segunda-feira, 21 de maio de 2012

Eu vs Comp. (2)

[Event "?"]
[Site "?"]
[Date "2011.07.30"]
[Round "?"]
[White "Prata, J."]
[Black "Nightmare 7.1"]
[Result "0-1"]
[ECO "D02"]
[PlyCount "74"]
[EventDate "2012.06.03"]

{Segundo de uma série de jogos sem muito que se lhe diga: eu a jogar contra
motores, sendo usualmente massacrado. Este não foge à regra: perdi. O oponente,
Nightmare 7.1, versão experimental do motor do holandês Joost Buijs [http://
chessprogramming.wikispaces.com/Joost+Buijs], a correr num Atom D525, 1,8GHz.
Controle de tempo, 30min/KO. Livro de aberturas e RAM utilizadas, não faço
ideia.} 1. Nf3 d5 2. d4 Nf6 3. c3 {Jogada de aparência pouco ambiciosa, comum
em jogos contra omputadores. Para além das ideias habituais - construir uma
estrutura sólida na AD, manter as coisas simples, ir tirando peças, fazer o
roque pequeno, jogar depois no centro - decidi-me por ela sobretudo numa
tentativa de tirar o motor cedo do livro de aberturas.} Nc6 4. Bg5 e6 5. Nbd2
h6 6. Bxf6 Qxf6 7. e3 ({Mouse slip.} 7. e4 {era o pretendido.}) 7... Bd6 8. e4
{Um tempo é das menores perdas expectáceis após uma escorregadela do rato. Não
me posso queixar.} Qg6 9. e5 ({Não joguei} 9. Bd3 {, que teria permitido um
controle fixe sobre as casas brancas, por medo das eventuais refutações
tácticas: um computador vê cenas do demo. Mas} Qxg2 {permite} 10. Rg1 {
, e depois de} Qh3 11. Rxg7 {
, as negras não têriam outra alternativa de desenvolvimento senão} Bd7 12. Qe2
O-O-O {Depois de} 13. e5 {, as brancas têm uma posição deveras confortável.})
9... Be7 10. Rc1 {Ainda a evitar tirar o Bispo de Rei por medo daquela
intrusão via g2 (não calculei com certeza que falhava, durante o jogo), pensei
em Tc1, Dc2 para desalojar a Dama negra do lugar incómodo (e que relamente não
era muito mais que isso) onde se encontrava.} O-O 11. Qc2 Qxc2 12. Rxc2 a6 {
Pode ainda não ter nada a ver, mas, seguido do que se seguiu, faz acreditar
que este motor tenha uma avaliação porreira das barreiras de peões.} 13. Bd3 f6
14. Bg6 ({Se} 14. exf6 $6 Bxf6 15. O-O e5 {e de repente a minha falange de
peões teria desaparecido, com todas as peças negras a entrarem rapidamente em
jogo.} 16. dxe5 Bxe5) 14... Bd7 15. O-O fxe5 16. Nxe5 Nxe5 17. dxe5 b5 {
Adoro a forma como ele usou os peões para ganhar espaço na ala de Dama!} 18. g3
c5 19. f4 a5 20. a3 $2 {
Trocando uma dada estrutura por outra menos boa, sem compensação. Para quê?} (
20. Kg2) 20... c4 21. Nf3 b4 22. axb4 axb4 23. Rcc1 $2 {Não vi a refutação
táctica. De qualquer forma, se o peão da 2a linha é a base do muro que está a
conter aquela "maré" negra que se está a formar na AD, para quê retirar um dos
seus defensores, tanto mais se não está a ser atacado?} (23. Kg2) 23... Ra2 24.
Rf2 (24. Rc2 Bc5+ 25. Kh1 bxc3 26. bxc3 Rxc2 27. Bxc2 Ra8) 24... Bc5 25. Nd4
Rxb2 $6 {Pode não ser a melhor continuação, mas faz adivinhar um motor
agressivo, preparado para jogar xadrez de especulação. Temos de saber estimar
estas coisas.} (25... Be8 26. Bb1 Rxb2 27. Rxb2 bxc3 28. Rb8 Bxd4+ {
parece melhor.}) 26. Rxb2 bxc3 27. Rb7 Bxd4+ 28. Kg2 Be8 29. Bc2 $2 (29. Bxe8
Rxe8 30. Kf3 {é perfeitamente jogável.}) 29... g5 $2 {Segunda continuação "a
baixa profundidade" que o motor deixa escapar. Vontade de especular ou
incapacidade táctica?} (29... Be3 30. Re1 d4 31. Rc7 Bd2 {é conclusivo.}) 30.
Re7 Bf7 31. fxg5 $2 {Quando igual, enconar, enconar... Depois de estar a
perder, atacar, atacar... Não é assim que se vai lá, Jorge. (Assim, o peão e5
cai sem resistência).} (31. Rb1 Bc5 (31... Be3 32. f5 d4 33. fxe6 d3 34. exf7+
Rxf7 35. Rxf7 Kxf7 36. Ba4 c2) 32. Rc7 Be3 33. Rbb7 gxf4 34. Kf3 $13) 31...
hxg5 32. Rf1 Bxe5 33. h4 $2 {Atacar...} (33. Ba4) 33... gxh4 34. gxh4 d4 35.
Re1 Bf6 36. Rc7 d3 37. Bd1 e5 {e perante a desgraça iminente, abandonei.} 0-1

