quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Redoma '2010 (Branco)

Da Niepoort. As uvas Rabigato, Códega, Donzelinho, Viosinho e Arinto, entre outras, diz a respectiva ficha técnica, de cepas com 40 a 80 anos, plantadas em altitude, fermentaram em madeira, tendo o vinho resultante estagiado sobre as borras finas durante os 9 meses seguintes, sem bâtonnage e sem maloláctica.

Foi servido fresco, directo da garrafa para o copo, quase sem arejar. Flores brancas e tremoço — basto Cerceal? Mais distintos, lá no fundo, ligeiro fumo e cheiro a rosas.

Na boca, mais melão, ou talvez meloa, e um equilíbrio notável entre corpo e leveza, entre frescor e redondez.

No fim, sem que me tenha cheirado a nada para além de vinho branco, sóbrio, trouxe-me à memória uma data de coisas. Isto é complexidade e finura. Os vinhos que consigo trazem disto são sempre bons.

Acompanhou polvo assado, uma das muitas variantes sem vinho tinto no tempero.

14€.

16,5

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Eskuadro & Kompassu '2010

Engarrafado por Kompassus Vinhos, Lda, de Cordinhã, Cantanhede, este tinto consiste num lote constituído maioritariamente por Baga (60%), a que se juntou 20% de Touriga Nacional, 10% de Merlot e 5% de Cabernet Sauvignon e Tinto Cão. Reza o contra-rótulo que foi vinificado em lagar aberto e engarrafado em Dezembro de 2011, após 9 meses de estágio em barrica.

Ora, surge nesse mesmo contra-rótulo uma breve lista de sugestões de emparceiramento à mesa: carnes brancas, peixes gordos condimentados, tapas e queijos. E se mesmo antes de abrir a garrafa, face aos predicados antes referidos, achei algo estranho que não lhe aconselhassem companhia mais substancial, acabei naturalmente por confirmá-lo à mesa, uma vez que se trata de um puro Bairrada, fresco e firme, de alguma forma generoso na fruta e repleto de sugestões terrosas e vegetais. Muito coeso, muito bem acabado, aguentou perfeitamente um lombo de porco assado em cerveja.

5€.

15,5

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Luís Pato — Vinhas Velhas '2010 (Branco)

Bairrada Branco de Anadia, feito por Luís Pato (o sítio da web está bem fixe). Metade do lote é composto por Bical criada em solo argilo-calcário, sendo o restante Cerceal e Sercialinho, em partes iguais, ambas provenientes de solos arenosos. Fermentou e estagiou em inox durante 9 meses.

Vinho de uma complexidade ao mesmo tempo alegre e austera, difícil de dizer. Por um lado, pedra, musgo, humidade. Por outro, toque de casca de laranja e muitas flores brancas. E o conjunto aguenta-se perfeitamente! Passa pela boca cheio e elegante, surpreendentemente fácil.

Quando aberto, acompanhou uma salada de bacalhau parecida com esta, mas com pimentos assados de conserva no lugar dos ovos cozidos. Sobrou um bocadinho para a manhã do dia seguinte, que empurrou um grande cogumelo Eringi, Pleurotus eryngii, partido em três bifes, no sentido do comprimento, e salteado num pouco de azeite e alho, só com sal e pimenta em jeito de tempero. E pickles. E um bocadinho de pão muito escuro. Também se portou bem.

8€.

16,5

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Casa Ermelinda Freitas — Petit Verdot '2010

Mais uma das boas garrafas que por aqui se têm consumido (já desisti de falar das outras), este vinho é um varietal Petit Verdot produzido e engarrafado pela Casa Ermelinda Freitas. As uvas vieram de cepas implantadas nos solos arenosos de Fernando Pó, que será um bom lugar para o desenvolvimento adequado da casta, de amadurecimento tardio, que gosta de calor e precisa de solo com boa drenagem. Conforme reza a respectiva ficha técnica, a fermentação ocorreu em cubas-lagar de inox, a temperatura controlada, com maceração pelicular prolongada, tendo o vinho resultante estagiado durante um ano em meias pipas de carvalho americano e francês.

