sábado, 26 de janeiro de 2013

Filipa Pato — Baga & Touriga Nacional '2009

Mistura de Baga (75%) com Touriga Nacional, provenientes de cepas com idades compreendidas entre os 20 e os 25 anos, criadas em solos argilosos e calcários, este tinto fermentou em lagares de carvalho francês e em tanques de inox, tendo posteriormente estagiado em madeira. A autora é filha do conhecido Luís Pato.

Marcadamente atlântico, mas não verde. Volvido o primeiro impacto, algo austero, mostrou bastante fruta, preta, groselha e coisas parecidas, junto com sugestões fumadas e de caramelo e café. Aparte a possível margem de evolução que nunca é de excluir nos vinhos da região, pareceu-me num bom momento para ser consumido.

Bebi-o com entrecosto, salsichas silesianas (kiełbasa Slaska) do Pingo Doce, cebola roxa e batatinhas vermelhas, tudo assado.

7€.

16

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Quinta de la Rosa — Tawny 10 Anos (Tonel nº12)

A referência ao tonel nº12, informa o produtor, remete-nos para um tonel de 25 pipas que a família Bergqvist tinha armazenado na cave, por baixo da casa, e de onde abastecia directamente a sua garrafeira deste tipo de vinho.

Engarrafado em 2010. Cor granada, escura para tawny. Aroma intenso a nozes pouco frescas e figos em passa, notas iodadas, evolução. O sabor retém bastante fruta não transformada, mais que o que a prova de nariz faria prever. Ameixa, talvez, e figo, de certeza. Enfim, não sendo um "dez anos" dos mais finos ou complexos, mostra pontos de interesse suficientes para justificar visitas futuras.

E com isto, ainda estou por descobrir o vinho desta quinta que me deixe "meh". Começo a convencer-me de que tal coisa poderá não existir.

17€.

16

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Quinta da Nave '2009

Produzido e engarrafado pela Soc. Agrícola Três Irmãs, de Valverde, Fundão, consiste num lote de Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, estagiado em carvalho francês durante seis meses.

À semelhança do vinho do post anterior, do qual terá de se considerar próximo, apenas, a meu ver, um furo acima, trouxe consigo basta quantidade de fruta madura, parcialmente compotada, com fumados e baunilha de barrica a compor (esta última, no outro, não encontrei). Sério, dotado de alguma amplitude e robustez.

Também aparentou preferir a presença de comida com substância. Para terminar, o inevitável reparo à falta de projecção que aparenta ter, pelo menos na web, o que é, em todo o caso, uma pena.

4€.

15,5

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Quinta dos Termos '2009

Neste post e no próximo, dois tintos colheita da Cova da Beira, já a caminho dos três anos. Este, proposta de entrada de gama da quinta que lhe dá o nome, foi feito a partir de Rufete, Touriga Nacional, Trincadeira Preta e Jaen.

Maduro mas não requentado, mostrou cheiros por vezes algo carregados, com compota de frutos silvestres, vermelhos, algum fumo, indício de breve estágio em madeira, e um interessante toque especiado, quente e picante. Na boca, sabor seco, alguma estrutura, acidez suficiente, simplicidade e equilíbrio q.b.. O final, longo e bom, quase surpreendente. Embora tenha deixado claro ainda poder viver em garrafa, será de questionar o que poderão mais alguns anos de envelhecimento adicional trazer-lhe de positivo, tanto mais que agora aparenta estar no ponto, ou perto.

4€.

15

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Granja-Amareleja — Moreto "Pé-Franco" ' 2009

Varietal de Moreto antigo, não enxertado. O contra-rótulo chama à casta "o ex-libris da viticultura da margem esquerda do Guadiana".

Por os seus vinhos costumarem ser relativamente parcos em cor e corpo, é habitual loteá-los com outros. Não é o que acontece neste caso.

