segunda-feira, 6 de abril de 2009

Quinta da Alorna — Reserva (Touriga Nacional + Cabernet Sauvignon) '2004

Vinho Regional Ribatejano, proveniente da Quinta da Alorna. Diz o produtor: «Reduzimos as produções destas 2 castas, que foram controladas na vinha através da monda em verde dos cachos. As uvas bem maduras permaneceram 2 dias em maceração pelicular para extrair mais aromas. Seguiu-se a fermentação com temperatura controlada a 26ºC. Após a fermentação malo-láctica e o estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês, o lote final foi colado com claras de ovo antes do engarrafamento.» Cor rubi muito escura. Prevalecem no nariz as marcas da Touriga Nacional — aroma forte e complexo, inicialmente cheio de fumo, flores e especiarias. A fruta negra, sólida, só apareceu depois, mas instalou-se para ficar. Boca robusta, cálida, redonda e gulosa. Já o estava a beber há muito quando lhe notei a marca distintiva do Cabernet Sauvignon plantado em climas temperados — leves notas de pimento verde (duh). Todo ele se mostrou opulento e capitoso — e isto pareceu-me estranho num vinho tão encorpado e com apenas 13,5% de álcool — O final não foi excepção.

7,50€.

16

Cartuxa '2003

Bebi este no "Cozinha Vecchia", a acompanhar um belo polvo assado com espigos de couve — os outros são amargos; não gosto. Lote de Trincadeira, Moreto, Alfrocheiro, Aragonês e Castelão. Veio daqui. Cor granada. Bafiento no início, revelou depois fruta madura e em licor. Também notas de café, tabaco e cabedal. E, um pouco por toda a parte, na conta mais que certa, suor animal, esse defeito que já foi qualidade — até se saber ser uma das assinaturas da levedura "selvagem" Brettanomyces, que pode significar falta de higiene na adega e, em excesso — como quase todos os excessos — é bem capaz de tornar o vinho imbebível (incheirável) . . . De qualquer forma, e dada a guerra que lhe têm movido em nome de aromas mais limpos e frutados, já a não via há muito, e que saudades! Voltando à bebida, boca mediana em porte e persistência, dotada de excelente acidez — não só a transmitir boas ideias de frescura como a conseguir sugerir uma muito subtil mas interessante adstringência. Taninoso?, nem pensar. Custou 23€, se não me engano.

16,5

Herdade do Esporão — Touriga Nacional '2004

Já conhecia este vinho, embora nunca aqui tenha falado dele. Já aqui comentei, isso sim, o da colheita de 2005. Como esse, trata-se de um monocasta Touriga Nacional com seis meses de estágio em barrica. Isto, claro está, à data do seu lançamento — e já para aí anda a edição de 2006. O vinho propriamente dito, concentradíssimo — quase explosivo — em novo, tendo mantido o carácter quente e carnudo, é bem capaz de estar mais civilizado. As muitas violetas continuam lá, tal como a fruta madura e as sugestões de madeira tostada e especiarias. Mas, ou a memória me atraiçoa, ou está menos químico, mais frutado, mais doce, menos quente, intenso e pesado. E mais redondo, já quase sem aquela secura vegetal que até meados do ano passado lhe detectava no fim. Começam a despontar notas de cabedal, talvez sinal de que está a envelhecer — mas não lhe notei sinais de declínio. Depois do de 2001, a minha colheita favorita destes Touriga Nacional do Esporão — ainda cheio de força. . . Terá custado 10 ou 15€.

17

Quinta de la Rosa — Reserva '2005

Retaste, este do topo de gama da Quinta de la Rosa. Lote composto por 56% de Touriga Nacional, 10% de Tinto Cão e 34% de uvas provenientes de vinhas velhas, sinónimo de muitas castas misturadas e nem sempre diferenciadas (-áveis). Estagiou durante 16 meses em carvalho Allier. Está na mesma desde a primeira vez que o bebi, talvez um pouco mais macio. Cor rubi, escura e concentrada. Nariz perfumado, mas longe de exuberante — frutos silvestres discretos e flores; também pinho, bastante cedro, tosta e fumo. Boca fresca e equilibrada, comprida e ampla. Sabor muito agradável, com pontinha resinosa. Fundo/fim de boca cheio de excelente madeira, a proporcionar aquela sensação de "amargo bom" que tanto aprecio. Este robusto tinto duriense, indubitavelmente bem feito, não só me pareceu bastante original — não é daqueles acerca dos quais se pode dizer que só podia ser do Douro — como o achei deveras elegante, a aparentar ter tudo para envelhecer muito bem.

30€.

