Pradinhos, propriedade da família de Manuel Pinto de Azevedo, empresário portuense que, fascinado pelas altas terras de Trás-os-Montes, adquiriu a propriedade em 1913.

Para saber mais sobre o legado do supracitado cavalheiro, talvez este seja um bom lugar — a estalagem era de sonho: em puto, passei lá uma noite com os progenitores; regressávamos das frias praias da Corunha, via Ourense... :\


Oh well, whatever, nevermind...


Tinta Amarela, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional são as castas utilizadas na elaboração deste vinho. Quanto a estágio em barrica — e é certo que o teve —, nada consegui apurar.

Em jeito de prova, posso dizer que o vinho é de tom rubi bem escuro e algo opaco.

E aroma mais denso que intenso, e um bocado austero. Demora a soltar-se. Depois mostra-se doce, mas pouco. Predominam, límpidos, os frutos vermelhos, mas também mostra qualquer coisa de verde — talvez feno —, e rosas e outras flores, madeiras cheirosas, especiarias e muita tosta de barrica. Com o tempo, surgem no copo sugestões de caramelo de leite...

Na boca, surpreende — aparece gordo e cheio de força, bem mais intenso do que o nariz deixa adivinhar, e à sua maneira austero, mas sem que isso o torne nem menos tenso, nem menos elástico. É um tinto elegante e, sem dúvida, muito saboroso.

Termina longo e firme, a evocar chocolate amargo, madeira, grafite...

Adivinho-o durável, talvez por mais de dez anos [mas já vi quem adiantasse que poderá vir a durar vinte ou mais].

Custou — apenas — cerca de 9€.

17

Bôla de Fiambre e Paio York

A receita que nos levou a fazer esta bôla, vimo-la aqui. A massa é idêntica. Apenas reduzimos a quantidade de recheio, de modo a ficar mais ao nosso gosto.


Posto isto, a massa levou os seguintes ingredientes:

600g de farinha;
5 ovos;
4dl de leite morno — nunca a mais de 35ºC;
60g de manteiga derretida;
40g de fermento de padeiro;
sal q.b..


E o recheio,

200g de queijo;
100g de fiambre;
100g de paio york.




Verteu-se o leite na cuba da máquina de fazer pão e nele se dissolveu o fermento. Juntou-se uma pitada de sal, a manteiga e metade da farinha. Deixou-se levedar durante 45 minutos. Juntaram-se os ovos e a restante farinha, e mandou-se a máquina amassar.

Para o processo de elaboração da massa sem recorrer à máquina de fazer pão, pode sempre consultar a página de onde tirámos a receita — o enlace está lá em cima.

Na receita original, o recheio, mais farto, é disposto em duas camadas. Dado que nós gostamos de sabores muito menos concentrados, reduzimos substancialmente a quantidade de carnes frias. Assim, achámos apropriado colocar o recheio todo junto, numa só camada — o que até simplificou a feitura da bôla.

A massa resultante estendeu-se sobre uma superfície enfarinhada de modo a formar um rectângulo com cerca de 1,5cm de espessura e não mais de 15cm de comprimento — a largura de uma fatia de fiambre, mais ou menos — no lado menor. Depois cobriu-se com os ingredientes do recheio, previamente limpos de cascas e gorduras, enrolou-se e deixou-se levedar durante meia hora num tabuleiro untado.

Foi ao forno, a 200ºC, até ficar dourada — o que demorou 35-40 minutos.



P.S.

Uma curiosidade que me pareceu interessante: segundo o Instituto Português da Qualidade, paio york é um «produto constituído por carne magra de suíno da perna, pá, lombo ou suas misturas, na globalidade em pedaços com dimensão superior a 30mm, adicionado de pimentão e outros condimentos e aditivos legalmente autorizados podendo ser ensacado, envolvido por rede ou atado, sujeito a tratamento térmico por cozedura podendo ou não ser fumado, com formato cilíndrico».

Podem consultar o documento completo, escrito num Português hórrido e disponibilizado no muito conveniente formato PDF, aqui.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Evel '2005

Douro DOC da Real Companhia Velha. Rubi escurinho. Aromas simples e discretos. Travo de ginja em álcool; corpo estreito, taninos farinhentos, fraca persistência.

3,80€.

13

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Álvaro Castro '2007

Cor rubi. Fruta doce e fluida, repleta de notas de cera. Boca de porte justo, razoavelmente macia, com a acidez levemente desenquadrada. Final médio.

7,50€.

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Dias cinzentos; o céu encobre-se num instante. Um tipo está bem; de repente faz-se quase noite e o barulho das gotas lá fora... Meu Deus, como me oprime esta chuva! As coisas que ela traz!

domingo, 18 de janeiro de 2009

Callabriga (Douro) '2005

Dezassete anitos; era caloiro. Aconselhado por um primo que se tinha por bon vivant, foi a primeira botelha que comprei com o «meu» dinheiro. Gostei. Logo se tornou, e durante muito tempo, fiel companheira de tantas grelhadas, de tantas charradas... Não era grande apreciador de vinho, não. Mas sabia aquilo de que gostava, e gostava muito dele. Entretanto, não sei porquê, deixei de beber. Passam dois, talvez três anos. Reencontro o vinho, desta vez com redobrada curiosidade. Agora não me basta apreciá-lo como quem lê um volume de amena literatura: sinto que me provoca, quero conhecê-lo melhor. Assim volta o «velhinho» Callabriga, quase uma necessidade. E embora as coisas lá fora tenham mudado, aquilo que encontro dentro do copo não deixa de me parecer familiar.

Enfim. Seguindo em frente, para a página do, digamos, produtor, link; para a da marca, link; para a ficha técnica deste vinho em particular, link.

Do reencontro (em jeito de cata), retive as impressões que a seguir disponho:

Cor rubi; daqueles rubis "sangue de pombo", escura.

Nariz longo e suave, rico e profundo; mas os aromas insistiram em surgir misturados, como se numa sopa. Notei-lhe fruta vermelha e negra — framboesas e cerejas, muitas. Também feno e cacau amargo. Cedro e fumo. Madeira abundante, tanto na quantidade como na diversidade das suas manifestações. Vincada, não excessiva.

Intenso, suculento mas nunca guloso, o sabor sugeriu-me, acima de tudo, cerejas, doces e amargas, em licor. Redondinhas. Etanol, cheiroso mas frio. Mato seco e chá. E baunilha, cedro, pinho, fumo — de novo, bastante madeira — com alguma adstringência associada. Depois, chocolate semi-amargo e mais madeira, que só se dissipou com a última réstia de sabor — demorou.

É bom constatar que continua potente e contido; manteve a traça clássica. Acredito que a madeira se suavize com o passar do tempo. Terá mais de cinco anos de evolução positiva em garrafa. Custou 16,50€.


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