terça-feira, 28 de maio de 2013

Caves Vale do Rodo — Porto Reccua Tawny

Tawny corrente engarrafado pelas Caves Vale do Rodo, de Peso da Régua. Acho a garrafinha muito bonita, não podendo deixar de reparar que ostenta uma medalha de ouro conquistada no Vinalies Internationales de 2012. Quanto a predicados, as castas são as típicas da região e o método de produção o expectável, com o estágio em madeira a rondar os dois anos.

Faz tempo que não publico aqui nada a respeito de vinhos do género. Não costuma valer a pena. Mas este foi diferente. Mostrou boa fruta. Preta, quente, em compota — sempre limpa. E com ela, umas notas de chocolate e laranja cristalizada surpreendentemente definidas. Na boca, o volume certo e certa redondez. Simples e bonito, que mais se lhe poderia querer?

Para terminar, a nota de que se foi bebendo ao longo de alguns dias, um pouco com o que calhava, desde línguas de gato caseiras a M&M's.

6€.

15,5

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Domingos Soares Franco, Colecção Privada — Grüner Veltliner, Rabigato e Viognier '2012

A austríaca Grüner Veltliner é a casta autóctone mais importante do seu país. Costuma dar vinhos leves e frescos, com distintivo toque de pimenta branca, por vezes capazes de envelhecer bem. Já a francesa Viognier se associa a caldos menos ácidos e mais gordos, caracteristicamente florais em jovens. E da duriense Rabigato, mais utilizada para trazer frescura a brancos de lote, podem resultar varietais notáveis. Este vinho, singular lote de campo das uvas supra, todas elas criadas no sopé da Arrábida, fermentou em inox e foi engarrafado, sem estágio, em Outubro de 2012.

Veio para a mesa muito frio. Recordou-me então certas noites dos velhos tempos, o travo fraquinho de restos de whisky mega diluídos nos cubos de gelo que ficavam a derreter no fundo do copo. As luzes amarelas do Cais, onde tanto gostava de jogar Trivial e Diamond Elevens nas máquinas, às vezes com o meu irmão; a penumbra do Metalúrgica, ainda quase vazio, ao princípio da noite.

Esperava que se soltasse com o passar do tempo no copo, mas tal não chegou a acontecer. Acompanhou lulas grelhadas no carvão, batatas cozidas (com azeite da Casa Sta. Vitória) e bróculos ao vapor, sempre ligeiro e muito fresquinho, de contornos vegetais, às vezes claro nas sugestões de carioca de limão.

A garrafa foi oferecida pelo produtor, que recomenda um PVP de 9,49€.

14,5

terça-feira, 21 de maio de 2013

Quinta da Pacheca '2011

Situada na margem esquerda do rio Douro, perto da Régua, a Pacheca é uma quinta antiga e sobejamente conhecida, que desde 2009 também inclui um interessante hotel rural.

O vinho é feito de Tinta Barroca, Tinta Roriz e Touriga Nacional. As uvas são pisadas a pé em lagares de granito, onde o mosto fermenta. Estagia em barricas de carvalho francês.

Robusto, tem fruta, acidez e álcool quanto baste. Sempre muito franco, com ameixa preta, mato seco, tostados e couro. Menos fino que o Duas Quintas do post do dia 14, mas também mais animado.

Para acompanhar, almôndegas com spaghetti all'aglio, olio e peperoncino. Apesar do calor, portou-se bem.

A última referência a este tinto aqui no blog é de Outubro de 2008, a respeito do colheita de 2006. E que me lembre, não bebia um vinho destes desde então. De futuro, tentarei manter-me mais próximo, que ele merece.

6€.

15

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Quinta do Cardo — Selecção do Enólogo '2009

Passado algum tempo, regresso ao produtor de Figueira de Castelo Rodrigo. O lote, 60% Touriga Nacional, 20% Tinta Roriz e 20% Touriga Franca, foi sujeito a estágio prolongado em carvalho francês.

