terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Granja-Amareleja — Moreto "Pé-Franco" ' 2009

Varietal de Moreto antigo, não enxertado. O contra-rótulo chama à casta "o ex-libris da viticultura da margem esquerda do Guadiana".

Por os seus vinhos costumarem ser relativamente parcos em cor e corpo, é habitual loteá-los com outros. Não é o que acontece neste caso.

Mais sério que o Alfrocheiro do post anterior, partilha com ele a ameixa, a amora preta, a estrutura firme e o volume mediano.

Aqui, contudo, os taninos estão mais finos e polidos, bem enrolados no corpo do vinho, e não existe ponta de doçura. Aliás, marca-o um verdor algo agreste, que a mim, pessoalmente, agrada bastante.

De salientar, ainda, a sua muito boa acidez, que equilibra 14% de álcool sem que algum deles (ou o seu confronto) chame a si demasiada atenção.

Posto isto, será inevitável concluir que muito mais que uma curiosidade, este é um bom vinho.

Acompanhou uma receita simples de peito de pato no forno e cogumelos shimeji salteados em manteiga.

12€.

16,5

domingo, 6 de janeiro de 2013

Granja-Amareleja — Alfrocheiro ' 2009

Varietal Alfrocheiro da Coop. Agrícola de Granja, estagiado durante um ano em barricas de carvalho francês.

Foi vertido directamente da garrafa, a acompanhar peito de frango panado, com batatas fritas e molhos vários.

Para um deles, juntaram-se dois dentes de alho, picados, a um pouco de sumo de lima, azeite e alguma maionese. Mexeu-se e foi para a mesa.

Para outro, descaroçaram-se umas azeitonas que depois se cortaram em rodelas finas e se misturaram com maionese e um pouco de azeite.

Outros ainda foram comprados.

O vinho, maduro e fino, com montes de cheiro a amora preta e uma mineralidade muito particular. Madeira, quase não senti.

Sem grande potência ou complexidade, transmitiu em expressão correcta o lado delicado da casta. Bonito e inequivocamente original, deixou, no entanto, que o dono o bebesse pacificamente, quase sem pensar. E isso só pode ser bom.

Doze horas depois, servido num balão maior e mais bojudo, tipo Borgonha, mostrou-se ainda mais doce. Mais flores, mais ameixa, mais compota. Em termos de carácter, no entanto, praticamente igual.

Empurrou, então, caldo verde e broa de chouriço.

8€.

15,5

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Celeda — The Underground

No princípio, ficava mesmerizado com a aparência que as coisas tomavam sob as luzes das casas da noite. Fascinavam-me especialmente as luzes UV, que faziam as coisas brancas parecer ter luz própria e davam um aspecto peculiar aos fumos e partículas de cinza de tabaco que pairavam, suspensos, sobre a pista de dança.



L' é um sentimento. Frio, sem grandes características. Não frio como um gelado, mais como um sorvete, mas menos frio, esmagado ao ponto de ficar com uma consistência quase líquida, e a escorrer-me pelos miolos abaixo. Um sorvete azul e branco — como o casaco que costuma usar — que vem em camadas sobrepostas e alternadas. Curiosamente, o branco mistura-se no azul pois há camadas de azul muito mais claro que o original, enquanto o branco permanece branco. O branco mistura-se com o azul tornando-o mais claro, mas continua a ser branco, imaculado. O azul perde parte do seu carácter.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Periquita — Reserva '2010

De acordo com a respectiva ficha técnica, a composição deste tinto "Regional Península de Setúbal" é a seguinte: 38% de Castelão, 34% de Touriga Nacional e 28% de Touriga Francesa. As uvas, provenientes de cepas implantadas em solos arenosos, fermentaram com maceração, tendo o vinho daí resultante estagiado durante 8 meses em carvalho francês, novo e usado. O engarrafamento deu-se em Outubro de 2012. Da mesma marca, já por aqui passaram as edições de 2004, 2005 e 2009, sempre dentro do mesmo perfil e nível de qualidade.

Este não se distancia dos seus antecessores. Continua fácil e generoso, rico em fruta silvestre, negra, madura, até algo gulosa, a fazer lembrar figos e amoras, e outras, com toque de especiaria. Envolvente na prova de boca, de volume e persistência satisfatórios, com taninos bem trabalhados. Enfim, um vinho alegre, que certamente agradará a muitos.

