sábado, 31 de março de 2012

Santa Ana — Homage Opi, Malbec '2008

Varietal Malbec da região de Maipú, Mendoza, fermentou sob acção de leveduras seleccionadas, tendo posteriormente estagiado durante 6 meses em barricas de carvalho francês e americano.

Muito frutado, trouxe consigo sugestões de ameixa, cereja e amora; tostado de barrica em pano de fundo, um pouco de baunilha também. Não lhe percebi álcool solto. Mostrou-se igualmente atractivo na boca, com sabor redondo, macio, de taninos maduros, com notas de chocolate e um ligeiro e agradável amargor no fim de boca.

Simples, correcto, dá prazer mas não entusiasma. Falta-lhe para tal um elemento diferenciador, aquele conjunto de particularidades — e pequenos defeitos também — a que, generalizando, se chama muitas vezes carácter. Será boa opção para levar para um churrasco ao ar livre, heh.

5€.

15,5

terça-feira, 27 de março de 2012

Quinta da Alorna — Reserva (Arinto + Chardonnay) '2010

Ainda outro da Quinta da Alorna. Da ficha técnica: "As uvas de vindima manual são prensadas e os respectivos mostos clarificados a baixa temperatura. O Arinto fermenta em cubas a 13ºC e o Chardonnay fermenta em barricas novas de carvalho francês, estagiando sobre as borras finas durante 3 meses. Após o lote final, o vinho é estabilizado pelo frio e filtrado antes do engarrafamento."

Servido a 10ºC. Cor palha, intensa para a idade. Em três pancadas, pareceu-me uma mistura clássica de Chardonnay fermentado em barrica, untuoso, com baunilha e suaves sugestões tostadas e de frutos secos, a que se juntou a presença limonada, de frescura leve e seca do Arinto. Combinação feliz dos carácteres das castas que o constituem, resultou um vinho vivo mas macio, francamente saboroso. Acompanhou peixe gordo (carapaus) no forno.

6€.

16,5

domingo, 25 de março de 2012

Quinta da Alorna — Verdelho '2010

Varietal Verdelho, foi obtido por prensagem directa das uvas inteiras, seguida de fermentação do mosto clarificado a 17ºC. Ainda segundo a ficha técnica que se pode consultar no sítio do produtor na internet, dele se encheram 7500 garrafas.

Servido a 10ºC. Cor pálida, jovem. Aroma de intensidade mediana, primeiro citrino com pontas vegetais, depois predominantemente tropical, repleto de notas de abacaxi e maracujá, que rapidamente revelaram ser a sua marca de identidade. Sabor, no entanto, sempre bem fresco, graças a uma acidez viva e bem integrada. No mais, pareceu-me tender para a mediania, tanto em dimensões como em intensidade. Em suma, deparei-me com um vinho completamente correcto, mas a que não encontrei grande chama.

5€.

15

quarta-feira, 21 de março de 2012

Angelus — Reserva '1999

Bairradino das Caves Aliança. Lê-se-lhe no contra-rótulo: "A genuinidade do vinho da Bairrada. Castas: Baga e Tinta Pinheira. A nossa homenagem ao homem que aqui foi mestre na arte de fazer vinho: Ângelo Neves".

Cor nobre, acastanhada. Servido após breve decantação, foi-se desdobrando em geleia e açúcar mascavado, ervas secas, chocolate, tabaco e café. A idade trouxe-lhe macieza e uma acidez muito equilibrada. Já completamente polido, será para beber. Impossível deixar passar, no entanto, que o encontrei bem vivo ao segundo dia.

Se bem me lembro, dei por ele 3 ou 4€, não há muito tempo, o que representa uma relação custo-benefício impressionante. Acompanhou com a categoria esperada um coelho no forno, aromatizado com tomilho e zimbro.

16,5

segunda-feira, 19 de março de 2012

Domingos Soares Franco, Colecção Privada — Verdelho '2011

Ainda outro da JMF. Diz o respectivo contra-rótulo que "Este vinho é o resultado das experiências vividas nas suas viagens ao hemisfério sul, adaptando-o ao estilo que mais lhe agradou nas várias provas efectuadas na Austrália". O mosto de onde partiu fermentou a 18ºC, tendo o vinho resultante sido engarrafado em Dezembro de 2011. O seu correspondente de 2009 já por aqui passou.

Servido a 10ºC. Cor citrina. Flores brancas e ligeiras notas limonadas sobre persistente fundo de nectarina e pêssego, que cresce na passagem pela boca, tornando-se o elemento predominante do conjunto. Muito bonita a nectarina, mais doce e aguada, menos fechada e opulenta que o pêssego que a acompanhava. E physalis também, pareceu-me. Gordinho e equilibrado, revela um óptimo compromisso entre madurez e frescura, notável para um vinho com 13,5% de teor alcoólico. Final médio/longo. Tanto pela prova actual como pela comparação (falível) com o que vi no seu homólogo de 2009 quando o provei em 2011, será melhor, como, aliás, o produtor recomenda, bebê-lo jovem.

A garrafa foi gentilmente cedida pelo produtor, que recomenda um PVP de 9,49€.

16

sábado, 17 de março de 2012

So, on the first take, when our little pile of shrubbery beached on the rocks, and it was time to make a break for it to shore, did we ever. It wasn't far, but all I could think of, much like when you're climbing a ladder, and your mind keeps saying, "Don't look down!" was "DO NOT look downstream!" When my foot touched bottom without slipping, I breathed a sigh of relief and toppled forward onto the sand.

Of course, we found this sort of thing dreadfully exciting. What really bugged us was the cold. Well, that and the other issue. You see, Melissa and I were standing patiently, hip deep in water, waiting for the director and crew to set the shot and whatnot. Waiting and waiting and waiting... When Melissa said, "God, do I have to pee!"

