quarta-feira, 7 de novembro de 2012
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
CARM '2010
O presente vem do Douro Superior, de Almendra, Vila Nova de Foz Côa. Consiste, dizem, num lote de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, em partes aproximadamente iguais, uvas provenientes de várias propriedades da empresa que o produz, desengaçadas e fermentadas em cubas, com parte do vinho a fazer a maloláctica em madeira. Depois, um ano em barricas de carvalho americano e francês.No nariz, o Douro: a expressão da fruta preta, ameixa e cereja, o mato seco, a flor de esteva. O sabor, sólido, com fruta, segue o cheiro. Apesar de ainda algo fechado, com ligeira aresta e acidez vivaz, deu uma prova bem agradável.
Bebi-o com peito de pato temperado com ervas (a S. é que sabe quais) e selado no panelão, com brandy de Jerez. Foda-se!
7€.
15,5
sábado, 3 de novembro de 2012
Quinta de la Rosa '2009
É o tinto padrão da quinta que lhe dá o nome. O contra-rótulo fala simples e claro: "empresa familiar, uvas de letra "A", Tinta Roriz, Touriga Nacional e Touriga Franca, apanha manual, envelhecido em cascos de carvalho francês", o que, sem deixar de ser boa publicidade ao produto da casa, é sem dúvida bem mais esclarecedor que certas merdas mega floreadas que se lêem em alguns dos seus pares.Do vinho, gostei. Muito escuro. Grande e bem dimensionado, basto em sobriedade e persistência, e ao mesmo tempo fino, elegante mesmo. Ainda algo fechado, a prometer compensar a paciência daqueles que o deixarem repousar durante mais alguns anos. Com ginja, cereja preta e ameixa, fruta viva e fresca, às vezes com ligeiro toque lácteo e secundada por notas envolventes de toffee e baunilha. Trouxe de volta, por momentos, os (não tão) bons velhos tempos.
9€.
16,5
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Pulo do Lobo — Antão Vaz '2010
Pulo do Lobo é um lugar escarpado, a montante de Mértola, onde o rio Guadiana se estreita de tal forma que, dizem, os lobos aproveitavam para saltar entre margens. Outra lenda fala de um camponês que se transformava em lobo para ir ter com a princesa do seu coração. No fim, parece que morreram os dois. A sério. De qualquer forma, relevante será tratar-se de um lugar invulgarmente bonito, que merece uma visita.O vinho, da Soc. Agrícola de Pias, monocasta Antão Vaz vinificado em bica aberta e engarrafado sem passagem por madeira, apareceu como esperado, simples e gordinho, com cheiros maduros, essencialmente tropicais, até um pouco pesados. Bastante fresco na boca, no entanto, mesmo agora, que já tem dois anos.
Foi com robalo, grelhado na brasa, só com um molho de sumo de limão, azeite, sal, louro e pimenta preta. Portou-se bem.
O preço surpreende, não chega aos 3€.
15,5
sábado, 27 de outubro de 2012
Velharias (34)
Estava em casa com M, sem nada que fazer. Enfim, mais uma noite de ganza, igual a tantas outras. Resolvemos ir beber um copo ao Dixie.
Assim que entrámos, tive o desprazer de descobrir o bar invadido por um grupo de jovens felizes, armados com uma guitarra. Tão desinibidos se mostravam, cantando e tocando à vontade sem a mínima objecção do barman que, a princípio, pensei tratar-se de uma banda ali caída em noite de copos com os amigos.
Talvez! O certo é que não se calaram nas quase duas horas que lá permaneci. Devíamos ir a meio do segundo ou terceiro fino quando, talvez por coincidência, lá chegou o meu primo T, que também não tardou a mostrar-se perturbado pelos jovens vivos.
Felizmente, o andar de cima ficou vago pouco depois. Pudemos finalmente mudar-nos para um lugar de onde já não podíamos ver aquelas criaturas. Quanto a ouvi-las, a história era outra.
Impossível não pensar neles, foda-se. Putos novos, alegres, que vão beber ice-tea entre dois dedos de conversa e muitas cantorias ao bar dos pseudos, da cena gay "30-50", do underground politicamente correcto.
— Pá, de onde é que saíram estes gajos? — atirei para a mesa. — Pá, são o pessoal do grupo de jovens, respondeu T. — Grupo de jovens? — insisti — Como o INTERACT? Parecem mais indie kids à solta. — Que merda é essa?
