terça-feira, 4 de junho de 2013

Domingos Soares Franco, Colecção Privada — Syrah e Touriga Francesa '2011

Composto por 95% de Syrah e 5% de Touriga Francesa, fermentado e estagiado em inox, este vinho apresenta um muito bem conseguido compromisso entre sugestões quentes e frescas, plasmado num conjunto de cheiros e sabores deveras interessante.

A fruta é escura e tem aquele toque apimentado que se espera sempre encontrar num Syrah. Escura mas não solene, a mostrar neste momento o viço da juventude, acompanhada de sugestões de caramelo e aparas de lápis, tudo bem alegre.

Também não consegui ficar indiferente aos aromas frescos de algo a que acabei por chamar um bonito ramalhete de flores secas, talvez a marca característica da Touriga Francesa que lhe encontrei mais fácil de distinguir.

Para terminar, fica a nota de o ter bebido com lombinho de vaca cortado em bifinhos pequeninos e gordinhos, batatas fritas e molhos vários. Combinação pouco ambiciosa, bem sei.

A garrafa foi oferecida pelo produtor, que recomenda um PVP de 12,49€.

16,5

domingo, 2 de junho de 2013

SIVIPA — Moscatel de Setúbal '1996

Tal como qualquer outro vinho do género, teve a fase inicial da fermentação interrompida pela adição de aguardente. Macerou depois em depósito de cimento, durante aproximadamente cinco meses, e estagiou dois anos em barricas velhas de carvalho francês.

Muito melado e essencialmente terciário, com cheiro a pipocas com açúcar, nozes, triple sec e flor de laranjeira, canela, maracujá e álcool. Doce e volumoso q.b. na boca, de toque agradável, apenas pecou por certa flacidez, que embora seja comum, não é característica obrigatória do género.

Quando o abri, mostrava um ligeiro travo acre, a fazer lembrar queijo velho e vinagrinho, que foi perdendo ao longo dos dias seguintes, até quase não se perceber.

18€

16

terça-feira, 28 de maio de 2013

Caves Vale do Rodo — Porto Reccua Tawny

Tawny corrente engarrafado pelas Caves Vale do Rodo, de Peso da Régua. Acho a garrafinha muito bonita, não podendo deixar de reparar que ostenta uma medalha de ouro conquistada no Vinalies Internationales de 2012. Quanto a predicados, as castas são as típicas da região e o método de produção o expectável, com o estágio em madeira a rondar os dois anos.

Faz tempo que não publico aqui nada a respeito de vinhos do género. Não costuma valer a pena. Mas este foi diferente. Mostrou boa fruta. Preta, quente, em compota — sempre limpa. E com ela, umas notas de chocolate e laranja cristalizada surpreendentemente definidas. Na boca, o volume certo e certa redondez. Simples e bonito, que mais se lhe poderia querer?

Para terminar, a nota de que se foi bebendo ao longo de alguns dias, um pouco com o que calhava, desde línguas de gato caseiras a M&M's.

6€.

15,5

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Domingos Soares Franco, Colecção Privada — Grüner Veltliner, Rabigato e Viognier '2012

A austríaca Grüner Veltliner é a casta autóctone mais importante do seu país. Costuma dar vinhos leves e frescos, com distintivo toque de pimenta branca, por vezes capazes de envelhecer bem. Já a francesa Viognier se associa a caldos menos ácidos e mais gordos, caracteristicamente florais em jovens. E da duriense Rabigato, mais utilizada para trazer frescura a brancos de lote, podem resultar varietais notáveis. Este vinho, singular lote de campo das uvas supra, todas elas criadas no sopé da Arrábida, fermentou em inox e foi engarrafado, sem estágio, em Outubro de 2012.