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Eu vs Comp. (1)

[Event "?"]
[Site "?"]
[Date "2011.07.10"]
[Round "?"]
[White "Prata, J."]
[Black "Hiarcs 13.1"]
[Result "1/2-1/2"]
[ECO "E12"]
[PlyCount "73"]
[EventDate "2011.??.??"]

{Primeiro de uma série de jogos sem muito que se lhes diga: eu a jogar contra
motores, sendo usualmente massacrado. No entanto, tratando-se do primeiro
elemento do lote, deixo-vos uma excepção: empatei. E sendo daqueles empates
em que desde o primeiro momento pretendo remover todo e qualquer tipo de vida
do tabuleiro, conseguindo uma posição fechada e estéril, não é um
daqueles empates (ou vitórias, chamem-lhe o que quiserem) à "Father" —
google quem quiser: acho que o gajo é paneleiro e devia ter vergoha, disso e
de mais, em vez de andar a pavonear-se. Mas, enfim, se não os podemos impedir,
o que é que se há-de fazer...} 1. d4 b6 2. c4 Nf6 3. Nf3 Bb7 4. Nc3 e6 {
Jogo online, meia hora para cada lado. O meu adversário, Hiarcs 13.1,
configurado para jogar em "estilo sólido", montado num AMD Phenom II a 3.8GHz,
com 2 Cores e 512MB de "hashtable".} 5. Bg5 Bb4 6. e3 {Abertura em estilo
clássico, uma Índia de Dama que, muito por culpa de eu não saber peva sobre
como se jogam Índias de Dama dinâmicas e ambiciosas, se foi parecendo mais e
mais com um Gâmbito de Dama "à antiga".} h6 7. Bxf6 (7. Bh4 {, que mantém
peças e pressão no tabuleiro, é bastante mais popular. Costuma ser mote
para algo como} Bxc3+ 8. bxc3 d6 {— esta jogada não é forçada, estou só
a assumir que o condutor das negras ainda quer uma Índia de Dama, com tudo o
que ela traz —} 9. Nd2 Nbd7 10. f3 {e} Qe7 {, seguido de} 11. Bd3 {ou, por
exemplo, e4, variante popular e cheia de sentido, onde ambas as partes agiram
de acordo com o velhinho princípio "desenvolver naturalmente as peças",
tendo (também) por isso recursos bastantes para poderem começar as
hostilidades do meio jogo com possibilidades repartidas.}) 7... Qxf6 8. Be2 c5
9. O-O cxd4 10. Qxd4 ({Se fosse contra uma pessoa, de certeza que teria
preferido} 10. exd4 {No entanto, aqui, a minha intenção era, apenas,
simplificar o mais possível comprometendo o menos possível — no caso, a
estrutura de peões. Apesar de desinteressante, deve ser uma abordagem
correcta, já que o bot continuou da seguinte forma...}) 10... Bxc3 11. Qxc3
Qxc3 12. bxc3 {e} Bxf3 {, forçando ainda mais simplificações. Apesar dos
peões "c" dobrados, a coisa não parece mal para o meu lado.} (12... Ke7 {
, seguido de Ca6, talvez fosse mais promissor.}) 13. Bxf3 Nc6 14. Bxc6 dxc6 15.