Achei algo estranho que T não soubesse o que era o INTERACT, muito menos indie kids, mas também não havia de ser eu a perder tempo a explicar-lhe. — Pá, o INTERACT é um grupo de jovens.
M e T jamais se darão bem. Sair com os dois faz-me voltar aos tempos do liceu, onde tínhamos turmas divididas em grupos de amigos segundo a lógica das matilhas: os do meu grupo são meus amigos, os dos outros grupos, em princípio, não. E assim partilhamos uma mesa, em silêncio, porque dois dos meus bons amigos se detestam. Ambos me respondem, mas, entre eles, a conversa não flui. T acha M desprezível, M acha T um verdadeiro imbecil. E ambos têm razão.
Os jovens do grupo de jovens. Fascinante. Aproveitei o intervalo entre duas dentadas numa tosta para acender um Virginia fornecido por T. Reparei que me fitava enquanto acendia o cigarro. — Sim, sou um porco. A besta, a fumar e a comer.
M também comia, não respondeu. T notou que "aqueles lá de baixo" não comiam nem bebiam. Saíam para estar juntos, ao invés de se consumirem em grupo, como nós. Num repente, pareceu-me bem partilhar que gostaria de ir ter com os putos. — São limpos, sobretudo as gajas. Gostava de conhecer alguns. Chegava aos trinta gordo e feliz, com um puto no mundo.
T continuava de olhos presos em mim, e assim permaneceu mais um bom bocado, antes de responder: — Não quero que sejas infeliz. Começa a frequentar o CUMN, ou o Justiça e Paz, logo fazes novos amigos. — Duvido — e acendi outro cigarro. — Já não tenho paciência para conhecer pessoas. E eles iam achar-me montes de estranho, também não iam gostar. — Tu és o Drácula — cortou M, taxativo.
Lá em baixo, a vida cantava a vida, a "Casinha", os "Filhos da Nação" e outras merdas assim. A dada altura, uma jovem viva, fresca e talvez pura como uma rosa, propôs um brinde às pessoas que não têm vergonha na cara. Brindaram com a algazarra contida dos meninos limpinhos e continuaram, ora a falar ora a cantar, como se as pilhas não acabassem senão quando a noite os comesse.
Entretanto, nós vegetávamos no piso de cima, quase sempre calados. Para o fim, T brincava com o telemóvel enquanto M bebia como se fosse o seu último dia neste mundo. Como de costume.
— Vais pedir outro? —perguntei-lhe. — Ainda aí tens metade.
Respondeu-me que os finos eram coisas vivas, unidades vitais, por assim dizer. Emborcou o resto do que tinha por diante antes de continuar:
— É esquisito ter à frente um copo vazio. Um cadáver.
— É esquisita a impressão de estarmos a beber um reflexo de nós próprios — retorqui com um sorriso.
Fomo-nos embora por volta das quatro menos dez.
Assim que entrámos, tive o desprazer de descobrir o bar invadido por um grupo de jovens felizes, armados com uma guitarra. Tão desinibidos se mostravam, cantando e tocando à vontade sem a mínima objecção do barman que, a princípio, pensei tratar-se de uma banda ali caída em noite de copos com os amigos.
Talvez! O certo é que não se calaram nas quase duas horas que lá permaneci. Devíamos ir a meio do segundo ou terceiro fino quando, talvez por coincidência, lá chegou o meu primo T, que também não tardou a mostrar-se perturbado pelos jovens vivos.
Felizmente, o andar de cima ficou vago pouco depois. Pudemos finalmente mudar-nos para um lugar de onde já não podíamos ver aquelas criaturas. Quanto a ouvi-las, a história era outra.
Impossível não pensar neles, foda-se. Putos novos, alegres, que vão beber ice-tea entre dois dedos de conversa e muitas cantorias ao bar dos pseudos, da cena gay "30-50", do underground politicamente correcto.
— Pá, de onde é que saíram estes gajos? — atirei para a mesa. — Pá, são o pessoal do grupo de jovens, respondeu T. — Grupo de jovens? — insisti — Como o INTERACT? Parecem mais indie kids à solta. — Que merda é essa?