"Me, too, now that you mention it."

So off we trundled to AD Maury Dexter to tell him it was time for us to use the ladies' room.

"Now, girls, there’s a slight problem here," Maury pointed out. "The bathrooms are all the way up the hill. If you go to the bathroom now, we have to put you in the car, drive you up the hill, take off the costumes, take off the wet suits, and have you go pee. Then you’ll have to put on the wet suits" (the now soggy and hard to put back on wet suits), "put the costumes back on" (ditto; actually, double ditto), "and we'll have to drive you back down the hill. Do you have any idea how long this is all going to take?"

We groaned. We knew this would be a huge hassle, and we remembered what a pain these stupid suits were to put on that morning back when they were all nice and dry and full of talcum powder. We could only imagine what a total pain in the ass it would be to try to repeat the procedure soaking wet. "Look, it's only an hour and a half till lunch. Why don't you girls just hang on, and you'll be done with this shot by then, okay?" We sighed and trudged off back to the river.

Time passed. And passed. Slowly. Water rushed by. Rushing, rushing, rushing. Splashing, trickling, sloshing. And the cold. We were standing waist high in freezing water; I realized I could no longer feel my feet. My lips had begun to go slightly blue, when I turned to look at Melissa. She was smiling. A little too much. Not a nice, natural smile, but an evil, satisfied, smirking smile of, shall we say, discovery. And her eyes were just a little too wide.

"Oh, God no, tell me you didn't!" I said.
"Do it. It'll keep you warm," she replied.
"Oh, yuck, that is sooo gross, Melissa!"

"No, listen, I'm telling you! Do it! Just a little at a time. It warms up the whole suit. Besides, it's still only twelve-thirty. You're not seriously going to hold out for another hour?"

She had a good point. Well, two good points, actually. I was freezing, and I really had to go. So with all the strength it took to overcome fourteen years of toilet training, I peed in my pants. God, she was right. I did feel better. I no longer felt like my kidneys were going to burst, and the wet suit heated up like, well, like someone had just taken a big hot piss in it, frankly, but there you are. It was better than freezing. And who would know? We were more than waist deep in a river, for God's sake. It wasn't like anyone was gonna hear the trickling.

So there the future president of the Screen Actors Guild and I stood for the next hour or so, happily pissing away in our wet suits (just a little at a time, we learned: the trick is to make it last). But it wasn't like no one ever found out. After all, the wardrobe women had to pick up the suits and costumes from our dressing rooms. I don't know exactly who screamed at whom, and I can only imagine what epithets were used, but all I know is, we were never denied bathroom privileges again.


'n Confessions of a Prairie Bitch: How I Survived Nellie Oleson and Learned to Love Being Hated, Alison Arngrim, 2010

quinta-feira, 15 de março de 2012

Marquês de Marialva — Arinto, Reserva '2010

Saio de manhãzinha e, foda-se, que cheiro a merda! Como se o próprio Pantagruel tivesse um esgoto para o Mondego! Ter-se-ia o bom sr. hm hm, finalmente, vaporizado? Seria a alma da cidade a materializar-se? Não, era apenas humidade: veio o Sol, a temperatura subiu e o cheiro dissipou-se. E de todo o meu dia, foi isto o que reservei para vos contar.

Muito depois do Sol e do tédio, à hora do jantar, abri este vinho, um Arinto parcialmente fermentado em barrica e engarrafado sem estágio, novidade (mais ou menos) da Adega Cooperativa de Cantanhede. Servi-o muito fresco, conforme recomendado pelo produtor, primeiro sozinho, depois a acompanhar besugo assado no forno. Sobre o animal, peixe ósseo da família Sparidae, de nome científico Pagellus acarne, habitante carnívoro de leitos de algas marinhas, não muito longe da costa, encontrei uma observação curiosa na página que lhe dedica o Oceanário de Lisboa: "é hermafrodita, pois a maioria quando nasce tem sexo feminino. Transformam-se em machos numa fase posterior da sua vida".

O vinho, muito clarinho no copo, trouxe consigo recordações de limão amargo, limonete, musgo e flor de laranjeira. Todo ele verde e amarelo, mostrou-se essencialmente cítrico e musgoso, com um bocadinho de baunilha e pão torrado a transmitirem uma calidez vestigial. Fresco, foi deixando certa agradável salinidade no fundo da língua. Delicado no nariz e algo fechado na boca, apresentou-se com uma mistura de austeridade e meiguice que, apesar das virtudes concretas, nem todos acharão fácil apreciar. E definitivamente a precisar de tempo.

5€.

15,5

terça-feira, 13 de março de 2012

Quinta do Ortigão — 4Dezasseis '2009

Bairradino de inspiração moderna, feito de Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Tinta Roriz, foi apresentado como o novo topo de gama do produtor. O nome aparece explicado no contra-rótulo: "4Dezasseis era o número pelo qual o nosso irmão Manuel era identificado no Colégio Militar. Em sua homenagem criámos..." As uvas fermentaram a temperatura controlada após desengace. O vinho resultante estagiou durante um ano em barricas de carvalho francês, novas e de segundo uso.

Abri a garrafa nº 1415 de 4600 produzidas e encontrei frutos pretos, alguma compota, álcool, tosta de barrica, especiarias quentes, baunilha, chocolate de leite. Encontrei um vinho grande e gordo, escuro, concentrado, com acidez suficiente para o seu perfil maduro e taninos numerosos, jovens e finos. "Montes de amora" foi a única nota que lhe tomei ao segundo dia, após o ter deixado pernoitar rolhado, no frigorífico. Gostei.

16€.

17