8€.

16

sábado, 29 de dezembro de 2012

Strassmann proposed an elegant experiment whereby they would use barium chloride to carry the "parent" radioactive substance out of the irradiated uranium solution. Barium chloride precipitates in perfect crystals which can be relied upon to be clean of any of the numerous transuranic elements also unquestionably produced by the irradiation. The apparatus was simple and inexpensive: a tube containing a uranium compound was exposed to neutrons, emitted by a source comprising one gram of radium mixed with beryllium and slowed down by a block of paraffin wax, a source many times weaker than the cyclotrons at the disposal of foreign countries. The irradiated uranium solution, now containing the mysterious 3,5-hour substance among a host of other elements produced by the neutron bombardment, was mixed with barium chloride; the crystals formed now contained the minute quantities of what were believed to be radium isotopes. The presence of these isotopes was confirmed when the crystals were checked with Geiger-Müller counters whose pulses were amplified by a simple amplifier powered by scores of Pertrix HT batteries stacked under the wooden bench. The amplified pulses triggered clockwork counter-mechanisms, which Hahn, Strassmann and their two assistants read at fixed intervals, to establish the half-lives of the radioactive substances they had produced.

It was a difficult experiment; the minute quantities of these new radioactive substances were choked by masses of non-radioactive barium chloride crystals, and this led to a routine attempt to separate the supposed "radium" isotopes from the barium carrier, so that the radioactivity of the isotopes could be examined more conveniently. To separate the "radium", they would use their familiar process of fractional crystallization, the process which had originally been used by Mme. Marie Curie to isolate radium. Hahn and Strassmann had performed this experiment many times before, and were thoroughly familiar with it.

When they applied the method now, however, they found to their surprise that they could achieve no extraction of the supposed "radium" isotopes at all.

Was there some error in their technique? During the third week in December, Hahn decided upon a control experiment: he repeated the fractional crystallization, substituting this time a known radioactive isotope of radium — thorium-X — in the solution for their own supposed "radium" isotopes, and diluting the solution until it showed as little radioactivity as their "radium" had. This control experiment went just as it should: a few atoms of the genuine radium isotope could be separated from the barium carrier just as theory had predicted, so there was nothing wrong with their technique.

On Saturday, December 17, Hahn and Strassmann were stil thoroughly bewildered by this unexpected turn of events, but the truth was gradually dawning upon them; that day they repeated the two experiments, simultaneously this time, with both their artificial "radium" isotope and the natural radium isotope mesothorium-I in the same solution, the latter isotope acting as an "indicator". These radioactive traces were carried out of the uranium solution by the same barium carrier, precipitated and fractionally crystallized together — an extraordinarily complex experiment, confused and fouled at every stage by the production of families of radioactive decay products from all the ingredients. At each stage of the crystallization, samples of the barium crystal were tested for radioactivity: the Geiger–Müller counter showed beyond doubt that the mesothorium — the genuine radium isotope — was concentrating from one stage to the next as it should, while their own artificial "radium" isotope was not. The latter was uniformly distributed among the barium crystals sampled at each stage — as uniform as the barium itself. The uniformity was strange, but significant. That night, Hahn wrote in his diary: "Exciting fractionation of radium/barium/mesothorium".

He himself was in doubt no longer: what they had believed to be a radioactive isotope of "radium" could not be separated from barium by any chemical means, because it was in fact a radioactive isotope of barium.

The slow-neutron bombardment of uranium — the heaviest naturally occurring element on earth — had yielded barium, an element not much over half its weight. The uranium atom had burst asunder. Despite the costly equipment of the great foreign physical laboratories, it was a German chemist working with the most primitive of equipment who had made the discovery that was to throw the world of physics into pandemonium.

in The Virus House — Germany's Atomic Research and Allied Counter-Measures; David Irving; Focal Point, 1967.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Redoma '2010 (Branco)

Da Niepoort. As uvas Rabigato, Códega, Donzelinho, Viosinho e Arinto, entre outras, diz a respectiva ficha técnica, de cepas com 40 a 80 anos, plantadas em altitude, fermentaram em madeira, tendo o vinho resultante estagiado sobre as borras finas durante os 9 meses seguintes, sem bâtonnage e sem maloláctica.