Achei algo estranho que T não soubesse o que era o INTERACT, muito menos indie kids, mas também não havia de ser eu a perder tempo a explicar-lhe. — Pá, o INTERACT é um grupo de jovens.
M e T jamais se darão bem. Sair com os dois faz-me voltar aos tempos do liceu, onde tínhamos turmas divididas em grupos de amigos segundo a lógica das matilhas: os do meu grupo são meus amigos, os dos outros grupos, em princípio, não. E assim partilhamos uma mesa, em silêncio, porque dois dos meus bons amigos se detestam. Ambos me respondem, mas, entre eles, a conversa não flui. T acha M desprezível, M acha T um verdadeiro imbecil. E ambos têm razão.
Os jovens do grupo de jovens. Fascinante. Aproveitei o intervalo entre duas dentadas numa tosta para acender um Virginia fornecido por T. Reparei que me fitava enquanto acendia o cigarro. — Sim, sou um porco. A besta, a fumar e a comer.
M também comia, não respondeu. T notou que "aqueles lá de baixo" não comiam nem bebiam. Saíam para estar juntos, ao invés de se consumirem em grupo, como nós. Num repente, pareceu-me bem partilhar que gostaria de ir ter com os putos. — São limpos, sobretudo as gajas. Gostava de conhecer alguns. Chegava aos trinta gordo e feliz, com um puto no mundo.
T continuava de olhos presos em mim, e assim permaneceu mais um bom bocado, antes de responder: — Não quero que sejas infeliz. Começa a frequentar o CUMN, ou o Justiça e Paz, logo fazes novos amigos. — Duvido — e acendi outro cigarro. — Já não tenho paciência para conhecer pessoas. E eles iam achar-me montes de estranho, também não iam gostar. — Tu és o Drácula — cortou M, taxativo.
Lá em baixo, a vida cantava a vida, a "Casinha", os "Filhos da Nação" e outras merdas assim. A dada altura, uma jovem viva, fresca e talvez pura como uma rosa, propôs um brinde às pessoas que não têm vergonha na cara. Brindaram com a algazarra contida dos meninos limpinhos e continuaram, ora a falar ora a cantar, como se as pilhas não acabassem senão quando a noite os comesse.
Entretanto, nós vegetávamos no piso de cima, quase sempre calados. Para o fim, T brincava com o telemóvel enquanto M bebia como se fosse o seu último dia neste mundo. Como de costume.
— Vais pedir outro? —perguntei-lhe. — Ainda aí tens metade.
Respondeu-me que os finos eram coisas vivas, unidades vitais, por assim dizer. Emborcou o resto do que tinha por diante antes de continuar:
— É esquisito ter à frente um copo vazio. Um cadáver.
— É esquisita a impressão de estarmos a beber um reflexo de nós próprios — retorqui com um sorriso.
Fomo-nos embora por volta das quatro menos dez.
23/10/2003
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Dona Maria '2008
Alentejano de Estremoz, produzido por Júlio Tassara de Bastos na Quinta do Carmo (ou Quinta Dona Maria). Composto por 50% de Aragonês, 20% de Cabernet Sauvignon, 15% de Alicante Bouschet e outro tanto de Syrah provenientes de cepas implantadas em solos argilosos e calcários, foi engarrafado em Abril de 2011, após estágio de meio ano em barricas de carvalho francês e americano. Desta colheita de 2008, resultaram 114000 garrafas.Nariz bonito, perfumado por bosque e especiarias. A fruta, preta, ameixa e assim, bem envolvida pelo demais, sem tostados ou fumados a quererem destaque, o cipreste, as notas de Cabernet, o vago floral que vai aparecendo em segundo plano, tudo muito agradável. Na boca mostrou-se um vinho sápido, de boa intensidade, com alguma estrutura, largura e final. Peso médio com um extra de complexidade, pareceu-me porreiro.
7,5€.
16
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Taylor's — LBV '2005
Primeiro fez lembrar cereja e ameixa, cobertas de chocolate com passas e pimenta preta. Com o tempo, percebi alcatrão, coisa pesada, de pendor mais vegetal. Bem firme e persistente na boca, com fruta carnuda, bonita, e o álcool a notar-se um bocado, sobretudo no final. Melhor ao segundo dia, e no seguinte, mais solto, mais expressivo, ou pelo menos foi o que me pareceu.Veio vedado com uma daquelas rolhas que têm o topo de plástico, fácil de puxar, o que logo sugeriu tratar-se de um LBV filtrado, pensado para consumo imediato. Posteriormente, o resto veio a confirmá-lo. E a ser assim, embora este vinho, como coisa viva, programada para morrer, vá envelhecer na garrafa, existem boas possibilidades de tal amadurecimento não se revelar proveitoso — só por si, o polir de umas arestas acaba por não compensar a fruta e força que se perdem. Em todo o caso, pareceu-me um dos melhores LBV dos últimos tempos.
