terça-feira, 11 de junho de 2013

Filipa Pato — Bical & Arinto '2011

Começou por mostrar flores brancas, amarelas, e o respectivo mel. Já na boca, assertivas notas limonadas foram transmitindo um muito necessário extra de energia a uma presença globalmente cordata, macia, dominada por sugestões de fruta de caroço, com toque fumado e uma ou outra marca de evolução.

É um bom vinho, consistente e equilibrado, disso não restam dúvidas. No entanto, e sobretudo face ao que por aí foi dito por alguns, na maturidade, deixou a ideia de estar a perder algum brilho.

Adenda:

a) foi bebido com um arrozinho de tamboril clássico, com coentros frescos e uns camarõezitos;

b) um quinto deste lote de Arinto e Bical (em partes iguais) fermentou em cascos usados de carvalho francês.

8€.

16

domingo, 9 de junho de 2013

Quinta dos Carvalhais — Colheita Seleccionada '2008 (Branco)

Os mostos das castas Encruzado e Verdelho fermentaram sob a acção de leveduras seleccionadas, cerca de 20 dias, a temperaturas que não ultrapassaram os 16ºC, tendo o vinho resultante estagiado em barricas de carvalho francês, com diferentes graus de utilização, durante aproximadamente 30 meses. Reza a ficha técnica que após este estágio, a partir das melhores barricas, se construiu o lote final.

Foi servido a 10ºC. Cor palha. Piña colada e baunilha em corpo fresco e cremoso. Também lhe apanhei gengibre e folha de menta, esta como que em pano de fundo e mais perceptível com o vinho na boca. Terminou longo, com notas de frutos secos. Quis parecer-me um branco cheio de porte, fino e aromático, apesar de (ainda?) marcado pela madeira, característica que a S, aliás, não lhe perdoou.

Sempre em bom plano, agradou mais quando emparceirado com uma sopa feita à base de cascas e miolos (o conteúdo da cabeça) de camarão, que também levou cebola, cenoura, tomate e batata, alho, orégãos e estragão, que com os bifes de frango, panados, que se lhe seguiram. Deixou-me com vontade de conhecer melhor alguns dos seus irmãos mais velhos, de modo a poder aferir em primeira mão a sua real capacidade de evolução em garrafa.

9€.

16

terça-feira, 4 de junho de 2013

Domingos Soares Franco, Colecção Privada — Syrah e Touriga Francesa '2011

Composto por 95% de Syrah e 5% de Touriga Francesa, fermentado e estagiado em inox, este vinho apresenta um muito bem conseguido compromisso entre sugestões quentes e frescas, plasmado num conjunto de cheiros e sabores deveras interessante.

A fruta é escura e tem aquele toque apimentado que se espera sempre encontrar num Syrah. Escura mas não solene, a mostrar neste momento o viço da juventude, acompanhada de sugestões de caramelo e aparas de lápis, tudo bem alegre.

Também não consegui ficar indiferente aos aromas frescos de algo a que acabei por chamar um bonito ramalhete de flores secas, talvez a marca característica da Touriga Francesa que lhe encontrei mais fácil de distinguir.

Para terminar, fica a nota de o ter bebido com lombinho de vaca cortado em bifinhos pequeninos e gordinhos, batatas fritas e molhos vários. Combinação pouco ambiciosa, bem sei.

A garrafa foi oferecida pelo produtor, que recomenda um PVP de 12,49€.

16,5

domingo, 2 de junho de 2013

SIVIPA — Moscatel de Setúbal '1996

Tal como qualquer outro vinho do género, teve a fase inicial da fermentação interrompida pela adição de aguardente. Macerou depois em depósito de cimento, durante aproximadamente cinco meses, e estagiou dois anos em barricas velhas de carvalho francês.

Muito melado e essencialmente terciário, com cheiro a pipocas com açúcar, nozes, triple sec e flor de laranjeira, canela, maracujá e álcool. Doce e volumoso q.b. na boca, de toque agradável, apenas pecou por certa flacidez, que embora seja comum, não é característica obrigatória do género.

