segunda-feira, 30 de abril de 2012

Solar do Prado — Allegro '2004

Douro tinto de Vale da Espinhosa, produzido na Quinta "Souto Bom", que pertence ao psiquiatra Eurico Figueiredo, consiste num lote de Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca e Tinta Roriz, estagiado 9 meses em cascos novos de carvalho francês, de que se encheram "cerca de trinta mil garrafas", conforme indica o contra-rótulo.

Servido directamente da garrafa, foi bebido sem pressas, para ter tempo de abrir no copo. Simples mas ainda firme, mostrou ter atingido um ponto de razoável maturidade, evidenciada por numerosas notas de café, passas e chocolate. Aparenta ter vindo a perder a fruta e a integrar a madeira com regularidade no tempo, como se espera que aconteça quando um vinho de estrutura equilibrada envelhece sem precalços. Corpo mediano, harmónico, e final curto. Dito isto, é claro que, embora ainda goze de boa saúde, não valerá a pena conservá-lo mais tempo.

3€.

14,5

sábado, 28 de abril de 2012

Não sei se é da chuva, tem-me apetecido olhar para partidas antigas entre motores de xadrez, mais ou menos do tempo em que tomei tal hobby um pouco mais a sério. É inevitável encontrar coisas surpreendentes, perdidas em bases de dados enormes e a quem já ninguém liga, condenadas ao esquecimento.

[Event "SSDF"]
[Date "2000.06.04"]
[White "Genius 6.5 K6-2 450"]
[Black "Shredder 4 K6-2 450"]
[Result "1-0"]
[ECO "E15"]


1. d4 Nf6 2. c4 e6 3. Nf3 b6 4. g3 Ba6 5. b3 Bb4+ 6. Bd2 Be7 7. Bg2 c6 8. Bc3 d5 9. Ne5 Nfd7 10. Nxd7 Nxd7 11. O-O O-O 12. Nd2 b5 13. Re1 Rb8 14. c5 Bf6 15. b4 e5 16. dxe5 Nxe5 17. Qc2 d4 18. Bb2 Nc4 19. Ne4 Be5 20. Rad1 Nxb2 21. Qxb2 Qe7 22. f4 Bc7 23. Qxd4 Rfd8 24. Nd6 Qf8 25. Qd3 Bb7 26. e4 a5 27. a3 Bc8 28. e5



... Bd7 29. Be4 h5 30. Bh7+ Kh8 31. Bf5 Bxd6 32. Bxd7 Rxd7 33. cxd6 axb4 34. axb4 h4 35. f5 Rbd8 36. Qe4 hxg3 37. Qh4+ Kg8 38. f6 Ra8 39. Rd3 Rxd6 1-0.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Caves S. João — 90 Anos de História, The Jazz Singer '2007

"As Caves São João iniciaram em 10/7/2010 um projecto de comemorações que culminarão no ano de 2020, aquando do seu centenário. Faz parte deste projecto a edição anual de uma série limitada de garrafas de um vinho de elevada qualidade, cuja imagem reflectirá um acontecimento que marcou a história do séc. XX, ocorrido em cada uma das 10 décadas iniciadas em 1920 e que terminam em 2020", lê-se no sítio que o produtor mantém na internet.

Este 90 Anos de História, The Jazz Singer '2007 é o primeiro da série e alude à primeira longa metragem do cinema com sincronização de diálogo — deixo aqui aos eventuais curiosos a hiperligação para a respectiva entrada no IMDB. Inspirado no primeiro vinho engarrafado pelo produtor, o Reserva Particular de 1945, este tinto consiste num lote 50/50 de vinhos feitos e estagiados em separado: Baga da Bairrada, da Quinta do Poço do Lobo, e Touriga Nacional do Dão. Ao seu sucessor, um espumante, ainda não consegui deitar a unha.

Abri a garrafa nº 94 de 1000 produzidas. Primeiro dia, após breve arejamento em decantador: Escuro. A fruta está lá, preta, sobretudo amora, mas só se mostra depois de algum tempo no copo e sempre a par de sugestões arborizadas, de bosque fresco. Não sendo nenhum espanto em termos de volume, impressiona pela firmeza e intensidade mostradas. Circunspecto, elegante e ainda muito jovem. Segundo dia: No nariz, violetas e cafetaria complementam os cheiros característicos da Baga. Pinho e menta lá mais atrás. Na boca, a vivacidade do dia anterior. Bom final. Apesar de ter dado prazer q.b. nesta fase, não deixou dúvidas quanto a ser um vinho para guardar.