12€.
16,5
sábado, 20 de outubro de 2012
Eu vs Comp. (7)
[Event "?"]
[Site "?"]
[Date "2012.11.01"]
[Round "?"]
[White "Chezzz + Ant + Comet"]
[Black "Prata, J."]
[Result "1/2-1/2"]
[ECO "D36"]
[PlyCount "183"]
[EventDate "2012.??.??"]
{Mais um jogo de 30min contra o computador. O oponente, Chezzz 1.0.3 + Ant
2006-f + Comet B46 Leiden no modo "triple brain" do GUI Shredder Classic, que
funciona da seguinte forma: à medida que o jogo avança, cada nova posição vai
sendo avaliada pelos dois primeiros motores, sendo que é o terceiro que
determina qual das alternativas geradas é a melhor. Não costuma ser tão forte
como um motor "a solo", uma vez que há uma data de variantes onde os motores,
por mais diferentes que sejam, vão inevitavelmente concordar, logo há muitas
coisas calculadas em duplicado, mas não é por isso que deixa de ter o seu
interesse.} 1. Nf3 Nf6 2. d4 {Ah, a cangalhada do costume: P4, 128MB HT a cada
motor, excepto ao decisor, que parece que usa menos (?) . . . livro do
"Shredder Classic 4", o que realmente não importa muito, dado que o meu
conhecimento de aberturas é limitado e por isso acabo quase sempre por jogar
coisas simples e nada ambiciosas, sem grande ciência.} e6 3. c4 d5 4. Nc3 c6 5.
Bg5 Nbd7 6. cxd5 exd5 7. e3 Be7 8. Qc2 O-O 9. Bd3 h6 10. Bh4 Re8 11. Bg3 Nf8 {
Aqui, o livro de aberturas terminou e os motores começaram a pensar.} 12. h3
Bd6 13. Bxd6 Qxd6 14. O-O Be6 15. Rac1 Rac8 {Joguei isto quase ao fim de cinco
minutos, sem plano definido. "Dc2 e Bd3 são uma chatice e o Be6 mais parece um
peão. Se ele tiver temas com Ce5, eu também devo ter com Ce4. Bem, vou pôr uma
Torre à frente da dele, muito mau não será" - assim pensa o piço, e este tipo
de situações acontece tanto!} 16. Qb3 {Depois aparece esta jogada incómoda,
como que a mostrar-me, de caras, as insuficiências de Tc8. Ainda assim,
equilíbrio q.b.} Rc7 ({Não duvido de que} 16... Rb8 {será melhor, mas eu tinha
acabado de jogar aquela Torre para uma casa ao lado, não tinha?}) 17. Qa4 a6
18. Rfe1 Qd7 {A pensar em sacrificar em h3, o que provavelmente seria má ideia,
e apesar da perspectiva de as brancas alojarem o Cavalo em e5.} 19. Qb3 Ne4 {
Ainda com Bxh3 debaixo de olho e já a sonhar com descobertos e Te6. . . mas
tudo muito vago. E daqui, com a ajuda de alguma experiência de vida, concluo:
ou estou a ficar velho, ou estou outra vez deprimido - não consigo calcular!}
20. Qb6 Nxc3 {Que mais?} 21. bxc3 Qc8 22. Rb1 Nd7 (22... c5 {era uma
possibilidade, mas, contra o computador, uma pessoa tem medo de abrir a
posição.}) 23. Qa5 b6 {Para expulsar a Dama branca e ganhar algum espaço.} 24.
Qa3 Ra7 25. Rb2 a5 26. e4 {Esta jogada tem muito bom aspecto e adequa-se muito
bem ao meu plano de ganhar espaço na AD - ou seja, de repente, b5 já não é tão
bonito.} dxe4 27. Rxe4 (27. Bxe4 {parece melhor.}) 27... Bd5 28. Rxe8+ Qxe8 29.