Mais sério que o Alfrocheiro do post anterior, partilha com ele a ameixa, a amora preta, a estrutura firme e o volume mediano.

Aqui, contudo, os taninos estão mais finos e polidos, bem enrolados no corpo do vinho, e não existe ponta de doçura. Aliás, marca-o um verdor algo agreste, que a mim, pessoalmente, agrada bastante.

De salientar, ainda, a sua muito boa acidez, que equilibra 14% de álcool sem que algum deles (ou o seu confronto) chame a si demasiada atenção.

Posto isto, será inevitável concluir que muito mais que uma curiosidade, este é um bom vinho.

Acompanhou uma receita simples de peito de pato no forno e cogumelos shimeji salteados em manteiga.

12€.

16,5

domingo, 6 de janeiro de 2013

Granja-Amareleja — Alfrocheiro ' 2009

Varietal Alfrocheiro da Coop. Agrícola de Granja, estagiado durante um ano em barricas de carvalho francês.

Foi vertido directamente da garrafa, a acompanhar peito de frango panado, com batatas fritas e molhos vários.

Para um deles, juntaram-se dois dentes de alho, picados, a um pouco de sumo de lima, azeite e alguma maionese. Mexeu-se e foi para a mesa.

Para outro, descaroçaram-se umas azeitonas que depois se cortaram em rodelas finas e se misturaram com maionese e um pouco de azeite.

Outros ainda foram comprados.

O vinho, maduro e fino, com montes de cheiro a amora preta e uma mineralidade muito particular. Madeira, quase não senti.

Sem grande potência ou complexidade, transmitiu em expressão correcta o lado delicado da casta. Bonito e inequivocamente original, deixou, no entanto, que o dono o bebesse pacificamente, quase sem pensar. E isso só pode ser bom.

Doze horas depois, servido num balão maior e mais bojudo, tipo Borgonha, mostrou-se ainda mais doce. Mais flores, mais ameixa, mais compota. Em termos de carácter, no entanto, praticamente igual.

Empurrou, então, caldo verde e broa de chouriço.

8€.

15,5

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Celeda — The Underground

No princípio, ficava mesmerizado com a aparência que as coisas tomavam sob as luzes das casas da noite. Fascinavam-me especialmente as luzes UV, que faziam as coisas brancas parecer ter luz própria e davam um aspecto peculiar aos fumos e partículas de cinza de tabaco que pairavam, suspensos, sobre a pista de dança.



L' é um sentimento. Frio, sem grandes características. Não frio como um gelado, mais como um sorvete, mas menos frio, esmagado ao ponto de ficar com uma consistência quase líquida, e a escorrer-me pelos miolos abaixo. Um sorvete azul e branco — como o casaco que costuma usar — que vem em camadas sobrepostas e alternadas. Curiosamente, o branco mistura-se no azul pois há camadas de azul muito mais claro que o original, enquanto o branco permanece branco. O branco mistura-se com o azul tornando-o mais claro, mas continua a ser branco, imaculado. O azul perde parte do seu carácter.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Periquita — Reserva '2010

De acordo com a respectiva ficha técnica, a composição deste tinto "Regional Península de Setúbal" é a seguinte: 38% de Castelão, 34% de Touriga Nacional e 28% de Touriga Francesa. As uvas, provenientes de cepas implantadas em solos arenosos, fermentaram com maceração, tendo o vinho daí resultante estagiado durante 8 meses em carvalho francês, novo e usado. O engarrafamento deu-se em Outubro de 2012. Da mesma marca, já por aqui passaram as edições de 2004, 2005 e 2009, sempre dentro do mesmo perfil e nível de qualidade.

Este não se distancia dos seus antecessores. Continua fácil e generoso, rico em fruta silvestre, negra, madura, até algo gulosa, a fazer lembrar figos e amoras, e outras, com toque de especiaria. Envolvente na prova de boca, de volume e persistência satisfatórios, com taninos bem trabalhados. Enfim, um vinho alegre, que certamente agradará a muitos.

