domingo, 11 de agosto de 2013

Quinta das Setencostas '2009

Tinto de Alenquer, produzido pela Casa Santos Lima a partir de uvas das castas Castelão, Camarate, Tinta Miúda e Preto-Martinho. Sem entrar em detalhes, o seu contra-rótulo adianta ter sido elaborado pelo método de curtimenta clássica, com posterior estágio em barrica.

É um vinho de carácter maduro e volume mediano, com um curioso travo maltado. Embora os aromas predominantes sugiram frutos pretos (ameixa, figo) e passas, com subsequente evolução para tabaco/cacau, também tem qualquer coisa de verde e castanho, de terra e vegetais.

Pena que na boca seja um pouco chocho, sendo o maior ponto de interesse que aí lhe encontrei a impressão de os elementos terrosos surgirem mais nítidos do que se tinham mostrado anteriormente ao nariz. Não quero dizer com isto que o tenha encontrado mal saboroso, antes que me pareceu faltar-lhe aquele bocadinho mais do que quer que seja que tinha de estar lá para se poder dizer fresco e vibrante, ou gordo e persistente, ou pura e simplesmente elegante.

Ainda assim, é uma curiosidade interessante quanto baste. Acompanhou com sucesso uma grande empada de coelho.

4€.

15

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Eu vs Comp. (9)

[Event "20/0"]
[White "Mint 2.3"]
[Black "Prata, J"]
[Site ""]
[Round ""]
[Annotator ""]
[Result "1/2-1/2"]
[Date "2012.07.15"]
[PlyCount "90"]

{Mint é um motor de xadrez compatível com o protocolo Winboard, lançado em
2000 pelo sueco Christian Söderström, mais com a intenção de ser um
adversário fixe, de jogo activo, que pura e simplesmente forte. Os eventuais
interessados ainda o podem encontrar no (excelente) RWBC de Guenther Simon.} 1. Nf3 Nf6 2. g3 d5 3. Bg2 c5 4. c4 e6 {Quanto a hardware, o meu velho P4
Northwood a 2992,6MHz, com 256MB de memória alocados a hash (e isso).} 5. d4 dxc4 6. 0-0 Nc6 7. Ne5 Nxe5 8. dxe5 Qxd1 9. Rxd1 Nd7 {Aqui o livro chegou ao
fim e o coiso começou a pensar.} 10. Bf4 ({Apesar de este ser um motor
programado para proporcionar um jogo interessante a humanos, falhou a
continuação mais incómoda possível, e presumo que não de propósito:} 10. Na3 Nxe5 (10... Nb6 11. Nb5 Rb8 12. Nc7+ Ke7 13. Be3 )11. Bf4 Ng6 12. Bc7 Be7 13. Nxc4 )Rb8 11. Nc3 a6 12. Ne4 Be7 {Jogado face ao inevitável Cd6+,
considerando que podia atrasar b5 um pouco para desenvolver. Pensamento vago,
faltou cálculo! Após Cd6+, jogar logo b5 já não é possível. A próxima nota
mostra porquê.} (12... b5 13. Nd6+ Bxd6 14. Rxd6 Bb7 15. Bxb7 Rxb7 16. Rxa6 0-0 )13. Nd6+ Bxd6 14. exd6 ({Era necessário} 14. Rxd6 {, a dobrar Torres na
coluna aberta, mantendo a pressão. Agora é bem evidente porque é que b5 já não
é possível: as brancas têm um tempo importante, que lhes permite impedir a
contestação do controlo da diagonal a8-h1, assim. . .} b5 15. Bc6 {E Bb7 é
naturalmente impossível.} )b6 15. Rac1 b5 {"Tu és um programa de
computador, Mint. Gosto de jogar contigo e faço-o porque quero, mas tenho
muito medo de ti".} 16. Bg5 (16. b3 $5 {, a turvar as águas, seria mais
indicado.} )f6 17. Be3 Bb7 18. Bxb7 Rxb7 19. b3 cxb3 20. axb3 0-0 {
Apesar do medo e dos tempos perdidos, acabei por conseguir desenconar-me. E
quando assim é, há esperança.} (20... a5 )21. Bxc5 Nxc5 22. Rxc5 Rd8 23. Kg2 (23. Rc6 {é praticamente igual:} a5 24. Ra6 a4 25. bxa4 bxa4 26. f4 Rbd7 {etc.} )Rbd7 24. Rc6 a5 25. Ra6 a4 26. bxa4 bxa4 27. f4 Kf7 {E agora, para
perder o jogo, seria preciso fazer bastante asneira, mas estive quase lá.} 28. Rd3 ({Se} 28. e4 {,} e5 $11 )h6 29. Kf3 g5 (29... Rb8 {preserva a
estrutura um pouco melhor, com resultados práticos idênticos:} 30. Rxa4 Rb6 31. Rad4 e5 32. fxe5 fxe5 33. Rd5 Ke6 )30. h4 e5 $2 {Permite f5, com o qual o Rei
negro deixa de ter acesso a e6.} (30... gxh4 31. gxh4 Rc8 )31. hxg5 hxg5 32. fxe5 $6 ({Agora} 32. f5 $1 {já não chega para defender o peão "d", mas tal
também já não é necessário. Depois de} Rc8 33. Rxa4 Rc6 34. Kg4 {, as negras
não vão poder tomá-lo por causa da ameaça combinada dos xeques de Torre com a
intrusão do Rei branco via h5. Por outro lado, tentar manter a estrutura/
oposição também não será possível, uma vez que pela passividade das suas peças
as pretas acabam por ficar sem jogadas -} Kg7 (34... Rcxd6 $2 35. Rxd6 Rxd6 36. Ra7+ Ke8 37. Kh5 )35. Kh5 Rc2 36. e4 Rc1 37. Ra8 Rh1+ 38. Kg4 Rc1 39. Rb3 {etc.
} )fxe5 33. Rd5 Kf6 34. Ke4 a3 35. Rxa3 Rxd6 36. Rad3 (36. Rf3+ Kg6 37. Rxd6+ Rxd6 38. Kxe5 Rd8 39. e4 Re8+ $11 {& so on.} )Rxd5 37. Rxd5 Rxd5 38. Kxd5 Kf5 39. e4+ Kg4 40. Kxe5 Kxg3 41. Kf5 Kf3 42. e5 g4 43. e6 g3 44. e7 g2 45. e8=Q g1=Q {e tendo proposto o empate ao GUI, talvez por força das
tablebases, este aceitou-o.} 1/2-1/2

