terça-feira, 31 de julho de 2012

Offley — Tawny "Barão de Forrester" 10 Anos

31/7/2002. Banda sonora do dia: a ed. de '95 dos Greatest Hits de Bruce Springsteen, Heaven or Las Vegas, o In the Aeroplane Over the Sea, qualquer coisa manhosa dos Dream Theater que ouvi com pessoal que não conheço em casa do Leo e uns bocados ao acaso das K&D Sessions. Escusado será dizer que pouco mais fiz para além de ouvir música. Pensei em escrever a um padre, a alguém que me orientasse. Senti Deus e quero dar um rumo à minha vida, para lá deste mar de mágoa. Mas limito-me a ficar deitado a fumar ganzas e jogar computador, saio para comer, beber e comprar droga, e embora nada faça para mudar de vida, juro que estou arrependido, do fundo do coração. Que Deus me perdoe. Encontrei a Sandra na baixa. Comi pizza com o Márcio pela madrugada dentro. Parece que vem aí um novo dealer. Voltei para casa por volta das quatro da manhã.

Metablogando — porque não? — é este o tipo de merdas que (espero) torna certos posts menos apetecíveis ao apetite voraz dos agregadores.

Por curiosidade, foi assim há dez anos no avô (blogue) do puto que bebe. E que merda, lol, parece que não evoluí nada. Beber, esquecer, vinho, dez anos, aqui, agora, duh. Porquê misturar estas considerações com vinho, com uma reles nota de prova, com ou sem os adornos do costume? Não podia postar em separado? Podia, mas não quero. Isto sou eu, o resto sou eu a falar sobre um vinho que escolhi e bebi. Não fará menos sentido não misturar as coisas? A menos que quisesse tentar a sorte como (eno) jornalista ou algo do género. Aí convém a um gajo alimentar uma aura de seriedade e isenção. Em condições ideais, fazer tudo e todos pensar que nem sequer tem genitália, muito menos um olho do cu. Enfim, se o meu feed ainda estiver a alimentar aquela merda do petitchef, lá virão as menopausas prematuras dar uma estrela (em cinco possíveis) ao post e comentar que só digo merda. Está bem, adiante. O vinho do post de hoje é o último tawny que passou cá por casa, um Offley, resultado de um lote de vinhos com uma idade média de 10 anos e que acabei de beber há uns dias atrás, não me encontrando neste preciso momento embriagado, seja por ele ou outro qualquer. Foi engarrafado em 2011. Pareceu-me bastante frutado para um vinho do género, bem mais rico em sugestões de compota e frutos pretos em passa que em caramelo e frutos secos. Os fumados, as especiarias, lá muito longe. Como prometido, passou intenso pela boca, largo e longo, muito satisfatório mesmo. Alegre mas ao mesmo tempo contido, não será injusto afirmar que se trata de um bombom circunspecto. Na minha humilde opinião, será um dos melhores "dez anos" presentemente no mercado.

16€.

16,5

domingo, 29 de julho de 2012

Eu vs Comp. (6)

[Event "?"]
[Site "?"]
[Date "2012.07.29"]
[Round "?"]
[White "Ivanhoe 999946f"]
[Black "Prata, J."]
[Result "1-0"]
[ECO "D55"]
[PlyCount "93"]
[EventDate "2012.??.??"]