Rfd1 {Plano: estacionar forças na coluna aberta e levar o Rei ao centro.} Ke7
{Ao afastar o Rei do centro, rocar, nesta fase, seria, quase de certeza,
contraproducente.} 16. Rd4 c5 17. Rd3 Rad8 {Oposição de forças na coluna
aberta. Embora o computador estivesse a fazer tudo bem, a única maneira de
tentar (e provavelmente conseguir) foder-me era criar pontos de desequilíbrio
adicionais, tantos quanto possível, mesmo que para isso tivesse de sacrificar
"centipawns" na avaliação. Mas este Hiarcs estava configurado para procurar
a melhor jogada possível numa dada posição, não para ser manhoso — e eu
sabia disso.} 18. Rad1 Rxd3 19. Rxd3 Rd8 20. Rxd8 Kxd8 {Foda-se! Um final de
peões, sem perguntar nada a outro motor e sem voltar atrás! Aqui, o meu
oponente pode tentar entrar no meu campo pelo centro ou pela Ala de Dama, onde
existe um buraco. O que torna o plano imediato simples, ainda que por
exclusão de partes: levar o Rei para onde vão acontecer coisas.} 21. Kf1 Ke7
({Desafiante seria, se o Rei negro tentasse entrar pela ala de Dama,} 21... Kc7
22. Ke2 Kb7 23. Kd3 Ka6 {ter o sangue-frio e a capacidade de ver que teria de
jogar a deter o seu avanço, e não a responder na mesma moeda, dado que} 24.
g4 ({Mas depois de algo como} 24. Ke4 Ka5 25. Ke5 Ka4 26. Kd6 Ka3 27. Ke7 Kxa2
28. Kxf7 a5 29. Kxe6 a4 30. Kf7 a3 {, é evidente que o peão branco ganha a
corrida.}) 24... Ka5 25. Kc2 Ka4 26. Kb2 {aparenta aguentar, apesar de ter de
jogar sob as sombras da oposição e do zugzwang não seja fácil e acabasse
por vir a ter todas as hipóteses de perder aqui contra o computador.}) 22. Ke2
h5 23. a4 Kf6 24. e4 g5 25. Ke3 Ke5 (25... e5 26. h3 $11) 26. g3 g4 27. f4+ {
Ganha espaço, define uma barreira... etc. E aparenta fazê-lo de forma segura,
já que c3 tapa a única via de entrada do Rei negro no meu campo, logo gxf3 n.
p é respondido por Rxf3 sem problemas.} Kf6 28. e5+ Kf5 29. Kd3 h4 30. Ke3 Kg6
31. Ke4 h3 {Meh. Mas, na verdade, nesta fase, já era indiferente o que o
motor fizesse com este peão. Se o avanço h3 fechava, recuar com o Rei não
me obrigava a tomar, sendo confrontado por igual recuo de Rei, com o cuidado
de manter ímpar o número de casas entre eles, como manda a teoria. Depois de
hxg3, hxg3 seria igual, também, a uma ala de Rei trancada.} 32. Ke3 Kf5 33.
Kd3 f6 34. exf6 Kg6 35. Ke3 Kf7 36. Kd3 Kg6 37. Ke3 {, com a oposição sempre
garantida. E depois de mais duas ou três jogadas de chacha, a interface que
permite ao motor comunicar com o mundo, aceitou o empate.} 1/2-1/2