Veio para a mesa muito frio. Recordou-me então certas noites dos velhos tempos, o travo fraquinho de restos de whisky mega diluídos nos cubos de gelo que ficavam a derreter no fundo do copo. As luzes amarelas do Cais, onde tanto gostava de jogar Trivial e Diamond Elevens nas máquinas, às vezes com o meu irmão; a penumbra do Metalúrgica, ainda quase vazio, ao princípio da noite.

Esperava que se soltasse com o passar do tempo no copo, mas tal não chegou a acontecer. Acompanhou lulas grelhadas no carvão, batatas cozidas (com azeite da Casa Sta. Vitória) e bróculos ao vapor, sempre ligeiro e muito fresquinho, de contornos vegetais, às vezes claro nas sugestões de carioca de limão.

A garrafa foi oferecida pelo produtor, que recomenda um PVP de 9,49€.

14,5

terça-feira, 21 de maio de 2013

Quinta da Pacheca '2011

Situada na margem esquerda do rio Douro, perto da Régua, a Pacheca é uma quinta antiga e sobejamente conhecida, que desde 2009 também inclui um interessante hotel rural.

O vinho é feito de Tinta Barroca, Tinta Roriz e Touriga Nacional. As uvas são pisadas a pé em lagares de granito, onde o mosto fermenta. Estagia em barricas de carvalho francês.

Robusto, tem fruta, acidez e álcool quanto baste. Sempre muito franco, com ameixa preta, mato seco, tostados e couro. Menos fino que o Duas Quintas do post do dia 14, mas também mais animado.

Para acompanhar, almôndegas com spaghetti all'aglio, olio e peperoncino. Apesar do calor, portou-se bem.

A última referência a este tinto aqui no blog é de Outubro de 2008, a respeito do colheita de 2006. E que me lembre, não bebia um vinho destes desde então. De futuro, tentarei manter-me mais próximo, que ele merece.

6€.

15

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Quinta do Cardo — Selecção do Enólogo '2009

Passado algum tempo, regresso ao produtor de Figueira de Castelo Rodrigo. O lote, 60% Touriga Nacional, 20% Tinta Roriz e 20% Touriga Franca, foi sujeito a estágio prolongado em carvalho francês.

Começou a mostrar-se mais após uma hora de arejamento em decantador. Tourigo razoavelmente profundo e encorpado, de madurez caracteristicamente pouco doce, a par de ligeiras sugestões químicas e de passas.

Curioso o frescor, o fluir alegre, face à quantidade de coisas escuras sugeridas — terra, violetas, fumo, alcatrão — todas elas presenças dotadas de certa solenidade. Também inevitável o reparo ao fim de boca, surpreendentemente bom.

Acompanhou com competência um stir fry tão simples quanto substancial, feito com lombinho de porco, entremeada, couve coração e cogumelos.

6€.

16

terça-feira, 14 de maio de 2013

Duas Quintas '2010

Da ficha técnica: "A grande diferença entre o Duas Quintas tinto 2010 e as colheitas dos anos precedentes é o aumento da percentagem de Touriga Nacional para 45% do blend e o acrescento de novas castas durienses, como são a Tinta da Barca, Tinta Barroca, Sousão, Tinto Cão e Tinta Amarela".

Há vinhos que nem encontro necessário levar à boca para que me tragam à memória outras coisas, que podem ser muitas ou poucas e mais ou menos vívidas. Outros, embora também tenham fruta, especiaria, barrica e outros que tais, por mais que eu teime em procurar-lhes nomes, continuam a querer, essencialmente, saber e cheirar a vinho. Ora, é neste segundo grupo que o Duas Quintas se insere.

Com algum esforço, poderia dizer que evocou ameixa e amora preta, das árvores, com um pouco de baunilha doce em pano de fundo. Mas aquilo que mais lhe encontrei foi equilíbrio. O bem proporcionado que é nas suas dimensões apenas medianas. E embora o tenha visto sempre muito bem à mesa, não posso dizer que seja vinho para comida, uma vez que até hoje, por exemplo, não me importava mesmo nada de ficar a beber uma garrafa pela tarde adentro.

9€.

16