quarta-feira, 20 de março de 2013

Eu vs Comp. (8)

[Event "FICS rated standard game"]
[Site "Free Internet Chess Server"]
[Date "2011.07.19"]
[Round "?"]
[White "Parrot"]
[Black "Vadio"]
[Result "1/2-1/2"]
[ECO "A34"]
[PlyCount "95"]

{Apesar de não o ter perdido, este jogo 15/0 está muito longe de ser coisa de
que me possa orgulhar. O adversário, Parrot [http://www3.nd.edu/~johanes/
parrot.html], do norte-americano Johanes Suhardjo [http://chessprogramming.
wikispaces.com/Johanes+Suhardjo], na versão 130117, a correr em AMD64, a 2,
2GHz. Hash e livro utilizados, não sei, mas também não interessa assim tanto.}
1. Nf3 Nf6 2. c4 e6 3. Nc3 c5 4. g3 Nc6 5. Bg2 d6 6. e3 $6 {Claramente fora do
livro, enfraquece as casas brancas da AR em troca de nada.} (6. O-O Be7 7. d4)
6... a6 $6 {Em xadrez, pode ser difícil distinguir solidez de passividade.
Aqui, eu queria e até julgava estar a conseguir um jogo sólido, quando, na
verdade, apenas estava a enconar-me.} (6... d5 7. d4) 7. d4 cxd4 8. exd4 Be7 9.
O-O O-O 10. Bf4 Qb6 11. b3 Rd8 $6 {Permite o avanço d5, após o qual as brancas
ficam bem melhor.} (11... d5 12. c5 Qd8 13. Na4 Nd7 $14) 12. d5 $16 Nb8 13. Ng5
$6 {O início de um festival de displicência, de parte a parte.} (13. dxe6 {
é simples e eficaz:} Bxe6 14. Ng5 $18) 13... h6 $2 ({Aqui,} 13... e5 {era
suficiente para igualar.}) 14. Nge4 $6 (14. dxe6 {"apenas" deixa as brancas
com uma posição muito melhor (mas ainda não forçosamente ganha) se as negras
encontrarem sempre a melhor defesa num conjunto de posições complexas, às
vezes com jogadas únicas que não são nada evidentes. Para começar,} fxe6 {
é forçado.} (14... hxg5 $2 15. Nd5 $1 Nxd5 16. exf7+ Kf8 17. Bxd5 $18) {
E depois de} 15. Nxe6 Bxe6 16. Qe2 {, a posição das negras vai ficando mais e
mais difícil. Demasiadas complicações, demasiadas tentações, nada de bom a
encontrar :|} Bf7 (16... Bxc4 $2 17. Qxc4+ Kh8 18. Be3 Qa5 19. Bxb7 $18) (16...
Bf5 17. Nd5 Nxd5 18. Bxd5+ Kh7 19. Qxe7 Nc6 20. Qh4 $18) 17. Qxe7 Nc6 18. Na4
Qb4 (18... Nxe7 $6 19. Nxb6 Rab8 20. Rad1 $18) 19. Bxc6 bxc6 20. Rad1 $18)
14... e5 $14 15. Be3 Qc7 16. Nxf6+ Bxf6 17. Ne4 Be7 {E quando as coisas
aparentavam ter começado a serenar, o computador joga} 18. f4 $6 {Para quê?
Não era necessário comprometer a segurança do Rei para continuar o ataque.} (
18. c5) {Mas, pior ainda, eu respondo} 18... f5 $2 {, comprometendo a
segurança do meu próprio Rei em troca de nada!} (18... Nd7) {E mais uma vez o
computador deita fora a vantagem numa posição fácil, com} 19. Nc3 $2 (19. fxe5
dxe5 20. c5 $18) 19... e4 {E eu trato de fechar a posição no centro, para logo,
finalmente, começar a tirar peças.} 20. Qh5 ({Aqui,} 20. g4 $1 {teria sido,
provavelmente, a melhor oposição àquilo que eu estava a tentar fazer.}) 20...
Bf6 21. Rac1 Qf7 {e depois de} 22. Qh3 {as coisas acalmam e eu consigo
equilibrar a posição. A partir daqui, o jogo torna-se mais lento, até chegar
ao bloqueio total.} Qg6 23. b4 Nd7 24. Rfd1 b6 $11 25. a3 Rb8 26. Ne2 Nf8 27.
Nd4 Bxd4 28. Bxd4 Bd7 29. Rc3 ({Com} 29. g4 {, as brancas teriam conseguido
abrir algo mais a posição, coisa de que os computadores usualmente gostam.}
fxg4 30. Qe3 Re8 31. Bxb6 Rbc8 32. c5 {, etc.}) 29... Nh7 30. Qh4 Nf6 31. Bxf6
Qxf6 32. Qxf6 gxf6 $11 {E eu já contente com a posição. Devia ter vergonha de
publicar isto, não é?} 33. Kf2 Kf7 34. Ke3 Rbc8 35. Bf1 Rc7 36. Be2 Ke7 37. Rh1
Rdc8 38. Rhc1 Be8 39. Kd4 ({Para abrir,} 39. g4 {Mas o computador nunca chegou
a decidir-se por o fazer, antes concentrando esforços na ala de Dama.}) 39...
Bd7 40. Ra1 Be8 41. a4 Bd7 {E comigo a meter nojo, o computador voltou a criar
possibilidades. . .} 42. a5 $14 b5 $6 (42... Rb7 43. Rb3 Rcb8 44. axb6 Rxb6 45.
Kc3 Be8 $14) 43. c5 $16 Be8 $6 {Permite g4. De repente, a pressão das brancas
é demasiada em ambas as alas.} (43... h5 {também não resolve nada.} 44. Rac1 (
44. c6 Be8 45. h3 Bg6 46. Rg1 Rh8 47. g4 hxg4 48. hxg4 fxg4 49. Rxg4 Bf5 50.
Rg2) 44... Be8 45. cxd6+ Kxd6 46. Rxc7 Rxc7 47. Rxc7 Kxc7 48. Kc5 $18) 44. c6 (
44. g4 {é mais contundente.} Bg6 45. gxf5 Bxf5 46. Rg1 $18) 44... Bg6 45. Rd1
$6 {Confirmado: este motor não consegue ver a ruptura via g4.} (45. Rg1 h5 46.
h3 Rh8 47. g4 {, etc.}) 45... Rh8 46. h4 $6 {Confirmado o bloqueio, basta
mover peças até o jogo ser adjudicado pela regra das 50 jogadas [http://en.
wikipedia.org/wiki/Fifty-move_rule].} Rhc8 47. Rh1 h5 48. Rhc1 {. . . e um
bocado depois, bocado grande e feio de mais para aqui ser colocado aqui, o
jogo terminou empatado.} 1/2-1/2