17,5

Quinta de Covela — Colheita Seleccionada '2003 (Branco)

Veio daqui. Dourado profundo no copo, a fazer lembrar a cor de um «late harvest». Começou com cheiros pouco bonitos — bafio, borralha de azeite e levedura de cerveja, para não falar das piores sugestões. Com o tempo, felizmente, boa parte do futum levantou-se. O cheiro lêvedo suavizou-se e surgiram aromas cítricos e de feno verde. Também sugestões (mais ou menos vívidas) de pêssego, alperce e damasco; por entre elas, um par de notas meladas. Por instantes, tudo firme e razoavelmente intenso. Boca gorda, macia, amanteigada — quanto a sabores, na toada do nariz. Acidez discreta. Muito, muito interessante. Infelizmente, aguentou-se pouquíssimo tempo nestas condições! Após o muito necessário arejamento inicial, ainda nem a garrafa ia a meio quando o vinho começou a decair. E de que maneira! No fim do jantar, estava praticamente morto. Comprar brancos (que não foram feitos para envelhecer) com esta idade é sempre prática arriscada. Valerá mais pela curiosidade de certos momentos que proporciona. Porém, na sua página web, o produtor atribui a este vinho um potencial de envelhecimento de 7/8 anos . . . Enfim. A nota não reflecte o que achámos dele no seu pico máximo — 14. Custou 5€.

Adega de Pegões — Colheita Seleccionada '2007 (Branco)

Tenho ouvido electro e jogado muito Blogpoly nestes últimos dias — deixem de ser nunus e vão lá ver o que é — Também tenho bebido imenso! Pelo que, tendo reunido mais um conjunto já razoavelmente volumoso de «notas de prova» — alguém vai tentar adivinhar o porquê das aspas? — achei por bem vir aqui descarregá-las. Desta vez, e como se está a tornar perturbadoramente frequente — seguidos, um advérbio de modo e um adjectivo que soa a advérbio de modo, só perdem em disturbabilidade para dois advérbios de modo — havia ali um meio trocadilho — alguém ligou? Claro que não — Tão auto-referente que isto está a ficar! — um dia as postas ainda se misturam e aí quem não nos garante acabarmos todos a saltar, porquinhos through a color hoop . . . — Mas alguém ouviu o clip que pus no post anterior? Que gente fodida: às vezes parece que estamos a tornar-nos umas enfardadeiras de informação . . . queremos muita, cada vez mais, e fácil e rápida de digerir — que quem nos dá o biscoito vá direito ao fulcro da coisa porque não podemos perder tempo: ele escasseia, e há mais informação à espera de ser absorvida — Estou a falhar o fulcro; qual fulcro? — Nós, nós, nós! Qual nós! Estava só a ser cortês: nós, vós! — eu não! — Bem, de qualquer forma (e talvez o fulcro, qual fulcro?), o facto é que, ultimamente,

— Ora foda-se, esqueci-me do que ia escrever. E agora, como não me ocorre nenhuma maneira ao mesmo tempo elegante e divertida de terminar «isto», vou fazê-lo citando o apóstolo Paulo — esse santo homem — na sua Carta aos Efésios: «e não vos embriagueis com vinho, que é uma porta para a devassidão, mas buscai a plenitude do Espírito».

Quanto ao vinho, o primeiro do "pack" é mais um da Cooperativa Agrícola de Santo Isidro de Pegões. Mistura de Arinto, Chardonnay e Antão Vaz, foi fermentado em meias pipas de carvalho americano, nas quais estagiou posteriormente durante quatro meses, com bâtonnage — processo que, como o nome indica, consiste em remexer os sedimentos (leveduras mortas, resíduos de fruta) que se vão acumulando no fundo dos depósitos onde se encontra.

Amarelo clarinho. Aroma simples, suave, essencialmente frutado, mais tropical que cítrico. Discreto. Em demasia, talvez. E assim continuou na prova de boca. De notar ainda alguma (ligeira) untuosidade, acidez reduzida, final curto. Não deixa de ser um branco equilibrado, que não agride, mas daí a ser o «quase vinhorro» que ainda há poucos meses ouvia dizer que era. . .

Custou menos de 3€ — e para o preço, de facto, está muito bem.

15

sábado, 4 de abril de 2009

Sonido Lasser Drakar — The Electric Mass Begins

Nhaa — Nhaa — Nhaaac — Nhaooc — Ahnaoooch — Coch — Coooch — Chooooch — Cuuooosh — Chuuooochuwawahoogh! — Wheek! — Wheek Wheek Wheek!