10€.

17

terça-feira, 24 de abril de 2012

Solar dos Lobos '2006

Noto com desprazer que o interface do Blogger voltou a mudar para pior. Se têm um serviço que funciona bem, porque é que insistem em mudá-lo? Será que acham que não temos mais que fazer para além de reaprender a colocar as coisas ao nosso gosto num "novo" Blogger? Não, não acham. Fazem de propósito para nos tomar tempo e atenção. Na vida, é melhor ser visto. Reparem na cena dos preços, dos 9,99 em vez de 10€. Ninguém se convence de que o comprador arredonda para baixo, a manha é outra. Coisas da percepção. Bah. Uma vez alguém disse algo como "quando um serviço nos parece gratuito, é porque somos nós a mercadoria", e isso é uma merda, mas sabem que mais? Já não me importo. Pelo menos tenho algum tipo de contrapartida. E como são cada vez mais as situações em que, sendo mercadoria, não só não ganho nada como noto que já nem se dão ao trabalho de tentar iludir-me, e não há absolutamente nada que possa fazer em relação a isso, enfim, que se foda, um gajo resigna-se. É a vida, adiante! Em todo o caso, não estou satisfeito com o novo interface e acho que é de verdadeiro pulha não permitir, nem que a título opcional, revertê-lo para o antigo, então numa coisa tão cheia de paneleiradas meramente cosméticas como é o painel de controlo do Blogger. Fica registado, lol.

O vinho: Alentejano de Arraiolos, produzido e engarrafado por Silveira e Outro, Lda. — aqui fica o enlace para o respectivo sítio na internet. As uvas Trincadeira, Aragonês, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional fermentaram e estagiaram em inox.

Bebido a 16ºC. Cor granada. Fruta, um bocadinho de compota, talvez flores da Trincadeira, chocolate no fim de boca. Estrutura polida, sem arestas, acidez bastante para aguentar as espetadas de porco grelhadas (sem ananás) que lhe fizeram companhia à mesa, algum volume, algum final. Em suma, simples e eficaz. Cumprirá o pretendido por aqueles que o fizeram. Dado o seu perfil, no entanto, terá dado melhores provas há um ano atrás, ou isso, quando a fruta estava mais fresca.

4€.

14,5

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Quinta das Camélias — Syrah '2008

Varietal Syrah do Dão, produzido por Jaime de Almeida Barros, de Sabugosa, Tondela. Da mesma casa, já passaram por estas páginas o Reserva da colheita de 2007 e um monocasta Touriga Nacional do mesmo ano.

Vertido no copo logo depois de aberto, desde cedo aparentou um carácter essencialmente frio, com toque verde, apesar das amiudadas sugestões de madurez: a par com pau e fumo, compota de frutos pretos e chocolate. Na boca, algum corpo e sabor a condizer. Nota menos para o álcool ligeiramente desenquadrado e a presença de taninos rebeldes.

Não conseguiu transmitir a envolvência e generosidade dos seus bons congéneres do sul, nem a frescura e limpidez dos outros, de terras mais frias. Aparenta ter ficado perdido entre estilos, a identidade pretendida ainda por encontrar. Precisará a receita de ser revista ou serão as razões do relativo insucesso mais elementares? Certamente, não será de ignorar o conjunto de bons motivos (que complementam os outros) pelos quais não existe historial relevante de varietais Syrah na região.

4€.

14

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Casa de Saima '2009

Lote de Baga, Touriga Nacional e Merlot, com predominância da primeira, foi fermentado em lagar e estagiado durante um ano em tonel clássico. Produzido por Graça M. S. Miranda; de vez em quando compro vinhos deles, costumo gostar do que fazem.

Rubi intenso. Potente e algo linear, encontrei-o tão generoso nas sugestões de ameixa e frutos vermelhos como nas marcas distintivas da casta que lhe deu origem: vegetal seco mas aromático, ora a fazer lembrar terra e coisas da terra, ora pinho e chá. Mostrou mais corpo e sabor que à partida esperava encontrar-lhe, acidez a condizer, taninos jovens a prometerem alguma capacidade de evolução e um final razoável. Para o preço, é impressionante.