Quando o abri, mostrava um ligeiro travo acre, a fazer lembrar queijo velho e vinagrinho, que foi perdendo ao longo dos dias seguintes, até quase não se perceber.

18€

16

terça-feira, 28 de maio de 2013

Caves Vale do Rodo — Porto Reccua Tawny

Tawny corrente engarrafado pelas Caves Vale do Rodo, de Peso da Régua. Acho a garrafinha muito bonita, não podendo deixar de reparar que ostenta uma medalha de ouro conquistada no Vinalies Internationales de 2012. Quanto a predicados, as castas são as típicas da região e o método de produção o expectável, com o estágio em madeira a rondar os dois anos.

Faz tempo que não publico aqui nada a respeito de vinhos do género. Não costuma valer a pena. Mas este foi diferente. Mostrou boa fruta. Preta, quente, em compota — sempre limpa. E com ela, umas notas de chocolate e laranja cristalizada surpreendentemente definidas. Na boca, o volume certo e certa redondez. Simples e bonito, que mais se lhe poderia querer?

Para terminar, a nota de que se foi bebendo ao longo de alguns dias, um pouco com o que calhava, desde línguas de gato caseiras a M&M's.

6€.

15,5

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Domingos Soares Franco, Colecção Privada — Grüner Veltliner, Rabigato e Viognier '2012

A austríaca Grüner Veltliner é a casta autóctone mais importante do seu país. Costuma dar vinhos leves e frescos, com distintivo toque de pimenta branca, por vezes capazes de envelhecer bem. Já a francesa Viognier se associa a caldos menos ácidos e mais gordos, caracteristicamente florais em jovens. E da duriense Rabigato, mais utilizada para trazer frescura a brancos de lote, podem resultar varietais notáveis. Este vinho, singular lote de campo das uvas supra, todas elas criadas no sopé da Arrábida, fermentou em inox e foi engarrafado, sem estágio, em Outubro de 2012.

Veio para a mesa muito frio. Recordou-me então certas noites dos velhos tempos, o travo fraquinho de restos de whisky mega diluídos nos cubos de gelo que ficavam a derreter no fundo do copo. As luzes amarelas do Cais, onde tanto gostava de jogar Trivial e Diamond Elevens nas máquinas, às vezes com o meu irmão; a penumbra do Metalúrgica, ainda quase vazio, ao princípio da noite.

Esperava que se soltasse com o passar do tempo no copo, mas tal não chegou a acontecer. Acompanhou lulas grelhadas no carvão, batatas cozidas (com azeite da Casa Sta. Vitória) e bróculos ao vapor, sempre ligeiro e muito fresquinho, de contornos vegetais, às vezes claro nas sugestões de carioca de limão.

A garrafa foi oferecida pelo produtor, que recomenda um PVP de 9,49€.

14,5

terça-feira, 21 de maio de 2013

Quinta da Pacheca '2011

Situada na margem esquerda do rio Douro, perto da Régua, a Pacheca é uma quinta antiga e sobejamente conhecida, que desde 2009 também inclui um interessante hotel rural.

O vinho é feito de Tinta Barroca, Tinta Roriz e Touriga Nacional. As uvas são pisadas a pé em lagares de granito, onde o mosto fermenta. Estagia em barricas de carvalho francês.

Robusto, tem fruta, acidez e álcool quanto baste. Sempre muito franco, com ameixa preta, mato seco, tostados e couro. Menos fino que o Duas Quintas do post do dia 14, mas também mais animado.

Para acompanhar, almôndegas com spaghetti all'aglio, olio e peperoncino. Apesar do calor, portou-se bem.

A última referência a este tinto aqui no blog é de Outubro de 2008, a respeito do colheita de 2006. E que me lembre, não bebia um vinho destes desde então. De futuro, tentarei manter-me mais próximo, que ele merece.

6€.

15