Re2 Qf8 30. Qxf8+ (30. Qc1 {permitia} Bxf3 31. gxf3 Nf6 {e a minha posição não
assusta.}) 30... Kxf8 31. Nh4 b5 32. Nf5 {Ainda pensei em Cf6, mas, depois,
que fazer?} Nb6 33. Rc2 Nc4 ({Não me apercebi das qualidades de} 33... g6 {
, jogada que faz tempo estava a apetecer fazer, mas a que não me atrevi por
causa da perda de h6.} {Olhar para isto posteriormente, e com ajuda,
mostrou-me que, de facto, não havia nada a temer, muito pelo contrário!} 34.
Nxh6 f5 35. g4 {- única jogada que não implica a saída do Cavalo -} (35. f3 {
é interessante: as brancas trocam o Cavalo por dois peões, mas ficam com três
passados,} Kg7 36. Nxf5+ gxf5 37. Bxf5 {, pelo que as pretas têm de conseguir
colocar-se em jogo antes de que eles comecem a avançar, o que em todo o caso
parece possível, com} b4 {.}) 35... Kg7 36. g5 Re7 {e depois a4 e Cc4, por
exemplo, e pela primeira vez no jogo ia sentir que estava realmente bem.}) 34.
Bxc4 Bxc4 35. Ne3 Bd3 36. Rd2 Bg6 {E a ideia de que o Bispo estava melhor em
d6... tanso.} 37. c4 b4 ({Não joguei} 37... bxc4 38. Nxc4 Be4 {para não
enfraquecer o peão "a", mas, bem vistas as coisas, ia dar mais ou menos ao
mesmo.}) 38. d5 cxd5 39. Nxd5 (39. cxd5 a4) 39... Ra6 {Para tirar casa ao
Cavalo e parar o peão passado. Nesta fase, já me ia convencendo que era
possível que não perdesse. O problema era já ter menos de 10 minutos.} 40. Kh2
Rc6 41. Ne3 Ke7 {Jogado com base no princípio genérico de que, se a posição
não aparentar proporcionar-se àquilo a que chamo mates macacos, levar o Rei
para onde se passam coisas não costuma ser mau.} 42. Kg3 Ke6 43. Rd5 {Aqui, o
motor opta por simplificar.} Rxc4 44. Rxa5 (44. Nxc4 {não, evidentemente:} Kxd5
45. Nxa5 Bb1) 44... Rc3 45. Ra6+ Ke5 46. Rb6 Ra3 47. Rxb4 Rxa2 $11 48. f4+ Kd6
({E não} 48... Ke6 {, por causa do garfo:} 49. f5+ Bxf5 50. Rb6+ Ke5 51. Rb5+)
49. f5 Bh5 50. Kf4 Be2 51. Rb6+ Kc7 {Joguei isto porque temia "enconar-me" se
jogasse Re7 ou assim, mas, masi uma vez, a análise posterior mostrou que não.}
52. Nd5+ Kd7 53. Nc3 (53. Rb7+ Ke8 {e as brancas não têm nada, na verdade.})
53... Rc2 54. Nxe2 Rxe2 55. Rb7+ Ke8 {E esta era daquelas posições que eu dava
à S. para aguentar sem perder contra um Rybka ou Shredder, na máxima força,
quando a ensinei a jogar. E sim, normalmente aguentava-se. E sim, achava uma
seca. Gosto de pensar que o fazia, então, para me agradar. Ou talvez fosse só
para eu não a aborrecer! Coisas do tempo da droga, lol.} 56. g3 Ra2 57. Kf3 Ra6
{E muitos lances de chacha depois. . .} 58. Kg4 Rd6 59. Kf4 Ra6 60. h4 Ra4+ 61.
Kf3 Ra3+ 62. Kg4 Ra4+ 63. Kh5 Ra6 64. g4 Rc6 65. Rb5 Ra6 66. Rb8+ Ke7 67. Rb7+
Ke8 68. g5 hxg5 69. hxg5 Ra5 70. Kg4 Ra4+ 71. Kg3 Ra5 72. Kf4 Ra4+ 73. Ke5 Ra5+
74. Kd6 Ra6+ 75. Kc5 Ra5+ 76. Rb5 Rxb5+ 77. Kxb5 Ke7 78. Kc6 f6 79. g6 Kd8 80.
Kd6 Ke8 81. Ke6 Kf8 82. Kd7 Kg8 83. Ke7 Kh8 84. Ke6 Kg8 85. Kd7 Kh8 86. Kd6 Kg8
87. Kc7 Kh8 88. Kb7 Kg8 89. Kc8 Kh8 90. Kd8 Kg8 91. Ke8 Kh8 92. Ke7 {. . . , o
computador propôs o empate.} 1/2-1/2
[Site "?"]