{Sexto de uma série de jogos sem muito que se lhes diga: eu a jogar contra
motores, sendo usualmente massacrado. Este não foge à regra: perdi. Desta vez,
o oponente, foi o controverso (e estupidamente forte) Ivanhoe 999946f,
executado num Athlon velhote, a 1GHz, com 512MB de RAM. Controle de tempo,
30min/KO.} 1. Nf3 Nf6 2. c4 e6 3. Nc3 d5 4. d4 c6 5. Bg5 Be7 6. e3 O-O 7. Bd3
h6 8. Bxf6 Bxf6 9. O-O dxc4 {Normalíssimo Gâmbito de Dama, recusado, jogado em
"modo conas".} (9... Nd7 10. Rc1 dxc4 11. Bxc4 e5 {será a variante principal,
o tema com e5 remete para a famosa "manobra de libertação de Capablanca", mau
grado não ter surgido Cd5.}) 10. Bxc4 Qc7 {"Out of book".} (10... Nd7 11. Rc1)
11. Bd3 Nd7 12. Qc2 e5 {Para libertar o Bc8.} 13. Nd5 Qd6 14. Nxf6+ Qxf6 15.
Rad1 exd4 16. Nxd4 Ne5 17. Be4 Be6 18. Nxe6 Qxe6 {Sem ambição, sem debilidades
também.} 19. Bh7+ Kh8 20. Bf5 Qf6 (20... Qc4 21. Qxc4 Nxc4 22. Rd7 Rab8 {
ainda retira mais vida, mais cedo, do tabuleiro :)}) 21. e4 Rad8 22. f4 Ng6 23.
e5 Qh4 {Até aqui, todo o jogo foi levado num espírito "posicional-cobarde",
longe de confusões, com sucesso. Para quê mudar isso, mandar a "gorda" à
aventura?} (23... Qe7 {e se} 24. Bxg6 fxg6 25. Qxg6 Qc5+ 26. Kh1 Rxd1 27. Rxd1
Rxf4 $11 {é forçado.}) 24. g3 Qh5 25. Be4 Ne7 26. Rd3 Qg4 {Para quê eliminar a
oposição na coluna aberta?} (26... Rxd3 27. Qxd3 Qg4 28. f5) 27. Rd6 {. . . e
o filho da puta, sempre à espera de que tomasse.} Nd5 (27... Rxd6 28. exd6 Nd5
29. Bxd5 cxd5 30. Re1 $16) 28. Bf3 Qc8 29. Bxd5 Rxd6 30. exd6 cxd5 31. Qxc8
Rxc8 {Assumindo que estou a jogar uma s/r contra aquilo que se diz ser uma das
mais competentes entidades do planeta no que toca a ganhar jogos de xadrez, só
me ocorre certo dizer do "Hugo", aquele jogo estúpido da TV: "até agora, tudo
bem". Só que não é bem assim.} 32. Rd1 Kg8 33. b4 Kf8 34. Rxd5 Rd8 35. a4 Rd7
$2 {Em teoria, manter a Torre na 2a, protegendo a linha recuada, está mais que
bem. Mas depois, na prática, existe todo um conjunto de refutações tácticas,
aplicáveis caso a caso, que podem invalidar o bom princípio teórico. Noutras
palavras: colei-me demasiado a um princípio geral e fodi-me. Ainda pior, mas
não menos verdade: joguei à papagaio e fodi-me. Ou melhor ainda: fodi-me
porque jogo pior.} (35... f6 $14) 36. Kf2 g6 37. Ke3 Kg7 38. Ke4 Kf6 39. g4 Ke6
40. f5+ Kf6 41. Rd3 $1 {Será preciso ser-se um computador ou muito bom jogador
para descobrir a resposta ideal, esta, ao lance 41 de um jogo de 30 min.} gxf5+
42. gxf5 a6 {Que mais?} 43. Rh3 Kg7 {Aqui, o jogo já está perdido, faça o que
fizer.} (43... Rd8 44. Kd5 a5 45. Rxh6+) (43... Kg5 44. Ke5 h5 45. Rg3+ Kh6 46.
Rc3) 44. Ke5 b5 (44... Rd8 45. f6+ Kg6 46. Rg3+ Kh5 47. Rg7 $18) 45. f6+ Kg6
46. Rg3+ Kh5 47. a5 {Estava todo fodido, desisti. A ideia com que fiquei foi a
de que, jogando para empatar, não será, no entanto, demasiado complicado sacar
meio ponto de quando em vez a estas entidades xadrezísticas (em teoria) tão
mais fortes que qualquer humano. Por outro lado, ao mínimo deslize, está
cavada a sepultura. Não sei porque continuo a jogar com eles. Talvez seja pelo
mesmo motivo que mantém o Puto de pé: casmurrice.} 1-0

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Palha Malhada '1999

Este veio de Silgueiros e foi o primeiro vinho lançado no mercado pela Qta. Vale das Escadinhas, que também produz o Qta. da Falorca, de que tanto gosto. As uvas, diz o rótulo, vieram de terreno granítico pobre, tendo o processo de vinificação ocorrido em lagar de pedra, com manta flutuante e maceração prolongada. Quanto a castas ou estágio, nem uma palavra, mas apostaria tratar-se de um vinho assente em Touriga Nacional, com breve (ou mesmo sem) passagem por madeira. Encheram-se 10000 garrafas, não numeradas.