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Quinta do Cardo — Síria '2011

Varietal Síria de Figueira de Castelo Rodrigo, engarrafado sem ter passado por madeira, após um breve estágio sur lie.

Mineral, musgoso, sugere pedra fria e humidade, mau grado a presença inequívoca de notas citrinas. Com o tempo, também algo como melão aguado. É um vinho de tons limpos, verdes e amarelos, mais verdes que amarelos. Fresquinho e macio, deixa um pós-gosto ligeiramente amargo. Nada maduro, mas ainda menos acre, fará seguramente boa companhia a umas lulas grelhadas. No entanto, sozinho, como o bebi, também não compromete.

Para além de um bom vinho, é também uma curiosidade. Vale a pena atentar na diferença entre o seu carácter quase completamente frio e a tropicalidade directa da maior parte dos seus congéneres do Alentejo, onde é uma das castas mais populares, sob o nome de Roupeiro. Não completamente a despropósito, recordo ainda certo exemplar da colheita de 2006 da mesma quinta, que abatido a caminho dos 3 anos, proporcionou uma experiência organoléptica completamente díspar da presente. A guardar para ver.

5€.

15,5

domingo, 4 de agosto de 2013

Companhia das Lezírias '2008

Castelão, Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon. As cepas, com uma média de idades de 25 anos, encontram-se implantadas nos solos arenosos da charneca do Catapereiro.

Relativamente a como foi feito, passo a citar a ficha técnica que o produtor disponibiliza no seu sítio da internet: "desengace, esmagamento, fermentação alcoólica em depósitos de inox, prensagem, fermentação maloláctica, estágio de 8 meses em barricas novas de carvalho francês e americano".

Trata-se, em poucas palavras, de um Ribatejano maduro, cheio de fruta vermelha, que não procura subterfúgios para tentar esconder a presença do álcool. Também a madeira onde estagiou se nota, sobretudo na boca, mas não destoa, julgo que acima de tudo pela força do conjunto. Apesar de frontal, não é taludo nem bruto, e não brilhando, tem os seus momentos.

4€.

15,5

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Velharias (37)

Sem data, no verso da capa de um livro.



dourado, o tom eléctrico do nosso amanhecer às portas da cidade que nos viu nascer, crescer, fugir

fugir, correr —

parados sob as árvores, ramagens negras soerguidas ao céu, como garras ressequidas

correr —

amanhecer ar e luz numa estradinha dos arredores, ao princípio da alvorada, ainda as luzes da cidade sobre o largo fundo negro

negro dos montes onde nos perdemos.

amanhecer ar e luz num pequeno cemitério de aldeia, assistir de perto ao desmembrar das trevas, o seu ronco de morte dissipado na claridade fria

depois das luzes da via rápida, para lá das casas, hortas, pinhais

por entre os montes, azul disperso —

cinzento, dourado.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Mc Chouffe "Scotch of the Ardennes"

Scotch ale belga, não filtrada e refermentada na garrafa, com 8% de teor alcoólico, é produzida pela Brasserie d'Achouffe.

É uma cerveja que sempre me pareceu algo outonal, provavelmente pela combinação da cor acastanhada que apresenta com o seu cheiro rico, que junto com o malte, a tosta e as leveduras que habitualmente se encontram nas cervejas do género, traz generosa porção de notas doces, de fruta e caramelo.