segunda-feira, 18 de março de 2013

Quinta do Corujão — Reserva '2008

Engarrafado pelo produtor António Batista, de Rio Torto (Pinhanços, Seia). Vem, portanto, do sopé da Serra da Estrela. A composição, em termos de castas, não é nada de estranho para um vinho da região: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Jaen e Trincadeira. Quanto a vinificação ou estágio, nem uma palavra.

A nota de prova tem de ser curta, para não maçar. Bebido a 16ºC com pãezinhos de chouriço, pão escuro com queijo "São Jorge" com 7 meses de cura, um "Santo Onofre" que trouxe do Afonso e os cubos de lombinho (de porco) estufados que constituíram a base do jantar, mostrou-se ao nariz maduro e envolvente, rico em ameixa e outros frutos negros. Vagamente floral a princípio, depois mais fumado e apimentado, também com toque de café. Na boca, frescura e equilíbrio q.b., sempre. É um vinho de médio porte, sóbrio, até algo austero, sobretudo no final. E inequivocamente gastronómico.

5€.

16

sábado, 16 de março de 2013

Animal Collective — Centipede Hz



When I want fruit I can find it wherever I please / What if I should wake up and find dudes on the street waiting in lines or scrounging for berries?

I'm losing things so fast / One day maybe I'll have a cool kid with a granny but I don't have a pose for applesauce on clothes / Reminisce of the days when my mom made it all seem delicious.

#4, Applesauce.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Quinta de Camarate — Branco Seco '2012

Ainda outro branco da José Maria da Fonseca. As uvas que constituem o lote, Alvarinho (75%) e Verdelho, provenientes da própria quinta, fermentaram em bica aberta, a 16ºC, tendo o vinho resultante sido engarrafado, sem estágio, em Dezembro de 2012.

Servido a 8ºC, pareceu-me essencialmente floral, apesar de trazer consigo notas persistentes, mas não impositivas, de ananás e baunilha. Também evidente certo toque fumado e de vegetal seco, em pano de fundo. Passou macio pela boca, revelando boa acidez. A dada altura, fez-me lembrar uvas brancas.

Gostou mais da companhia de pescada com espinafres (no forno) que do já costumeiro frango de churrasco, mas nunca comprometeu. É um bom vinho, fácil de gostar.

A garrafa foi oferecida pelo produtor, que recomenda um PVP de 6,99€.