Começou a mostrar-se mais após uma hora de arejamento em decantador. Tourigo razoavelmente profundo e encorpado, de madurez caracteristicamente pouco doce, a par de ligeiras sugestões químicas e de passas.

Curioso o frescor, o fluir alegre, face à quantidade de coisas escuras sugeridas — terra, violetas, fumo, alcatrão — todas elas presenças dotadas de certa solenidade. Também inevitável o reparo ao fim de boca, surpreendentemente bom.

Acompanhou com competência um stir fry tão simples quanto substancial, feito com lombinho de porco, entremeada, couve coração e cogumelos.

6€.

16

terça-feira, 14 de maio de 2013

Duas Quintas '2010

Da ficha técnica: "A grande diferença entre o Duas Quintas tinto 2010 e as colheitas dos anos precedentes é o aumento da percentagem de Touriga Nacional para 45% do blend e o acrescento de novas castas durienses, como são a Tinta da Barca, Tinta Barroca, Sousão, Tinto Cão e Tinta Amarela".

Há vinhos que nem encontro necessário levar à boca para que me tragam à memória outras coisas, que podem ser muitas ou poucas e mais ou menos vívidas. Outros, embora também tenham fruta, especiaria, barrica e outros que tais, por mais que eu teime em procurar-lhes nomes, continuam a querer, essencialmente, saber e cheirar a vinho. Ora, é neste segundo grupo que o Duas Quintas se insere.

Com algum esforço, poderia dizer que evocou ameixa e amora preta, das árvores, com um pouco de baunilha doce em pano de fundo. Mas aquilo que mais lhe encontrei foi equilíbrio. O bem proporcionado que é nas suas dimensões apenas medianas. E embora o tenha visto sempre muito bem à mesa, não posso dizer que seja vinho para comida, uma vez que até hoje, por exemplo, não me importava mesmo nada de ficar a beber uma garrafa pela tarde adentro.

9€.

16

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Casa de Saima — Reserva '2010

Faz tempo que não bebia um tinto reserva do produtor. Este, edição recente, composto por 60% de Baga e 40% de Touriga Nacional, as cepas implantadas em solos argilo-calcários, fermentou em lagares e estagiou durante um ano em tonéis antigos de madeira avinhada, à maneira clássica da região.

Resultou um vinho alegre, de volume mediano, com muita fruta doce em destaque. A par de um pouco do verdor terroso da casta predominante, traz aquele toque de rebuçado floco de neve que tanto me agradou em alguns dos seus antecessores.

Matizes florais reforçam a ideia de juventude, aparas de lápis e um pouco de pele ajudam a recordar tratar-se de coisa séria. O fim de boca é médio/longo. Não fora a estrutura mostrada, os taninos com garra, tê-lo-ia apelidado de fácil. Muito bem!

Tendo calhado beber-se com uns cubos de lombinho de porco com vegetais preparado neste estilo, mas desta vez mais variado, fica a nota de que poderia perfeitamente ter acompanhado algo mais substancial.

6€.

16,5

terça-feira, 7 de maio de 2013

Serra Mãe — Reserva '2005

Produzido pela SIVIPA, Soc. Vinícola de Palmela, fermentou em depósitos de cimento, com autovinificadores, a 25ºC. Sem entrar em pormenores, o contra-rótulo menciona estágio em barricas de carvalho francês.

Quase completamente encoberta por densa capa de fruta vermelha, revelou a madurez melada de um Castelão de vinhas velhas, com notas de evolução. Com a fruta vinham flores, e tabaco e rebuçado mais lá adiante, embora não propriamente em pano de fundo.

E nem por um momento se mostrou desequilibrado ou mal saboroso, mas com o volume de boca, o peso, a mastigabilidade apenas pouco mais que medianos, acabaram por sobressair os taninos, numerosos e até um bocadito rudes, sobretudo no final.

No dia seguinte, esperava encontrar moribundo o terço de garrafa que deixara a pernoitar na porta do frigorífico. Mas estava na mesma. Às vezes fodido, este foi um vinho a que, contra as expectativas iniciais, por ser tão raçudo, achei difícil resistir.

6€.

15,5