Num grande balão, apresenta generosa coroa de espuma e bolhas finas, bastante vivas. No entanto, ao contrário daquilo que a sua cor e cheiro levam inicialmente a adivinhar, não pesa na boca. Flui alegre e precisa, sem doçura solta, com um agradável travo frutado que se destaca, a fazer lembrar pêssego.

Não sendo nem querendo parecer um especialista nestas coisas, que cerveja tenho sempre bebido sem pensar, muito menos estudar, e apesar da quase total ausência de elementos amargos que alguns consideram necessários ao género, di-la-ia universal e completa — sem dúvida, uma das minhas cervejas preferidas.

3€/33cl.

domingo, 28 de julho de 2013

The Raincoats — Moving

I'm no one's little girl, oh no, I'm not,
I'm not gonna be — cause I don't wanna be,
I never shall be on your family tree —
Even if you ask me to.



I'm gonna turn you down,
I won't mess you around.
Oh no I'm not.

You can do it, you can choose it —
Trying on.

I'm no one's little girl —
Oh no, I'm not.
I'm not gonna be — cause I don't wanna be,
I never shall be on your family tree —
Even if you ask me to.


sexta-feira, 26 de julho de 2013

Vallado '2010

O produtor adianta que cerca de 80% do lote (30% Touriga Franca, 25% Touriga Nacional, 20% Tinta Roriz, 5% Sousão e 20% de vinhas velhas) estagiou durante 14 meses em cubas de aço inoxidável, tendo o restante passado o mesmo período em meias pipas de carvalho francês de 3º e 4º ano.

Bebi-o sem tomar notas. Foi em casa, à hora do costume, e o caderno estava lá, mas não apeteceu. Agora, alguns dias depois, lembro-me de um tinto jovem mas já feito, completamente adulto e claramente do Douro, de volume e persistência medianos, focado na fruta, sobretudo negra, com toque de pimenta, baunilha e mato rasteiro, taninos vivos e uma acidez muito refrescante a ligar todo o conjunto.

Não tendo agradado tanto quanto o espécime da última colheita aqui registada, 2007, que adorei, é sem dúvida um vinho sólido, que consegue o recorte moderno sem comprometer noutros aspectos, como a tipicidade ou a elegância, coisa que imagino não trivial face à quantidade de experiências mais ou menos falhadas que se podem encontrar em circulação, mas a que a casa que o produz nos foi habituando com invulgar consistência, faz já algum tempo, mesmo nas gamas de entrada, de grande tiragem. A repetir.

7€.

16

terça-feira, 23 de julho de 2013

Quinta da Bica '2005

Beirão de Seia, produzido pela quinta de que leva o nome. O contra-rótulo refere um lote de castas típicas da região (Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz e Jaen) do qual metade foi sujeito a um estágio de nove meses em carvalho francês. Do mesmo produtor, já por aqui passou um Radix da colheita de 2008, de que guardo boas memórias.

Abriu com fruta muito madura, acompanhada de uns apimentados e tingida por ligeiro mofo que acabou por se dissipar ao cabo de uns minutos no copo. Especiarias mais presentes na boca, esta de textura polida e final bem razoável. Cerebralizando, podia penalizá-lo por ser um peso-leve de contornos quentes, mas não posso negar que o conjunto resulta bem agradável. É daquelas coisas que talvez só se percebam bebendo.

Sobrou quase meia garrafa para o segundo dia, que acompanhou uns naquitos de frango com couve coração. A fruta manteve o seu perfil, mas surgiram bastantes notas de bosque que antes não havia notado. Aromas terciários, não. Oxidação, idem. Fiquei agradavelmente surpreendido com este vinho, que a caminho dos oito anos ainda não evidencia qualquer sinal de declínio. E claro, apresenta uma RQP imbatível.

3€.

16

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Adega de Vila Real — Grande Reserva '2009

A seu respeito, a apresentação que o produtor disponibiliza no respectivo sítio da internet refere Tinta Barroca, Tinta Roriz, Tinto Cão, Touriga Franca, Touriga Nacional, uma percentagem de vinhas velhas plantadas em altitude e estágio prolongado, sem definir com precisão o respectivo intervalo de tempo, em barricas de carvalho francês (75%) e americano.

Comprado após a boa experiência havida com o do post do passado dia 14/7, não desapontou. Trouxe consigo fruta com foco e profundidade, um toque de especiaria, alguns cheiros que conoto sempre com a presença de tourigas, chocolate preto, tosta e baunilha das barricas onde estagiou, e uma estrutura, sem surpresa, consideravelmente superior à do Reserva (maior e mais madura).

Ora, apesar de ser um vinho gordito que se fartou de sugerir coisas de carácter quente, até se mostrou bastante fresco durante as mais de duas horas que esteve aberto, não tendo o factor exposição contribuído para que a dada altura se tornasse mais morno ou pesado; primeiro a fazer companhia a um coto de peru assado, depois com Cheddar velho e o filme do próximo post.

7€.

16