Foi servido directamente da garrafa, com cuidado por causa do depósito, para dentro de balões amplos e largos, tipo "Borgonha". Estaria a 14 ou 15ºC. Cor atijolada, velha. Assim que vertido no copo, morango e melaço. A ganhar complexidade em questão de minutos, até revelar um conjunto evoluído e muito bonito, com notas de bosque, café, pinhões e bergamota. Completamente polido, mas retendo ainda alguma presença na passagem pela boca. No final da refeição, contudo, apenas típico vinho velho, a morrer rapidamente. Falecido o restinho deixado a título de experiência para a manhã do dia seguinte. É comum afirmar-se que não existe um determinado vinho velho, mas sim várias garrafas desse vinho. Esta, razoavelmente bem guardada, deu uma prova interessante durante duas horas, ou isso. Acredito que, com um pouco de sorte, seja possível encontrar espécimes mais vivos, e fico curioso. No entanto, face ao que esta garrafa mostrou, não posso deixar de sugerir a quem ainda o tiver que não espere mais. Terá custado 7 ou 8€, já não me lembro do valor exacto. Desta vez, a nota, 14,5, serve mais para estabelecer um termo de comparação com o prazer proporcionado pelos demais vinhos que tenho bebido que como tentativa de quantificação das virtudes da coisa provada.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Aveleda — Alvarinho '2011

Quinta da Aveleda, normalzito, era o branco de eleição do Bicho, quando a conheci. O tempo que passei, na altura, a abrir-lhe os olhos para outras coisas. . . Ainda por cima, na altura, eu não era propriamente fã de brancos. Enfim, tantos anos depois, o regresso aos vinhos do produtor, desta vez com um monocasta Alvarinho, vinificado e estagiado em inox, conforme indica a respectiva ficha técnica.

Servido logo depois de aberto, pouco depois de retirado da porta do frigorífico, mostrou-se muito alegre, com ervas, limão, giz e flores brancas. Simples, mas também (e acima de tudo) limpo e muito fresco, com acidez vibrante, algum corpo e final de comprimento modesto, mas envolvência agradável. Como é habitual nos vinhos da casta que são bem feitos, deverá ganhar com um ano ou dois em garrafa. Tal como o do post anterior, acompanhou salmão, mas grelhado.

5€.

15

sábado, 21 de julho de 2012

Catarina '2010

Branco das encostas de Azeitão, produzido por Bacalhôa Vinhos de Portugal. O lote é composto por 65% de Fernão Pires e 10% de Arinto, vinificadas separadamente, em inox, a que se juntou Chardonnay fermentado e brevemente estagiado em madeira nova de carvalho francês.

Embora comece a apresentar notas de evolução, ainda nele predomina a fruta, amarela e madura, a fazer lembrar pêssego, ananás e nectarina, secundada por certa austeridade vegetal e ligeiros tostados e abaunilhados de barrica. De corpo firme e acidez bem trabalhada, mostra na boca, no entanto, um lado mais doce, amanteigado, certamente contributo do Chardonnay, que apesar de parecer algo antagónico ao resto do conjunto quando escrito, se enquadra perfeitamente nele. O final é razoavelmente longo. Ligou deveras bem com posta de salmão assado, acompanhada de salada de batata e couve roxa, alface e rúcula daquela que dizem selvagem, com um topping de molho de maionese e alho, misturados com um chapisco de balsâmico. Não posso deixar de recomendar, também, que se combine com queijo de Azeitão — obrigado NovaCrítica.

4€.

16

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Mouras de Arraiolos — Grande Escolha '2007

Tinto alentejano, produzido e engarrafado nas imediações de Arraiolos, que como todos sabem, ou deviam saber, é uma simpática vila localizada um pouco a norte de Évora. O produtor fala de um lote de Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet e Syrah, fermentação em cubas a temperatura controlada e estágio de um ano em barricas novas de carvalho francês, o que é super genérico e deverá parecer redundante a raiar o parvo, sempre que introduzo um vinho. E é verdade que podia economizar palavras, adoptar uma toada menos repetitiva, bastando para tal, por exemplo, falar por alto do processo de elaboração e/ou estágio apenas quando tal apresentasse algo de novo, curioso ou relevante para o que usualmente se lhe segue. Podia, mas ainda não estou a fazê-lo. Um bocadinho de "meta-putobebe", já fazia tempo que não saía, hein? Odioso, hein? Também é verdade que o tom repetitivo tem o seu quê de propositado, mesmo nas coisas mostradas, no timing forçado entre as coisas mostradas. O Puto, sendo do coração, tem coisas de coisa não natural. Ok. Abri a garrafa nº 7707 de 35000 produzidas.