[Date "2012.11.01"]
[Round "?"]
[White "Chezzz + Ant + Comet"]
[Black "Prata, J."]
[Result "1/2-1/2"]
[ECO "D36"]
[PlyCount "183"]
[EventDate "2012.??.??"]
{Mais um jogo de 30min contra o computador. O oponente, Chezzz 1.0.3 + Ant
2006-f + Comet B46 Leiden no modo "triple brain" do GUI Shredder Classic, que
funciona da seguinte forma: à medida que o jogo avança, cada nova posição vai
sendo avaliada pelos dois primeiros motores, sendo que é o terceiro que
determina qual das alternativas geradas é a melhor. Não costuma ser tão forte
como um motor "a solo", uma vez que há uma data de variantes onde os motores,
por mais diferentes que sejam, vão inevitavelmente concordar, logo há muitas
coisas calculadas em duplicado, mas não é por isso que deixa de ter o seu
interesse.} 1. Nf3 Nf6 2. d4 {Ah, a cangalhada do costume: P4, 128MB HT a cada
motor, excepto ao decisor, que parece que usa menos (?) . . . livro do
"Shredder Classic 4", o que realmente não importa muito, dado que o meu
conhecimento de aberturas é limitado e por isso acabo quase sempre por jogar
coisas simples e nada ambiciosas, sem grande ciência.} e6 3. c4 d5 4. Nc3 c6 5.
Bg5 Nbd7 6. cxd5 exd5 7. e3 Be7 8. Qc2 O-O 9. Bd3 h6 10. Bh4 Re8 11. Bg3 Nf8 {
Aqui, o livro de aberturas terminou e os motores começaram a pensar.} 12. h3
Bd6 13. Bxd6 Qxd6 14. O-O Be6 15. Rac1 Rac8 {Joguei isto quase ao fim de cinco
minutos, sem plano definido. "Dc2 e Bd3 são uma chatice e o Be6 mais parece um
peão. Se ele tiver temas com Ce5, eu também devo ter com Ce4. Bem, vou pôr uma
Torre à frente da dele, muito mau não será" - assim pensa o piço, e este tipo
de situações acontece tanto!} 16. Qb3 {Depois aparece esta jogada incómoda,
como que a mostrar-me, de caras, as insuficiências de Tc8. Ainda assim,
equilíbrio q.b.} Rc7 ({Não duvido de que} 16... Rb8 {será melhor, mas eu tinha
acabado de jogar aquela Torre para uma casa ao lado, não tinha?}) 17. Qa4 a6
18. Rfe1 Qd7 {A pensar em sacrificar em h3, o que provavelmente seria má ideia,
e apesar da perspectiva de as brancas alojarem o Cavalo em e5.} 19. Qb3 Ne4 {
Ainda com Bxh3 debaixo de olho e já a sonhar com descobertos e Te6. . . mas
tudo muito vago. E daqui, com a ajuda de alguma experiência de vida, concluo:
ou estou a ficar velho, ou estou outra vez deprimido - não consigo calcular!}
20. Qb6 Nxc3 {Que mais?} 21. bxc3 Qc8 22. Rb1 Nd7 (22... c5 {era uma
possibilidade, mas, contra o computador, uma pessoa tem medo de abrir a
posição.}) 23. Qa5 b6 {Para expulsar a Dama branca e ganhar algum espaço.} 24.
Qa3 Ra7 25. Rb2 a5 26. e4 {Esta jogada tem muito bom aspecto e adequa-se muito
bem ao meu plano de ganhar espaço na AD - ou seja, de repente, b5 já não é tão
bonito.} dxe4 27. Rxe4 (27. Bxe4 {parece melhor.}) 27... Bd5 28. Rxe8+ Qxe8 29.