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Altas Quintas '2006

Em jeito de introdução, um parágrafo retirado do sítio do produtor na internet: "A propriedade das Altas Quintas, situada no Nordeste Alentejano, na zona demarcada de Portalegre, apresenta uma área total de 256 ha, divididos por duas quintas que se estendem, paralelas, a uma altitude que varia entre os 496 m e os 770 m, no interior do Parque Natural da Serra de S. Mamede." Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet. Fermentou em balseiros de carvalho francês, onde ficou a macerar e se deu a fermentação maloláctica. Depois, reza a ficha técnica, parte do vinho foi trasfegada para barricas de madeira nova, onde permaneceu até se fazer o lote final, que antecedeu o engarrafamento. É o sucessor deste.

Foi servido a 16º C, após breve arejamento. Granada escuro. No nariz, ameixa madura, fumo, tosta, café. Na boca, a fruta mostrou reter alguma frescura, aparecendo acompanhada de notas vegetais, secas e aromáticas, apenas a compor. Ainda madeira, resinosa, crua ao sabor, a dado momento, como que a fazer lembrar cola. Aparenta ter mantido a boa frescura de alentejano criado em altitude, com um final bem razoável. Embora não tenha atingido o nível do da colheita anterior, dá uma prova bem agradável, confirmando um bom momento de forma, já a caminho da meia dúzia de anos.

14€.

16,5

segunda-feira, 14 de maio de 2012

SKETCH . . . .

Watsonville, valley — the
sun is setting in a mysterious
orange flameball over the
flat green lettuce fields
interlined with brown dirt
rows & roads & rails — beyond
the milky haze of this
dusk is the sea, unseen, the
Pacific to the Land of the
Rising Sun — the grass is
like hay, full of ants
that go to sleep at sundown,
dry shrubs, dry cottonwoods,
weeds, tart spice ferns of
Spring are now fuel for
Autumn Seres, — little
weedflowers close their
blossoms as the dusk birdsongs
titter — a farm in the
dreaming vale below, white-
washed barn, flat reposant
chickencoops & toolsheds —
I hear the distant hiway
trucks — sitting on the
mat of earth on the westernmost
American hill facing
the unknown east all
pink now — Sweet dewy
breeze hints of sea —
The railroad cries the
roundroll — I sleep on
the ground under the
stars like an Indian,
baseball hat, brakeman’s
lantern & tucked in
Levis & workshoes &
jacket, arms folded to
the moon —

a cow mourns below —
adios — now the sun
is bloodred, sinks behind
the mighty mountain trees
— the distant sad hiway
of little soundless cars —
the Salad Bowl of the
World sinks to dark, all
you need is a plane to
spray mayonnaise & chopped
scallions — eat a whole
valley raw — the figs
trees are shitting on the
ground, Mexican Motorists
pick walnuts from the
ground, the bums have
left a Tokay empty
under the avocado tree —
ripe California


Jack Kerouac, Book of Sketches, 1952-57

sábado, 12 de maio de 2012

Arribeño — Verdejo '2010

O calor voltou e com ele a vontade e as ocasiões propícias ao consumo de quantidades generosas de brancos simples e estupidamente frescos, como este Verdejo de Rueda, engarrafado por H.A.G.S.A. — será Hijos de Alberto Gutiérrez, S.A.? — para os supermercados Mercadona. Sim, um vinho de marca branca, e logo um daqueles que não inspiram orgulho ao respectivo produtor: digo-o porque, apesar de já ser comum ver a paternidade destes vinhos "sem marca" assumida sem reservas, tal não acontece, de todo, neste caso. Decisões comerciais, enfim.

O líquido foi servido a 10ºC. De cor palha no copo, foi-se desdobrando durante a prova em sugestões várias de maçãs verdes e citrinos, sobretudo limão, talvez com algo vagamente herbáceo pelo meio (o contra-rótulo fala de funcho; eu, pessoalmente, não consigo ser assim tão assertivo). Firme na boca, terá o seu melhor na acidez bem trabalhada, que lhe pemitiu mostrar sempre um gosto franco, intenso e agradável. Como branco de piscina, funciona. Se bem me recordo, custou menos de 2€.