8€.

16

sábado, 29 de dezembro de 2012

Strassmann proposed an elegant experiment whereby they would use barium chloride to carry the "parent" radioactive substance out of the irradiated uranium solution. Barium chloride precipitates in perfect crystals which can be relied upon to be clean of any of the numerous transuranic elements also unquestionably produced by the irradiation. The apparatus was simple and inexpensive: a tube containing a uranium compound was exposed to neutrons, emitted by a source comprising one gram of radium mixed with beryllium and slowed down by a block of paraffin wax, a source many times weaker than the cyclotrons at the disposal of foreign countries. The irradiated uranium solution, now containing the mysterious 3,5-hour substance among a host of other elements produced by the neutron bombardment, was mixed with barium chloride; the crystals formed now contained the minute quantities of what were believed to be radium isotopes. The presence of these isotopes was confirmed when the crystals were checked with Geiger-Müller counters whose pulses were amplified by a simple amplifier powered by scores of Pertrix HT batteries stacked under the wooden bench. The amplified pulses triggered clockwork counter-mechanisms, which Hahn, Strassmann and their two assistants read at fixed intervals, to establish the half-lives of the radioactive substances they had produced.

It was a difficult experiment; the minute quantities of these new radioactive substances were choked by masses of non-radioactive barium chloride crystals, and this led to a routine attempt to separate the supposed "radium" isotopes from the barium carrier, so that the radioactivity of the isotopes could be examined more conveniently. To separate the "radium", they would use their familiar process of fractional crystallization, the process which had originally been used by Mme. Marie Curie to isolate radium. Hahn and Strassmann had performed this experiment many times before, and were thoroughly familiar with it.

When they applied the method now, however, they found to their surprise that they could achieve no extraction of the supposed "radium" isotopes at all.

Was there some error in their technique? During the third week in December, Hahn decided upon a control experiment: he repeated the fractional crystallization, substituting this time a known radioactive isotope of radium — thorium-X — in the solution for their own supposed "radium" isotopes, and diluting the solution until it showed as little radioactivity as their "radium" had. This control experiment went just as it should: a few atoms of the genuine radium isotope could be separated from the barium carrier just as theory had predicted, so there was nothing wrong with their technique.

On Saturday, December 17, Hahn and Strassmann were stil thoroughly bewildered by this unexpected turn of events, but the truth was gradually dawning upon them; that day they repeated the two experiments, simultaneously this time, with both their artificial "radium" isotope and the natural radium isotope mesothorium-I in the same solution, the latter isotope acting as an "indicator". These radioactive traces were carried out of the uranium solution by the same barium carrier, precipitated and fractionally crystallized together — an extraordinarily complex experiment, confused and fouled at every stage by the production of families of radioactive decay products from all the ingredients. At each stage of the crystallization, samples of the barium crystal were tested for radioactivity: the Geiger–Müller counter showed beyond doubt that the mesothorium — the genuine radium isotope — was concentrating from one stage to the next as it should, while their own artificial "radium" isotope was not. The latter was uniformly distributed among the barium crystals sampled at each stage — as uniform as the barium itself. The uniformity was strange, but significant. That night, Hahn wrote in his diary: "Exciting fractionation of radium/barium/mesothorium".

He himself was in doubt no longer: what they had believed to be a radioactive isotope of "radium" could not be separated from barium by any chemical means, because it was in fact a radioactive isotope of barium.

The slow-neutron bombardment of uranium — the heaviest naturally occurring element on earth — had yielded barium, an element not much over half its weight. The uranium atom had burst asunder. Despite the costly equipment of the great foreign physical laboratories, it was a German chemist working with the most primitive of equipment who had made the discovery that was to throw the world of physics into pandemonium.

in The Virus House — Germany's Atomic Research and Allied Counter-Measures; David Irving; Focal Point, 1967.