Re2 Qf8 30. Qxf8+ (30. Qc1 {permitia} Bxf3 31. gxf3 Nf6 {e a minha posição não
assusta.}) 30... Kxf8 31. Nh4 b5 32. Nf5 {Ainda pensei em Cf6, mas, depois,
que fazer?} Nb6 33. Rc2 Nc4 ({Não me apercebi das qualidades de} 33... g6 {
, jogada que faz tempo estava a apetecer fazer, mas a que não me atrevi por
causa da perda de h6.} {Olhar para isto posteriormente, e com ajuda,
mostrou-me que, de facto, não havia nada a temer, muito pelo contrário!} 34.
Nxh6 f5 35. g4 {- única jogada que não implica a saída do Cavalo -} (35. f3 {
é interessante: as brancas trocam o Cavalo por dois peões, mas ficam com três
passados,} Kg7 36. Nxf5+ gxf5 37. Bxf5 {, pelo que as pretas têm de conseguir
colocar-se em jogo antes de que eles comecem a avançar, o que em todo o caso
parece possível, com} b4 {.}) 35... Kg7 36. g5 Re7 {e depois a4 e Cc4, por
exemplo, e pela primeira vez no jogo ia sentir que estava realmente bem.}) 34.
Bxc4 Bxc4 35. Ne3 Bd3 36. Rd2 Bg6 {E a ideia de que o Bispo estava melhor em
d6... tanso.} 37. c4 b4 ({Não joguei} 37... bxc4 38. Nxc4 Be4 {para não
enfraquecer o peão "a", mas, bem vistas as coisas, ia dar mais ou menos ao
mesmo.}) 38. d5 cxd5 39. Nxd5 (39. cxd5 a4) 39... Ra6 {Para tirar casa ao
Cavalo e parar o peão passado. Nesta fase, já me ia convencendo que era
possível que não perdesse. O problema era já ter menos de 10 minutos.} 40. Kh2
Rc6 41. Ne3 Ke7 {Jogado com base no princípio genérico de que, se a posição
não aparentar proporcionar-se àquilo a que chamo mates macacos, levar o Rei
para onde se passam coisas não costuma ser mau.} 42. Kg3 Ke6 43. Rd5 {Aqui, o
motor opta por simplificar.} Rxc4 44. Rxa5 (44. Nxc4 {não, evidentemente:} Kxd5
45. Nxa5 Bb1) 44... Rc3 45. Ra6+ Ke5 46. Rb6 Ra3 47. Rxb4 Rxa2 $11 48. f4+ Kd6
({E não} 48... Ke6 {, por causa do garfo:} 49. f5+ Bxf5 50. Rb6+ Ke5 51. Rb5+)
49. f5 Bh5 50. Kf4 Be2 51. Rb6+ Kc7 {Joguei isto porque temia "enconar-me" se
jogasse Re7 ou assim, mas, masi uma vez, a análise posterior mostrou que não.}
52. Nd5+ Kd7 53. Nc3 (53. Rb7+ Ke8 {e as brancas não têm nada, na verdade.})
53... Rc2 54. Nxe2 Rxe2 55. Rb7+ Ke8 {E esta era daquelas posições que eu dava
à S. para aguentar sem perder contra um Rybka ou Shredder, na máxima força,
quando a ensinei a jogar. E sim, normalmente aguentava-se. E sim, achava uma
seca. Gosto de pensar que o fazia, então, para me agradar. Ou talvez fosse só
para eu não a aborrecer! Coisas do tempo da droga, lol.} 56. g3 Ra2 57. Kf3 Ra6
{E muitos lances de chacha depois. . .} 58. Kg4 Rd6 59. Kf4 Ra6 60. h4 Ra4+ 61.