14

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Let me now put aside biological questions and return to human adaptivity and its implications for the laws of psychology. A look at computer adaptivity may cast some light on the human kind. A computer, it is said, can only do what it is programmed to do (which may be quite different from what the programmer intended it to do). Generally, it is not instructed to do specific things at all (e.g. to solve a particular linear programming problem), but to adapt its behavior to the requirements of a given task chosen from a whole population of tasks (e.g. to solve any linear programming problem lying within given size limits). Then its behavior in response to each task is adapted to the requirements of the task, and it behaves differently, in appropriate ways, with each task it is given. In short, it is an adaptive system.

The adaptiveness of computers leads to a question that is the converse of the one raised above. Can a computer be programmed to do anything? Of course not. Upper limits are set by the famous theorems of Gödel, which prove that every symbol processing system must be, in a certain fundamental sense, incomplete. It is a truth of mathematics and logic that any program (including those stored in human heads) must be unable to solve certain problems.

Far more important than the Gödel limits are the limits imposed by the speed and organization of a system's computations and sizes of its memories. It is easy to pose problems that are far too large, require far too much computation, to be solved by present or prospective computers. Playing a perfect game of chess by using the game-theoretic minimaxing algorithm is one such infeasible computation, for it calls for the examination of more chess positions than there are molecules in the universe. If the game of chess, limited to its 64 squares and six kind of pieces, is beyond exact computation, then we may expect the same of almost any real-world problem, including almost any problem of everyday life.

From this simple fact, we derive one of the most important laws of qualitative structure applying to physical symbol systems, computers and the human brain included:
Because of the limits on their computing speeds and power, intelligent systems must use approximate methods to handle most tasks. Their rationality is bounded.

Herbert A. Simon: INVARIANTS OF HUMAN BEHAVIOR; Adaptivity, Computational Limits on Adaptivity; Annu. Rev. Psychol. 1990.41:1-20; 1990.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Maredsous Tripel

Sim, uma cerveja. Para variar. Sobre o que é uma Tripel, existe aqui uma mais que razoável introdução. Esta é fabricada pela Duvel Moortgat sob licença do autor original. Aos eventuais interessados em algo mais sobre eles, um ponto de partida, embora não o único, naturalmente, será a sua presença oficial na internet, aqui.

Advertência: eu não provo cerveja, bebo-a. Alcoolisée, 10º, de sabor maltado, com notas de caramelo e travo adocicado, antes tapado pela força do álcool e da carbonatação, a persistir no fim de boca. Pareceu-me ter ganho certa opulência com o subir da temperatura, chegando a sugerir fruta, essencialmente citrinos e as respectivas cascas, e ervas amargas. Corpulenta, de espuma farta e cremosa, tem a capacidade de parecer aconchegante, mau grado viver no limite do desequilíbrio alcoólico.

Desta vez, em casa, acompanhou Gouda velho. Traz à memória pequenos queijos de cabra, bem curados, e tostas de chouriço em pão pita, M e L e outros, e as nossas conversas sobre tudo e nada, o que calhava, e os aquários de luzes azuis e os discos que o dono nos deixava escolher em tantas noites passadas no Dixie — mas, daí, boa parte serão já coisas minhas.

domingo, 6 de maio de 2012

Porta dos Cavaleiros — Reserva '2008 Touriga Nacional

Outro tinto das Caves São João. As uvas, oriundas das regiões de Penalva do Castelo e Vila Nova de Tazém, foram vinificadas de forma clássica, com maceração prolongada. Após a fermentação maloláctica, o vinho resultante estagiou em barricas de carvalho francês. É o sucessor deste.