Foi servido fresco, directo da garrafa para o copo, quase sem arejar. Flores brancas e tremoço — basto Cerceal? Mais distintos, lá no fundo, ligeiro fumo e cheiro a rosas.

Na boca, mais melão, ou talvez meloa, e um equilíbrio notável entre corpo e leveza, entre frescor e redondez.

No fim, sem que me tenha cheirado a nada para além de vinho branco, sóbrio, trouxe-me à memória uma data de coisas. Isto é complexidade e finura. Os vinhos que consigo trazem disto são sempre bons.

Acompanhou polvo assado, uma das muitas variantes sem vinho tinto no tempero.

14€.

16,5

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Eskuadro & Kompassu '2010

Engarrafado por Kompassus Vinhos, Lda, de Cordinhã, Cantanhede, este tinto consiste num lote constituído maioritariamente por Baga (60%), a que se juntou 20% de Touriga Nacional, 10% de Merlot e 5% de Cabernet Sauvignon e Tinto Cão. Reza o contra-rótulo que foi vinificado em lagar aberto e engarrafado em Dezembro de 2011, após 9 meses de estágio em barrica.

Ora, surge nesse mesmo contra-rótulo uma breve lista de sugestões de emparceiramento à mesa: carnes brancas, peixes gordos condimentados, tapas e queijos. E se mesmo antes de abrir a garrafa, face aos predicados antes referidos, achei algo estranho que não lhe aconselhassem companhia mais substancial, acabei naturalmente por confirmá-lo à mesa, uma vez que se trata de um puro Bairrada, fresco e firme, de alguma forma generoso na fruta e repleto de sugestões terrosas e vegetais. Muito coeso, muito bem acabado, aguentou perfeitamente um lombo de porco assado em cerveja.

5€.

15,5

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Luís Pato — Vinhas Velhas '2010 (Branco)

Bairrada Branco de Anadia, feito por Luís Pato (o sítio da web está bem fixe). Metade do lote é composto por Bical criada em solo argilo-calcário, sendo o restante Cerceal e Sercialinho, em partes iguais, ambas provenientes de solos arenosos. Fermentou e estagiou em inox durante 9 meses.

Vinho de uma complexidade ao mesmo tempo alegre e austera, difícil de dizer. Por um lado, pedra, musgo, humidade. Por outro, toque de casca de laranja e muitas flores brancas. E o conjunto aguenta-se perfeitamente! Passa pela boca cheio e elegante, surpreendentemente fácil.

Quando aberto, acompanhou uma salada de bacalhau parecida com esta, mas com pimentos assados de conserva no lugar dos ovos cozidos. Sobrou um bocadinho para a manhã do dia seguinte, que empurrou um grande cogumelo Eringi, Pleurotus eryngii, partido em três bifes, no sentido do comprimento, e salteado num pouco de azeite e alho, só com sal e pimenta em jeito de tempero. E pickles. E um bocadinho de pão muito escuro. Também se portou bem.

8€.

16,5

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Casa Ermelinda Freitas — Petit Verdot '2010

Mais uma das boas garrafas que por aqui se têm consumido (já desisti de falar das outras), este vinho é um varietal Petit Verdot produzido e engarrafado pela Casa Ermelinda Freitas. As uvas vieram de cepas implantadas nos solos arenosos de Fernando Pó, que será um bom lugar para o desenvolvimento adequado da casta, de amadurecimento tardio, que gosta de calor e precisa de solo com boa drenagem. Conforme reza a respectiva ficha técnica, a fermentação ocorreu em cubas-lagar de inox, a temperatura controlada, com maceração pelicular prolongada, tendo o vinho resultante estagiado durante um ano em meias pipas de carvalho americano e francês.

Potente e original, rico em maracujá e frutos silvestres maduros, muito escuros, também em passa. Terroso, com grafite e ligeiras notas lácteas que faz tempo não encontrava num vinho. De corpo apenas mediano, tanto em volume como em persistência, mostrou sabor intenso, firme e equilibrado. Com o passar do tempo, apareceram no copo notas de caramelo e café. É vinho para bife e foi bebido com um.

8€.

16