16

terça-feira, 12 de março de 2013

Radix '2008

Este vinho pretende ser a proposta em estilo moderno do produtor, a Quinta da Bica, de Seia. Levou Touriga Nacional, Alfrocheiro, Jaen, Tinta Pinheira e Baga. Lote à partida interessante, digo eu. A ficha técnica fala de vinificação clássica e estágio de meio ano em meias barricas de carvalho francês, usadas.

Acompanhou um naco de lombo na pedra e couves de bruxelas, assadas, com alho e azeite. Touriga fina, com cereja preta. Uma presença muito característica do Dão. Com um pouco mais de atenção, encontrei flores e tostados. Tudo coberto, tudo bem arrumado. Fresco e bem macio na boca, de sabor ao mesmo tempo seco e guloso. Vá lá perceber-se isto! O final, quase longo. Acompanhou um naco de lombo na pedra e couves de bruxelas, assadas, e foi todo de uma vez.

10€

16,5

sexta-feira, 8 de março de 2013

Frangas, ou Galinhas novas de Escalope

"Peguem em quatro frangas, tirem-lhes os peitos, cortem-nos em filetes delgados, e iguaes, marinem-nos em azeite, e toucinho derretido, pouco sal, pimenta, salsa, chalota, hum dente de alho, tudo picado fino, cubrão o fundo de huma cassarola com fatias de presunto delgadas, arrumem-lhe por cima os filetes dos peitos das frangas com a sua marinada, cubra-se com pranchas de toucinho, e ponha-se a suar entre dois fogos hum pouco de tempo; tirem-se depois os filetes para outra cassarola, deite-se na bréza, em que se cozerão, huma pouca de substância, huma gota de vinho branco, e hum pouco de culi, e deixe-se ferver hum pouco de tempo; estando reduzido, passe-se pelo peneiro, tire-se-lhe toda a gordura, metão-lhe dentro os filetes da gallinha, sómente, a aquentar, e sirvão-se com çumo de limão."

in Cozinheiro Moderno, ou Nova Arte de Cozinha; Lucas Rigaud; 4a Ed, Tip. Lacerdina, 1807

quarta-feira, 6 de março de 2013

Periquita '2012 (Branco)

Não começarei o post afirmando o quão estranho me parece ver um Periquita branco depois de cinquenta anos de hábito ao tinto, viva-se o presente. O lote: 53% de Verdelho, 25% de Viosinho, 20% de Viognier e o resto, Moscatel de Setúbal. Fermentado em depósito de inox a 16ºC, foi engarrafado, sem estágio, em Dezembro de 2012.

Ainda mais fresco que o seu amigo BSE, rico em frutos de caroço e lima, com ligeiríssimo mas surpreendentemente distintivo travo de Moscatel (o vinho deste ano só levou 2% desta casta, redução considerável face aos 30% do lote do ano passado). Como o outro branco seco proletário da casa, trata-se de um peso-leve cuja graça reside essencialmente na simplicidade e equilíbrio. Versátil e francamente bem feito, muito capaz de dar prazer. Foi o vinho com que acompanhámos o frango de churrasco da passada segunda à noite. (O processo de obtenção desse frango foi deveras díspar do nosso quotidiano: tomámos a bica no Il Café di Roma do retail park enquanto esperávamos que a ave estivesse pronta. A noite, gélida. Entrámos em lojas de cangalhada do tamanho de hipermercados, com três ou quatro empregados à vista e ainda menos clientes, para comprar umas merdices para colar madeira, gomas, papel. Toda aquela luz branca, outra vez o frio. Adoro frio.) O vinho, ah, beba-se jovem.

A garrafa foi oferecida pelo produtor, que recomenda um PVP de 3,99€.

15,5

sexta-feira, 1 de março de 2013

Esmero '2006

Esmero, de Rui Xavier Soares. As vinhas, implantadas em socalcos de xisto, têm aproximadamente 80 anos de idade, com várias castas misturadas (Malvasia Preta, Tinta da Barca e Rufete são alguns dos nomes adiantados pelo produtor). As uvas, pisadas a pé, fermantaram e maceraram em lagares durante uma semana, tendo o vinho resultante estagiado dezoito meses em madeira nova e usada. Encheram-se 3800 garrafas, não numeradas.

Arejei-o em decantador aproximadamente meia hora antes de o trazer para a mesa. Matagal, alcaçuz e muita groselha. Também balsâmico e vagamente etéreo, com toque fumado e de armário de remédios, este é um vinho grande, entroncado, de taninos robustos que já vão reflectindo a acção refinadora do tempo. O final, bastante longo. Enfim, seis anos de bom e típico "vinhas velhas" duriense da new skool, eventualmente capaz de durar outro tanto, desde que bem guardado.

16€.

16,5