E o vinho que encontrei lá dentro pareceu-me ter cor escura e aroma a frutos pretos e vermelhos, mais tosta no princípio e mais vegetal seco e especiarias, traço distintivo do Cabernet, após algum tempo no copo. Achei o sabor intenso e bastante macio, com amora e ameixa, alguma acidez, algum calor, uma ligeira, mas visível, dissonância entre os dois, também, e um final razoável, com sugestões de café. Vinho simpático, fácil e natural, polido sem parecer "montado" ou "fabricado", defeito que várias vezes apontei a outras coisas — de outras gamas, também é verdade — do produtor. Não exige comida intensa ou pesada, mas não se porta nada mal com ela. E apesar de já estar fixe, poderá valer a pena guardá-lo mais dois anos ou assim.

6€

16

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Encosta de Mouros — Syrah '2009

Monoscasta Syrah produzido pela Adega Coop. de Mealhada, produtor que aparenta, infelizmente, ainda não ter presença na web. Abri a garrafa nº 47 de 7243 produzidas. No contra-rótulo lê-se que fermentou a temperatura controlada, tendo sido sujeito a regulares délestages. Aparte: neste processo, que os anglófonos incluem nos mais badalados rack-and-return, a manta acumula-se no fundo da cuba à medida que o mosto vai sendo drenado, mosto esse que depois é devolvido ao fermentador pelo topo, usualmente bombeado. À medida que isto acontece, vão-se separando grainhas (por fricção) das uvas, digamos, partidas, grainhas essas que podem, e usualmente são, em parte, removidas. Este processo pode ser repetido amiudadas vezes, em certos casos diariamente, até a fermentação alcoólica terminar. A ideia é simples: maximizar a extracção sem endurecer o vinho (taninos) em demasia. Ou seja: mais cor, pelo menos.

A bebida foi servida directamente da garrafa, aberta meia hora antes. Devia estar a 15 ou 16ºC e foi certamente ganhando calor com a permanência à mesa. A par da fruta, negra mas austera, começou por mostrar azeitona verde e interessantes notas especiadas, de tom quente, que se foram tornando mais negras e profundas com o ar. Na boca, volume e persistência medianos, com acidez considerável e taninos, apesar de tudo, às vezes um pouco rudes. Actualmente com três anos, está simples e ainda algo preso. Penso — e espero — que o seu melhor ainda estará por mostrar. Syrah de clima frio, pareceu-me ter bastante a ver com este, tanto em termos de estilo como de execução.

5€.

15

terça-feira, 10 de julho de 2012

Apesar de não ter tido de o tirar do ar, comentei há dias que o blogue estava em obras. OK, intervenção terminada, por agora.

Principais mudanças: janelas com vídeo em "os meus filmes" e "os meus discos" novamente funcionais, os iframes com música assentes no nifty player finalmente aparecem no Internet Explorer — parece que o problema estava em quão quadrado o bom velho exploder pode ser na interpretação dos tipos MIME, logo a solução consistiu, tão simplesmente, em forçar, no header de cada post, a especificação do tipo de conteúdo presente. Cheguei a pensar em usar SWFObject para uma solução quiçá mais definitiva, mas se assim aparenta estar resolvido, não mexo mais (a preguiça, o desleixo, o facto de não me pagarem, o facto de ter uma vida). Embora este seja trabalho mais ou menos invisível, há que contar ainda que toda a estrutura do blogue foi arquivada e alguns enlaces descontinuados, removidos. Por tratar, se possível, fica a forma como os iframes com jogos de xadrez (não) são disponibilizados através do navegador padrão do Android. Mas esse, estou convencido, será um problema mais das calças que do cu. Normalidade retomada, finalmente! Talvez reencontre a vontade de aqui deixar conteúdo, quem sabe? :)