This is the story of two young pigs — They were training on a lake — An artificial lake — Or maybe in a pool — They jump inside the pool and they are incited by these girls — Two young girls that look like porn stars — Through a color hoop, the little piggies jump — The girls also use baby bottle milk — How clever pigs — They are not stupid as a dog — It's only for a week — I have to see the show.

Clever / Pig / Jump — Nobody knows / Crazy / Doctor / Computer — Pigs all inside

The act was canceled, someone stole the pigs — The lab is full of rats — The pigs are really scared — Once I met a man — Computer doctor doom — He exchanged the brains of the piggies and the girls — Now the piggies escaped and they are training other pigs — Pig brained girls are dancing on green mud.

Clever / Pig / Jump — Nobody knows / Crazy / Doctor / Computer — Pigs all inside

Then I start the dream I'm at a bar — Computers everywhere — Let me invite you to a drink — I want more morphine — I'm feeling fine — Yes I feel alright — I don't wanna die.

This is the story of two young girls — And they were training on a lake — An artificial lake — Or maybe in a pool — They jump inside the pool and they are incited by these pigs — Two young pigs that look like porn stars — Through a color hoop, the little girls jump — The pigs also use baby bottle milk — How clever girls — They are not stupid as a dog — It's only for a week — I have to see the show.


#5, Two Young, com Danette Newcomb.

Quinta da Garrida — Touriga Nacional: Reserva '2004

Dão DOC, monocasta Touriga Nacional, feito numa quinta que pertence às Caves Aliança, em Vila Nova de Tazém. Estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês (60%) e russo (40%).

Cor rubi acentuada, quase retinta, com reflexos violáceos. Um pouco fechado de início, mostra ao nariz violetas e muito fruto negro maduro — distinguem-se com facilidade as cerejas, mas há mais — envoltos em notas balsâmicas e químicas, também de fumo e madeira tostada, baunilha e rebuçado. Mais tarde, resinas adocicadas e caramelos de leite. Denso, mas fresco. Na boca revela-se encorpado e muito macio, quase cremoso. Concentrado, mas muito bem dimensionado, sem pesar. Para mais, ainda é quase todo fruta, saborosa, enlaçada apenas com umas ligeiras nuances de tosta e fumo. Mais quente que no nariz, contudo — 14,5% de álcool são 14,5% de álcool... Final longo. Resumindo: é um vinho delicioso, num belíssimo momento para ser bebido.

Custou 10€.

17

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Alión '1996 e '1998

Estes vinhos dão pano para mangas, mas, porque estou de ressaca, não esperem grande merda.

Ora bem, esta marca pertence ao grupo Vega-Sicilia, sobre o qual bem podia tentar escrever qualquer coisa bonita, que são um mito vínico, o maior do país vizinho, que têm cento e cinquenta anos de história, etc., etc., etc.. Em vez disso, deixo aos eventuais interessados os enlaces que se seguem: um, a página oficial deles e dois, o artigo da wikipédia a seu respeito.

Citando o produtor, as ideias que levaram ao nascimento desta marca passaram, desde o início, para lá da simples necessidade de expansão, pela vontade de «crear una bodega que produzca, con viñedos propios, un vino con una filosofía diferente y una identidad independiente a la de Bodegas Vega Sicilia, por lo que se descarta la posibilidad de elaborar el vino en las instalaciones de Vega Sicilia; los Álvarez no desean crear una marca que pueda ser considerada como un segundo vino del nombre mítico.»

Talvez tenha interesse referir ainda que Alión é o nome (antigo) do concejo de León onde nasceu David Álvarez Díaz, o senhor que em 1982 comprou as Bodegas Vega-Sicilia e patriarca da família que ainda hoje define os seus destinos. Mais, aqui.

Enfim, indo direito ao que interessa — a nós, consumidores — Alión é sinónimo de uns tipos que em cada colheita conseguem produzir à volta de 250/300.000 garrafas de excelente tinto, que vendem a um preço bastante democrático — e penso que ainda o seria mais caso o senhor Parker gostasse (um bocadinho) menos dele.

Estes vinhos são feitos à base de Tempranillo — Tinto Fino na zona e Aragonês para nós — proveniente de cepas cujas idades oscilam entre os 15 e os 20 anos e envelhecidos em barricas novas de carvalho francês (das florestas de Nevers) durante 13 meses, passando depois mais uns tempos em garrafa antes de serem postos à venda.