Primeiro dia, vertido directamente da garrafa, sem tempo para abrir: Cor escura. Tourigo jovem, com um lado mais floral a tomar evidência no primeiro encontro com o nariz, o cheiro a violetas típico dos vinhos da casta, caruma e bergamota, a par de tostados e fumados muito discretos. Depois fruta, escura mas não sobremadura, farta mas ao mesmo tempo sóbria, entremeada por notas de vegetal seco. Boca de porte mediano, a manter a toada séria.

Segundo dia: quase na mesma. Aliás, talvez aqui o mais notável seja a falta de evolução apresentada por esta meia garrafa, volvidas quase 24h dentro do frigorífico, apenas vedada pela própria rolha, virada ao contrário. Um Dão surpreendentemente moderno, bastante fresco e estruturado. Não sendo excepcional, está bem bom.

7€.

15,5

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Dois vinhos, algo mais; dois vinhos, algo mais; dois vinhos, algo mais — mais do mesmo. Era melhor se falasse da crise, tanta crise? Bom jogo.

[Event "SSDF"]
[Date "2000.06.29"]
[White "Fritz 6 K6-2 450"]
[Black "MChess Pro 8 K6-2 450"]
[Result "1/2-1/2"]
[ECO "C18"]


1. e4 e6 2. d4 d5 3. Nc3 Bb4 4. e5 c5 5. a3 Bxc3+ 6. bxc3 Ne7 7. Qg4 Qc7 8. Qxg7 Rg8 9. Qxh7 cxd4 10. Ne2 Nbc6 11. f4 Bd7 12. Qd3 dxc3 13. Qxc3 Nf5 14. Rb1 O-O-O 15. Rg1 d4 16. Qd3 f6 17. g4 Nh4 18. exf6 e5 19. h3 Be6 20. Bg2 Nxg2+ 21. Rxg2 Rdf8 22. c3 Rxf6 23. cxd4 exd4 24. Rb5 Re8 25. f5 Bd7 26. Rc5 Qd6 27. Rc4 Qd5 28. Rg1 Rf7 29. Kd1 Rfe7 30. Nf4 Qd6 31. Rc2 Re3



32. Bxe3 Rxe3 33. Qf1 Rxa3 34. Qf2 Kb8 35. Rg3 d3 36. Rxd3 Rxd3+ 37. Nxd3 Qxd3+ 38. Rd2 Qb1+ 39. Ke2 Qb5+ 40. Ke1 Qb1+ 41. Rd1 Qe4+ 42. Qe2 Qh1+ 43. Qf1 Qe4+ 44. Qe2 Qh1+ 45. Qf1 Qe4+ 46. Qe2 1/2-1/2.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Castillo de Liria — Viura & Sauvignon '2010

Continuo com mais vontade de ouvir FSOL e olhar para jogos antigos entre motores de xadrez que de escrever sobre o que tenho bebido. Mas, que raio, mau grado os parêntesis que lhe integram o nome, o Puto não é uma montra pretensamente artsy de amores e birras, uns discos e umas fotografias pelo meio. O Puto não é um Tumblr! O Puto bebe! :P Assim nasce outro post sobre vinho. E desta vez, um verdadeiramente mainstream! Diz o produtor no respectivo sítio da internet que "está presente en más de 60 países de los cinco continentes, convirtiéndose en una de las marcas españolas de vino más vendidas en el mundo". Bivarietal Viura e Sauvignon Blanc com 11,5% de teor alcoólico, fermentou em inox e foi engarrafado sem estágio.

Servido a 10ºC. Límpido e brilhante, de cor citrina, com reflexos esverdeados. Banana e frutos de polpa branca — maçã, pêra, melão — sobre fundo herbáceo, ligeiramente amargo. Presença agradável, com aromas bonitos, de boa intensidade, e uma boca firme, leve e fresca, onde apenas haverá a apontar o final curto. Face a umas sanduíches de zure haring — arenque em conserva com vinagre branco, cebola, sementes de mostarda, açúcar e outras coisinhas, que se come cru — com fatias de tomate fresco, bem maduro, e azeitonas, não comprometeu.

2€.

14