Acompanhou bife e uma sopa simples, mas que achei muito boa, e que se preparou da seguinte forma: refogou-se uma cebola, meia abóbora butternut, seis cenouras, um tomate e seis dentes de alho, tudo de tamanho regular. Temperou-se o refogado com meia dúzia de grãos de pimenta preta, um quarto de colher de chá de tomilho seco e sal, cobriu-se com água e deixou-se cozinhar. Quando pronto, juntou-se-lhe uma lata (800g) de grão-de-bico, escorrido, e passou-se tudo.

2,50€.

15,5

sábado, 14 de abril de 2012

Lidl — Barbera d'Asti '2009

Relativamente a este vinho, no rótulo, de concreto, nada. Pelas internets, idem. Fica então a nota, em jeito de apresentação, de que Barbera d'Asti é um tinto italiano produzido nas províncias de Asti e Alessandria (Piemonte), com estatuto DOCG desde 2008. De acordo com as respectivas normas de produção, é obrigatória a utilização de um mínimo de 85% de uvas da casta Barbera, estando também autorizadas as variedades Freisa, Grignolino e Dolcetto. O vinho, que tem de apresentar uma graduação alcoólica superior a 12%, deve ser estagiado em barricas de carvalho, por um mínimo de 4 meses, a partir do dia 1 de Novembro do ano de colheita.

Vertido directamente da garrafa, foi provado e depois bebido com pedacinhos de frango, temperados com pimentón de la Vera e grelhados no panelão juntamente com cogumelos shiitake. Cor cereja, de concentração, com alguma boa vontade, mediana. Cheirou-me a pêras, cerejas mais ou menos maduras, pele, amêndoas amargas e, só ao de leve, pla ra. Na boca, mostrou-se curto, fresco e harmonioso, com taninos presentes. Pareceu-me, no entanto, algo ligeiro e fugaz, a sugerir diluição. O que, face ao resto, não deixa de ser pena.

Custou 2 ou 3€.

14

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Periquita — Reserva '2009

Lê-se no comunicado de imprensa com que fizeram acompanhar a garrafa:

"A história do Periquita remonta ao início da própria história da José Maria da Fonseca, quando o fundador da empresa, o Senhor José Maria da Fonseca, comprou, por volta de 1846, a propriedade Cova da Periquita. Foi nessa propriedade, hoje em dia quase engolida pelo desenvolvimento urbano, que José Maria da Fonseca plantou as primeiras uvas da casta Castelão, que ele próprio havia trazido da província do Ribatejo.

O vinho produzido na Cova da Periquita desde logo provou ser o melhor da região, dando origem a que os outros proprietários pedissem a José Maria da Fonseca varas daquela casta para plantarem nas suas próprias propriedades. Desta forma, o vinho tornou-se conhecido em Azeitão como o vinho da Periquita, passando a ser comercializado pela José Maria da Fonseca como Periquita."

Castelão, Touriga Nacional e Touriga Franca; a respectiva ficha técnica pode consultar-se aqui. Primeiro dia: vertido directamente no copo a aproximadamente 16ºC, talvez um pouco menos. Cor avermelhada, de concentração mediana. Nada de mais a acompanhar peru assado: apesar de pronto a beber, pareceu-me algo fechado, quase só mostrou frutos pretos e madeira, e esta, não se mostrando em demasia, ligeiramente desenquadrada. Na boca, redondez, peso médio, taninos maduros. Final satisfatório, no entanto. Pernoitou no frigorífico, à espera do dia seguinte.

Segundo dia: melhor. Fruta doce, bonita, ginja e amora, mais da primeira que da segunda. Madura, mas sem sinais de transformação. Globalmente bem dimensionado, com frescura mais que razoável e só um pouco de tosta de barrica no final. Resumindo, trata-se de um vinho redondo, frutado, fácil, desenhado num estilo consensual. Em retrospectiva, não me pareceu muito diferente dos seus predecessores das colheitas de 2004 e 2005, que já passaram por estas páginas.

A garrafa foi gentilmente cedida pelo produtor, que recomenda um PVP de 7,99€.

16