Alión '1996

Houve historieta ao abrir esta garrafa. A rolha estava mole e partiu-se durante a extracção. Por sorte, o resto que ficou preso no gargalo aguentou uma segunda investida do saca-rolhas e o vinho fluiu límpido para dentro do decantador. Dei-lhe ar durante pouco mais de duas horas e servi-o a 16ºC. A cor pareceu-me algures entre o rubi e um granada escuro com reflexos avermelhados. Bonita. Nariz dominado por fruta doce — amoras-pretas e cerejas, suaves e persistentes — desde o primeiro instante. Dela se foram libertando outros aromas: uns como que em repentes, laivos mais ou menos intensos, de curta duração — feno seco, pêlo de coelho, sangue, fermento e massas cruas de pão e bolos — outros mais persistentes, espraiando-se a todo o comprimento do vinho, passando as suas sensações para o palato — caruma de pinheiro, chão de bosque, castanhas e madeiras e, acabando por predominar no tempo, tabaco, café e anis em sugestões várias. Boca extremamente sedosa, de acidez moderada e final longo, levemente terroso. Sobrou um restinho. Guardado no frigorífico, ainda estava vivo no dia seguinte. Muito bom vinho, sem dúvida.

Custou 40€. 18,5


Alión '1998

Passou igualmente duas horitas no decantador antes de ser servido a 16ºC. Cor intensa, a virar granada. Inicialmente ligeiras sugestões lácteas, a iogurte de morango ou coisa que o valha. Eventualmente suplantadas por ameixas e cerejas bem maduras no nariz e quase gulosas na boca, refrescadas por ligeiro balsâmico — resinas. Também notas de tosta de barrica, tabaco e café. Estava, contudo, à espera de um bouquet mais amplo. Sendo um vinho de sabor muito agradável (não me vou repetir), o que mais uma vez impressionou foi a sua estrutura, a sua relação «comprimento - largura - intensidade - peso». Os anglófonos têm uma palavra muito boa para isto — mouthfeel. Tudo muito redondinho e agradável — quanta harmonia... Final apenas razoável, tanto face ao esperado como comparado com o do irmão mais velho que, curiosamente (ou não), era dos dois aquele que parecia mais novo!

Em jeito de aparte, não resisto a referir que, em Dezembro de 2001, o vinho desta colheita — caramba, devo tê-lo bebido pela primeira vez em 2002 ou 2003 e ainda apresentava alguma dureza, traços de rusticidade; foi um ano difícil na zona, é bem sabido... — foi classificado com uns impressionantes 17 valores pelo painel de prova do ElMundoVino. Ora, estes provadores são famosos pelas razias autênticas que às vezes dão no que a notas toca. A título de exemplo, em Junho de 2007, deram 15 ao Redoma, 14 ao Quanta Terra Grande Reserva, 13,5 ao Quinta das Tecedeiras, 13 ao Duas Quintas Reserva — ...aunque el final es todavía un tanto tánico, dizem eles... — e 12,5 ao Meandro do Vale Meão (todos de 2004)! Está bem que muitos defendem a maior importância da nota de prova face ao valor numérico que a acompanha. Concordo: que interessa um número servido simples? Mas o valor numérico, se não pela sua maior visibilidade — está para o texto que acompanha mais ou menos como o título de uma notícia para o corpo da mesma —, pelo menos por uma questão de honestidade, tem de reflectir de modo fiel a apreciação do vinho... Tem de haver coerência: a diferença entre 13 e 17 valores tem de ser abismal! E sobretudo porque não acredito que se trate de chauvinismo — vd. a prova deste conjunto de vinhos italianos — nem de lobismo — por exemplo, deram um pobre 15 ao Vega Sicilia «Único» de '89 —, não consigo deixar de achar isto estranho.

Também custou 40€. 17,5

Panquecas

Ingredientes:

280ml de leite,
160g de farinha,
2 ovos,
3 colheres (de sopa) de manteiga,
1 colher (de sopa) de açúcar,
3 colheres (de chá) de fermento em pó,
1 colher (de chá) de sal.


Preparação:

Juntam-se a farinha, o fermento, o sal e o açúcar. Faz-se um buraco no meio da mistura resultante; colocam-se lá dentro a manteiga derretida, o leite morno e as gemas. Mexe-se bem. À parte, batem-se as claras em castelo, que se envolvem suavemente no preparado anterior.

Pré-aquece-se o grelhador eléctrico a 190ºC e pincela-se a chapa (lisa!) com um pouco de óleo. Nela se cozinha o volume equivalente ao de uma concha, daquelas que se utilizam para servir de sopa, da massa que virá a ser a panqueca. Quando se lhe notarem bastantes bolhas de ar à superfície, vira-se. Se estiverem no ponto certo de cocção, não haverá qualquer problema ao virá-las. Se estiverem pouco cozinhadas, ao colocar a espátula, a massa poderá ameaçar (e cumprir) quebrar. As panquecas estão prontas quando se apresentam douradas de ambos os lados. Desta vez, comemo-las com mel.