Potente e original, rico em maracujá e frutos silvestres maduros, muito escuros, também em passa. Terroso, com grafite e ligeiras notas lácteas que faz tempo não encontrava num vinho. De corpo apenas mediano, tanto em volume como em persistência, mostrou sabor intenso, firme e equilibrado. Com o passar do tempo, apareceram no copo notas de caramelo e café. É vinho para bife e foi bebido com um.

8€.

16

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Burmester — Colheita '2001

Vintage tawny da J. W. Burmester & Cª, envelhecido em cascos de carvalho de 550l nas caves da empresa, em Vila Nova de Gaia.

Escuro, castanho avermelhado, com os 20% de álcool bem enterrados apesar da sua compleição delgada, mostrou equilíbrio q.b. entre passas e frutos secos, com boas notas de evolução, pele e um toque de vinagrinho. Este último, seria mesmo? Coisas finas.

Mais: conseguiu parecer realmente fresco quando servido ligeiramente refrescado, o que não é, de todo, trivial.

No entanto, por muito que tenha gostado de algumas das coisas bonitas que me mostrou, não posso evitar a constatação de que no mesmo estilo e idade, já vi vinhos mais interessantes.

20€.

16

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Lavradores de Feitoria — Gadiva Reserva '2009

Douro moderno, honesto e bem feito, com aquela fruta e aquele mato que nem por um momento permitem que subsista qualquer dúvida sobre a sua origem, com corpo, textura e uma ponta de madeira solta. Mais intenso e troncudo que o colheita que lhe corresponde, terá, como o produtor adianta, algum potencial de envelhecimento — gosto sempre de perceber tal termo como margem de progressão.

As uvas, 50% Tinta Roriz, 35% Touriga Nacional e 15% Touriga Franca, fizeram-se vinho em cubas e lagares, com desengace total e macerações prolongadas, vinho esse que depois estagiou em barricas, novas e usadas, de carvalho francês.

Bebi-o ao cabo de um daqueles dias tristes, de chuva, em que só apetece ficar debaixo de cobertores, sem fazer nada, nem sequer pensar na vida que nos obriga a sair e enfrentar as feras lá fora, logo de manhã. Bebi-o com frango assado neste estilo. Comfort food.

6,50€.

15,5

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Quinta de Cidrô — Chardonnay '2010

Varietal Chardonnay da quinta que lhe dá o nome, sita em S. João da Pesqueira e propriedade da Real Companhia Velha. As uvas foram sujeitas a prensa pneumática e fermentaram primeiro em cubas com controlo de temperatura, depois em barricas novas de carvalho francês e americano. O vinho daí resultante estagiou sur lie, com bâtonnage, durante meio ano. Da colheita de 2010 resultaram 25000 garrafas.

De cor palha, carregada, abriu difícil, bafiento. Por baixo, e depois, com o tempo, cheiro firme e interessante. Espargos e manteiga, pão torrado, maracujá, caroço de pêssego. Na boca, fresco e encorpado, ao mesmo tempo, sem confusões. Não é um Chardonnay clássico. Nestes, espera-se fofura e delicadeza, ao passo que aqui, tudo aparece algo maior. Tem 14,5% de volume alcoólico! Mas não é desequilibrado nem mau. Antes, enfim, um branco com alma de tinto. Acompanhou salmão assado.

9€.

16

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Rogue Wave — Everyday


Everyday it's a-gettin' closer / Goin' faster than a roller coaster / Love like yours will surely come my way / A-hey, a-hey-hey. Tão bonito. Cover do clássico de Buddy Holly, por uma interessante (mas pouco falada, pelo menos por cá) banda de Oakland, CA, EUA — os Rogue Wave.