Kf3 Ra3+ 62. Kg4 Ra4+ 63. Kh5 Ra6 64. g4 Rc6 65. Rb5 Ra6 66. Rb8+ Ke7 67. Rb7+
Ke8 68. g5 hxg5 69. hxg5 Ra5 70. Kg4 Ra4+ 71. Kg3 Ra5 72. Kf4 Ra4+ 73. Ke5 Ra5+
74. Kd6 Ra6+ 75. Kc5 Ra5+ 76. Rb5 Rxb5+ 77. Kxb5 Ke7 78. Kc6 f6 79. g6 Kd8 80.
Kd6 Ke8 81. Ke6 Kf8 82. Kd7 Kg8 83. Ke7 Kh8 84. Ke6 Kg8 85. Kd7 Kh8 86. Kd6 Kg8
87. Kc7 Kh8 88. Kb7 Kg8 89. Kc8 Kh8 90. Kd8 Kg8 91. Ke8 Kh8 92. Ke7 {. . . , o
computador propôs o empate.} 1/2-1/2
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Adega de Pegões — Aragonês '2008
Outro Pegões varietal consumido nos últimos dias. Tal como o do post anterior, fermentou em cubas-lagar, a temperatura controlada, tendo depois permanecido mais algum tempo em contacto com os sólidos. O estágio que antecedeu o engarrafamento, dizem, foi feito em pipas de carvalho americano e francês, durante oito meses. Servido a 16ºC, foi bebido sozinho, com codornizes salteadas e com queijo Camembert. Intenso e carnudo, mais que o Syrah '09, mostrou frutos pretos bem maduros, sobretudo ameixa, especiarias e tosta doce. Enfim, os aromas da casta no perfil a que já nos habituaram os varietais da casa. Tão vago, eu sei, e não consigo detalhar melhor. Sabem, aquilo a que chamei "sopa de Pegões" quando publiquei as notas tomadas sobre o seu predecessor de 2005? Não sabem, nem têm porque saber. As especiarias, indefinidas. Meu deus. Quando um vinho não mostra algo que, pelo menos na altura, nos parece, de caras, x ou y, a coisa complica-se. Que se lixe. Aos eventuais interessados, mais alegre e redondo que o Syrah '09, terá sido, aliás, dos mais generosos varietais da Coop. de Pegões que me lembro de ter provado. Não me surpreende que tenha ligado melhor com as codornizes que com o Camembert, que pede coisas mais leves, vinho branco. E sozinho, não maçou. 5€.
16
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Adega de Pegões — Syrah '2009
Hm. Podia pôr-me a dizer que embora vinho de cooperativa ainda sugira bebida plebeia, produzida por e para o povo, com mais ênfase na quantidade e no preço que na qualidade, sem pretensões de mais que regar o quotidiano de gente simples, cada vez são mais aquelas que apresentam produtos interessantes, diferenciados, sendo notável o salto qualitativo dado face ao que existia há uns anos atrás. Mas isso já vocês sabiam, não é? Na verdade, nem sequer acho que a ideia de adega cooperativa ainda transporte consigo um garrafão de zurrapa. Basta olhar para as prateleiras dos grandes supermercados ou para os catálogos que vão surgindo online para perceber que o foco deles já não é esse. Claro que ainda existem algumas excepções, mas estas estão condenadas a desaparecer. É que ser uma curiosidade, só por si, já não chega para garantir a subsistência do que quer que seja. Caralho, estamos em 2012! E pelo menos no que toca ao vinho, o popular, o vulgar, se preferirem, já não é necessariamente mau.Os monocasta da Coop. de Pegões, dos quais hoje vos trago, salvo seja, um exemplar, têm mantido lugar cativo cá por casa. Por norma, são vinhos redondos e relativamente gulosos, que trazem sempre algo mais que a soma da expressão frutada das castas que lhes deram origem com o tempero das barricas onde estagiaram. São bons, baratos e um bocado previsíveis também. Coisa que, a meu ver, não faz mal. Nem sempre. Um vinho não tem de ser sempre emocionante, pois não? O problema é que, quando o caminho escolhido é este, torna-se questão de tempo até que apareça quem venha dizer que são coisas fabricadas, sem alma. E daí à insinuação de que um vasto conjunto de vinhos diferentes, afinal, parecem todos iguais, pouco importando o ano ou as castas que lhes dão origem, vai apenas um pequeno passo. E do advento de um boato a que haja uma porrada de gente a tomá-lo em conta sem pensar, ainda menos.
Em particular, este Syrah da colheita de 2009, vinificado em cubas-lagar de inox, com maceração pelicular prolongada, e estagiado durante dez meses em meias pipas de carvalho, mostrou boa cor, fruta silvestre, escura e madura, misturada com especiarias quentes da casta e ligeiros torrados e outras sugestões que se nota provirem da barrica. De corpo mediano e sabor intenso, naturalmente gulosinho, passou pela boca firme e texturado, com presença. Mais uma vez, portou-se conforme esperado, e agradou.
5€.
15,5
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